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terça-feira, dezembro 31, 2013

A Lagoa de Óbidos sem Mar


Há pouco falei com o meu irmão ao telefone e ele contou-me de uma forma quase fotográfica o panorama actual da Lagoa de Óbidos, com a ligação para o Oceano fechada, naturalmente, depois de anos e anos de erros humanos...

Com o aumento das chuvas e dos caudais dos rios, as águas da Lagoa estão acima do nível do mar.

A coisa pode tornar-se preocupante, se os tipos que fingem que "mandam chover" continuarem de mãos nos bolsos, à espera que a natureza resolva o problema...

Esta fotografia já tem uns anitos mas é das que mais gosto, da minha autoria, da Foz do Arelho.

Desejo a todos aqueles que viajam pelo Oeste e pelo Mundo, um ano em que sintamos que as coisas estão a mudar, para melhor, embora seja difícil com gente tão incompetente ao leme da "barca"...

domingo, novembro 10, 2013

Álvaro Cunhal e a Fuga de Peniche


Álvaro Cunhal é uma figura que ficará ligado ao Oeste para sempre, graças à fuga espectacular da Fortaleza de Peniche, que protagonizou com mais alguns camaradas, no princípio de Janeiro de 1960.

Fortaleza que albergou maioritariamente presos políticos durante a ditadura e onde o meu avô paterno esteve alguns meses na segunda metade dos anos cinquenta e teve a oportunidade de conhecer o homem e o "mito" (o facto de não ter contacto com outros presos, só serviu para aumentar o "mito", ainda por cima, por estar naquela situação sem ter assassinado ninguém ou cometido qualquer furto milionário. O seu único crime conhecido era o de lutar pela liberdade, contra a ditadura salazarista...).

Álvaro Cunhal faz hoje cem anos, e é, sem qualquer dúvida, uma das principais figuras da história da resistência do nosso país no século XX.

Mas Álvaro foi muito mais que um político. Grande apaixonado pela Cultura, abraçou as artes plásticas e a literatura, com reconhecidos méritos (a pintura e a escrita foram a sua grande companhia e escape no cárcere, em Lisboa e Peniche...), especialmente nos anos de prisão, em que esteve quase sempre incontactável e confinado à sua pequena cela.

quinta-feira, outubro 24, 2013

As Mulheres da Família


«Você é filho da Maria, neto da Henriqueta e sobrinho da Ilda, não é?»

Disse que sim, com um sorriso, ao homem que depois de me interrogar, estendeu o braço e a mão para me cumprimentar.

Retribui o cumprimento e ele perguntou quase se seguida: «você é o professor de ginástica ou o escritor?»

Acrescentei que era o jornalista, sem perder o sorriso.

Entretanto sou salvo por uma mulher bonita, que me levou até um pequeno grupo, onde me apresentou e me recordou de um projecto colectivo (que eu já tinha esquecido...) que provavelmente não terá viabilidade.

Quando caminhada pela rua, fiquei a pensar nas palavras do homem, que só se lembrou das mulheres da família, nem sequer referiu o nome do avô Manuel...

O óleo é de Kathy Jones.

sábado, setembro 14, 2013

Tempo das Vindimas


Se há algo que me deixa bastante nostalgia, dos tempos que passava nos campos, é a época das vindimas.

Hoje, à distância de mais de uma década (a última vez que participei nas vindimas deve ter sido em 2000...), sinto saudades de toda aquela movimentação, das pessoas e das suas conversas (mesmo das brejeiras...), da paragem para a "bucha", que era quase um piquenique, das viagens até ao lagar por caminhos levados da breca e depois do exercício de força que travávamos para esmagar as uvas e ver o vinho a escorrer para a pia, que depois o motor levava para os depósitos.

Até consigo ver o rosto de felicidade do avô, a medir o grau do vinho...

E se recuar mais tempo, vejo-me ainda pequenote a ficar quase coberto até à cintura pelas uvas, descarregadas da tina, no momento em que ainda as posso pisar, antes de entrarem os homens para trabalharem e não brincar no lagar...

sábado, setembro 07, 2013

Não Quero e Não Posso


A propósito do comentário da Rosa, ao último texto publicado, em que dava conta do "desaparecimento físico" da cada dos meus avós maternos, só posso dizer que não quero nem posso desistir de Salir de Matos.

Não são apenas as memórias que me prendem, felizmente ainda tenho por lá familiares (tios e primos). Acho que vou gostar sempre de passar por lá, mesmo que as visitas sejam cada vez mais espaçadas...

Mesmo não sendo uma certeza absoluta, penso que se a "casa da avó" (foi sempre a casa da avó e nunca do avô, vá lá saber-se porquê...) tivesse calhado em herança à minha mãe, ainda era da família e estaria habitável.

