domingo, junho 27, 2010

Alfabeto Adiado


Fiquei curioso com o novo livro deste autor caldense, que antes publicara obras de poesia.

Curioso por ser a estreia de José Ricardo Nunes na prosa, por ser alguém da minha geração e pelas palavras de Henrique.
Provavelmente conhecemo-nos, nem que seja de vista, dos nossos tempos de liceu.
Como deverá estar à venda na 107, da Isabel, fica para a próxima visita às Caldas.

sexta-feira, junho 25, 2010

Claro que Não

Fui confrontado com uma questão estranha e pertinente por um "amigo da onça" (estou a brincar, Pedro...).

Primeiro fiquei a digerir, a verificar se realmente existiria algum contra senso meu, de fazer algumas criticas à distância de cem quilómetros sobre o "Mayor" das Caldas, depois cheguei à conclusão que não, estou no meu direito, enquanto natural do burgo e também como visitante assíduo.
Não, não acho nada que o presidente de qualquer Município só tenha de dar satisfações e explicações aos seus eleitores. As cidades são espaços abertos, como tal qualquer visitante ou turista, tem o direito de se insurgir contra aquilo que acha errado, e se tiver possibilidade, de confrontar os responsáveis pelas muitas "aberrações" que encontramos de Norte a Sul, deve fazê-lo.
Só faltava esta, as cidades serem espaços fechados, propriedade dos seus autarcas e munícipes.

Provavelmente o doutor Costa preferia, assim como a dona Maria Emília, da minha outra cidade.
Eu também preferia muita coisa...

segunda-feira, junho 21, 2010

As Termas...

Ainda há médicos que "receitam" banhos nas termas.

Foi por isso que um amigo me perguntou pelas Termas das Caldas. E eu sem saber o que lhe dizer.
Não sabia se estavam a funcionar, fui-lhe dizendo que pelas notícias que ia lendo pela "Gazeta" local, abria e pouco tempo depois fechava, devido a um qualquer contratempo, porque o hospital termal era velhinho...
Esta questão recordou-me que da última vez que estive com o meu irmão, entre as vários temas da nossa conversa, acabaram por surgir as termas, que foram durante tantos anos a "marca" de qualidade turística das Caldas e que hoje são quase nada...
Ele recordou-me alguns projectos, como o de instalar no coração da Mata da Rainha (no velho campo do Caldas) um complexo termal de grande qualidade, com hotel e todas as condições para quem faz férias termais.
Foi também por isto que tivemos de falar do presidente do Município, um populista igual a tantos outros do nosso país, incapazes de aproveitar o melhor das suas terras. Acham quase sempre que os caixotes de cimento e as rotundas são suficientes para o crescimento das suas urbes.
Os anos que temos perdido, de Norte a Sul, nestas "guerrinhas de mangerona", em que só se "acorda" no último ano de mandato, usando e abusando da memória curta dos eleitores.
Em relação às Caldas, tenho pena que não se aproveite a proximidade da Capital, assim como a beleza do Oeste, onde a cidade termal se encontra num lugar privilegiado, para se apostar a sério num turismo de qualidade, promovendo toda esta região especial.

domingo, junho 06, 2010

O Microclima do Oeste


Quando sai de Almada, a meio da manhã, o sol brilhava.

Quando ultrapassámos aquela linha que nos faz ter um clima único, mais fresco e agradável no Verão, algures para lá da Serra de Montejunto o céu foi engolido pelas nuvens.
A meio da viagem o telemóvel tocou, era a mãe a perguntar se trazíamos casacos, porque nas Caldas e arredores estava frio (a preocupação das mães...). Sorrimos, porque nunca sabemos muito bem o que nos espera no Oeste.
Mesmo assim mantivemos o programa e lá fomos molhar os pés à Foz do Arelho.
Parece que voltámos a ter praia (a aberta estava no sitio e a areia quase), embora o dia estivesse estranho, sem nevoeiro e quase sem sol...

Nas Caldas, onde nos esperavam para almoçar, o sol brilhava...
A foto é mesmo de hoje, cinzenta como este domingo, pelo menos até à hora de almoço, na Foz do Arelho.

quinta-feira, junho 03, 2010

"A Alma Marroquina" dos Mercados

Este postal é bem mais antigo que as minhas visitas na meninice à Praça da Fruta, "preso" à mão da mãe, no meio daquela confusão de gente, para trás e para a frente, num tempo em que não existiam supermercados, apenas mercearias e "lugares"...
Nesses tempos não havia preço tabelado, era tudo muito "marroquino", tudo muito discutido, o vendedor ia descendo, depois de começar "alto", o comprador ia subindo, depois de começar "baixo".
Para mim comércio era isto, discutir, virar costas ao vendedor e esperar (ou ter esperança) que ele nos chamasse, mesmo que viesse com a ladainha que estava a perder dinheiro, mas...
Na Praça do Peixe era a mesma coisa, embora aqui a coisa piasse mais fino, pois havia sempre quem não se preocupasse em vender peixe impróprio para consumo, pelo que a mãe tinha sempre duas ou três peixeiras de "confiança", daquelas que sabia que não lhe vendiam algo que não prestasse...
Infelizmente (ou não) tudo isto se foi perdendo com a modernidade...

sexta-feira, maio 28, 2010

Caldas a Caminho do Centenário

Soube pelo Zé Ventura que se realiza hoje o jantar do 94º aniversário do clube mais emblemático da minha cidade natal, o Caldas Sport Clube.

