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sábado, novembro 25, 2006

O Meu Mar do Oeste



Sempre ouvimos dizer, que depois da tempestade vem a bonança... e é verdade. É por isso que sabe bem ir ver o mar, depois de muita chuva e muito vento. Quanto mais não seja para lhe dizer olá e ver se não mudou de sitio...
Muitas vezes olho para as águas do Tejo e penso no meu Mar do Oeste. Ele é especial. A rebeldia, o ar selvagem, o perfume salgado, o jeito travesso com que responde às nossas perguntas, são únicos...
Vou mais longe e digo, que o meu Mar é um poema à vida...
É difícil dizer onde começa e acaba este Atlântico sublime e indomável. Penso que se forma ainda perto de Lisboa, na Ericeira, e vai subindo, pelos menos até à Nazaré. Mas é nas proximidades do Cabo Carvoeiro que assume toda a sua plenitude.
Mas é na minha Foz do Arelho, que ele pulsa mais forte...
Até mesmo os seus nevoeiros matinais, conseguem-se envolver com o nosso estado de espírito (isto do nevoeiro não é coisa de D. Sebastião, como nos querem fazer crer, é mais antigo, se calhar até já vem dos tempos de Viriato e da Lusitânia)...

Quando escolhi este óleo de Fausto Sampaio, "Berlengas", lembrei-me da Maria e do seu perfume (cheiro) a Mar...

domingo, setembro 10, 2006

As Berlengas



O Arquipélago das Berlengas já é Reserva Natural Marinha há 25 anos...
Este conjunto de pequenas ilhas rochosas (Berlenga, Estelas e Farilhões) situado ao largo de Peniche, continua a despertar a curiosidade de muitos turistas. A Berlenga, por ser a única ilha cuja área permite que exista alguma ocupação humana, é naturalmente o centro de atenções.
A primeira vez que visitei a Berlenga (um ou dois anos antes de se criar a reserva...), ainda era possível passear no seu interior sem qualquer tipo de restrição. Embora tivesse sido uma visita de médico, ou seja, de um só dia, deu para saborear com entusiasmo as suas águas cristalinas e profundas, com várias sessões de mergulhos e banhos, nos seus pontos mais atractivos.
Na segunda visita (três, quatro anos depois...) as coisas tinham mudado...
Já não era possível passear livremente naquele espaço quase lunar. Havia várias áreas interditas, o passeio pelo interior da ilha fazia-se apenas pelos caminhos existentes, para não afectarmos o ecosistema local. Desta vez fiquei mais que um dia...
A estadia no parque de campismo fez com que pudesse assistir ao "canto nocturno" das gaivotas, idêntico ao choro de bebés, que como devem calcular, não é um grande embalo para o sono. Foi por isso que passámos parte da noite no pequeno areal da ilha, com a diversão nocturna possível, sem importunar os outros visitantes.
A fotografia que ilustra este texto mostra o Forte de S. João Baptista, erigido no final do século XVI, como fortificação militar. No começo da segunda metade do século XX o Ministério das Obras Públicas resolveu restaurar a fortaleza, depois de anos e anos de abandono, transformando-a numa luxuosa Pousada, que ainda hoje acolhe turistas de todos os cantos do mundo.

sábado, agosto 19, 2006

A Minha Canção do Mar



Quase todos nós temos uma Canção do Mar, povoada de imagens memoráveis que conseguem dar cor e som aos nossos melhores dias passados, rente ao Oceano.
Embora a minha canção esteja sempre presente em qualquer pedaço do Atlântico, ganha uma sonoridade mais límpida e esfuziante rente às águas mexidas, que beijam com ardor o areal da Foz do Arelho, a praia da minha vida.
E pensar que, com apenas cinco anos, fui atirado para as águas geladas da praia da Foz do Arelho por um vizinho anormal, juntamente com o seu filho, meu amigo de infância, numa manhã longínqua, completamente cerrada pelo nevoeiro matinal que tomava conta das praias situadas a norte do Cabo Carvoeiro, com demasiada frequência.
Estes episódios estúpidos acabam, muitas vezes, por marcar para sempre a nossa relação com o mar. Felizmente consegui dar um passo em frente e ultrapassar esse primeiro contratempo, graças a uma meninice cheia de traquinices à beira mar.
Deve ser por isso que as imagens projectadas na minha Canção do Mar têm como personagens uma mão cheia de amigos de infância, e não há vestígios de gente «tamanho grande».
O facto de ter um irmão dois anos mais velho, fez-me crescer um palmo e partilhar, precocemente, as mil e uma aventuras vividas no começo de adolescência pelo seu grupo de amigos.
Formávamos, diariamente, um cordão de bicicletas nas margens da estrada perigosa da Foz, sem medir os perigos de quatro rodas que passavam por nós, a várias velocidades.
As nossas férias prolongavam-se de Junho a Setembro. Chegávamos antes das barracas de pano branco, alugadas à quinzena, e despediam-nos depois de as recolherem, com a sensação feliz de que a praia era nossa.
Atrás daquele mar delicioso ficava a bela Lagoa de Óbidos, onde, quase todos aprendemos a nadar, sem mestre. Contávamos apenas com o auxilio precioso dos mais velhos, atentos às picardias que nos faziam emergir até à superfície sinónimos de «maricas», à espera que ganhássemos a coragem necessária para desafiarmos as zonas onde se perdia o «pé»...
Nos dias que o nevoeiro cobria a praia de cinzento, oferecendo-nos uma aragem húmida e salgada, sentava-me na areia, com o olhar preso às ondas indomáveis que deitavam sons de liberdade e rebeldia para quem as quisesse escutar, aprendendo a soletrar a bonita canção do mar.
Era quase sempre «acordado» pelos meus companheiros que já tinham desencantado uma bola e estavam preparados para fazer valer os seus atributos de futebolistas de praia.
Pelo caminho ficaram alguns amores que o vento quente e as águas calmas de Verão, não deram grandes margens no prazo de validade. Sobra a saudade dos banhos de mão dada, dos beijos salgados, num tempo de inocência em que o sexo era quase uma miragem na adolescência...
Por vezes penso que já não sei toda a bonita letra e música da “Canção do Mar”, por me sentar cada vez menos à beira mar a ouvir, encantado, o melhor hino que conheço à liberdade...
Mesmo que esteja na Costa de Caparica, consigo voltar ao meu mar alto da Foz do Arelho... e reencontrar a criança feliz que fintava as ondas e atirava seixos grandes e alguns pedaços de madeira, deitados borda fora, às águas agitadas da praia da minha vida...