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domingo, dezembro 06, 2015

Caldas SC: Vasco Oliveira, o Atleta, o Treinador e o Dirigente (23)


Vasco Oliveira é uma das figuras que ficará para sempre ligado à história do Caldas Sport Clube,  pelo seu honroso passado desportivo, como atleta - jogou até aos 38 anos e foi o capitão de equipa durante anos -, treinador e dirigente do Clube.

Ele deixou-nos no passado dia 25 de Novembro e merece ser recordado (não como político local, pelo menos aqui, onde permaneceu tempo demais como autarca, 28 anos, mas o poder como sabemos tem dessas coisas...), porque deve ser um dos raros caldenses que foi jogador e treinador da equipa principal e também seu presidente de Direcção (nos últimos sessenta anos será caso único...). Actualmente era o presidente da Mesa da Assembleia Geral do Caldas.

Não me lembro dele como jogador, apesar da sua longevidade, apenas como comerciante de electrodomésticos e figura prestigiada e simpática nos meios desportivos caldenses. Deverá ter sido pela sua popularidade que foi desafiado a tornar-se autarca...

Tenho pena que a "Gazeta" no último número apenas tenha focado o seu papel como político, esquecendo o desportista de excelência que foi.

Outra faceta não menos importante do seu passado desportivo foi a de columbófilo (daí a escolha desta fotografia, do "Jornal das Caldas"). Além de grande entusiasta da modalidade foi dirigente da Sociedade Columbófila Caldense e também da Associação Regional e Federação Nacional.

Vasco Oliveira explicou muito bem este "hobbie" no "Jornal de Leiria", que transcrevemos: «Quando tinha 12 anos fui visitar os meus tios a Porto de Mós. Deram-me um casal de borrachos, que trouxe para as Caldas dentro de uma caixa de sapatos. A paixão ficou. É o meu hobbie e um dos meus amores.»

terça-feira, novembro 24, 2015

Caldas SC: Sena, um Grande Centro-Campista Caldense (21)


Um dos jogadores com melhor visão de jogo e capacidade técnica, que vi jogar no Caldas, foi o Sena. Embora fosse um jogador franzino (e um pouco avesso ao treino como costuma acontece com os grandes talentos...), enchia o pelado do velho Campo da Mata com o seu virtuosismo. 

No final dos anos 1970 (principio anos 1980?) deixou as Caldas e partiu para a Madeira, onde viveu uma experiência diferente, já a caminho do profissionalismo com as cores do Nacional. Não sei se fez parte da primeira equipa do clube madeirense que subiu à Primeira Divisão, sei apenas que deixou a sua marca na bela Ilha Atlântica.

Sei que a fotografia é de péssima qualidade. Foi a possível...

quinta-feira, novembro 19, 2015

Caldas SC: Os Belos Anos Setenta (20)


Crescer numa Cidade, sem grandes manifestações políticas ou culturais, acabaria por fazer que o seu principal epicentro fosse o desporto, ou seja, o futebol, ou para ser ainda mais claro: o Caldas Sport Clube.

Tudo começou com as visitas ao domingo à tarde, de mão dada com o meu pai, ainda antes da Revolução de Abril e que talvez tenham começado no final dos anos 1960. Depois de 1974 o pai afastou-se deste "ópio" e eu passei a ir com o meu irmão e com os amigos do bairro.

Nesta equipa, treinada pelo inesquecível, António Pedro, estão muitos dos jogadores que jogaram épocas a fio no Caldas, como foram os casos de Fortunato (o guarda redes das barbas...), Custódio, Franco, Forneri, Orlando, Gaspar, Sena, Lúcio ou o Vala.

Foi já no final da década, quando optei pela prática de atletismo federado no Arneirense, que me afastei do Campo da Mata e do futebol (pelo menos as tardes de domingos deixaram de ser passadas nas bancadas do velho estádio..).

segunda-feira, novembro 16, 2015

Caldas SC: Saraiva o Nosso Campeão Europeu (19)


Após a subida do Caldas à primeira divisão, o Clube reforçou-se e um dos novos jogadores que chegaram ao nosso foi o Saraiva, vindo do Norte (natural de Peso da Régua) e que se revelou um excelente defesa central.

