quarta-feira, setembro 29, 2010

Um Nome, Uma História...


Estava a escrever mais um capítulo de um "possível" romance, e ao dar um nome a uma personagem (Zeca), lembrei-me de dois irmãos que foram meus amigos de infância e do meu irmão.

Chamavam-se Zeca e Jaime e tinham mais ao menos a nossa idade. Não lhes consigo dar um rosto, nem existe qualquer fotografia para os identificar, sei que eram "reguilas" como nós e davam cabo da paciência dos avós. Moravam num das transversais da rua da Estação (a última, a mais próxima da passagem de nível). Lembro-me que moravam com os avós e um dia qualquer mudaram-se e nunca mais os vimos.

Provavelmente foram morar com os pais. Nesses anos sessenta e setenta era comum os filhos ficarem entregues aos avós, devido à emigração. Nem sempre os pais tinham a possibilidade de ter os filhos com eles, especialmente aqueles que pensavam exageradamente no dinheiro que ganhavam, fazendo logo o "câmbio" de cabeça, no tempo do escudo, do marco e do franco...

O óleo "vivo" é de Mikael Bridges...

quinta-feira, setembro 23, 2010

Até Parece...


Sim, até parece que tenho menos histórias, que o filão do "Oeste" se esgotou...

Não, não é nada disso.
Tenho andado mais ocupado, sem vontade de abordar alguns temas, por razões que nem a própria razão conhece.

Também não tenho visitado tanto outros blogues por onde gosto de passar e me "cultivar".

Mesmo assim, fui surpreendido por algumas fotografias da autoria de Dário Manso (uma das quais publico com a devida vénia), publicadas no blogue do Externato Ramalho Ortigão, onde apareço algures, de bata branca, convocado pela minha querida professora da escola primária, para participar na inauguração da Estátua do Marechal Carmona (que nunca percebi porque razão não voltou ao lugar...), em Junho de 1971. Estou na primeira fila nas escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no largo do Borlão.
Fiquei sempre com a ideia que tinha estado presente o almirante Américo Tomás com a sua celebre tesoura, em mais uma inauguração.

Se por acaso alguém se lembrar do facto, diga se sua excelência, o almirante "corta-fitas", esteve nas Caldas ou não...

terça-feira, setembro 14, 2010

Preservar a Imagem

Nunca foi tão importante como hoje, preservar a imagem.

Talvez por isso me apeteça mostrar, com alguma ironia, a única coisa realmente pública da visita que fiz ao "Bowling" das Caldas, com alguns amigos que continuam a surgir nas brumas do tempo com vários rostos, preenchidos por mil e uma memórias, que se repartem pelos anos sessenta, setenta e oitenta.

A partir dos anos noventa, quase que "desaparecemos" das vidas uns dos outros, presos à "vidinha" que alguém nos destinara, sem sequer se lembrar de perguntar.

Andámos entre os quinze e os vinte anos, quase desaparecidos, vivendo as grandes mudanças das nossas vidas, praticamente sem testemunhas conhecidas por perto. Casámos, fomos pais, ganhámos peso, perdemos cabelo, que entretanto ganhou tonalidades de cinzento. Não sei quantos plantaram árvores, sei que fui o único que escrevi livros...

E agora a fotografia simbólica, porque os números também contam histórias, nem que seja dos pés de "cinderela", de cada um de nós...

segunda-feira, setembro 06, 2010

A Paisagem Beirã


Embora esta fotografia mostre água, também mostra as pedras, os rochedos que fazem parte integrante da paisagem Beirã.

Pena que muitas das casas que se reconstroem esqueçam a pedra. Claro que se trata de um esquecimento compreensível, devido aos custos e à dificuldade de encontrar quem utilize a pedra como instrumento de trabalho na construção.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Não Vou de Barco...


Não vou de barco, mas vou partir para mais um curto período de férias, uma semanita na Beira Baixa, para juntar à praia também um pedaço de campo, como fazia na minha meninice.
Depois da praia, ia sempre para Salir de Matos, para a casa dos avós maternos...
A foto é do nosso Parque, tirada a meio deste mês.

terça-feira, agosto 24, 2010

Interiores


Não olhei para o interior porque a pequena janela estava alta demais, limitei-me a disparar para lá da janela.

O resultado foi esta imagem.

