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sábado, maio 21, 2011

Gila Leva o Caldas à Segunda


Como caldense (embora afastado...) fiquei bastante feliz com as subidas do Caldas e do S.C. Caldas, à segunda divisão bê de futebol e à primeira divisão de voleibol.

Claro que a subida do Caldas tem um sentimento especial, não tivesse eu também jogado nas suas camadas jovens.

E fiquei ainda mais feliz por a equipa subir tendo o Gila como treinador, o mesmo que quase foi "escorraçado" do clube, depois de estar meses e meses sem receber ordenado, tal como os atletas, quando a equipa desceu à terceira (se há coisa que não tenho é a memória curta). Mesmo à distância pude ver os "ratos a saltarem todos do porão", deixando o Caldas quase falido.

Alguns destes "ratos" tinham responsabilidades acrescidas por ser governantes da cidade, mas o famoso "saco azul" de Felgueiras assustou todos os autarcas de Norte a Sul que financiavam o futebol, do qual estavam habituados a retirar dividendos políticos...

Parabéns ao Caldas, aos seus dirigentes, sérios e competentes, ao seu excelente treinador, e claro aos jogadores, pois são eles que vencem os jogos dentro das quatro linhas.

A fotografia é de um Caldas-Sporting, nos seus bons tempos da primeira divisão, no Campo da Mata, cheio de espectadores...

quinta-feira, abril 21, 2011

A Janela, o Gato e as Flores


Aquela janela podia ser a da casa da minha avó.

Ela continuou a ter vasos com flores, um gato para não se limitar a falar com as paredes, e claro, a janela, para espreitar o mundo...

Era uma janela parecida com esta, pintada por António Capel.

quarta-feira, abril 06, 2011

Os "The Gift"


Gosto bastante dos "The Gift", pela sua grande qualidade musical.


Considero-os a banda portuguesa com mais capacidade de triunfar pelo mundo fora.

Gostei muto das cores que usaram na promoção do seu trabalho mais recente.

Mas mais palavras para quê? São uma banda do Oeste e está tudo dito.

sexta-feira, março 04, 2011

O Bom dos Pequenos Lugares


Embora goste da discrição e da quase invisibilidade que as cidades nos proporcionam, não deixo de me deliciar com a afabilidade das aldeias. Algo que felizmente ainda existe na zona onde vivo (já não há bairros, agora são ruas, praças, freguesias...), num espaço de casas mais modestas, onde troco sempre cumprimentos com os moradores, que estão invariavelmente na rua, ou à porta, a estender a roupa ou a fazer outra coisa qualquer...

É algo que acontece há anos, porque só por passarmos por um lugar, todos os dias, criamos alguma familiaridade com as pessoas que estão quase sempre por ali. Às vezes esta troca de cumprimentos até começa por causa dos animais. Acho que foi mesmo assim que começou, por causa de um cão que ladrava mas felizmente não mordia, embora gostasse de se aproximar quase no limite das minhas calças.

As pessoas descansavam-me, diziam que ele não mordia. Claro que não me fiava totalmente nelas, com o aproximar da "fera".

E foi assim que começou a ladainha diária do bom dia e boa tarde, olhos nos olhos, às vezes com mais uma ou outra palavra.

O curioso é que esta "posta" começou com a minha resposta a um comentário da Gaivota...

O óleo é de Jorge Frasca.

domingo, fevereiro 27, 2011

Parabéns Isabel!

Ao passar pelas "
Águas Mornas" do Zé Ventura, fiquei a saber que a nossa Isabel Castanheira tinha sido premiada nas "Correntes D'Escritas", da Póvoa do Varzim, com o "Prémio Especial Livreiro".
É um prémio mais que merecido por alguém que não se preocupa apenas em vender livros, procura divulgar e partilhar a literatura, através da sua ligação especial aos livros e aos autores, numa cidade onde a Cultura continua a não para todos.

Parabéns Isabel!

