Quando estava a ajudar o meu filho nos trabalhos escolares do Estudo do Meio, lembrei-me das minhas férias campestres em Salir de Matos.
Nessa época não existia qualquer tipo de educação ambiental.
Havia sim muito cuidado, especialmente pelas coisas que se semeavam. As searas eram algo quase sagrado. Não admira, era dali que vinha o pão para toda aquela gente...
O resto era de todos e não existiam cuidados especiais na sua preservação. Acho que havia a ideia de que a natureza se auto-regulava, com a nossa ajuda e de outros animais bravios.
Por exemplo os pássaros estavam longe de ser uma espécie protegida. Eram para caçar à fisga, com armadilhas ou ainda para lhes descobrir os ninhos e destrui-los. Os peixes a mesma coisa, eram para pescar à cana ou com camaroeiros improvisados nas ribeiras. As plantas selvagens não eram olhadas com o respeito com que se olhavam as semeadas, como se estas precisassem de cuidados especiais (e precisavam de facto...) para crescerem e se tornarem comestíveis.
Claro que havia um olhar de admiração e de respeito por tudo aquilo que significasse vida... mas acho que se alimentava a ideia de que as coisas selvagens, além de serem de todos eram inesgotáveis, como se tivessem qualquer protecção divina.
Felizmente passados alguns anos mudámos de ideias e de atitude, ao percebemos que havia várias espécies de animais e plantas em risco de desaparecerem, para todo o sempre...
Apesar de todas estas considerações, continuo a pensar que as pessoas do campo têm um apego e uma sensibilidade mais apurada em relação a tudo que nos rodeia. Conhecem muito melhor as leis da natureza e sabem o quanto é importante preservarmos o Mundo onde vivemos...















