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domingo, maio 05, 2019

Homenagem à Resistência e Liberdade em Peniche

Hoje fui almoçar com a minha mãe e o meu irmão às Caldas.


Mas antes passei pelo antigo Forte de Peniche, transformado (muito bem...) em Museu Nacional da Resistência e Liberdade.

E lá estavam os 2510 nomes dos prisioneiros, que passaram por este presídio político de 1934 a 1974 (e lá estava o nome do meu avô...).

(Fotografias de Luís Eme)

quinta-feira, abril 25, 2019

Uma Homenagem Especial...


A minha homenagem ao meu Avô paterno (e a todos os Resistentes Antifascistas), que é um dos 2510 prisioneiros, que fazem parte do Memorial, que será inaugurado hoje, no Forte de Peniche.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 08, 2018

Privatizar ou Não o "Céu de Vidro"...


A Visabeira, que irá construir um hotel nos antigos Pavilhões do Parque, quer "apropriar-se" também da área onde funcionou a memorável Casa da Cultura (destruída pelo poder "social democrata" caldense...), e claro do luminoso, "Céu de Vidro", que faz a ligação directa entre o Largo do Hospital Termal e o Parque das Caldas.

Não tem sido pacífica esta passagem e discute-se aqui e ali, se o "Céu de Vidro", deve ser ou não privatizado.

Claro que não acho que deva ser privatizado, porque isso significará perder esta passagem... Tal como não há almoços grátis, também deixava de existir esta passagem, livre e agradável para todos...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, setembro 11, 2018

A Poesia com Memória...


Embora nem tenha grandes pretensões a chamar-lhe poesia, acabei por aproveitar uma notícia absurda da Nova Zelândia (uma aldeia que quer por fim aos gatos...) e recordar a minha avó, que nos seus últimos anos de vida, desistiu de ter gatos, graças ao seu espírito libertário e também suicida (além de a deixarem sozinha lá por casa, acabavam por ficar sempre debaixo de algum carro...).
Também quis recordar e homenagear a Gena, que adorava gatos e é a autora da fotografia...

uma notícia, duas memórias…

Quando li a notícia sobre a aldeia neozelandesa
Que quer proibir os gatos domésticos
Pensei em ti avó (e na Gena…).

Sei que ias ser contra
Apesar de não gostares
«de toda aquela liberdade»
Porque saiam de casa e deixavam-te sozinha

Talvez tenhas percebido, demasiado tarde,
que os gatos são donos de si próprios,
e não tanto nossos animais de estimação.

Eu não te disse,
Mas o que eu mais adorava, e adoro, nos gatos
Era, e é, esta forma de vida, livre e espontânea…

Palavras de Luís [Alves] Milheiro

Fotografia de Gena Souza

(este poema e esta fotografia fazem parte da 3.ª Exposição de Poesia Ilustrada da SCALA, patente na sede /galeria da SCALA, em Almada)

quarta-feira, abril 25, 2018

A Liberdade que Não Chegou às Caldas


Não é algo que me orgulhe, mas sei que as Caldas, a cidade onde apenas não nasci (fui nascer à casa da avó...), mas da qual sou natural, não é uma Terra de Abril.

E não o digo apenas por esta ser um "feudo da direita" desde a Revolução dos Cravos. Digo-o porque nunca a senti como uma Terra Livre, como é por exemplo, Almada.

As pessoas nunca se libertaram da sua mentalidade "pequeno-burguesa". Talvez algumas ainda tenham medo dos "comunistas comedores de criancinhas e com seringas nos bolsos para injectar atrás das orelhas dos velhinhos"...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, setembro 15, 2015

O Poder da Igreja nas Aldeias


Ao falar com um amigo que está prestes a apresentar um livro sobre a história da Aldeia onde nasceu, ele contou-me da grande influência que os padres tinham no quotidiano da sua Terra. Muitos descendiam mesmo das famílias mais importantes. Ou seja, era uma forma de perpetuar o poder existente.

E foi assim durante séculos. Até pelo menos ao 25 de Abril.

Nada de muito estranho. Todos sabemos que a Igreja Católica esteve sempre ao lado dos mais fortes e ricos, limitando-se a prometer a "vida eterna" aos crentes mais desvalidos pela vida, que pelo menos deviam permitir-se pensar que havia qualquer coisa estranha naquela história. 

Ainda por cima estes padres eram mais comuns do que deixavam transparecer. Além de terem uma governanta para todo o serviço,  fomentavam um "exército" de mulheres que cortejavam de várias formas. E tinham sempre vários afilhados, com o facto curioso de alguns terem a sua "cara chapada"...

