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quarta-feira, maio 15, 2019

Dia da Cidade


Como ainda continuo a fazer algumas "viagens" pelo Oeste, não devo ignorar que 15 de Maio é  o dia da cidade onde só me faltou nascer.

Cidade que consegue essa coisa boa de ser muito mais bonita que os seus habitantes...

(Fotografia de Luís Eme) 

quarta-feira, maio 01, 2019

O Meu Primeiro de Maio...



O Meu Primeiro de Maio

Sozinho, sempre sozinho,
mesmo quando vou a teu lado.

De ti que constróis o rumor das cidades
e no campo, semeias, lavras,
e pisas
o sabor do vinho.

Sozinho, sempre sozinho.
Aqui vou a teu lado
eu, o poeta, operário de palavras
- as palavras «sonho», «bandeira», «esperança», «liberdade» -
instrumentos de pureza irreal
que tornam a Realidade
ainda mais real
e transformam os bairros de lata
em futuras cidades de cristal
num planeta de paisagens de prata
onde as bocas das flores, das manhãs, dos vulcões,
da brancura do linho
e das foices de gume doirado
cantarão um dia connosco a Internacional
- que eu continuarei a cantar sozinho,
sempre sozinho,
a teu lado.

José Gomes Ferreira

(Fotografia de autor desconhecido)

sábado, outubro 06, 2018

Mesmo não Sendo Caso Único...


Mesmo não sendo caso único, pois existem várias lojas que vendem a chamada "loiça malandra", é a única que não tem medo de quase usar um dos nomes que celebrizou as Caldas da Rainha... 

Sim, os dois pontos são o equivalente a um "piiiii" na televisão.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, maio 15, 2018

Dia da Cidade


Hoje é o Dia das Caldas da Rainha...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, maio 06, 2018

Dança de "Mães" com a Benção do Malhoa

Hoje fui às Caldas almoçar com a minha mãe e com o meu irmão.

Para variar passei pelo Parque, que descobri estar em festa, com a sétima edição do Festival Oeste Lusitano.

Um dos aspectos mais curiosos foi a aula de "fitness" no relvado junto à estátua e ao Museu do grande José Malhoa. Como só estavam a dançar mulheres e crianças, pensei que devia ser uma iniciativa alusiva ao Dia da Mãe.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, agosto 17, 2017

Salir de Matos em Parágrafos (5)

«As reuniões familiares, em que se juntam três, quatro, e até cinco gerações diferentes, são quase sempre espaços de boas memórias.
Depois do café e da sobremesa, é normal que os mais antigos escolham as histórias com mais humor da sua juventude, para retratarem um tempo tão diferente dos dias de hoje, em que por exemplo a exploração da mão de obra infantil era comum a todas as famílias. E também era a única possibilidade de se sobreviver, num tempo em que quase todas as pessoas eram pobres... principalmente quem vivia no campo, em aldeias profundamente rurais como era Salir de Matos.
Mesmo assim, há sempre um ou outro drama que se mistura, um sentimento de injustiça que se aviva, porque, ao contrário do que se pensa, não era mais fácil ser-se pai e mãe, nesse tempo em que quase eram proibidos os afectos.»

(escrito originalmente para as "Viagens")

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, agosto 18, 2015

Meu Querido 15 de Agosto


Nos últimos anos temos passado o 15 de Agosto nas Caldas. Este ano não aconteceu. Talvez possa por isso ser considerada uma daquelas excepções que confirmam a regra...

Claro que já não há feriados como os da minha infância, com a tradicional Feira a encher a Mata da Rainha, com as idas ao circo dos sempre divertidos palhaços montado no pelado do Caldas (as crianças riem-se por tudo e por nada e ainda bem...), uma vez ou outra a entrada de mão dada com o avô, grande aficionado, na praça de touros (o Chibanga era inesquecível, por tourear de joelhos...).

Tudo isto me parece ficção, mas se visitar os jornais da época, descubro que aconteceu mesmo...

Mas o mais me falta são as pessoas. E não são só os amigos. Lembro-me especialmente do pai e dos avós maternos...

O óleo é de Ceci Fernandez Quintana.

sábado, setembro 13, 2014

Setembro no Campo (3)


Volto aos campos, para falar das vindimas, que me lembro desde sempre e que se iniciavam durante o mês de Setembro (normalmente na segunda quinzena).

Fazer vinho era um dos maiores orgulhos do avô, e depois passou a ser do meu pai, quando herdámos uma das vinhas, o Arneiro.

Há quase algo de mágico na arte de fazer, é quase uma quimera que enche de orgulho quem trata de uma vinha desde o seu início, a poda, até ao fim, a apanha das uvas...

Além do vinho que chegava aos lagares, havia a aguardente, o açúcar (e um pó branco, conservante acho eu), que se misturam na pia, que era despejada com o motor para um dos depósitos enormes da adega (que também herdámos...), onde ficava a fermentar.

