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sábado, novembro 02, 2019

Os "Sinais de Fogo" de Jorge de Sena


Jorge de Sena faz faz hoje 100 anos.

Embora, para mim, não seja um dos nomes maiores da nossa literatura, foi um autor muito multifacetado e esforçado. Gostei bastante dos seus "Sinais de Fogo", romance que li no final da adolescência, e que continua presente na lista dos livros que mais me marcaram.

Provavelmente se lesse esta obra hoje, não teria o mesmo efeito que teve num rapaz de dezoito anos, que estava a viver situações próximas das personagens do romance. Mas essa é a beleza da literatura...

Uma faceta muito importante da sua obra - como retrato do nosso país -, são os seus livros de correspondência (com grandes nomes da nossa literatura, dos quais destaco a Sophia, que também está quase a fazer anos...), onde se percebe a dificuldade que Jorge de Sena tem em se reconhecer num país, como aquele, tão salazarento. O que explica que a sua vida académica ter sido feita no exílio (Brasil e Estados Unidos da América).

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, agosto 22, 2018

Olha os Comboios! Olha a Linha do Oeste!


De repente toda a gente descobriu que existem linhas de ferro sem manutenção, comboios velhos e estações abandonadas de Norte a Sul.

Parece que a "rainha da demagogia" até apanhou hoje o comboio nas Caldas, até Coimbra B. 

Será que ela se lembra de que partido era o anterior presidente da CP, Manuel Queiró, que tão bons serviços prestou a esta instituição (tal como todos os seus administradores nos últimos 30 anos...)?

Como o nosso Rafael deve ter sorrido, quando a "comitiva" invadiu a estação e espantou as moscas...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, setembro 08, 2015

Olhar pata Trás e Descobrir os Limites da Liberdade


Sem que existisse um motivo especial, lembrei-me do quanto era livre na infância...

Claro que houve logo uma voz (daquelas interiores...), que exclamou que a inocência e a ignorância tornam-nos aparentemente livres. E é verdade.

Como nasci e cresci distante de qualquer tipo de poder, no seio de uma família simples com hábitos vulgares, assentes no trabalho diário, o tal de "onde nasce o pão", tenho dificuldade em me ver  a viver numa ditadura na infância.

Mas se pensar mais um pouco, descubro que havia coisas estranhas, embora nem me desse ao trabalho de pensar nelas. Havia um medo diferente do que existe hoje. As pessoas tinham mais consciência dos limites que existiam na sociedade, do que podiam e não podiam fazer.

Era ainda mais fácil alguém abusar da autoridade que tinha. Qualquer soldado da GNR tinha "um rei na barriga" (e as deles eram quase sempre enormes...).

Havia uma ideia generalizada (pelo menos no seio da minha família...), de que quem era polícia (GNR, PSP ou PIDE) não era boa pessoa. Os seus elementos eram escolhidos a dedo, por serem tipos capazes de cometer  até actos criminosos, a coberto de uma lei  com demasiados olhos.

Claro que esta minha visão (que pode estar um pouco distorcida), era de quem cresceu numa cidade de província e passava férias na aldeia...

O óleo é de Célia Reisman.

segunda-feira, agosto 11, 2014

Resquícios de uma Certa Monarquia


O comportamento das grandes famílias portuguesas em relação ao país sempre teve muito que se lhe diga, pois uma boa parte delas sempre achou estar acima da restante população. Embora sejam uma "casta" habituada a viver à sombra do Estado, ou seja, de todos nós, acham-se seres "iluminados" (ou fingem muito bem...) e que os grande cargos do país nunca deviam fugir das suas mãos.

Como nunca se adaptaram à democracia (a possibilidade de ser o povo a escolher os governantes...), conseguiram "inventar" outra coisa, com a conivência de uma outra "casta" (os novos ricos com poucos escrúpulos que hoje enchem o parlamento e os ministérios...), que acaba por se resumir a um sistema misto, que dá a possibilidade a quem tem poder e dinheiro, de viver acima da lei, com os resultados que todos sabemos.

O mais curioso, é que, apesar de viverem desta forma obscena, muitos ainda têm o descaramento de dizer que o salário mínimo é demasiado elevado, entre outras coisas...