E nem vou falar de outras atrocidades. Da sua cumplicidade com as perseguições políticas levadas a cabo pela PIDE...

Sei que em algumas aldeias as pessoas ainda gostam de olhar para o padre como um "deus", mas felizmente as coisas mudaram e já não são o que eram. 

terça-feira, setembro 08, 2015

Olhar pata Trás e Descobrir os Limites da Liberdade


Sem que existisse um motivo especial, lembrei-me do quanto era livre na infância...

Claro que houve logo uma voz (daquelas interiores...), que exclamou que a inocência e a ignorância tornam-nos aparentemente livres. E é verdade.

Como nasci e cresci distante de qualquer tipo de poder, no seio de uma família simples com hábitos vulgares, assentes no trabalho diário, o tal de "onde nasce o pão", tenho dificuldade em me ver  a viver numa ditadura na infância.

Mas se pensar mais um pouco, descubro que havia coisas estranhas, embora nem me desse ao trabalho de pensar nelas. Havia um medo diferente do que existe hoje. As pessoas tinham mais consciência dos limites que existiam na sociedade, do que podiam e não podiam fazer.

Era ainda mais fácil alguém abusar da autoridade que tinha. Qualquer soldado da GNR tinha "um rei na barriga" (e as deles eram quase sempre enormes...).

Havia uma ideia generalizada (pelo menos no seio da minha família...), de que quem era polícia (GNR, PSP ou PIDE) não era boa pessoa. Os seus elementos eram escolhidos a dedo, por serem tipos capazes de cometer  até actos criminosos, a coberto de uma lei  com demasiados olhos.

Claro que esta minha visão (que pode estar um pouco distorcida), era de quem cresceu numa cidade de província e passava férias na aldeia...

O óleo é de Célia Reisman.

sexta-feira, abril 24, 2015

Outro Belo Cartaz


Por estarmos quase no dia 25 de Abril, publico aqui mais um belo cartaz, este da Associação 25 de Abril,  para comemorar esse dia memorável da Revolução dos Cravos de 1974.

É um Cartaz simples e bonito, feito por um artista plástico com ligações às Caldas da Rainha, João Santa Bárbara.

domingo, março 16, 2014

Os 40 Anos do 16 de Março


Foi há 40 anos que os militares do RI5 saíram do quartel das Caldas, rumo à Capital.

Foi um rebate falso. Houve prisões mas mesmo assim houve Abril, felizmente, um mês e nove dias depois.

Embora só se tenham passado quarenta anos, já é possível uma aproximação maior à realidade.

Ou seja, hoje ganha cada vez mais força a versão de que o 16 de Março foi um "contragolpe" protagonizado por alguns elementos próximos de Spinola. Uns com ligações do Movimento dos Capitães, outros nem por isso...

domingo, novembro 10, 2013

Álvaro Cunhal e a Fuga de Peniche


Álvaro Cunhal é uma figura que ficará ligado ao Oeste para sempre, graças à fuga espectacular da Fortaleza de Peniche, que protagonizou com mais alguns camaradas, no princípio de Janeiro de 1960.

Fortaleza que albergou maioritariamente presos políticos durante a ditadura e onde o meu avô paterno esteve alguns meses na segunda metade dos anos cinquenta e teve a oportunidade de conhecer o homem e o "mito" (o facto de não ter contacto com outros presos, só serviu para aumentar o "mito", ainda por cima, por estar naquela situação sem ter assassinado ninguém ou cometido qualquer furto milionário. O seu único crime conhecido era o de lutar pela liberdade, contra a ditadura salazarista...).

Álvaro Cunhal faz hoje cem anos, e é, sem qualquer dúvida, uma das principais figuras da história da resistência do nosso país no século XX.

Mas Álvaro foi muito mais que um político. Grande apaixonado pela Cultura, abraçou as artes plásticas e a literatura, com reconhecidos méritos (a pintura e a escrita foram a sua grande companhia e escape no cárcere, em Lisboa e Peniche...), especialmente nos anos de prisão, em que esteve quase sempre incontactável e confinado à sua pequena cela.

sexta-feira, setembro 27, 2013

"As Minhas Derrotas Eleitorais"...


Embora tenha deixado as Caldas aos dezoito anos, a tal idade maior para tanta coisa, inclusive para votar, a morada dos meus pais continuou a ser a minha primeira morada durante alguns anos. Só em 1987, quando decidi viver em Almada, é que deixei de ser "derrotado" nas eleições.