Quem ouvia os relatos de futebol nunca esqueceu a expressão de Artur Agostinho, quando comentava os jogos do Clube Alvinegro: «Corta Saraiva, do Caldas», dita para salientar o seu valor como principal obstáculo dos avançados adversários.

O excelente jogador manteve-se no Caldas até ao fatídico ano de 1959, que ditou a despromoção de divisão do Caldas Sport Clube.

Saraiva não passara despercebido aos principais clubes portugueses e acabou por sair, fazendo a melhor escolha possível, ao rumar para o Benfica, que se preparava para se sagrar Campeão Europeu com Bella Gutman.


Embora se diga que Saraiva se sagrou Bi-Campeão Europeu, o que é facto é que ele só jogou na época de 1960/61 (cinco jogos e um deles foi na meia-final), na temporada seguinte, 1961/62, foi sempre suplente. É bom recordar que nestes tempos não eram permitidas substituições...

Mas o que ninguém retira da história é que tivemos um Campeão Europeu de Clubes na equipa do Caldas Sport Clube.

Na fotografia da equipa do Benfica, Campeã Europeia de 1960/61 (e também Campeã Nacional), Saraiva encontra-se de pé, ao centro, ladeado de Germano e Costa Pereira. Na primeira imagem é o número cinco...

segunda-feira, novembro 09, 2015

Caldas SC: Um "Magriço" na Cidade (18)


Já escrevi aqui sobre Jaime Graça, um campeão dentro e fora das quatro linhas.

Como futebolista foi dos melhores. Foi titular da selecção que conquistou um brilhante terceiro lugar no Mundial de 1966 (os famosos "Magriços"), onde Eusébio demonstrou ser dos maiores futebolistas do mundo, com a FIFA (e a Inglaterra...) a torcer o nariz à possibilidade de um pequeno país como Portugal se poder sagrar Campeão do Mundo de Futebol.

Como sublinhei na época, foi a única pessoa que entrevistei para um jornal nas Caldas da Rainha (em Agosto de 1991, para o "Record"). 

Gostei de conversar com ele no Campo da Mata. E mais tarde em Setúbal e também no Estádio da Luz.

Apesar de ter jogado no Benfica nos seus melhores anos (de 1966 a 1975), quando o Clube da Águia dominava completamente o campeonato português, a passagem para o mundo  dos "mortais", fez com que não fosse um "deslumbrado" ou alguém "preso ao passado".

Era um homem simples, cheio de sabedoria, e sem medo de falar de coisas com "cheiro a proibido", como o "doping", por exemplo, que era uma prática corrente nos seus tempos de futebolista.

Embora gostasse de ter tido a oportunidade de treinar uma equipa da primeira divisão, não ficou ressentido por isso. Sabia que o futebol era um mundo especial, onde nem sempre se apostava nos melhores. Explicou-me muito bem isso, através da selecção do seu tempo, em que eram convocados sempre os mesmos, estivessem em boa ou má forma. No nosso campeonato principal também se fazia a rotação entre quase sempre os mesmos treinadores. Alguns eram mesmo conhecidos por terem no seu currículo várias descidas de divisão, mesmo assim conseguiam arranjar clube  com relativa facilidade (sabe-se lá porquê!).

Não tenho qualquer dúvida que Jaime Graça foi um dos bons treinadores que passaram pelo Caldas SC. Facto que pode ser testemunhado pelos atletas que faziam parte da nossa equipa, no começo dos anos 1990.

quinta-feira, outubro 15, 2015

Caldas SC: Francisco Vital, o Homem Golo (16)


Estávamos no final dos anos 1960 e sei foi a primeira vez que fui assistir a um treino das camadas jovens do Caldas (ou terá sido mesmo um jogo, de juvenis ou juniores?). A memória às vezes deixa-nos na dúvida.