Isto não é uma crítica à opção dos meus tios, que venderam  casa à paróquia (que na altura disse o contrário do que veio a acontecer, a casa era para recuperar e não para cair em ruínas). É mais uma constatação sentimental, de um lugar com tão boas memórias...

terça-feira, setembro 03, 2013

Os Nossos Olhos Só Vêm o que Querem Ver


No dia 15 de Agosto passei por Salir de Matos e vi que já nada restava da velha casa dos meus avós, onde nasci há cinquenta e um anos.

Disseram-me que a casa já tinha "desaparecido" da última vez que tinha vindo a Salir.

Fiquei a pensar que os nossos olhos só vêm mesmo o que querem ver...

sexta-feira, agosto 16, 2013

Agosto: Mês de Regressos


Agosto sempre foi o mês do regresso a casa dos emigrantes, mesmo que apenas por algumas semanas.

É a oportunidade de abraçarmos familiares e amigos e também de conhecermos novos elementos do nosso "clã", que nasceram noutras paragens. 

Quem emigrou para a Europa, regressa invariavelmente todos os anos à Terra Natal. O mesmo já não acontece com que vive no outro lado do Atlântico, que raramente regressa todos os anos a este canto, que consegue ser maravilhoso, apesar dos "desnortes" governativos consecutivos...

Dos primos novos que conheci este ano, a Lara, o Tiago e a Neve, a pequenina que foi baptizada com este nome bonito e singular, merece um destaque especial, até por sermos um país com poucos nevões. Então no Oeste são raríssimos...

O óleo é de Steve Hanks.

domingo, julho 07, 2013

Senti Falta do Microclima do Oeste...



Ontem passei pelas Caldas e acabei por ficar para jantar.

Estava esperançado em encontrar o "microclima" especial do Oeste, que torna as noites caldenses bem mais frescas que as almadenses. Não tive sorte.

Ontem, "Marrocos" também tinha conseguido chegar às Caldas...

O óleo é de Normam Lundin.

quinta-feira, julho 04, 2013

Hoje é Dia do Meu "Anjo da Guarda" Visível


Nunca me questiono sobre a possibilidade de em vez de ter sido irmão mais novo, ter sido mais velho.

De certeza que não teria cumprido a minha missão como o meu irmão, que foi um autêntico "anjo da guarda", especialmente na infância.

Não me lembro de correr perigo a seu lado...

Obrigado Mano!

sábado, junho 15, 2013

A Padeira de Pano Branco na Cabeça


Quando vi a mulher com o pano branco na cabeça, junto ao forno e à massa do pão, lembrei-me da minha avó materna.

Não senti tristeza, apenas nostalgia e da boa...

Sem ter de fechar os olhos vi a avó com a pá enorme, que devia ser parecida com a senhora da lenda de Aljubarrota, com o pano branco na cabeça, a trazer e a levar o pão para dentro do forno a lenha.

Só faltou ela dar-me a "brandeira" pequena, que depois de tirar do forno, colocava açúcar amarelo, que derretia imediatamente e era uma delícia...

O óleo é de Jean-François Millet.

quarta-feira, junho 05, 2013

Linha do Oeste


Desde bastante cedo que senti que a Linha do Oeste cortava a minha Cidade ao meio.

Antes de andar na escola, andei numa espécie de "pré-primária" e tinha de atravessar a linha, juntamente com o meu irmão, todos os dias, sob o olhar atento da senhora que abria e fechava as cancelas e erguia uma bandeira, quando as carruagens passavam, que recebia recomendações da mãe.

O comboio de mercadorias era um desespero para os condutores e uma alegria para nós, que tínhamos ali um bocado do "comboio eterno" do Pina. 

Um dos nossos entretimentos era contar o número "quase infinito" de carruagens...

domingo, maio 05, 2013

Tenho Saudades do Calor ó Mãe


Tenho Saudades do Calor ó MãeTenho saudades do calor ó mãe que me penteias 
Ó mãe que me cortas o cabelo — o meu cabelo 
Adorna-te muito mais do que os anéis 

Dá-me um pouco do teu corpo como herança 
Uma porção do teu corpo glorioso — não o que já tenho — 
O que em ti já contempla o que os santos vêem nos céus 
Dá-me o pão do céu porque morro 
Faminto, morro à míngua do alto 

Tenho saudades dos caminhos quando me deixas 
Em casa. Padeço tanto 
Penso tanto 
Canto tão alto quando calculo os corpos celestes 

Ó infinita ó infinita mãe 

Daniel Faria, in "Dos Líquidos"
O óleo é de Kuzma Petrov.

terça-feira, abril 23, 2013

Livros e Leitores sem Idade


Apesar das mudanças na sociedade, o livro continua a ser o livro.

Continua a ser um companheiro de muitas horas e de gente de todas as idades.

Digo isto porque a minha filha com apenas oito anos, já é uma "devoradora" de livros de papel.

E não se contenta apenas com os cá de casa, gosta de requisitar livros da biblioteca da escola.