Nesses tempos já longinquos votava com convicção, e alguma ingenuidade, na CDU. Há um facto curioso que me une à presidente da Câmara de Almada, Maria Emília de Sousa: a sua primeira vitória eleitoral, coincidiu com a minha, enquanto eleitor.

E como me sentia bem nesta terra de operários, onde ainda não havia o hábito de se olhar os outros com sobranceria, o que acontecia nas Caldas (e em todas as Vilas e Cidades pequeno-burguesas...).

Tanta coisa que mudou nestes vinte seis anos...

O "cavaquismo" e os dinheiros da CEE foram a nossa perdição, embora muita a gente continue a gostar de dar "porrada" no Sócrates...

O óleo é de François-Emile Barraud.

quinta-feira, julho 04, 2013

Hoje é Dia do Meu "Anjo da Guarda" Visível


Nunca me questiono sobre a possibilidade de em vez de ter sido irmão mais novo, ter sido mais velho.

De certeza que não teria cumprido a minha missão como o meu irmão, que foi um autêntico "anjo da guarda", especialmente na infância.

Não me lembro de correr perigo a seu lado...

Obrigado Mano!

terça-feira, abril 30, 2013

A Dança, a Música e as Palavras


Ontem foi Dia da Dança.

Hoje é Dia do Jazz, essa música quase escura, que gosta tanto do improviso.

Embora ambas gostem de comunicar sem palavras, apenas com a magia dos corpos e dos sons que se soltam dos instrumentos, com quase muita liberdade, não resisto a escrever palavras.

Palavras sem vento, mas mexidas como se dançassem, num improviso avesso a regras, quase com pavor a gramáticas, porque sabe tão bem a liberdade...

Ao contrário do que muita gente diz, ainda é possível cheirar cravos, neste Abril que quer ser rendido por um Maio, mais maduro.

O óleo é de Massimo Maramo.

segunda-feira, abril 29, 2013

Os Campos Floridos


Neste fim de semana prolongado não estive no Oeste, andei pela Beira mais Baixa. E como gostei de ver os campos floridos, com tantas variedades de plantas e cores.

Bendita Primavera...

Como gostei de sentir a Liberdade...

quarta-feira, janeiro 09, 2013

A Cidade Clandestina


Com toda esta publicidade ao "bairro vermelho" de Viseu, lembrei-me que nunca conheci nenhum bordel nas Caldas da Rainha. Pode ter sido por distracção, mas penso que não. 

Isso aconteceu sobretudo por ter crescido já em liberdade, a alguma distância da geração (aliás, gerações...) de homens que cultivavam a visita a bordeis, como símbolo de virilidade (e até iniciação sexual...) e das mulheres que preservavam a "virtude" quase até ao casamento.

Já tinha vinte e alguns anos quando alguém me apontou um prédio antigo na Praça da Fruta e me disse que durante bastante tempo existiu ali uma "casa de tolerãncia". 

Nunca soube da existência de outra, ou outras, que com toda a certeza funcionaram na "Cidade Clandestina"...

O óleo é de Dimitry Lisichenko.

sábado, setembro 15, 2012

Manifestação


Não estarei na nossa Praça da Fruta, mas sim na praça José Fontana.

segunda-feira, abril 23, 2012

As Caldas Nunca foi uma Cidade de Abril


Olho para os anos que vivi nas Caldas da Rainha (desde os primeiros dias de vida até aos dezoito anos...) e sinto que a Cidade nunca foi de Abril.

Um dos aspectos que acho mais curiosos, foi as principais inovações no campo cultural terem acontecido ainda antes do 25 de Abril de 1974, graças ao famoso Conjunto Cénico Caldense.

Não é por acaso que Caldas da Rainha, mesmo depois da Revolução, continuou a ser governada pelos partidos mais conservadores e do lado direito da política, até à actualidade.

Mas pior que os partidos, têm sido as pessoas, sempre prontas a cortar qualquer "bocejo" do lado esquerdo. Não esqueço o fim da "Casa da Cultura"...

Decididamente, os cravos nunca foram as flores da Cidade (foto da minha autoria da Praça da Fruta).

segunda-feira, abril 25, 2011

Abril Continua Inesquecível



Por muitos "pontapés" que dêem à democracia, Abril continua inesquecível...

sábado, abril 25, 2009

Abril é Cor e Vida


Abril é tanta coisa bonita.

