terça-feira, setembro 29, 2009

A Escola do Bairro da Ponte

Hoje, sem qualquer razão aparente, recordei-me de alguns amigos de infância, dos tempos da primária, do ciclo e começo da secundária.

E também da minha professora da escola do Bairro da Ponte, uma senhora açoriana, que não consigo recordar o nome, por mais voltas que dê à "memória".
Foi uma professora muito importante para mim, sempre me estimulou a escrever e sempre gostou das minhas histórias.
Acho que fiquei sempre com saudades da familiaridade que existia na primária, impossível de existir nos outros graus de ensino, por termos vários professores, uns com mais jeito para ensinar, outros com menos...
Ainda por cima andei pelo ciclo e pela secundária, nos tempos quentes da revolução, em que a escola era uma "bagunçada" e em muitas disciplinas os professores só apareciam no terceiro período...

Por tudo isso, os tempos de escola na qual fui mais feliz, foram sem dúvida, os da primária, no Bairro da Ponte.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Quase que Parece...


Sim, quase que parece um cenário de guerra.
Mas não é.
Trata-se apenas de canto meio abandonado de Salir de Matos, comum a muitas aldeias.
Achei graça o machado estar preso no cepo, provavelmente à espera de mais uma leva de lenha, lá mais para o Outono...

sábado, setembro 19, 2009

O Hotel Lisbonense

Não vivi os tempos áureos do Hotel Lisbonense, que calculo que tenham sido vividos na primeira metade do século XX.
Nem sei se foi um negócio lucrativo, já que era demasido grande para uma pequena cidade, como eram as Caldas da Rainha.
Quando comecei a reparar mais nele, já funcionava como albergue de "retornados" (as pessoas que regressaram das colónias nunca gostaram desta denominação, não sei porquê, já que retornaram ao país de onde partiram...), que tinham sido forçados a regressar ao Continente devido à Guerra pelo Poder nestes novos países (que duraria mais tempo que a Colonial...), principalmente em Angola.
Participei em vários bailes de Carnaval e Fim de Ano, e pouco mais. Aliás, nunca entrei num único quarto do hotel.
Ao olhar este postal lembrei-me de falar deste hotel, que nem a fachada sobrou, devido à "esperteza" dos empresários...

segunda-feira, setembro 14, 2009

Dez Cartões Vermelhos

A Vela desafiou-me para que eu mostrasse dez cartões vermelhos. Podia mostrar vinte sem grande dificuldade. Decidi escolher 10 pessoas, que ultimamente se têm colocado a jeito de levar com a cartolina que dará direito à expulsão para outra "república também com bananas", de preferência distante...

O mais curioso é que estão de tal forma colados (e alienados) ao poder, que não há cartão que os afaste da nossa vista...

Eis a lista:

Alberto João Jardim
Dias Loureiro
Jardim Gonçalves
Aníbal Cavaco Silva
Manuela Ferreira Leite
Santana Lopes
Fátima Felgueiras
Valentim Loureiro
Isaltino Morais
Pinto da Costa

O país ficava mais saudável sem a sua presença, pelo menos na vida pública.

Quem quiser, está à vontade para pegar no mote e mostrar os cartões a quem lhe apetecer.

sábado, setembro 12, 2009

Os Portugueses no Mundo

Achamos quase sempre que somos muito acolhedores e simpáticos, os estrangeiros também nos acham um "doce". Umas vezes concordo, outras não. E por vezes até chego a pensar que a tal simpatia de que os estrangeiros tanto gostam, não passa de "servilismo"...

Passei uma semana fora do país, em Paris, a grande capital multicultural, há várias décadas.
Fui encontrando pelo caminho vários portugueses, ocasionalmente. Uns por bons motivos, outros nem por isso.
Logo à chegada, uma jovem simpática ao escutar a nossa língua, percebeu que estávamos um pouco "deslocados" e ofereceu os seus préstimos para nos indicar a rua do hotel onde iríamos ficar.
Encontrámos mais duas portuguesas simpáticas, de cor, provavelmente de origem caboverdiana, pelo seu tom de pele. Uma delas de grande ajuda num restaurante, onde a língua "universal" era apenas o francês...

Mas encontrámos de tudo, como o português que insultava o filho menor na rua, puxando-o pelo colarinho da camisa, ou a senhorita que quase me atropelou com a mala e ainda teve a lata de dizer em bom português (com maus modos) que eu é que me atravessei no seu caminho...