Coloco aqui a fotografia deste busto (do jardim do Museu da Cerâmica), por estar farto desta gente "postiça", que tem destruído o país ao longo dos séculos e por simbolizar tudo aquilo que abomino em qualquer sociedade.

quarta-feira, junho 11, 2014

Um Dia Pode ser Muitos Dias...


O feriado 10 de Junho é o dia que transporta atrás de si mais definições.

A nós, crescidos, habituados a estas maneiras pouco dadas à simplicidade da nossa "lusa pátria", nem sequer estranhamos.

Mas quando a nossa filha do alto da sua sabedoria de nove anos nos questiona, porque é que este dia não é um feriado como os outros, só com um significado, não sabemos muito bem o que dizer, porque Dia de Portugal, é como todos os que passamos por aqui...

Eu se pudesse escolher era apenas do "Dia de Camões"...

Deixo-vos este Camões de Lima de Freitas.

sábado, agosto 03, 2013

A Gaiola Dourada


O filme Luso-Francês de Ruben Alves está a dar que falar e de uma forma positiva.

Pelo menos as críticas que tenho lido são positivas e falam de uma comédia, que não precisa de recorrer à gargalhada fácil, alimentada pela brejeirice e pelo anedotário da família "malucos do riso".

Não acho piada ao chavão de que os portugueses só são bons fora de portas e que como emigrantes, são dos melhores do mundo (muito menos às "marias de bigode", ou aos "manéis das ceroulas"...).

Um bom exemplo é o senhor Barroso, que como presidente da Comissão Europeia, deixa tanto a desejar...

E temos mais como ele para "exportar": Relvas, Passos, Portas, Sócrates, Seguros, etc...

Penso que somos bons onde nos oferecerem ordenados compatíveis com o trabalho que desempenhamos, assim como regras bem transparentes, onde todos sabemos o "terreno que pisamos".

terça-feira, maio 07, 2013

Passagem pelo Bombarral...


No domingo fui almoçar às Caldas com a minha mãe e o meu irmão. 

Quando estava a chegar ao Bombarral deu-me vontade de sair da auto-estrada e visitar esta localidade, com o pensamento preso na velha estação de comboios.

Parei em vários lugares, até chegar à estação.

Tirei várias fotografias a casas com boa traça mas abandonadas (tal como acontece de Norte a Sul...).

Curiosamente a velha estação estava com muito bom aspecto. Limpa e florida...

quarta-feira, abril 10, 2013

«Bom dia Cidade!»


Foi quase isto que fui fazer às Caldas, na terça-feira.

À cidade, praticamente só lhe fui desejar bom dia, embora já se caminhasse para a tarde. Mas não foi um bom dia qualquer, levava um sorriso aberto.

Ainda passei pelo Parque. Embora não esteja tão primaveril como noutros tempos, pensei que o iria encontrar pior, por ser mais uma "vitima", completamente inocente, das guerras de "poder" que se multiplicam por este país, quase sempre sem sentido.

O resto do tempo foi para colocar a conversa em dia com a  minha mãe.

sábado, outubro 13, 2012

O Cardeal, Fátima e as Manifestações


Hoje, dia 13 de Outubro, é dia de grandes manifestações.

Não estou propriamente  a pensar em Fátima, embora assim que ligasse a televisão, na  RTP1, para ver o "Jornal da Tarde", percebesse que hoje era dia de festa católica.

Além de ter mudado de canal, lembrei-me de imediato das palavras do Cardeal Patriarca, que por acaso pertence ao concelho das Caldas da Rainha, quando tentou desvalorizar as manifestações de rua, dizendo que estas não resolvem nada, nem as revoluções.

Ele lá terá as suas razões para dizer isto. Cerejeira de certeza que pensava a mesma coisa. Pelo menos aos governos de direita como o de Portugal, as manifestações religiosas e os milagres de qualquer nossa senhora, dão sempre mais jeito que as pessoas na rua a protestarem, cada vez com mais razão, pois o que estes governantes estão a fazer aos portugueses está próximo do roubo.

Esqueci-me que essas acções de massas religiosas não são manifestações, mas sim peregrinações...

quinta-feira, setembro 27, 2012

Cada um de Nós tem o "Dinossauro" que Merece


Embora quem esteja no poder crie mecanismos que ajudam a sua perpetuação no lugar que ocupa, nós, cidadãos, somos os principais responsáveis pela manutenção do mesmo partido à frente de uma autarquia, duas e três décadas.