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

As Ligações Familiares Sempre Presentes

Há quem não goste da excessiva familiaridade das aldeias ou dos bairros pequenos, onde toda a gente se conhece, ou pelo menos faz por isso. Eu sempre achei este aspecto divertido e curioso.

Provavelmente isso acontece por ter sido sempre um "turista", alguém que chega de fora ou está de passagem na aldeia.

Só durante a infância é que passei mais tempo em Salir de Matos, durante uma boa parte das férias grandes. A partir da adolescência, as visitas passaram a ser mais espaçadas e eu passei a ser alvo do olhar dos aldeões de todas as idades. Ouvia-os a tentarem colocar-me em qualquer família (nas aldeias não se sussurra em silêncio...) , até acertarem. Sorria quase sempre para dentro e fingia que não percebia, sem fornecer qualquer pista...

Além destes "reconhecimentos" de rua, existem ainda as não menos curiosas conversas de café, onde também é possível ganharmos um ou outro familiar, mesmo que afastado, quando menos esperamos.

Algumas pessoas praticamente analfabetas demonstram-nos o quanto é importante a memória visual e oral. São capazes de construir verdadeiras árvores genealógicas, durante mais de um século, sem precisarem de um papel ou de uma caneta.

Eu adoro estas viagens, gosto sempre de conhecer mais coisas dos meus bisavós e de outros parentes afastados.

O óleo é de François Barraud.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

O Velho Valdemar

[...] Quando via alguém mais idoso, agarrado a uma rede, recordava-se sempre de um velho lobo do mar da Nazaré que originara uma crónica sobre esse extraordinário pescador cheio de rugas e cabelos brancos que o enchia de orgulho.
De tempos a tempos lia o recorte de jornal com a sua assinatura. Era como se voltasse por breves instantes ao convívio com aquele homem cujas emoções à flor da pele se confundiam com as ondas do mar: «Chamam-lhe velho e já não o deixam ir ao mar... mas Valdemar continua a sentir a mesma vontade de partir, ao desafio, pelo interior das ondas do Atlântico que continuam a bater próximo do seu coração.
Ele não consegue esconder o desgosto de ficar em terra, enquanto os outros se aventuram pelo mar fora. Sente que remendar redes não é digno como final de vida, de quem desde os treze anos começou a ir para o mar, desafiando os muitos demónios que se banhavam nas águas da Nazaré.
Na vila todos o conhecem por “Leão do Mar”, uma alcunha com mais de cinquenta anos, fruto das muitas aventuras vividas ao longo dos seus setenta e um anos, curtidos pelo sal e sol da vida, algumas das quais se transformaram em lendas...
Valdemar foi um dos poucos pescadores da sua geração que aprendeu a nadar, ao ponto de ser requisitado no Verão, durante décadas, como nadador salvador da bonita praia da Nazaré.
Salvou centenas de pessoas da morte certa na época balnear, sem esquecer alguns amigos de profissão, corajosos, que desafiavam o mar, sem sequer se conseguirem manter à tona de água.
Ele nunca aceitou de bom grado que grande parte dos seus companheiros não soubessem nadar, agarrados à desculpa de que em caso de naufrágio, o sofrimento seria menor, esquecidos das ínfimas possibilidades que teriam de sobreviver a qualquer contratempo caso se deslocassem dentro de água. Foi por isso que ensinou muitos pescadores, menos dados à teimosia a nadar.
Mas não é só por isso que todos os respeitam, e lhe perguntam coisas sobre o mar. O velho Valdemar é uma verdadeira enciclopédia marinha, conhece quase todas as espécies de peixes, sabe os seus círculos de vida, onde se deslocam para desovar, e quais são as épocas em que se encontram mais saborosos, preparados para servirem de pescado.
Lutou anos a fio pela construção de um Porto de Abrigo, de mão dada com os companheiros de pescaria, fartos de enfrentar as ondas violentas do mar da vila, e de ter de deixar os barcos ancorados na Baía de São Martinho do Porto.
Orgulha-se de, actualmente, a vida dos pescadores da Nazaré estar mais facilitada. Com o porto de abrigo já podem entrar no mar sem levarem banhos das ondas violentas, que em dias de fúria conseguiam virar os barcos na zona de rebentação, e lançar o pânico na vila.
Valdemar acaricia os seus cabelos brancos, sem perder de vista o mar, enquanto percorre o passeio à beira do mar.
Continua a acreditar que tem um lugar guardado no cemitério do oceano, e espera, pacientemente, por uma oportunidade para cumprir o seu destino. Quer ir ter com o pai, o tio, o irmão e uma mão cheia de amigos, nem que seja no seu velho barco a remos.»
Nuno não sabia o que era feito de Valdemar - há mais de três anos que não visitava a vila da Nazaré -, mas continuava a sentir que o velho lobo do mar seria sempre o seu “Pescador da Barca Bela”, onde quer que estivesse. [...]

