
Durante as conversas de café, Santiago sente-se importante, embora, mesmo na sua cidade provinciana, esteja longe de ser uma figura popular. É olhado pelos conhecidos da sua geração como mais um curioso que tem a mania que é jornalista e que escreve umas coisas na “Gazeta” sobre a sétima arte.
Poucos sabem que o seu grande sonho é fazer parte, a tempo inteiro, do sindicato de cineastas. Só a meia dúzia de amigos que o acompanha às salas de cinema sem pipocas conhece esta paixão. Ele continua a acreditar que ainda vai a tempo de fazer o que sempre quis fazer, produzir filmes, abandonando o bando de inúteis que atura, diariamente, na repartição de finanças.
Às vezes tem sonhos bizarros, onde se vê dentro de limusines a passear pelas avenidas de Hollywood... e até a entrar de smoking na festa da entrega dos “óscares”, acompanhado de uma sereia qualquer, daquelas que fazem as delícias dos amantes de mulheres com tudo colocado no sítio, incluindo a excentricidade própria de quem se passeia por Beverly Hill, à espera de entrar em qualquer filme, mesmo ordinário.
Ele pertence a uma pequena tertúlia de cinéfilos que colecciona os Cahiers du Cinéma e troca filmes em DVD, apreciados em silêncio, mais que uma vez. A repetição de imagens é utilizada para desvendar alguns dos truques dos homens que dirigem a sala das máquinas e conseguem projectar sonhos e pesadelos, em qualquer écran.
Nas conversas «baratas» do grupo de meia dúzia de companheiros desfilam projectos que vão desde uma mão cheia de filmes, à criação de um «cine-clube» e até à produção de uma revista, só de cinema, na cidade.
Os amigos, cansados da pasmaceira que preenche o seu dia a dia, até já inventaram uma sociedade de “euromilhões”, onde investem uns euros às sextas, à espera de um bafo de sorte nas suas vidas vulgares.
Resta-lhes continuar a subir a corda da vida a pulso, incapazes de esconder o desânimo provocado pelo bando de inúteis que está a banalizar a sociedade, cultivando a cultura do nada nas "sic's" e "tvis", vocacionados em preencher a vida das pessoas, cada vez mais agarradas à televisão e ao vazio que se ocupa do seu olhar, cada vez menos exigente.
Santiago, entre um cigarro e um sonho, com a câmara digital numa das mãos, regista momentos e lugares avulsos da cidade. Talvez acabe mesmo por montar um documentário sobre a sua terra e sobre as pessoas que deambulam pelas ruas.
Só sobre o mercado diário, ao ar livre da cidade, conhecido, internacionalmente, como a Praça da Fruta, tem horas de gravação. Já pensou apresentar um projecto documental à autarquia, mas a pouca abertura do poder autárquico para as artes não é nada motivadora...
Ele pertence a uma pequena tertúlia de cinéfilos que colecciona os Cahiers du Cinéma e troca filmes em DVD, apreciados em silêncio, mais que uma vez. A repetição de imagens é utilizada para desvendar alguns dos truques dos homens que dirigem a sala das máquinas e conseguem projectar sonhos e pesadelos, em qualquer écran.
Nas conversas «baratas» do grupo de meia dúzia de companheiros desfilam projectos que vão desde uma mão cheia de filmes, à criação de um «cine-clube» e até à produção de uma revista, só de cinema, na cidade.
Os amigos, cansados da pasmaceira que preenche o seu dia a dia, até já inventaram uma sociedade de “euromilhões”, onde investem uns euros às sextas, à espera de um bafo de sorte nas suas vidas vulgares.
Resta-lhes continuar a subir a corda da vida a pulso, incapazes de esconder o desânimo provocado pelo bando de inúteis que está a banalizar a sociedade, cultivando a cultura do nada nas "sic's" e "tvis", vocacionados em preencher a vida das pessoas, cada vez mais agarradas à televisão e ao vazio que se ocupa do seu olhar, cada vez menos exigente.
Santiago, entre um cigarro e um sonho, com a câmara digital numa das mãos, regista momentos e lugares avulsos da cidade. Talvez acabe mesmo por montar um documentário sobre a sua terra e sobre as pessoas que deambulam pelas ruas.
Só sobre o mercado diário, ao ar livre da cidade, conhecido, internacionalmente, como a Praça da Fruta, tem horas de gravação. Já pensou apresentar um projecto documental à autarquia, mas a pouca abertura do poder autárquico para as artes não é nada motivadora...
Texto Ilustrado com uma fotografia do mestre João Martins






