Apesar da distância física, continua a ser um clube especial para mim e acredito que ressurgirá a um nível mais próximo do seu historial, dentro de poucos anos. Para isso será essencial manter os "oportunistas" noutras "freguesias".
Desde a segunda metade dos anos sessenta do século passado que me habituei a ver os jogos do Caldas, no velho Campo da Mata.
Tantos jogadores que ainda recordo, desde o Fortunato, o guarda-redes das barbas, ao Custódio, patrão de tantas defesas, passando pelo Sena, um dos melhores centro-campistas da história do clube, os brasileiros Paulo Veloso e Lima, o Delfim, o Orlando, o Forneri, o Gaspar, o Vitor, o Sá Quintas, o Lúcio, e claro, os campeões da primeira divisão, com que me cruzava por vezes na rua: António Pedro, Anacleto, o Leandro, o Janita, o Fragateiro, e outros que também conheci, embora não os visse com tanta regularidade, casos do Rita, do Lenine e do Amaro, entre tantos outros, que sempre foram - e são - motivo de orgulho de todos os caldenses.
Que o futuro dê a mão ao Caldas e muita força aos actuais dirigentes, que têm resistido e lutado com grande determinação e coragem, perante as muitas contrariedades que foram surgindo pela frente.

terça-feira, maio 18, 2010

O Meu Museu...


No Dia Internacional dos Museus, seria imperdoável não falar do "meu museu"...

O Museu José Malhoa, que ainda por cima está instalado num sitio belíssimo, o Parque D. Carlos, da minha cidade...

Se pudesse, hoje ia ai, nem que fosse apenas para uma passagem rápida, em redor de tanta coisa bonita...


terça-feira, maio 11, 2010

A Hora de São Martinho

A confusão e as dúvidas que se mantêm em relação à recuperação da Foz do Arelho praia, deverão transformar São Martinho na praia do Verão. para uma boa parte dos caldenses que não rumam para outras paragens.
Só espero que o Vento não apareça muitas vezes, a fazer lembrar o deserto do "Sahara"...

sábado, maio 01, 2010

Maio

Maio é esperança, sempre foi...

É um mês bonito, florido, luminoso.

No fim de semana passado passei pela Foz do Arelho e já tinham conseguido fechar a aberta, contrariando as notícias da véspera da "Gazeta".
O Verão por aqueles lados continua a ser uma incógnita.
Não percebo porque razão estiveram quase à espera de Maio para fazer aquilo que parecia lógico, fechar a aberta e tentar fintar a natureza, abrindo-a mais para Sul, para os lados do Bom Sucesso...

Mas o que não falta neste país, são coisas que escapam à compreensão do cidadão comum...

domingo, abril 25, 2010

Abril


Abril não foi um sonho,
foi mesmo uma Revolução.

Foi um dia demasiado belo
e é muito mais que uma canção.

No entanto são os poetas e os trovadores da revolução quem melhor sintetiza o que se passou antes e depois...

Quando Zeca Afonso cantou (Vampiros), disse-nos quase tudo:

[...]
Se alguém se engana
com seu ar sisudo
e lhes franqueia
as portas à chegada
eles comem tudo
e não deixam nada
[...]

E nós enganámo-nos mesmo, franqueámos as portas à mesma gente, que no Estado Novo, enriquecia e deixava o povo à míngua e o Estado pobre, as célebres famílias que dominam hoje a banca, a pouca indústria e comércio que temos. Foram eles com a complacência e a "corrupção" ética e moral de uma parte significativa dos ministros e secretários de estado, que nos governaram desde a década de oitenta até aos nossos dias (dou o benefício da dúvida aos que governaram na década de setenta, por todas as convulsões e dúvidas que ainda existiam...).
Com outros empresários e outros políticos, Portugal seria um país muito diferente, para melhor, não tenho qualquer dúvida...
E é uma pena constatarmos que Abril não se cumpriu integralmente. Sobra a LIberdade, que também já não é o que era...

domingo, abril 18, 2010

A Conversa era Outra...

Não sabia o que colocar nas "Viagens" e fui à pasta das minhas fotos e escolhi aquela. Depois acrescentei-lhe palavras...