Extracto de um dos meus contos (intitulado, "Sonhos Cor de Água", premiado no "Prémio Literário Hernâni Cidade". em 2003), que faz parte do livro, "Um Café com Sabor Diferente".
O óleo é de Spartaco Lombardo.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

O Natal da Minha Mãe


A abstracção não precisa de mãe nem pai
nem tão pouco de tão tolo infante

mas o natal de minha mãe é ainda o meu natal
com restos de Beira Alta

ano após ano via surgir figura nova nesse
presépio de vaca burro banda de música

ribeiro com patos farrapos de algodão muito
musgo percorrido por ovelhas e pastores

multidão de gente judaizante estremenha pela
mão de meu pai descendo de montes contando

moedas azenhas movendo água levada pela estrela
de Belém

um galo bate as asas um frade está de acordo
com a nossa circuncisão galinhas debicam milho

de mistura com um porco a que minha avó juntava
sempre um gato para dar sorte era preto

assim íamos todos naquela figuração animada
até ao dia de Reis aí estão

um de joelhos outro em pé
e o rei preto vinha sentado no

camelo. Era o mais bonito.
depois eram filhoses o acordar de prenda no

sapato tudo tão real como o abrir das lojas no dia
de feira

e eu ia ao Sanguinhal visitar a minha prima que
tinha um cavalo debaixo do quarto

subindo de vales descendo de montes
acompanhando a banda do carvalhal com ferrinhos

e roucas trompas o meu Natal é ainda o Natal de
minha mãe com uns restos de canela e Beira Alta.

João Miguel Fernandes Jorge

O presépio é de Salir de Matos (a foto é de 2008...)

domingo, outubro 24, 2010

O Banco Azul...

Gostava tanto daquele banco azul, de madeira, onde se costumavam sentar as visitas da avó, quando lhe vinham contar alguma novidade ou simplesmente receber a sua companhia, como era o caso da prima Beatriz.

A vizinha de frente da avó, assim que pressentia que havia alguém em casa, aparecia quase de rompante, desejosa de meter a conversa em dia. A criatura chamava-se Manelina e acho que foi graças a ela que aprendi a detestar as pessoas que passavam o tempo a falar mal da vida dos outros.

A Beatriz era a única pessoa que me lembro de ir lá a casa e nunca dizer mal de ninguém, nem mesmo da besta do marido. Mulher sofrida, sem filhos e com um homem que não a respeitava, levantava-se sempre que a Manelina trazia para a mesa as tricas da vizinhança, e ia embora, sem se esquecer de lhe deixar um recado: «a minha vida já me dá tantos trabalhos, que dispenso as misérias alheias.»

A Manelina engolia em seco e remetia-se ao silêncio. Só quando já a via longe e que voltava à carga, tentando pintar-lhe a manta. A avó interrompia-a e dizia que não conhecia ninguém como a prima Beatriz, que embora não passasse o tempo todo enfiada na igreja, era uma santa comparada com as beatas da aldeia.