A Cidade era maior e eu bem mais pequeno... E os bairros tinham fronteiras, não estavam colados uns aos outros como acontece nos nossos dias. Sei que fui com um grande grupo de amigos ao Campo da Mata, naquela que era uma quase despedida do menino prodígio do futebol juvenil caldense, o Vital, capaz de meter golos de todas as maneiras e feitios nas balizas do adversário. Foi por essa razão que tinha sido contratado pelo Benfica...

A partir daí era normal ouvir falar do Vital, que continuava imparável com as cores do clube da Luz, nos juvenis e juniores.

E nunca mais o perdi de vista.

Subiu a sénior e ficou-se pela Segunda Divisão Norte, onde continuava a dar nas vistas como goleador. A tal ponto que acabaria por dar o salto do Riopele para o FC Porto de Pedroto, onde seria bi-Campeão Nacional. Embora nunca se tenha afirmado como titular no Porto, era uma espécie de "arma secreta", que entrava praticamente em todos os jogos, para dar mostras da sua veia goleadora.

Depois teve uma passagem breve pelo futebol espanhol no Bétis e quando voltou jogou no Benfica (voltou a ser Campeão), no Boavista, no Belenenses, para terminar a carreira de jogador no Vizela, com 33 anos (e iniciar a de treinador...).

Vestiu a camisola da selecção A uma vez, tendo marcado um golo. Ou seja, manteve a sua boa média como goleador.

E depois escolheu ser treinador e andou por dezenas de clubes, até pelo Vietname... Voltaria ao Caldas como treinador entre 1992 e 1994, na segunda divisão.

Mas o seu momento grande como técnico aconteceu em 1997, quando passou de adjunto a técnico principal do Sporting CP, ainda que fosse apenas por sete jogos.

segunda-feira, setembro 28, 2015

Caldas SC: Fernando Vaz o Senhor Treinador (14)


O Caldas teve o privilégio de ter contado na época de 1955/56 com Fernando Vaz no comando técnico da sua equipa de futebol, que conseguiu o grande objectivo do clube: a manutenção na I Divisão.

Penso que não estou a exagerar, se dizer que este foi o melhor treinador que passou pelo Caldas Sport Clube ao longo de toda a sua história.

Quando chegou às Caldas Fernando Vaz já tinha treinado o Sporting (adjunto de Cândido de Oliveira e técnico principal), o Belenenses, o S. Braga, o V. Guimarães e o FC Porto. Embora jovem, contava com 37 anos, já tinha ganho bastante experiência com a passagem por alguns dos nossos melhores clubes.

Antes de ter sido convidado para adjunto do seu grande amigo e mentor, Cândido de Oliveira, fora jornalista no jornal desportivo, "A Bola" (novamente pela mão do Mestre Cândido...), onde era chefe de redacção, quando decidiu ser treinador a tempo inteiro.

Este Casapiano esteve em actividade mais de trinta anos, sendo o treinador que tem mais jogos disputados na I Divisão (626), conquistando ainda um campeonato pelo Sporting na época de 1969/70 e três Taças de Portugal (uma pelo Sporting e duas pelo Vitória de Setúbal), além de outras excelentes classificações e várias subidas de divisão em clubes mais modestos.

Treinou os seguintes clubes: Sporting, Belenenses, V. Setúbal, S. Braga, FC Porto, V. Guimarães, Caldas, CUF, Académica, Atlético, Beira-Mar e Marítimo (onde se despediu dos estádios como técnico na época 1978/79).

Passou mais que uma vez pelo mesmo clube. Só no Vitória de Setúbal permaneceu dez épocas e no Sporting - o seu clube de coração - nove, cinco como técnico principal e quatro como adjunto.

Fernando Vaz abandonou a carreira de treinador mas não os estádios, pois voltou ao jornalismo na "A Bola", que exerceu até se despedir de todos nós, a 25 de Agosto de 1986. 