Só depois vi que a porta das traseiras estava presa por um fio azul de electricidade, que desenrolei para entrar, pela última vez, para o que restava da casa da avó. O que sobrara do telhado ameaçava cair a qualquer momento, mesmo assim passei, porque queria ver novamente o jardim interior, onde brinquei em todas as estações...

sexta-feira, agosto 20, 2010

A Porta Não dá Tréguas...

Em mais uma visita a Salir de Matos, achei curioso a porta da casa da avó (enquanto existir, será sempre a casa da avò...), continuar direita, sem dar tréguas ao tempo, que foi encarregue de a deitar abaixo, pedra a pedra, lentamente...

Embora não se trate de uma "tortura", não deixa de ser triste que à boa maneira portuguesa, se deixem as casas cairem de "podres", até restar apenas um monte de entulho...

terça-feira, agosto 17, 2010

Passos dos Nossos Avós

Os projectos colectivos têm vários aspectos positivos, o maior é a possibilidade de conhecermos e convivermos com pessoas, completamente desconhecidas até ai, ficando sempre algumas portas entreabertas.

Foi o que aconteceu com o livro, "25 Olhares de Abril", coordenado por Carlos Garrido e publicado em 2008. Através deste projecto conheci a professora Aida Baptista, que estava a iniciar uma outra iniciativa, sobre os nossos avós. Ela acabou por me desafiar a escrever algo e eu enviei-lhe uma crónica sobre a minha vivência e do meu irmão, com os meus avós, durante as férias grandes.
A crónica chama-se "Passeio pelo Campo", e é isso mesmo, uma viagem pelas fazendas e vinhas do avô, de Salir de Matos. Aliás, alguns episódios já foram relatados por aqui, nas minhas "Viagens pelo Oeste".

Entre os dias 26 e 28 de Julho realizou-se em Lisboa o "II Congresso Internacional A Voz dos Avós: Migrações e Património Cultural", tendo sido lançado o livro, "Passos de Nossos Avós", coordenado pelas professoras Aida Baptista e Manuela Marujo, com a tal crónica e mais trinta e duas.
Não assisti ao lançamento (por estar de férias no Sul) mas já tenho o livro, que está muito bonito, pois além das histórias sobre os nossos avós, está ilustrado com a arte das crianças da Escola B.I. de Água de Pau, Açores.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Ouvir, Quase sem Espaço para Falar...

Ouvia-a, sem saber muito bem o que dizer.

Sei que não é das coisas mais bonitas revelarmos pena dos outros, mas naquele momento eu estava mesmo com pena dela, a escutar toda aquela dor que lhe saia da boca e se reflectia nos olhos.
Consegui recordar com saudade os almoços e jantares familiares que enchiam a casa dos avós, com filhos e netos. Éramos mais de vinte, nem sei como cabíamos todos à mesa... sei sim, havia sempre uma mesa "extra" para os mais pequenos...
Não eram aquela coisa feia, triste e chata que ela contava, com mais desconversas que conversas.
Mesmo assim fez-me pensar que de vez enquanto também apareciam conflitos à mesa, mas eram sempre bem geridos pelos avós, pelo respeito que impunham nos filhos e netos.

Continuava sem saber bem o que dizer, foi por isso que deixei fugir qualquer coisa do género: «a família banalizou-se, quase que não se têm filhos, quando há cinquenta, sessenta anos, meia-dúzia era um número normal.»

Ela respondeu-me, «ainda bem», fingindo-se aliviada.

Recordei que enquanto os avós foram activos, a família era um Farol sempre aceso e eles os faroleiros-mor, sempre de serviço, para que nenhuma "barca" fosse levada pelo Oceano...

Tão longe deste tempo, de casas vazias, de gente que se finge feliz, sozinha...
O óleo é de Jean Marie Barre.


quarta-feira, agosto 04, 2010

50 Fotografias dos Anos Cinquenta

Ofereci um dos meus livros a um amigo, que não fazia ideia que eu era de Caldas da Rainha.

Graças a esta descoberta, na última vez que nos encontrámos ele resolveu oferecer-me o livro-álbum, "50 Fotografias dos Anos Cinquenta, José Neto Pereira, Caldas da Rainha", organizado por Maria Isabel Xavier Baptista.
É um bonito livro, cheio de imagens e efemérides.
Obrigado, João.

quinta-feira, julho 15, 2010

O Mar da Foz

Vou para o Sul, com saudades do Mar da Foz do Arelho.