A Manelina acusava o toque e ia-se embora, desabafando que já não se podia abrir a boca...
Era nestas alturas que o banco azul voltava a ser todo meu, onde podia brincar com os meus carrinhos e inventar estradas e casas com pedaços de madeira, onde costumava desenhar portas e janelas...
O óleo é de Collin Frazer.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Ainda Lá Está...


Este fim de semana passei pelas Caldas e numa das minhas "viagens" descobri que a velha casa onde moravam os avós do Zeca e do Jaime, ainda existe...

quarta-feira, setembro 29, 2010

Um Nome, Uma História...


Estava a escrever mais um capítulo de um "possível" romance, e ao dar um nome a uma personagem (Zeca), lembrei-me de dois irmãos que foram meus amigos de infância e do meu irmão.

Chamavam-se Zeca e Jaime e tinham mais ao menos a nossa idade. Não lhes consigo dar um rosto, nem existe qualquer fotografia para os identificar, sei que eram "reguilas" como nós e davam cabo da paciência dos avós. Moravam num das transversais da rua da Estação (a última, a mais próxima da passagem de nível). Lembro-me que moravam com os avós e um dia qualquer mudaram-se e nunca mais os vimos.

Provavelmente foram morar com os pais. Nesses anos sessenta e setenta era comum os filhos ficarem entregues aos avós, devido à emigração. Nem sempre os pais tinham a possibilidade de ter os filhos com eles, especialmente aqueles que pensavam exageradamente no dinheiro que ganhavam, fazendo logo o "câmbio" de cabeça, no tempo do escudo, do marco e do franco...

O óleo "vivo" é de Mikael Bridges...

terça-feira, setembro 14, 2010

Preservar a Imagem

Nunca foi tão importante como hoje, preservar a imagem.

Talvez por isso me apeteça mostrar, com alguma ironia, a única coisa realmente pública da visita que fiz ao "Bowling" das Caldas, com alguns amigos que continuam a surgir nas brumas do tempo com vários rostos, preenchidos por mil e uma memórias, que se repartem pelos anos sessenta, setenta e oitenta.

A partir dos anos noventa, quase que "desaparecemos" das vidas uns dos outros, presos à "vidinha" que alguém nos destinara, sem sequer se lembrar de perguntar.

Andámos entre os quinze e os vinte anos, quase desaparecidos, vivendo as grandes mudanças das nossas vidas, praticamente sem testemunhas conhecidas por perto. Casámos, fomos pais, ganhámos peso, perdemos cabelo, que entretanto ganhou tonalidades de cinzento. Não sei quantos plantaram árvores, sei que fui o único que escrevi livros...

E agora a fotografia simbólica, porque os números também contam histórias, nem que seja dos pés de "cinderela", de cada um de nós...

sábado, março 06, 2010

Os Livros e a Sensação de "Barata Tonta"

Ontem quando me deslocava de cacilheiro para Lisboa, para o lançamento do livro, "Palavras em Jogo" (trinta entrevistas e um memória, um olhar invulgar sobre o desporto), de José do Carmo Francisco, poeta e jornalista, com raízes no Oeste, pois nasceu em Santa Catarina, Caldas da Rainha, lembrei-me do que me acontece em lançamentos de livros e inaugurações de exposições, na qual sou um dos principais intervenientes.

O nervoso que me acompanha (mesmo depois de começar a ser habitual...), e as muitas solicitações de amigos, familiares e até desconhecidos, faz com que ande de um lado para o outro, quase como uma "barata tonta". E muitas vezes, só depois é que me lembro que não falei com alguém que me é especial, limitámos-nos apenas a um cumprimento de fugida.
Regressando ao lançamento, a chuva diluviana que caiu por Lisboa a meio da tarde, não me afastou do "Teatro Trindade", pela amizade que tenho ao autor, e claro, porque o livro apresentado tem todo o interesse, pois estão lá entrevistas de pessoas de grande valor cultural, algumas das quais também tive o grato prazer de entrevistar para jornais.
Ou seja, esta obra de José do Carmo Francisco, vale a pena ser lida, não por abordar a temática desportiva, mas sim pela sua singularidade e pelo peso das palavras dos entrevistados.
Curiosamente, por contratempos de última hora, o livro acabou por ser apresentado pelo jornalista, António Simões, do jornal "A Bola", que viveu parte da infância e adolescência nas Caldas da Rainha, onde foi meu companheiro na equipa de atletismo do Arneirense.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Um Poema do Poeta-Mor do Oeste