Além de ter este currículo extraordinário, foi um treinador que deixou muitas saudades na nossa Cidade. Foi várias vezes convidado para regressar, mas não voltou a treinar o Caldas Sport Clube  ao longo da sua memorável carreira...

terça-feira, setembro 15, 2015

O Poder da Igreja nas Aldeias


Ao falar com um amigo que está prestes a apresentar um livro sobre a história da Aldeia onde nasceu, ele contou-me da grande influência que os padres tinham no quotidiano da sua Terra. Muitos descendiam mesmo das famílias mais importantes. Ou seja, era uma forma de perpetuar o poder existente.

E foi assim durante séculos. Até pelo menos ao 25 de Abril.

Nada de muito estranho. Todos sabemos que a Igreja Católica esteve sempre ao lado dos mais fortes e ricos, limitando-se a prometer a "vida eterna" aos crentes mais desvalidos pela vida, que pelo menos deviam permitir-se pensar que havia qualquer coisa estranha naquela história. 

Ainda por cima estes padres eram mais comuns do que deixavam transparecer. Além de terem uma governanta para todo o serviço,  fomentavam um "exército" de mulheres que cortejavam de várias formas. E tinham sempre vários afilhados, com o facto curioso de alguns terem a sua "cara chapada"...

E nem vou falar de outras atrocidades. Da sua cumplicidade com as perseguições políticas levadas a cabo pela PIDE...

Sei que em algumas aldeias as pessoas ainda gostam de olhar para o padre como um "deus", mas felizmente as coisas mudaram e já não são o que eram. 

terça-feira, setembro 08, 2015

Olhar pata Trás e Descobrir os Limites da Liberdade


Sem que existisse um motivo especial, lembrei-me do quanto era livre na infância...

Claro que houve logo uma voz (daquelas interiores...), que exclamou que a inocência e a ignorância tornam-nos aparentemente livres. E é verdade.

Como nasci e cresci distante de qualquer tipo de poder, no seio de uma família simples com hábitos vulgares, assentes no trabalho diário, o tal de "onde nasce o pão", tenho dificuldade em me ver  a viver numa ditadura na infância.

Mas se pensar mais um pouco, descubro que havia coisas estranhas, embora nem me desse ao trabalho de pensar nelas. Havia um medo diferente do que existe hoje. As pessoas tinham mais consciência dos limites que existiam na sociedade, do que podiam e não podiam fazer.

Era ainda mais fácil alguém abusar da autoridade que tinha. Qualquer soldado da GNR tinha "um rei na barriga" (e as deles eram quase sempre enormes...).

Havia uma ideia generalizada (pelo menos no seio da minha família...), de que quem era polícia (GNR, PSP ou PIDE) não era boa pessoa. Os seus elementos eram escolhidos a dedo, por serem tipos capazes de cometer  até actos criminosos, a coberto de uma lei  com demasiados olhos.

Claro que esta minha visão (que pode estar um pouco distorcida), era de quem cresceu numa cidade de província e passava férias na aldeia...

O óleo é de Célia Reisman.

terça-feira, agosto 18, 2015

Meu Querido 15 de Agosto


Nos últimos anos temos passado o 15 de Agosto nas Caldas. Este ano não aconteceu. Talvez possa por isso ser considerada uma daquelas excepções que confirmam a regra...

Claro que já não há feriados como os da minha infância, com a tradicional Feira a encher a Mata da Rainha, com as idas ao circo dos sempre divertidos palhaços montado no pelado do Caldas (as crianças riem-se por tudo e por nada e ainda bem...), uma vez ou outra a entrada de mão dada com o avô, grande aficionado, na praça de touros (o Chibanga era inesquecível, por tourear de joelhos...).

Tudo isto me parece ficção, mas se visitar os jornais da época, descubro que aconteceu mesmo...

Mas o mais me falta são as pessoas. E não são só os amigos. Lembro-me especialmente do pai e dos avós maternos...