Falava mais da paisagem que do comboio, que anda à vinte anos (pelo menos...) a ser maltratado, a ser quase obrigado a não servir e transportar ninguém, a não ser que seja um qualquer habitante de um apeadeiro longinquo, sem carro, onde ainda passa o comboio uma ou duas vezes por dia...
Falava que a entrada e saída pela Linha do Oeste era feia, triste, abandonada, tal como os composições e as máquinas com aquele som característico que aprendemos na primária: «pouca terra, pouca terra, pouca terra...»

Em relação ao resto, têm toda a razão...
Em nome das portagens, do negócio da gasolina e dos automóveis, destruiu-se no nosso país, em poucos anos, o melhor transporte do mundo...

sábado, abril 17, 2010

Chegar ou Partir pela Linha do Oeste

Embora não se note, esta é uma das entradas, ou saídas, das Caldas da Rainha. Depende apenas do nosso destino, se vamos para Norte ou se vamos para Sul...
Além das viagens incontáveis que fiz de comboio, também percorri bastantes vezes esta linha a pé, num dos muitos exemplos das aventuras inconscientes, próprias da juventude, que todos praticamos.
Sei que não é das melhores entradas da cidade, porque a paisagem que encontramos em ambas as bermas, está longe de ser bonita. É uma parte que não cresceu nem foi aproveitada para se fazer um "lava olhos".
Como podem ver pela imagem, está um pouco abandonada, como destaque para os antigos celeiros da Ceres, que são olhados, quase como os arranha-céus (para não lhe chamar outro nome...) das Caldas.

sábado, abril 10, 2010

A Necessidade Aguça o Engenho

O dito "A Necessidade Aguça o Engenho" faz parte da sabedoria popular e também da natureza humana, felizmente.

Sei que há várias maneiras de se reagir à adversidade. Talvez que a mais comum seja mesmo baixar os braços. Talvez.
É por isso que é bom valorizar e aplaudir as pessoas que passam a vida a "remar contra a maré", mesmo quando as forças começam a faltar.
Tudo isto para dizer que gosto da forma como os comerciantes caldenses têm procurado contornado a crise, vindo para a rua, chamar os clientes.
Gostava que em Almada também fosse assim, mas parece que ainda falta alguma cultura do comércio aos lojistas da Margem Sul...

A imagem foi retirada das Águas Mornas do Zé Ventura.

sexta-feira, abril 02, 2010

É Verdade...

É verdade.

Estou em falta com o Oeste, estou a viajar muito pouco pelas minhas bandas, é que isto de "alimentar" três blogues tem que se lhe diga...
É a única desculpa que me ocorre, embora também esteja em falta com a minha cidade natal, pois nunca estive tanto tempo sem aparecer por lá...

São fases pelas quais passamos.
Talvez precise de remodelar a "casa", talvez precise de entrar por outros lugares, mas parar, não, não está nos meus horizontes. As "Viagens" ainda estão longe de estarem a prazo...

(resposta a uma pergunta de um leitor atento, devidamente identificado, via telemóvel...)

quinta-feira, março 25, 2010

O Parque Cheira a Primavera

Apesar da distância física, sei que o nosso Parque neste começo de Primavera, deve estar um espectáculo.
Aliás, o nosso Parque, é um espectáculo o ano inteiro. Nem mesmo o Inverno o dobra e o transforma num lugar feio e sem alma...

domingo, março 21, 2010

A Praça Nocturna


a praça nocturna
descansa, deserta e abandonada,

aguarda pela madrugada
abraçada aos candeeiros
sempre silenciosos e frios
que tentam iluminar a velha calçada

anseia pela claridade
que lhe devolve o sorriso e a vida
que saltam de dentro da gente simples
que a invade e devolve ao mundo

sonha com os pregões diários do mercado
para esquecer o vazio e à lentidão da noite fria…

As palavras são minhas, a fotografia é de certeza de um excelente fotógrafo, que desconheço e aplaudo...

quarta-feira, março 10, 2010

A Praça Pintada por Mártio

Coloco aqui mais um quadro da Praça da Fruta, pintado por Mártio, artista plástico almadense.
Um lugar que continua a manter o encanto e a cor, apesar de se perceber que é preciso fazer alguma coisa, para acabar com o marasmo que vai tomando conta daquele autêntico "monumento vivo" das Caldas.

sábado, março 06, 2010

Os Livros e a Sensação de "Barata Tonta"

Ontem quando me deslocava de cacilheiro para Lisboa, para o lançamento do livro, "Palavras em Jogo" (trinta entrevistas e um memória, um olhar invulgar sobre o desporto), de José do Carmo Francisco, poeta e jornalista, com raízes no Oeste, pois nasceu em Santa Catarina, Caldas da Rainha, lembrei-me do que me acontece em lançamentos de livros e inaugurações de exposições, na qual sou um dos principais intervenientes.