O avô (e o pai, posteriormente...), iam medindo o grau do vinho, quase tina a tina, não escondendo o orgulho da fortaleza deste néctar, em anos  mais quentes e com menos chuva na Primavera e Verão...

O óleo é de Ernesto Arrisueno.

sábado, agosto 30, 2014

A Festa de Salir de Matos


No começo de Agosto, talvez no seu primeiro fim de semana, decorria a Festa de Salir de Matos, igual a tantas outras que enchem de alegria as aldeias portuguesas.

Acho que todos os meus tios foram festeiros, ou seja os "operários para todo o serviço" da festa pagã, que nunca se desligou da paróquia (penso que era o padre que guardava os seus lucros, embora não tenha a certeza absoluta).

De um ano para o outro (acho que já neste milénio, embora o tempo voe...) deixou de se realizar, sem que fossem dadas muitas explicações, para lá das dificuldades financeiras em realizar os festejos, com muitos anos (sempre me lembro da sua realização...) de história.

Infelizmente nunca mais foi reactivada. Este ano durante um jantar familiar soube de mais um pormenor, que concorreu para algumas discordâncias entre os organizadores, a existência de uma pipa de vinho, que podia ser consumida à discrição, por todos os contribuintes da festa.

Algumas pessoas não só achavam que a "pipa" causava descrédito como era um "rastilho" para algumas discussões, provocadas por quem tinha "mau vinho".

Com pipa ou sem pipa, eu limito-me a lamentar que tenham colocado fim esta Tradição, sem grandes explicações, como é hábito acontecer no nosso país, de tantas "mortes solteiras"...

O óleo é de Alphonse Roman.

quarta-feira, junho 11, 2014

Um Dia Pode ser Muitos Dias...


O feriado 10 de Junho é o dia que transporta atrás de si mais definições.

A nós, crescidos, habituados a estas maneiras pouco dadas à simplicidade da nossa "lusa pátria", nem sequer estranhamos.

Mas quando a nossa filha do alto da sua sabedoria de nove anos nos questiona, porque é que este dia não é um feriado como os outros, só com um significado, não sabemos muito bem o que dizer, porque Dia de Portugal, é como todos os que passamos por aqui...

Eu se pudesse escolher era apenas do "Dia de Camões"...

Deixo-vos este Camões de Lima de Freitas.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

A Praça Será Outra Coisa


Um amigo que passou pelas Caldas falou-me das obras na Praça da Fruta e da sua nova localização.

Quis saber se eu sabia o tempo de duração das obras. Sorri e disse que ninguém deve saber, pois à boa maneira portuguesa, há dois tipos de "derrapagens", os valores da obra que chegam a duplicar, e o tempo, que também pode dobrar ou triplicar...

Acabámos por falar da beleza do mercado de rua, praticamente único no nosso país. Ele é pintor e já pintou várias Praças da Fruta das Caldas. Ambos sabemos que nunca mais será igual, pois a modernidade deverá retirar a originalidade plástica de cada vendedor, que escolhia o chapéu de sol, a banca e até a maneira de colocar a fruta e os legumes na praça...

O óleo é de Claudio Caxeta.

terça-feira, dezembro 24, 2013

Falavam-me de Amor


Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.


                                   Natália Correia

O óleo é de Patricia Rorie.

quarta-feira, março 20, 2013

A Primavera


Durante anos a Primavera começava no dia 21 de Março, no mesmo dia que se comemorava o Dia da Árvore e o Dia Mundial da Poesia.

Recentemente houve alguém que decidiu que afinal a Primavera começa a 20 de Março, ou seja hoje.

Provavelmente existe alguma explicação científica para o facto (existe sempre...), mas continuo a pensar que a Primavera só começa amanhã...

E também espero que o nosso Parque continue com flores, como estas...

quarta-feira, agosto 24, 2011

As Cores e os Cheiros da Praça da Fruta


Durante o fim de semana do 15 de Agosto senti a habitual visita à Praça da Fruta das Caldas da Rainha de uma forma diferente.

Consegui tirar muitas fotografias e mesmo assim escutar a forma simpática como os vendedores (a maior parte com a idade da sabedoria...) procuravam vender a sua mercadoria, a preços que achei bastante convidativos.

Lembrei-me do meu avô Manuel Joaquim... um "super-campeão" de vendas, que chegava a casa sem sobras e a horas decentes para almoçar, para espanto da avó.

Gostei de andar por ali, misturado com as cores e com os cheiros, sempre agradáveis da fruta, dos legumes e das flores.

Até consegui esquecer por momentos a "crise"...

segunda-feira, agosto 15, 2011

A Tourada desta Ano


A Maria comentou que a Tourada de 15 de Agosto das Caldas já tinha os bilhetes esgotados.