O óleo é de Ceci Fernandez Quintana.

segunda-feira, agosto 10, 2015

Dribles na Primária


Ao ler o Dinis Machado, das crónicas de futebol, mesmo sem ter a ver, lembrei-me que rente à escola primária costumávamos jogar futebol com uma pedra da calçada, de sarjeta a sarjeta.

Novitos não pensávamos nos buracos que as pedras faziam nas nossas botas de cabedal, muito menos que com cada golo que metíamos, estávamos a entupir a sarjeta-baliza rente à escola primária do Bairro da Ponte.

E que saudades do Dinis, um homem simples, que nunca se deslumbrou com nada, nem mesmo com o Molero...

quinta-feira, julho 09, 2015

A Fonte dos Namorados


Durante a passagem pelas Caldas, houve uma manhã dedicada ao "ciclismo", num passeio a três, com o meu irrmão e o meu filho.

Fomos até à Foz do Arelho, sem pressas e com algumas paragens aqui e ali.

Na viagem de regresso parámos na famosa "Fonte dos Namorados", no centro da Vila da Foz, que era ponto de paragem obrigatória para nos refrescarmos, nas quase corridas de bicicleta da adolescência com alguns amigos inesquecíveis.

domingo, julho 05, 2015

Duas Praias Tão Diferentes


Apenas numa manhã visitámos duas praias, a Foz do Arelho e São Martinho do Porto.

Na primeira fomos recebidos pelo frio e pelas nuvens quase escuras.

Como a "Estrada Atlântica" estava ali à mão, lá fomos até à Baía de S, Martinho. Ainda parámos em Salir do Porto, com o rio resumido a um fio de água, mas só para ver as vistas.


Felizmente o Sol tinha aparecido (às vezes escondia-se atrás das nuvens mas nada de preocupante) e passámos ali o resto da manhã. 

Mas aquela areia e aquela água não têm nada a ver com as minhas boas memórias balneares. Talvez seja demasiado "rústico" para areias tão finas... 

Ou então é algo ainda mais simples, o mar que aprendi a amar desde a infância foi o da Foz do Arelho, que além da sua linguagem selvagem tem uma areia que não se cola aos pés...

quinta-feira, junho 11, 2015

Caldas: a Cidade Real e a Cidade Imaginária


Hoje de manhã enquanto conversava com um amigo sobre Almada começar a estar "irrespirável", disse que gostava de voltar para as Caldas, mesmo que não fosse a tempo inteiro. Até porque talvez o meio tempo fosse o ideal.

Ele disse-me que a Cidade em que eu penso, pode não existir. Isso acontece muitas vezes...

Sorri, sem querer entrar em mais pormenores ou discutir as diferenças entre a tal cidade real e a imaginária.

A única coisa que sei é que preciso de mudar, preciso de ir para um lugar onde esteja menos envolvido física e emocionalmente, onde não sinta tanto na pele as injustiças diárias protagonizadas por quem se limita a usar apenas a carapaça dos "justos".

Talvez ainda seja possível regressar a uma certa Lisboa e usar Almada quase apenas para dormir...

quinta-feira, junho 04, 2015

Caldas SC: A Família Vala (13)


O outro "clã" futebolístico do meu bairro foi  a família Vala (já não vivem lá...).

Cresci a ver e a admirar o Vitor no pelado do Campo da Mata (muito mais que o José...). Ele jogava a extremo e além de ser rapidissimo, era daqueles jogadores que se costuma dizer "deixam tudo em campo". E  embora não fosse um goleador nato, marcava golos decisivos...

Os filhos dos dois irmãos seguiram-lhes as pisadas, com alguma naturalidade.

Sérgio, o filho de Vitor, mais como treinador das camadas jovens do Caldas. José Vala (herdou o nome do pai) foi um bom jogador da equipa principal durante várias épocas (um pilar na defesa). Depois foi treinador adjunto e após uma "chicotada psicológica" ascendeu a treinador da equipa principal. Não teve muito sucesso (o que é normal para quem foi apenas uma solução de recurso e ainda por cima "prata da casa").