Não é por acaso que em Abril, os campos e os jardins estão cheios de cores e de vida...

sexta-feira, abril 25, 2008

A Minha Pequena Revolução

«Apesar de ter apenas onze anos, recordo-me bem do dia 25 de Abril de 1974, «inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio», como tão bem retratou, a nossa Sophia de Melo Breyner Andresen.
Como vivia nas Caldas da Rainha, uma cidade de província notoriamente conservadora, não se sentiram grandes ecos revolucionários, pelo menos até ao fim da tarde.
Penso mesmo que a cidade viveu este dia de uma forma apreensiva, até porque um mês e alguns dias antes, os militares do RI 5 tinham saído do Quartel em direcção a Lisboa, para participar numa outra Revolução, que tinha entretanto sido adiada...
A censura tentou, e conseguiu, que o 16 de Março fosse tratado de uma forma ligeira, sem merecer grande destaque nos jornais, na rádio e televisão. O saldo desta tentativa de revolta, saldou-se pela prisão e destacamento dos militares envolvidos, para evitar males maiores.
Como é óbvio, a Cidade teve conhecimento do caso, embora a maior parte das pessoas não soubessem ao certo o que tinha acontecido. Não me lembro de ter sido tema de conversa em casa. Como eu e o meu irmão ainda éramos menores, os meus pais não falavam destas coisas à nossa frente. Mas na Escola Preparatória Rafael Bordalo Pinheiro, onde estudava, esta rebelião foi bastante falada, e até ficcionada, pela imaginação fértil das crianças de onze e doze anos, que nutrem um fascínio especial por histórias de “guerra”, entre os bons e os maus.
Um dos meus melhores amigos, filho de um militante do PCP, facto que desconhecia na época, contou-me, quase como se fosse um segredo de estado, que o pai tinha estado nesse dia com alguns amigos, a observar à distância as movimentações dentro e fora do Quartel. Munido de binóculos assistiu à saída e entrada de viaturas militares, assim como das forças da autoridade.
Felizmente, quarenta dias depois, a Revolução saiu mesmo à rua.
Militares vindos de várias regiões do país invadiram a Capital e ocuparam os lugares estratégicos da cidade. As dúvidas iniciais dos “Capitães de Abril” transformaram-se em certezas, graças ao apoio popular de milhares de pessoas, que surgiram de todos os lados, de uma forma completamente expontânea, para dar vivas à Revolução e à Liberdade.
Enquanto a multidão invadia a baixa e deixava o Largo do Chiado em estado de sitio, eu brincava no quintal da minha casa, satisfeito pelo “feriado” escolar inesperado. Assistia serenamente à troca de informações entre a mãe e uma vizinha, que não tiravam os ouvidos do rádio, que dava conta dos últimos desenvolvimentos (nessa altura já tínhamos televisão, mas as emissões deviam ter sido interrompidas, pois só me recordo da transmissão das notícias radiofónicas...) da Revolução.
O ponto alto desse dia acabou por ser a rendição de Marcelo Caetano e de todo o governo. Era o sinal mais da vitória dos Militares de Abril.
A minha mãe ficou bastante dividida nesse final de tarde, porque era uma das muitas espectadoras atentas às “Conversas em Família” do Marcelo Caetano, por quem tinha uma grande admiração, considerando-o um bom governante e um homem sério.
O meu pai, de espírito mais libertário, ficou bastante satisfeito com este desfecho. Acreditou firmemente na possibilidade de Portugal se tornar um país mais justo, tal como milhões de portugueses...
Uma das coisas que mais o chocava eram os constantes abusos de autoridade, praticados por quem detinha qualquer poder. Qualquer soldadeco da GNR ou agente de terceira da PSP, procedia como se fosse dono deste, ou de qualquer outro mundo. O pai tratava-os por “pançudos” e realmente, nessa época, eles eram todos bem anafados...
Como devem calcular, mais chocado ficava, quando sabia que alguém tinha sido preso ou interrogado, pelo simples facto de defender um Portugal mais livre e democrático.
Acabo como comecei, com as palavras de Sophia. Tenho algumas dúvidas que «esta é a madrugada que eu esperava», porque trinta e três anos não foram suficientes para nos termos tornado um país mais justo e igualitário. Claro que «livres habitamos a substância do tempo»... e a Liberdade continua a ser a herança mais preciosa da Revolução de Abril.»


Esta é a minha crónica, que consta no livro "25 Olhares de Abril", coordenado por Carlos Garrido (apresentado no próximo dia 29 de Abril, na livraria "CIrculo de Letras", em Lisboa), que me pediu para lhe contar como tinha sido o meu 25 de Abril, em 1974. Claro que é um olhar sem profundidade e sem mágoa, de alguém com onze anos, que pouco ou nada sentiu, os reflexos do salazarismo ou marcelismo. Limitou-se a ouvir falar. Mas o dia, foi assim...