Nada melhor para comemorar esta quadra festiva, que um poema de Manuel Alegre, poeta-mor do Oeste.
Boas Festas para Todos.

NATAL

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.
Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

sábado, outubro 24, 2009

Termo de Óbidos

João Miguel Fernandes Jorge é um escritor-poeta do Oeste, que nos oferece na obra, "Termo de Óbidos", algumas memórias deliciosas da sua infância e juventude, que resolveu construir com a forma bonita dos poemas.

É uma viagem extremamente rica, que percorre alguns sítios que conheço e outros que fiquei com muita vontade de conhecer, embora saiba que o tempo não perdoa e que as aldeias e as vilas cresceram demasiado nos últimos trinta anos. É por isso que a "prodigiosa memória de poeta" do João, funciona também como um registo histórico...
Sim, este livro, além de acolher uma parte da vivência do autor, também é um roteiro poético e etnográfico, que visita lugares como "A Feira de Atouguia", "Santo Antão de Óbidos", o culto no Carvalhal na "Noite de 25 de Dezembro de 2004" e até o "Café Central", esse mesmo, o das Caldas...
Outra coisa única neste livro são as pessoas que surgem, poema a poema, "pintadas" de memória pelo poeta, que como todos devem saber, é um nome grande da literatura portuguesa contemporânea.

terça-feira, setembro 29, 2009

A Escola do Bairro da Ponte

Hoje, sem qualquer razão aparente, recordei-me de alguns amigos de infância, dos tempos da primária, do ciclo e começo da secundária.

E também da minha professora da escola do Bairro da Ponte, uma senhora açoriana, que não consigo recordar o nome, por mais voltas que dê à "memória".
Foi uma professora muito importante para mim, sempre me estimulou a escrever e sempre gostou das minhas histórias.
Acho que fiquei sempre com saudades da familiaridade que existia na primária, impossível de existir nos outros graus de ensino, por termos vários professores, uns com mais jeito para ensinar, outros com menos...
Ainda por cima andei pelo ciclo e pela secundária, nos tempos quentes da revolução, em que a escola era uma "bagunçada" e em muitas disciplinas os professores só apareciam no terceiro período...

Por tudo isso, os tempos de escola na qual fui mais feliz, foram sem dúvida, os da primária, no Bairro da Ponte.

quarta-feira, agosto 12, 2009

O Jardim da Lurdes

No principio do ano fui surpreendido por um telefonema, de alguém que conhecia desde a meninice, de Salir de Matos, a Lurdes do Jardim. Sim, ela para mim foi sempre a Lurdes do Jardim, uma das educadoras do Jardim de Infância da aldeia, que sempre foi um exemplo escolar para a primeira infância. Havia mesmo quem viesse das Caldas, deixar os filhos a Salir de Matos...

Fui crescendo e comecei a visitar cada vez menos Salir de Matos. Sei que estive muitos anos sem ver a Lurdes. Por essa razão ainda fiquei mais surpreendido com o telefonema...
Ela contou-me que o Jardim de Infância fazia 40 anos em Outubro e como sabia que eu escrevia, queria que eu fizesse a história da instituição.
Fiquei surpreso e tentei fazer-lhe ver que estava demasiado afastado de Salir de Matos e da realidade da instituição, para escrever o que quer que fosse. Também argumentei que tinha dois livros para acabar durante o ano...