Claro que sei que esta paixão continua a ser coisa de minorias, uma boa parte das pessoas que compram livros, fazem-no com o intuito de decorar as estantes. É a vida...

A propósito tenho uma pequena surpresa no blogue "A Minha Carroça de Livros". Se vos apetecer, apareçam...

O óleo é de Robert Duncan.

quarta-feira, abril 10, 2013

«Bom dia Cidade!»


Foi quase isto que fui fazer às Caldas, na terça-feira.

À cidade, praticamente só lhe fui desejar bom dia, embora já se caminhasse para a tarde. Mas não foi um bom dia qualquer, levava um sorriso aberto.

Ainda passei pelo Parque. Embora não esteja tão primaveril como noutros tempos, pensei que o iria encontrar pior, por ser mais uma "vitima", completamente inocente, das guerras de "poder" que se multiplicam por este país, quase sempre sem sentido.

O resto do tempo foi para colocar a conversa em dia com a  minha mãe.

terça-feira, abril 02, 2013

Bom Dia Abril


Apetece-me dizer, «Bom dia Abril»!

Mas digo-o hoje, dia dois, para que não seja mentira.

Porque Abril é sempre sinal de esperança e muitas vezes de mudança.

Que seja, mas para melhor.

Esta janela que escolhi é tão "Oeste"... lembra-me outras janelas do meu contentamento, lá para os lados de Salir de Matos e arredores, onde fui feliz...

O óleo é de Damian Elwes.

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Os Nossos Espelhos


Algumas das reacções do meu filho fazem-me lembrar a minha rebeldia enquanto adolescente, em que mesmo sem saber quase nada da vida, já pensava saber tanto.

Mas grave é vermos alguns adultos a confundirem as palavras como se fossem adolescentes.

Às vezes apetece-me dizer-lhes que convicção não é a mesma coisa que teimosia, tal como coerência não é sinónimo de burrice.

Mas para quê?

O desenho é do genial Rafael Bordalo Pinheiro.

quarta-feira, dezembro 19, 2012

A Música e a Arte do Assobio


Estávamos a ouvir música, quando a minha filha me pediu para  lhe ensinar a assobiar. Fingi que não existia uma fórmula ou uma técnica especial na arte do assobio.

Disse-lhe que era tudo espontâneo e girava em volta do fôlego e do jeito de usar os lábios e a língua no sopro...

Ainda por cima tinha um contra, nunca fui muito bom no assobio, especialmente naquele estridente em que usamos os dedos como ajuda, que torna os estádios de futebol, num lugar ainda mais absurdo e ensurdecedor...

O óleo é de Jim Daly.

terça-feira, dezembro 11, 2012

O Gostar é Outra Coisa


Quem tem mais que um filho, raramente consegue ter o mesmo tipo de relacionamento com ambos. 

Isso não tem nada a ver com o gostar, tem mais a ver com as proximidades, com a conjugação de feitios, com os pontos comuns que nos unem. E claro, com a diferença dos sexos, que também é um ponto de atracção, no melhor dos sentidos...

O "barro" com que somos feitos e moldados nunca é igual, mesmo que venha da mesma "fábrica"...

O óleo é de Marina Marcolin.

terça-feira, novembro 20, 2012

O Fascínio pela Banda Desenhada


As aventuras de banda desenhada fizeram parte integrante da minha infância e começo de adolescência.

Quando olho para trás, considero que foram bastante importantes como base de leitura. De certeza que me influenciaram, inclusive no gosto que tenho em contar histórias.

Claro que estou a contrariar um dos meus tios, que achava que os meus pais não nos deviam deixar ler tanto "lixo"...

Felizmente os meus pais nunca lhe deram ouvidos e nunca se preocuparam com essas leituras, por várias razões, num tempo em que os livros só com palavras eram objectos de luxo.

Tempo esse que está a voltar, lentamente...

O óleo é de Jim Daly.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Os Pratos Metálicos...


Estava à procura de uma imagem para um trabalho, quando encontrei este quadro de Mário Fani, que estava guardado para publicar por aqui, um dia destes, com o pensamento no meu pai e no meu sogro, que já não estão entre nós.

Ambos nascidos e criados na Beira Baixa, tinham um fascínio pelos pratos metálicos, com que deveriam ter a maior parte das refeições durante os anos que viveram nas suas aldeias, que ainda continuam quase perdidas no interior.

Digo fascínio, porque pude testemunhar nos dois casos que, quando por uma ou outra razão, almoçavam sozinhos e tinham de tirar os pratos do armário, escolhiam sempre os de metal, quase escondidos e com muito pouco uso (a mãe usava-os apenas para os fritos...).

Só hoje é que pensei na razão pela qual o faziam. 

Provavelmente aquele gesto simbolizava o seu regresso à infância, à mesa da casa dos pais. Apesar de terem sido tempos de fome (ambos cresceram durante a Segunda Guerra Mundial...), estava tudo ali, reflectido naqueles pratos...