Passei a gostar mais dos franceses, depois de um dos meus tios, emigrante em França, durante quase quatro décadas, me ter contado o grande carinho que sentia por este povo, que sempre o tratou bem.
Quando saiu do país a salto nos anos sessenta, começou logo a ser enganado por portugueses e espanhóis, durante a caminhada interminável por montes e vales, até ter passado a fronteira. Ainda se recorda das boas vindas dadas pelos franceses, que lhe arranjaram alojamento e comida quente, ao verem o estado em que se encontrava, tão faminto e cansado, entregue à sua sorte, num país desconhecido...
A história continuou...
Não demorou muito tempo a perceber que aqueles que fingiam ajudá-lo, eram quem mais o explorava. Desde o casal de portugueses, que lhe alugou um reles quarto ao preço de uma suite, a outros "compatriotas" que lhe cobravam todos os "favores" prestados, a preço de ouro.
Só quando começou a falar francês, percebeu onde estava metido, o muito que tinha pago por coisas que eram de graça, eram direitos (uma palavra que também desconhecia...).

Claro que, como em tudo na vida, trata-se "apenas" de uma questão de sorte ou de azar...
Provavelmente se tenho encontrado a senhorita portuguesa da mala, no restaurante, até era capaz de comer carne de burro...
É por estas e por outras que não sei se somos tão simpáticos e acolhedores como parecemos.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Setembro...

Setembro sempre foi um mês especial.

Penso que existe mesmo uma duplicidade de olhares e sentimentos em relação a este mês que funciona quase como fronteira entre as férias e o trabalho e a escola.
É por isso que é olhado com desencanto para muitos e de alivio para alguns...
Desencanto para quem adora o Verão e o tempo de férias, alívio para quem não morre de amores por esta época tão quente, movimentada e excessiva.
Mas é assim todos os anos, há algo que acaba e algo que começa...
Na minha meninice e juventude Setembro tinha também o atractivo das vindimas. Era uma aventura e pêras, seguir por aqueles caminhos, que se enchiam de lama com as primeiras chuvas.
O caminho para o "Vale da Moira" (uma das vinhas do avô...) era digno de um documentário, sobre a força dos bois e a coragem do avô, que não lhes dava tréguas, tanto na subida (que também se tornava perigossíssima a descer, com as tinas cheias de uvas ...), como na tal parte do vale, em que a estrada se confundia com um ribeiro e as pernas dos bois e até do avô quase que desapareciam no meio do lamaçal...
Sinto saudades daquela azáfama dos finais de Setembro, em que tudo era uma aventura e os perigos eram enfiados no bolso. E claro do lagar, do pisar as uvas e fazer o vinho...

Setembro continua a ser um mês especial, mesmo que as vindimas sejam só uma boa recordação...
A fotografia é do Parque das Caldas...

terça-feira, agosto 25, 2009

O Microclima do Oeste

Enquanto andávamos esbaforidos com o calor, o Zé Ventura, lembrou-nos, e muito bem, da existência do microclima especial da Região do Oeste.

Sentem-se logo as mudanças quando passamos a Serra de Montejunto...
Um ano destes tentei desviar a minha família para as praias do Oeste. Estivemos menos tempo no Algarve e ficou uma semana para aproveitarmos as "delícias" de praias como a Foz do Arelho, Salir, São Marinho do Porto ou o Baleal.
Mas a semana foi terrível, quase que choveu e tudo...
Na Foz era preciso andar de "sobretudo", em São Martinho, parecia que estávamos dos desertos do Sahara, com a areia sempre no ar...
Lá se acabaram as férias no Oeste, para pena minha, que até dos nevoeiros matinais da Foz do Arelho gosto...

terça-feira, agosto 18, 2009

Agosto Quente


Nunca pensei que este Agosto aquecesse tanto...
Ao ponto de ser extremamente desconfortável andar na rua nas horas de maior intensidade solar.
Nem à sombra se está bem...
Este mês não tenho passeado por Lisboa como noutros anos, nem tenho andado rente ao Tejo.
Não sei se me serve de consolo pensar que depois de amanhã é Setembro...

quarta-feira, agosto 12, 2009

O Jardim da Lurdes

No principio do ano fui surpreendido por um telefonema, de alguém que conhecia desde a meninice, de Salir de Matos, a Lurdes do Jardim. Sim, ela para mim foi sempre a Lurdes do Jardim, uma das educadoras do Jardim de Infância da aldeia, que sempre foi um exemplo escolar para a primeira infância. Havia mesmo quem viesse das Caldas, deixar os filhos a Salir de Matos...