José Vala (na fotografia) continuou a sua carreira de treinador como técnico da Associação de Espeleologia de Óbidos, que milita nos campeonatos regionais, mas pelo que tenho conhecimento trata-se de uma equipa com algumas ambições e com excelentes condições de trabalho.

O mais curioso é que pensava que o José era bastante mais novo que eu. E afinal só tem menos dez anos. Lembro-me de me cruzar com ele de mão dada com a mãe, mas podia eu ter dezasseis anos e ele apenas seis...

Não me posso esquecer que deixei as Caldas com  dezoito anos...

Adenda: O comentário de José Vala (que agradeço) explica o quanto é perigoso escrever apenas de memória, sem consultar as fontes (imprescindíveis para qualquer trabalho). Embora o meu erro (na árvore genealógica) não seja de palmatória, explica que uma boa conversa ou pesquisa é sempre importante, para retirar qualquer dúvida que surja, mesmo na blogosfera...

sexta-feira, abril 10, 2015

Caldas SC: «Estás arrumado como o Caldas.» (11)


Desde a minha meninice que oiço a expressão (quase popular...) quando algo corre menos bem, «estás arrumado como o Caldas».

Embora nunca tenha investigado a sério a origem desta expressão, penso que ganhou "alma" na época futebolística de 1958/59, quando o Caldas Sport Clube se classificou no penúltimo lugar (13.º ), apenas com o Torreense atrás, na sua despedida da Primeira Divisão, após quatro épocas no convívio com os grandes.

A questão que me parece mais premente,  é o porquê do Caldas ser metido nesta expressão popular e não o Torrense?

Talvez tenha acontecido por uma questão de graça e por o Caldas ficar melhor na expressão que o Torriense.

Se dizermos: «estás arrumado como o Torriense», não soa tão bem...

segunda-feira, março 16, 2015

Caldas SC: O "Samba" no Futebol do Caldas (9)


Penso que ainda antes da Revolução de Abril a equipa do Caldas foi reforçada por dois jogadores brasileiros que fizeram história no futebol caldense, pela sua qualidade e simpatia.

Refiro-me a Paulo Veloso e a Lima. O primeiro era mais tecnicista, tanto podia jogar como segundo avançado ou como o principal armador de jogo; o segundo era um verdadeiro ponta de lança, possante e sempre com os sentidos na área adversária, em busca do golo.

Sei que anteriormente já tinham jogado jogadores canarinhos, mas penso que esta dupla foi a que permanceu mais tempo no Caldas (esquecendo o Valdir, que veio alguns anos mais tarde e que se tornou "caldense"...) e que se inseriu melhor na Cidade.

Talvez tenha esta opinião por ter sido nesta altura (em que devia ter onze, doze anos) que me comecei a interessar mais por futebol e a olhar para o jogo com outro entusiasmo.

O Paulo Veloso era mesmo bom jogador. Penso mesmo que poderia ter jogado num clube de maior dimensão, da primeira divisão (acho que jogou no Nacional da Madeira, mas também na II divisão).

(Gostaria muito de colocar a fotografia de uma equipa onde esta dupla tivesse jogado, mas não consegui descobrir qualquer imagem...)

segunda-feira, março 09, 2015

Caldas SC: O "Velho" Campo da Mata (8)


Podia chamar-lhe estádio, mas nós chamávamos-lhe o "Campo da Mata", às vezes até dizíamos com alguma ternura, o "velho" Campo da Mata...

Foi lá que vi os primeiros jogos a sério, levado pela mão do meu querido pai. Devia ter seis, sete anos.

Sei que ficávamos quase sempre na bancada central, por ficarmos perto da cabine de som, onde havia uns senhores que faziam publicidade antes do jogo e nos intervalos e também acho que gritavam "goooolloo!", quando o Caldas fazia miséria na baliza adversária.

Foi também a primeira vez que vi homens a dizerem todo o tipo de palavrões (as bancadas dos estádios também têm este atractivo...), a ameaçarem invadir o campo para se travarem de razões com o árbitro, etc.