Nada a demoveu e acabámos por manter contacto por "e-mail". Fiz um pequeno inquérito para ser enviado às pessoas que estiveram de alguma forma ligadas à fundação da Instituição. Também acabámos por nos encontrar, numa das poucas vezes que visitei Salir de Matos, onde me contou o porquê de todo aquele interesse, tendo já bastante documentação e fotografias. Foi quando ela soube que eu vivia em Almada e não nas Caldas...
Entretanto como estava envolvido noutros projectos, não me preocupei muito com esta história.

Posteriormente a minha mãe disse-me que ela estava doente, vitima da doença mais traiçoeira e perigosa que nos persegue, o cancro...
Quando cheguei de férias soube que tinha falecido.
Provavelmente levou consigo o sonho do livro, no qual queria que ficasse registado a verdadeira história do Jardim de Infância de Salir de Matos...

A vida é mesmo assim, injusta, para a Lurdes, e para todos nós...

sábado, junho 27, 2009

O Meu Primeiro Observatório do Mundo

A Janela da sala do rés de chão onde vivi até aos treze anos, foi o meu primeiro observatório do mundo.
Foi o primeiro lugar onde me lembro de olhar o mundo com olhos de ver.
Adorava ficar por ali nos dias de chuva, a ver as pessoas a passarem na estrada de lama amarela (era muito pequenote, o alcatrão ainda não tinha chegado ao Bairro dos Arneiros...), cheia de buracos transformados em poças de água, extremamente perigosas com a passagem de qualquer carro, algo que não era tão frequente como nos nossos dias, embora bastasse um mais apressado, para pintar quem passava na rua de castanho...
Era uma rua sem passeios e sem alcatrão, um "perigo" que me divertia nestes primeiros invernos do meu contentamento, em que aprendia a olhar o mundo e as pessoas...
O quadro de Manuel Amado, com a janela, de "O Quarto de Pessoa", é um belo espaço de sonhos...

quinta-feira, junho 18, 2009

Dias de Calor no Parque...

Na última vez que estive no parque com o meu filho, contei-lhe algumas das "batalhas navais" que travei no Lago do Parque, no começo da adolescência.
Sei que era quase sempre o mais pequeno da "pandilha". É o que acontece quando temos um irmão mais velho dois anos e os seus amigos são os nossos...
Talvez por isso fosse também o mais reguila, as "costas quentes" fazem destas coisas...
A batalha naval que guardo na memória com mais gozo, foi travada contra os "betinhos" do liceu, muitos deles colegas de turma do meu irmão, como o João Pedro "catatau", entre outros. Sei que graças à nossa perícia demos um banho monumental aos "meninos", que eram mais que nós e por isso mesmo resolveram fazer uma "espera", a pedirem meças, em terra firme...
Um amigo mais velho, que assistiu de camarote deliciado ao banho que demos, fez-me sinal, num dos bancos, para ir ter com ele. Reguila e rufia, antes de fugir, ainda me atirei às canelas de um deles, que já não recordo o nome...
Depois foi a debandada geral. Como éramos mais dados ao desporto e às correrias, os "betinhos" foram forçados a desistir da "forra"...

quarta-feira, junho 10, 2009

A Minha Estação: Caldas-Tejo

Tinha escrito qualquer coisa sobre a pretensão que algumas pessoas têm, de ser apenas cidadãos do mundo, de se distanciarem dos lugares que pisaram com a frequência natural de quem não é filho de nenhum artista de circo.

Mas o papel escondeu-se debaixo de outros papeis (esses mesmo que rodeiam a minha existência...).
Tinha escrito qualquer coisa do género: só se fosse mentiroso, me dizia cidadão de Nova Iorque, Paris, Londres, Buenos Aires, etc.
Sou orgulhosamente cidadão das Caldas da Rainha e de Almada, é aqui que residem grande parte das minhas influências e confluências.
Lembro-me de pequeno, sem os conhecer bem, já gostar de Malhoa, Rafael ou Proença.
Isto não aconteceu por acaso...