Fui crescendo e comecei a visitar cada vez menos Salir de Matos. Sei que estive muitos anos sem ver a Lurdes. Por essa razão ainda fiquei mais surpreendido com o telefonema...
Ela contou-me que o Jardim de Infância fazia 40 anos em Outubro e como sabia que eu escrevia, queria que eu fizesse a história da instituição.
Fiquei surpreso e tentei fazer-lhe ver que estava demasiado afastado de Salir de Matos e da realidade da instituição, para escrever o que quer que fosse. Também argumentei que tinha dois livros para acabar durante o ano...

Nada a demoveu e acabámos por manter contacto por "e-mail". Fiz um pequeno inquérito para ser enviado às pessoas que estiveram de alguma forma ligadas à fundação da Instituição. Também acabámos por nos encontrar, numa das poucas vezes que visitei Salir de Matos, onde me contou o porquê de todo aquele interesse, tendo já bastante documentação e fotografias. Foi quando ela soube que eu vivia em Almada e não nas Caldas...
Entretanto como estava envolvido noutros projectos, não me preocupei muito com esta história.

Posteriormente a minha mãe disse-me que ela estava doente, vitima da doença mais traiçoeira e perigosa que nos persegue, o cancro...
Quando cheguei de férias soube que tinha falecido.
Provavelmente levou consigo o sonho do livro, no qual queria que ficasse registado a verdadeira história do Jardim de Infância de Salir de Matos...

A vida é mesmo assim, injusta, para a Lurdes, e para todos nós...

domingo, agosto 02, 2009

Agosto Fresco

A chuva que caiu ontem fez com que um amigo me dissesse que o Inverno começa quase sempre em Agosto...

Claro que não passou de uma metáfora, de uma tentativa de me explicar que embora Agosto seja o mês por excelência das férias dos portugueses, é também o mais brincalhão, aquele que acolhe as chuvas e o frio, ainda que passageiro, com um sorriso traquina, de quem consegue trocar as voltas a muito boa gente.

Sempre gostei mais de Julho para férias. É assim há mais de vinte anos (só gozei férias em Agosto, obrigado...), até porque Lisboa, Almada (sim, apesar da Costa de Caparica ser a dois passos, fica mais calma), ou outra cidade que não seja local de férias de veraneio, ficam sempre mais calmas...
O mesmo não se pode dizer das Caldas, que fica sempre com mais vida nos meses de Verão, por ser o centro urbano mais próximo da Foz do Arelho e de S. Martinho do Porto.

quinta-feira, julho 16, 2009

Janela Azul

Gosto desta janela de Guilherme Parente, onde se olha o azul do mar e o azul do céu...
Só não percebo o que faz por ali, aquela nuvem castanha. Caprichos do artista, só pode...
Caprichos que se estendem à parte inferior, onde nem falta alguém de chapéu, com um livro na mão.
E sabe tão bem ler, dentro de uma sombra, olhando nos intervalos das palavras, o azul do mar e o azul do céu...
Prometo voltar em Agosto.

sábado, julho 11, 2009

«Gosto Muito do Cheiro do Atlântico»

Não tenho andado muito por aqui, foi por isso que deixei as palavras de Manuel Alegre, sobre a Foz do Arelho, na reportagem da "Visão" desta semana, "memórias da minha praia", à espera.


O poeta disse: «[...] Lembro-me bem do cheiro da ria... essa é a praia das praias. Mas nos anos 1980, descobri a Foz do Arelho, mais selvagem, em estado puro, um sítio onde podia pescar robalos à vontade. Gosto muito do Atlântico, do cheiro do Atlântico - lembro-me que quando estava exilado em Paris, ia até Biarritz só para sentir o cheiro do mar. Gosto das águas fortes e lá ouve-se o silêncio e a música do mar. E ainda vou na Primavera, no Outono e no Inverno... Tenho muitos poemas escritos ali. E da minha varanda vêem-se Peniche e as Berlengas. E às vezes só a neblina.»