Claro que é triste que quem ocupa o poder não queira perceber que o seu tempo já passou. E esta dialéctica tanto serve para Fernando Costa nas Caldas, como para Maria Emília de Sousa em Almada. Apesar de defenderem cores políticas ideologicamente antagónicas, na prática esses aspectos quase que não se notam. 

O mais curioso é verificar que a maior parte dos "dinossauros" do nosso país, se pudessem mudavam a lei, para permanecerem mais um mandato no "bem bom"...

domingo, setembro 02, 2012

A Arte nas Estações de Comboios


Tenho saudades do tempo em que as estações de comboios eram um lugar aprazível, com belos azulejos a mostrar a quem chegava o que de melhor existia na Localidade e nos arredores.

Foi por isso que no mês passado, passei com os meus filhos pela estação deserta, para olharmos os lugares bonitos das Caldas, retratados na forma de azulejo...

domingo, junho 17, 2012

O Zé Povinho Empurrado para o Mundo


Tirei esta fotografia no Verão de 2010, no interior do CCC.

Este Zé Povinho pode muito bem andar por aí, feito nómada, ainda por cima de "triciclo" a pedais.

Ao revisitar algumas fotografias, apareceu esta e lembrei-me do Relvas e do Coelho, essas sapiências pardas, que fingem governar o país, para quem o futuro passa por todo o lado, menos dentro de Portugal.

Pelo menos é essa leitura que faço, quando convidam os jovens a partir para outras paragens...

quarta-feira, outubro 05, 2011

Nem a Rainha me Convence...


Sou e serei republicano, nem a D. Leonor, a Rainha da minha cidade, me convence a mudar de ideias...

domingo, janeiro 30, 2011

Do Mondego para o Oeste

As populações que continuam à espera do "metro", lá para os lados do Mondego, são hoje as vitimas mais mediáticas da destruição das "estradas de ferro", que no século XIX, nos tempos da governação de Fontes Pereira de Melo (o António Maria do meu querido Bordalo...), aproximaram e desenvolveram o país, de uma forma completamente revolucionária.
Infelizmente há mais histórias miseráveis, de abandono e destruição destas vias, tanto a Norte, próximo do Douro, como no distrito de Beja, todas elas a recordarem a "destruição" lenta da Linha do Oeste.
Não deixa de ser inquietante que os
interesses económicos de meia dúzia de empresários continuem a prevalecer sobre os das populações e do próprio ambiente. E claro, os do próprio governo, refém da fatia que recebe da exploração do "petróleo" e das portagens...
O óleo é de Robert Steell.

sábado, novembro 20, 2010

A Beleza dos Campos

Talvez a beleza volte aos campos com toda esta crise, talvez as pessoas voltem a cultivar as terras em pousio.
A sabedoria popular diz-nos que a necessidade aguça o engenho.
E agora que a "fonte" europeia ameaça secar, até nos gabinetes governamentais, já se fala do regresso à agricultura e às pescas.
Se isso acontecer os campos vão ficar mais radiosos, como este óleo de David Inshaw.

segunda-feira, novembro 15, 2010

O Adamastor


Não sei se tive medo do Adamastor na infância, mas acho que não, nunca o levei demasiado a sério. Apenas me lembro de uma imagem imprecisa de um livro escolar, em que ele se confundia com as ondas bravas do mar.

Agora anda por aí outro Adamastor a cirandar (fmi), tenho quase a certeza que esta gente que nos governa (e a que se prepara para nos governar...), não tem medo dele e ainda menos vergonha na cara.

Com esta gente não há Adamastor que nos valha...

Percebe-se pela urgência em despedir os mais de 300 funcionários da "Groundforce", ao mesmo tempo que (segundo a imprensa) foram contratados mais 274 funcionários para as voltinhas da governação
.

segunda-feira, setembro 06, 2010

A Paisagem Beirã


Embora esta fotografia mostre água, também mostra as pedras, os rochedos que fazem parte integrante da paisagem Beirã.

Pena que muitas das casas que se reconstroem esqueçam a pedra. Claro que se trata de um esquecimento compreensível, devido aos custos e à dificuldade de encontrar quem utilize a pedra como instrumento de trabalho na construção.

domingo, abril 25, 2010

Abril


Abril não foi um sonho,
foi mesmo uma Revolução.