O meu pai era um espectador sereno, além de não se exaltar como os outros homens, também não chamava nomes aos jogadores e ao homem de preto (nessa altura não existiam as variedades de cores de equipamento dos nossos dias, além do preto, acho que só havia o cinzento). Deve ser por isso que sempre fui um espectador calmo, de qualquer desporto.

Alguns anos mais tarde também pisei aquele pelado (já sou antigo, não sou do tempo do relvado...), vestido com aquela camisola alvinegra. Era um bom pelado, não tinha "areia-lixa" como outros onde joguei, em que cada queda dava direito a uma esfoladela.

Andei à procura da minha memória mais antiga de um jogo e descobri um Caldas-Benfica, em que as águias venceram por 7 a 1 (deve ter sido uma homenagem a alguém, no final da década de sessenta. Só me recordo de dois jogadores do Benfica, o Benje, que foi o guarda-redes (pela cor de pele) e o José Torres (pela altura e pelos golos que marcou...).

Como de costume não consultei "papeis", quis ser apenas fiel à minha memória.

segunda-feira, março 02, 2015

Caldas SC: Rita, o Grande Guarda Redes do Caldas (7)


Provavelmente vou ser injusto. Mas não estou muito preocupado com isso, nem tão pouco vou "investigar" o historial de guardiões das redes das balizas do Caldas Sport Clube. Continuo a ter para mim, que o Rita foi o grande guarda redes da história do Caldas.

Defendeu a baliza da equipa caldense durante as quatro épocas na primeira divisão, com um brilho e uma coragem, bem vincados na imprensa desportiva de então ("A Bola", "Record" e "O Mundo Desportivo"). Pelo que li e ouvi, tinha uma presença única na baliza, não só impunha respeito aos adversários como dava confiança aos seus companheiros da defesa, mesmo que agisse muitas vezes como um "comandante feroz", capaz de lhes chamar nomes feios.

Mas ele não era só enorme entre os postes, também tinha uma boa estatura e compelição atlética, pelo menos para a época.

Só nos encontrámos uma vez, penso que em 1975, 1976, num jogo de veteranos da velha guarda do Caldas, numa homenagem qualquer, penso que a um atleta.

Equipado a rigor, com a brilhantina da ordem no cabelo, mantinha a bela figura de "gigante" quase intransponível (talvez apenas aos meus olhos por ser um pequenote...).

Ainda me lembro quando passou por mim e me fez uma festa na cabeça, talvez por sentir que eu o observava atentamente, deixando atrás de si o perfume a bálsamo, a pomada analgésica mais usada pelos massagistas desses tempos... 

sábado, fevereiro 21, 2015

Caldas SC: O "Garrincha" do Caldas (6)



Durante anos o Caldas teve no seu plantel um jogador, que recebeu (erradamente) como nome de guerra, "Garrincha".

Olhando para os jogadores de hoje, penso que ele seria mais um "Maxi Pereira", pela sua entrega ao jogo e amor à camisola. É uma coisa normal (comigo acontecia o mesmo...), quando temos limitações técnicas, suamos muito mais a camisola que os "artistas da companhia"...

Ainda me lembro que quando se chutava uma bola para as nuvens nos treinos, aparecia logo alguém a aplaudir o "remate à garrincha".

Só mais tarde é que conheci o "Anjo das Pernas Tortas", o verdadeiro Garrincha, que adorava sentar os adversários na relva e dançar "samba" com bola, o craque que tanto brilhou nas selecção do Brasil nos anos 1950 e 1960, campeãs do mundo. 

Este como tantos ídolos, fez quase tudo bem dentro dos relvados e tudo mal fora deles. Ficou o mito e a lenda, de quem provavelmente continua a fintar tudo e todos, lá pelos céus (de certeza que há por lá campos de futebol...).

Ou seja, não havia comparação possível entre os dois jogadores.

Mas que tenho curiosidade em saber o porquê deste baptismo de fogo ao atleta do Caldas, tenho...