É também por tudo isto que gosto da Foz do Arelho, daquele mar único. E não fazia ideia que tinha descoberto este meu Mar muito mais cedo que Manuel Alegre. Sim, descobri-o logo nos anos sessenta, na década em que nasci...

segunda-feira, julho 06, 2009

Outros Adiamentos...

As viagens nem sempre são possíveis de concretizar por questões económicas e pela ausência de dias vagos para se terem férias mais pessoais. Quem tem filhos menores, planeia sempre as férias a pensar na praia, muito importante para a saúde no ano inteiro (o único ano que não fiz praia, fui atacado por uma gripe que durou uns três meses...).
Mas o que quero falar agora, é de outros adiamentos, das leituras dos livros que vão ficando na prateleira, embora alguns não desistam de nos acenar...
Há livros que estão lá porque sim (não há grande vontade de ler...), outros é mesmo falta de tempo e medo (sim esta mania de se escreverem livros com mais de quinhentas páginas não tem muito a ver comigo, sinto que são palavras a mais e tenho dificuldade em agarrá-los...).
Foi por isso que ainda não li livros que já estão na estante há mais de uma década, embora ainda me pisquem o olho, de vez enquanto, como são os casos de, "O Ano da Morte de Ricardo Reis", de José Saramago e do, "Fado Alexandrino", de António Lobo Antunes (este recomendado pelo autor...).
Dos mais recentes, também me piscam o olho, embora menos, o "Equador", de Miguel Sousa Tavares, o "Eu Hei-de Amar uma Pedra", novamente Lobo Antunes, a "Cara da Gente", de Batista-Bastos... e depois há outros mais curtos como, "Os Duros não Dançam", de Norman Mailer, "A Virgem e o Cigano", de D. H. Lawrence, que me atrairam sobretudo pelos títulos (estes dois devem ir de férias comigo, finalmente...).
E, sem saber explicar muito bem, existem outros livros que me ofereceram que não tenho vontade de ler. Alguns de José Rodrigues dos Santos, da Margarida Rebelo Pinto e até o "Código Da Vinci", de Dan Brown. Sei que é uma falha minha, devia ler para perceber o porquê dos seus sucessos, mas...
O óleo é de Juan Gris, um nome grande do cubismo.

sábado, julho 04, 2009

A Vida É...

A vida é quase um "mar" de adiamentos...

Tanta coisa que queremos fazer e que vão ficando pelo caminho, à medida que vemos o tempo a passar por nós, como um comboio que vemos partir de uma qualquer estação e que vai ganhando cada vez mais velocidade...
Tudo isto apenas porque me lembrei das lista de cidades que queria conhecer e que ainda não sairam do papel.
Sim, Nova Iorque, Salvador da Baia, Berlim, Budapeste, Buenos Aires e Praga, continuam no topo da lista, cada uma por motivos diferentes...
Provavelmente não as vou visitar todas, talvez duas ou três.
Porque a vida é quase um "mar" de adiamentos...

O óleo é de Claude Monet...

terça-feira, junho 30, 2009

Ao Começo da Noite...

Gosto muito dos quadros de Manuel Amado, das suas geometrias e das suas cores.
É por isso que não resisto em colocar, a janela de "O Quarto de Fernando Pessoa - II", agora no começo da noite...

sábado, junho 27, 2009

O Meu Primeiro Observatório do Mundo

A Janela da sala do rés de chão onde vivi até aos treze anos, foi o meu primeiro observatório do mundo.
Foi o primeiro lugar onde me lembro de olhar o mundo com olhos de ver.
Adorava ficar por ali nos dias de chuva, a ver as pessoas a passarem na estrada de lama amarela (era muito pequenote, o alcatrão ainda não tinha chegado ao Bairro dos Arneiros...), cheia de buracos transformados em poças de água, extremamente perigosas com a passagem de qualquer carro, algo que não era tão frequente como nos nossos dias, embora bastasse um mais apressado, para pintar quem passava na rua de castanho...
Era uma rua sem passeios e sem alcatrão, um "perigo" que me divertia nestes primeiros invernos do meu contentamento, em que aprendia a olhar o mundo e as pessoas...
O quadro de Manuel Amado, com a janela, de "O Quarto de Pessoa", é um belo espaço de sonhos...

segunda-feira, junho 22, 2009

Eva Vital Recordista Absoluta

Eva Vital estreou-se na selecção A de atletismo da melhor maneira, na Superliga Europeia de Atletismo que se disputou este fim de semana em Leiria.