O nervoso que me acompanha (mesmo depois de começar a ser habitual...), e as muitas solicitações de amigos, familiares e até desconhecidos, faz com que ande de um lado para o outro, quase como uma "barata tonta". E muitas vezes, só depois é que me lembro que não falei com alguém que me é especial, limitámos-nos apenas a um cumprimento de fugida.
Regressando ao lançamento, a chuva diluviana que caiu por Lisboa a meio da tarde, não me afastou do "Teatro Trindade", pela amizade que tenho ao autor, e claro, porque o livro apresentado tem todo o interesse, pois estão lá entrevistas de pessoas de grande valor cultural, algumas das quais também tive o grato prazer de entrevistar para jornais.
Ou seja, esta obra de José do Carmo Francisco, vale a pena ser lida, não por abordar a temática desportiva, mas sim pela sua singularidade e pelo peso das palavras dos entrevistados.
Curiosamente, por contratempos de última hora, o livro acabou por ser apresentado pelo jornalista, António Simões, do jornal "A Bola", que viveu parte da infância e adolescência nas Caldas da Rainha, onde foi meu companheiro na equipa de atletismo do Arneirense.

domingo, fevereiro 28, 2010

O Banco do Parque

Gosto de fotografar janelas, portas, bancos.
De preferência vazios e limpos de gente.
Não sei explicar muito bem o porquê. Acho que tem muito a ver com a diversidade e com a própria arquitetura de cada um destes objectos.
Esta imagem do nosso Parque, tem muito a ver com este tempo, cinzento, com chuva, vento, frio, muitas folhas e troncos caídos no chão.
Hoje de manhã estive no café, a conversar, a olhar e a escrever.
Um dos meus companheiros chamou-nos a atenção que as últimas grandes catástrofes no nosso país, tem acontecido em Fevereiro. Dissemos quase em coro: «o que vale é que amanhã é Março». Não confirmei os dados, mas ele disse que as grandes cheias de Sacavém, Vila Franca de Xira e arredores, que fizeram centenas de mortos e milhares de desalojados (números branqueados pela censura, que nos fizeram recordar o papel de AJJ em relação à Madeira...), o terramoto de 1969, e agora a tragédia da Madeira, são de Fevereiro...

terça-feira, fevereiro 23, 2010

A Areia da Foz do Arelho

Estive a fazer um exercício de memória, em busca das primeiras recordações que tinha da Foz do Arelho.

Lembrei-me de uma manhã de nevoeiro, onde descobri a beleza dos seixos, aquelas pequenas pedras entre o esférico e o oval, de várias cores, quase sempre polidas pelo mar. Era pequenote e trouxe o balde quase cheio para casa...
Não me lembrei do frio, da maresia que nos refrescava a cara e o corpo, nos dias em que o sol teimava esconder-se, até pelo menos à hora do almoço.

As praias de Salir e S. Martinho do Porto, mais frequentadas pela família, não tinham nada daquilo, apenas a areia fina manhosa, que adorava colar-se ao nosso corpo e que sempre detestei...
Nesses tempos a família era mesmo uma instituição, lembro-me de fins de semana na praia, com os meus avós, tios e primos. Era uma animação...
Os almoços tornavam-se em autênticos piqueniques, em pinhais próximos da praia, com direito a sesta e tudo. Da ementa havia sempre arroz de tomate e panados, que comíamos em pratos de plástico, num ambiente de alegria e partilha, que hoje está tão em desuso...

A Foz do Arelho desse tempo tinha fama e algum proveito de ser uma praia perigosa, porque facilmente se perdia o pé nas margens da Lagoa. E a aberta também costumava fazer das suas, especialmente a nadadores incautos, que se assustavam ao mínimo sinal de remoinhos e por lá ficavam...
Mesmo com estes perigos, no começo da adolescência, começámos a saborear a praia sem a companhia dos pais. De bicicleta, lá íamos nós do Bairro dos Arneiros até à Foz do Arelho. Eu era o mais pequeno e o mais "reguila", daquele grupo de amigos que já não há...

Interrompi esta "prosa" para ir levar a minha filha à escola.

O vento fez-nos companhia, na caminhada. Houve mesmo um momento em que fechei os olhos e recordei outras caminhadas, já adulto, à beira-mar, fora de época, em que também fechava os olhos e sentia aquela frescura atlântica, tão agradável, perfumada com o sal do Mar mais comunicativo que conheço...
Sim, o mar da Foz , fala, ruge, irrita-se. É por isso que está a tomar conta do areal. É provável que ande um pouco indeciso, porque também gosta de ter companhia. Só espero é que não se lembre dos "auto-falantes" de Verão, para não se enfurecer ainda mais...