Foi um dia demasiado belo
e é muito mais que uma canção.

No entanto são os poetas e os trovadores da revolução quem melhor sintetiza o que se passou antes e depois...

Quando Zeca Afonso cantou (Vampiros), disse-nos quase tudo:

[...]
Se alguém se engana
com seu ar sisudo
e lhes franqueia
as portas à chegada
eles comem tudo
e não deixam nada
[...]

E nós enganámo-nos mesmo, franqueámos as portas à mesma gente, que no Estado Novo, enriquecia e deixava o povo à míngua e o Estado pobre, as célebres famílias que dominam hoje a banca, a pouca indústria e comércio que temos. Foram eles com a complacência e a "corrupção" ética e moral de uma parte significativa dos ministros e secretários de estado, que nos governaram desde a década de oitenta até aos nossos dias (dou o benefício da dúvida aos que governaram na década de setenta, por todas as convulsões e dúvidas que ainda existiam...).
Com outros empresários e outros políticos, Portugal seria um país muito diferente, para melhor, não tenho qualquer dúvida...
E é uma pena constatarmos que Abril não se cumpriu integralmente. Sobra a LIberdade, que também já não é o que era...

segunda-feira, setembro 14, 2009

Dez Cartões Vermelhos

A Vela desafiou-me para que eu mostrasse dez cartões vermelhos. Podia mostrar vinte sem grande dificuldade. Decidi escolher 10 pessoas, que ultimamente se têm colocado a jeito de levar com a cartolina que dará direito à expulsão para outra "república também com bananas", de preferência distante...

O mais curioso é que estão de tal forma colados (e alienados) ao poder, que não há cartão que os afaste da nossa vista...

Eis a lista:

Alberto João Jardim
Dias Loureiro
Jardim Gonçalves
Aníbal Cavaco Silva
Manuela Ferreira Leite
Santana Lopes
Fátima Felgueiras
Valentim Loureiro
Isaltino Morais
Pinto da Costa

O país ficava mais saudável sem a sua presença, pelo menos na vida pública.

Quem quiser, está à vontade para pegar no mote e mostrar os cartões a quem lhe apetecer.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Sonhos que se Tornam Pesadelos...

Embora fosse demasiado pequeno na década de sessenta (a que me trouxe ao mundo...) e setenta, como tenho lido e conversado bastante sobre estes tempos, noto que em três, quatro anos, recuámos quase quatro décadas. Voltámos a ser um país sem rumo, perdido nas "europas"...

Não vou falar de causas (seria preciso o dia todo...), mas apenas de alguns efeitos.
Com o quase desaparecimento da classe média, a tal que é sempre difícil de configurar por acolher estratos sociais muito diferenciados (os que são quase ricos e os que deixaram de ser pobres...), desaparece quase tudo num país.
Voltámos ao país do final dos anos sessenta, princípio de setenta, em que havia apenas ricos (20%) e pobres (80%).
E isto é tão negativo... normalmente é a classe média que funciona como motor da economia e da sociedade.
Sim, não tenham dúvidas disto. Normalmente os ricos estão demasiado ocupados com os seus dinheiros e os pobres com a falta dele. Sobra a classe média, empreendedora e ambiciosa, para actuar como o principal veiculo do desenvolvimento e inovação de qualquer país.

Não sei porquê, mas acordei a pensar nisto...

Podemos recuar no tempo, ir ao "cavaquistão", ao "guterrismo", à "tanga-durão", ao"calimero-lopes", mas quem "matou" de vez a classe média foi o senhor, que de filósofo só tem o nome.
Em trinta e muitos anos de democracia nunca vi um governo proteger tanto o alto capitalismo, ao mesmo tempo que ia destruindo a classe média, enchendo-a de impostos e cortando-lhe a possibilidade de criar, de empreender, transformando os nossos sonhos em autênticos pesadelos...
Para terminar a sua epopeia, completamente oposta à do "robin dos bosques", ainda teve o descaramento de financiar um banco privado, que funcionava com direito reservado, aberto apenas a quem tinha dinheiro e poder.
Sei que ainda é cedo para se fazer história. Resta a esperança de que o tempo faça justiça a esta gente mal formada, que continua a confundir interesses pessoais com nacionais.
Este óleo é de Salvador Dali, a "Invenção dos Monstros"...