No sábado fez parte da estafeta de 4 x 100 metros femininos que bateu o recorde nacional absoluto, com a marca de 44,70' (Eva Vital, Naide Gomes, Carla Tavares e Sónia Tavares).
No domingo bateu o recorde nacional dos 100 metros barreiras de juvenis e juniores, com 13,66', além de ter conseguido mínimos para o Mundial de Juvenis...
Grande Eva!

quinta-feira, junho 18, 2009

Dias de Calor no Parque...

Na última vez que estive no parque com o meu filho, contei-lhe algumas das "batalhas navais" que travei no Lago do Parque, no começo da adolescência.
Sei que era quase sempre o mais pequeno da "pandilha". É o que acontece quando temos um irmão mais velho dois anos e os seus amigos são os nossos...
Talvez por isso fosse também o mais reguila, as "costas quentes" fazem destas coisas...
A batalha naval que guardo na memória com mais gozo, foi travada contra os "betinhos" do liceu, muitos deles colegas de turma do meu irmão, como o João Pedro "catatau", entre outros. Sei que graças à nossa perícia demos um banho monumental aos "meninos", que eram mais que nós e por isso mesmo resolveram fazer uma "espera", a pedirem meças, em terra firme...
Um amigo mais velho, que assistiu de camarote deliciado ao banho que demos, fez-me sinal, num dos bancos, para ir ter com ele. Reguila e rufia, antes de fugir, ainda me atirei às canelas de um deles, que já não recordo o nome...
Depois foi a debandada geral. Como éramos mais dados ao desporto e às correrias, os "betinhos" foram forçados a desistir da "forra"...

terça-feira, junho 16, 2009

A Oeste do Oriente...

Nunca estive no chamado Oriente. O único lugar que conheço com algumas remiscências destes "mundos estranhos", é Marrocos.

Mas por ali, fiquei sempre com a sensação que o uso do lenço ou do véu, é facultativo. A única vez que estive mesmo num país qualquer, que se poderia chamar Irão, Líbano ou outra coisa qualquer foi no papel, numa "micronarrativa" (nessa altura não se chamavam assim...) que escrevi num ano qualquer, quase no final do século XX...
«Estranhamente a noite tornou-se dia, naquele quarto de pequenas dimensões. A mulher que se escondia dentro daquela coisa estranha, com um nome ainda mais estranho, que quase lhe roubava o rosto e corpo, assim que fechou a velha porta de madeira, com duas voltas na chave, libertou-se da "amarra". Fiquei quieto, com os olhos presos ao corpo quase visivel por debaixo da veste que me pareceu transparente. Acho que abri a boca, surpreendido com toda aquela beleza que começava nos cabelos bonitos, longos e sedosos que se libertaram e lhe cairam pelas costas. Pior só quando me olhou pelo espelho, tão fundo. Entrou de tal forma dentro de mim, que me senti despido, sem ter tido tempo para desapertar um único botão da camisa. Ali, naquele reduto, Gabina era mulher por inteiro, podia exibir toda a sua beleza sem reparos ou retaliações, tendo como testemunha o meu ar feliz e surpreendido...»
Não consegui identificar o autor do quadro...
Adenda: Esqueci-me de dizer o essencial, não sinto qualquer atracção por estes países, como destinos turísticos ou outra coisa qualquer...

quarta-feira, junho 10, 2009

A Minha Estação: Caldas-Tejo

Tinha escrito qualquer coisa sobre a pretensão que algumas pessoas têm, de ser apenas cidadãos do mundo, de se distanciarem dos lugares que pisaram com a frequência natural de quem não é filho de nenhum artista de circo.

Mas o papel escondeu-se debaixo de outros papeis (esses mesmo que rodeiam a minha existência...).
Tinha escrito qualquer coisa do género: só se fosse mentiroso, me dizia cidadão de Nova Iorque, Paris, Londres, Buenos Aires, etc.
Sou orgulhosamente cidadão das Caldas da Rainha e de Almada, é aqui que residem grande parte das minhas influências e confluências.
Lembro-me de pequeno, sem os conhecer bem, já gostar de Malhoa, Rafael ou Proença.
Isto não aconteceu por acaso...