Achei curioso o programa das festas afixado nas ruas da cidade. O Vitor Mendes (que em Espanha no seus bons tempos era "vendido" como Mendez...) regressa mais uma vez ao palco tauromático, e há uma ressalva que os bilhetes são vendidos a partir de 10 euros (espero que o tempo das "vacas magras" não se reflicta nos touros em lide, de Coimbra).

E não deixa de ser uma boa ideia a homenagem a Manuel dos Santos, um nome grande do toureio apeado, que ombreou com os melhores do mundo, no tempo dos grandes matadores espanhóis, imortalizados por Hemingway.

quarta-feira, novembro 18, 2009

As Caldas e a Cultura

Noto que nos últimos temos há uma outra dinâmica, uma outra forma de se olhar e fazer cultura nas Caldas da Rainha.

Pelo menos esta é a impressão que fica de quem acompanha a vida cultural pela "Gazeta" e por alguns blogues...
Embora não tenha a noção do êxito da "1ª Mostra Erótica-Paródica de Caldas da Rainha", mas só o simples facto de ter sido organizado, já é uma vitória contra o conservadorismo que povoa uma cidade cheia de potencialidades.
Como estou ligado aos livros, fiquei também bastante satisfeito com a edição dos dois últimos sobre as Caldas, o romance de Carlos Querido, "Praça da Fruta" e o ensaio de Mário Tavares, "Caldas nos Tempos da II Guerra Mundial".

Que esta "febre" continue...

quarta-feira, novembro 11, 2009

O São Martinho e a Prova do Vinho Novo

O São Martinho recorda-me sempre o meu avô materno e a prova do vinho novo na adega, povoada com barris de todos os tamanhos.

O avô conseguia transformar uma coisa simples num acontecimento memorável (é a explicação para a lembrança...)
, quase sempre com algumas histórias de vidas à mistura...
A prova raramente se ficava por uma único barril porque, embora o vinho fosse feito na mesma altura, existiam outros aspectos que podiam ou não, alterar a graduação e o gosto do vinho, como era o caso da própria madeira das pipas. À medida que se iam abrindo, a rolha de cortiça era substituída pela torneira metálica da ordem...

A fotografia é de João Soeiro, do álbum, "Arealva - Memórias Dispersas no Tempo", onde colaborei com um texto sobre a história desta bonita quinta...

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Quando as Cidades eram Aldeias...

Hoje estive a entrevistar um almadense, que viveu a sua juventude nos anos trinta e quarenta.

Contou-me coisas bastante importantes para um trabalho que estou a realizar.
Uma das coisas que achei mais interessante e partilhável neste espaço, foi a sua noção de que o mundo só mudou de uma forma mais radical, após a Segunda Guerra Mundial.
Disse-me mesmo que até aí, a vida dos seus bisavós, avós e pais, era muito idêntica. A verdadeira revolução social e económica, só começou com a sua geração e seguintes.
Até então Almada era uma cidade pequena, onde as pessoas se conheciam todas umas as outras, completamente limitada no tempo...

Outra coisa extraordinária que ele me disse, foi que apesar de Lisboa ficar no lado de lá do rio, a ida à Capital era um acontecimento extraordinário, especialmente para a criançada. Muitos almadenses só pisaram o solo lisboeta, quando abandonaram os estudos e começaram a trabalhar na "cidade grande"...
Nós hoje não temos qualquer ideia de que as coisas fossem assim...

Este apontamento poderia muito bem ser publicado no "Casario", mas as "Viagens" são o meu espaço mais nostálgico, além disso estou convencido de que esta história também poderia ser contada por caldenses (com a excepção da proximidade da Capital, claro...)

A foto é de Robert Doisneau, "os porteiros"...

terça-feira, maio 06, 2008

O Fim das "Quintas Pedagógicas" Domésticas...

O meu filho sempre gostou do campo. Desde pequenote que gosta de brincar na terra (pobre quintal da avó, tão esburacado...), de ver crescer as plantas e de descobrir o mundo dos animais...

Uma das nossas visitas imperdíveis em Salir de Matos é ao casal do tio Arcelino, onde o meu filho tem a oportunidade de ver de perto um verdadeiro "zoo" da bicharada doméstica.

Claro que as coisas já não são o que eram, devido ao aparecimento da ASAE e de uma série de restrições legais (que até se intrometem nas tradições locais, como a matança do porco em família...), que não permitem a qualquer pessoa ter animais em casa...
Nos seus melhores momentos, encontrávamos um bezerro, uma porca e leitões, coelhos, galinhas, galos, patos, ovelhas e cabras, espalhados ao longo dos vários currais e capoeiras do casal.
Hoje existem menos espécies de animais domésticos, mas nem mesmo assim o Miguel dispensa uma visita à "quinta pedagógica" do tio Arcelino...