Abril é tanta coisa bonita.
Não é por acaso que em Abril, os campos e os jardins estão cheios de cores e de vida...
Nas cidades a vida é mais pequena que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. (Alberto Caeiro)
Na minha visita às Caldas fiz questão de visitar o Museu José Malhoa.
Apesar da destruição à sua volta.
as árvores, as flores,
as sombras...
Mas nem devia estranhar, a defesa do ambiente e da natureza nunca foram o forte do "Costa", mesmo rente à costa atlântica...
Visitei vários familiares, inclusive o meu novo primo, o Francisco.
No meu próximo livro, de cariz desportivo e biográfico, sobre os campeões almadenses e de Portugal dos anos quarenta, também me encontro com os meus amigos do Arneirense e do atletismo dos anos setenta e oitenta...
Esta foto é de alguns elementos do Atlético Clube Arneirense, nas bancadas do Estádio de Leiria (entretanto remodelado), no final da década de setenta.
Não sei quanto tempo passou, desde a última vez que nos encontrámos.
Peniche é uma terra de pescadores e de resistentes.
Tenho por lá alguns amigos... que são de Peniche, orgulhosamente.
Recordo algumas manhãs sebastianas, bem acompanhado, com a maresia atlântica a pedir agasalhos no areal do Baleal que se perde de vista até à minha Foz do Arelho...

A fotografia é de Jean Dieuzaide.
Desde pequeno que me lembro de uma senhora, que morava à frente da velha casa da minha avó, em Salir de Matos, que embora passasse o tempo em volta da igreja da aldeia, era "má como as cobras".
Escrevi algo sobre o Terramoto de 1969, no meu "Largo", sem focar que nessa noite, que só foi de dormir, para nós crianças, os meus pais tiveram uns visitantes inesperados, na nossa casa no Bairro dos Arneiros. O meu tio e um amigo, sem sono e curiosos com os efeitos do tremor de terra na cidade, pegaram nas bicicletas e deram um giro pelo centro das Caldas, com paragem no nosso bairro, provavelmente para retemperarem forças, para a viagem de regresso, até ao Casal de Santo António, na estrada de Tornada...
Há quarenta anos eram raras as pessoas que possuíam automóvel. Proliferavam as motorizadas (que faziam um barulho terrível...) e as bicicletas pelas ruas das cidades deste país.
Quando se não tem nada para dizer, pode utilizar-se o título de um filme (de outros oestes), escolher-se uma fotografia ou uma pintura, e já está...
Embora o quadro de Thomas Hart Benton, me tenha feito recuar até à infância, às viagens divertidas que fazíamos de carroça, com o avô, pelas suas várias fazendas...
Hoje já não existem carroças, nem tão pouco fazendas cultivadas...
Não sei se foi a "europa" (esta ainda mete mais gente, que quando falamos no "estado"...), o PS ou o PSD, provavelmente foram todos. São todos cúmplices de não termos sequer os serviços minimos de agricultura ou pesca...
Nós pensamos que somos os "senhores do mundo", mas a natureza lá nos vai pregando partidas, para ver se mudamos hábitos e percebemos que ela é demasiado rebelde para se deixar dominar.
Particularizando a questão, tenho pena do que fizeram à Foz do Arelho (Lagoa e Mar...), especialmente nas duas últimas décadas, onde sempre se monesprezou a sua validade como praia de grande qualidade ambiental.
A natureza até tem dado bastantes hipóteses aos responsáveis, para resolverem estes problemas, mas eles continuam a pensar que eles se resolvem sozinhos...
Embora fosse demasiado pequeno na década de sessenta (a que me trouxe ao mundo...) e setenta, como tenho lido e conversado bastante sobre estes tempos, noto que em três, quatro anos, recuámos quase quatro décadas. Voltámos a ser um país sem rumo, perdido nas "europas"...
Este óleo é de Salvador Dali, a "Invenção dos Monstros"...
Eva Vital é uma jovem atleta que mora nas Caldas e representa o Arneirense (o clube do meu bairro...).
Embora a dupla "pino e lino" não seja de grande confiança e credibilidade (a dupla revela talento é em tiradas humorísticas, podiam mesmo pensar em fazer carreira artística e deixar a governação, o país agradecia...), o ministro da Economia, prometeu ajudar as Faianças Bordalo Pinheiro.
A Fábrica de Cerâmica Bordalo Pinheiro tem aparecido nos jornais e televisões pelas piores razões, tão habituais neste tempo de crise, em que se criou o hábito de se despejarem as pessoas para a rua, como se fossem objectos.
Para mim só existe uma salvação para a fábrica centenária e histórica, transformá-la numa fábrica-museu de corpo inteiro. Ou seja, além de continuar a produzir as suas peças únicas, com loja própria, que deveria ser o único lugar do país onde se pudessem adquirir as peças com o traço de Rafael (contando com o apoio do Município e até do Ministério da Cultura, já que poderia ser um importante pólo de desenvolvimento turístico e comercial da cidade...), passava também a dar uma maior importância ao turismo cultural, organizando visitas guiadas ao seu interior, criando ainda dois ou três "circuitos do barro artístico", que poderiam ter como passagens obrigatórias os Museus da Cerâmica e José Malhoa, e ainda algumas artérias da cidade que conservam vestígios bordalinos (as que ainda não foram vandalizadas...).
Provavelmente posso estar a repetir o que alguém já tenha dito, mas para mim, este é o melhor aproveitamento que se pode fazer de um espaço que é uma mais valia cultural das Caldas.
Os bairros foram engolidos pela modernidade... as ruas e as avenidas, cortaram com este elemento de identificação tão forte, o tempo arrancou-nos mais esta raiz.