Lá não existem ondas que se façam respeitar e escutar, mesmo pelos nadadores mais atrevidos, nem bandeiras vermelhas desfraldadas, quase diariamente. E nem falo do nevoeiro, que até dá para esperarmos pela chegada do D. Sebastião, em qualquer barca...


Este mar sonoro e mexido prolonga-se quase até à Figueira da Foz. Esta foto por exemplo, foi tirada na Praia Vieira.


domingo, julho 11, 2010

Tão Longe do Areal Pintado de Toalhas

Os domingos de Verão são os únicos dias de folga para muita gente.

Talvez seja por isso, por serem de folga, de descanso, que não percebo as filas de pessoas que encontrei na estação de comboios do Cais de Sodré, em busca de bilhete para as "praias da linha".
Da mesma forma que não percebo as filas da ponte e das estradas de areia, rente às praias da Costa de Caparica, em direcção aos parques de estacionamento, onde não há espaço nem para um "carrinho de linhas"...
E nem vale a pena falar do areal "pintado de toalhas", quase sem espaço para mais uma, nem do mar cheio de gente...
Não é que queira uma praia só para mim, mas gosto muito de estar na areia e conseguir ouvir as conversas do mar.
É por isso que aos domingos, prefiro a calma de um parque ou jardim, que poderia muito bem ser o D. Carlos, que também tem barcos...

domingo, julho 04, 2010

Regresso às Origens



O sábado foi sobretudo diferente, o reencontro com uma parte da família em Salir de Matos.
Histórias que passam por nós de uma forma quase vertiginosa, os tios que eram rapazes solteiros e nos deliciavam com mil brincadeiras, são hoje avós, alguns andaram por outras terras (um deles continua longe, no Canadá...).
Não conseguem perceber este país (quem consegue?), nem a ligeireza com que se continua a tentar sugar a "teta" cada vez mais seca do estado, desde empresários (dos banqueiros milionários aos patrões instantâneos) a pobres por conveniência...

É sempre bom conversar sobre gente e lugares que amamos. Foi tão bom que nem sequer fui dar uma olhadela aos jogos dos quartos de final do Mundial...

As fotografias são fresquinhas, das Caldas e de Salir de Matos, símbolos da arte e da vida...

domingo, junho 27, 2010

Alfabeto Adiado


Fiquei curioso com o novo livro deste autor caldense, que antes publicara obras de poesia.

Curioso por ser a estreia de José Ricardo Nunes na prosa, por ser alguém da minha geração e pelas palavras de Henrique.
Provavelmente conhecemo-nos, nem que seja de vista, dos nossos tempos de liceu.
Como deverá estar à venda na 107, da Isabel, fica para a próxima visita às Caldas.

sexta-feira, junho 25, 2010

Claro que Não

Fui confrontado com uma questão estranha e pertinente por um "amigo da onça" (estou a brincar, Pedro...).

Primeiro fiquei a digerir, a verificar se realmente existiria algum contra senso meu, de fazer algumas criticas à distância de cem quilómetros sobre o "Mayor" das Caldas, depois cheguei à conclusão que não, estou no meu direito, enquanto natural do burgo e também como visitante assíduo.
Não, não acho nada que o presidente de qualquer Município só tenha de dar satisfações e explicações aos seus eleitores. As cidades são espaços abertos, como tal qualquer visitante ou turista, tem o direito de se insurgir contra aquilo que acha errado, e se tiver possibilidade, de confrontar os responsáveis pelas muitas "aberrações" que encontramos de Norte a Sul, deve fazê-lo.
Só faltava esta, as cidades serem espaços fechados, propriedade dos seus autarcas e munícipes.

Provavelmente o doutor Costa preferia, assim como a dona Maria Emília, da minha outra cidade.
Eu também preferia muita coisa...

segunda-feira, junho 21, 2010

As Termas...

Ainda há médicos que "receitam" banhos nas termas.

Foi por isso que um amigo me perguntou pelas Termas das Caldas. E eu sem saber o que lhe dizer.
Não sabia se estavam a funcionar, fui-lhe dizendo que pelas notícias que ia lendo pela "Gazeta" local, abria e pouco tempo depois fechava, devido a um qualquer contratempo, porque o hospital termal era velhinho...
Esta questão recordou-me que da última vez que estive com o meu irmão, entre as vários temas da nossa conversa, acabaram por surgir as termas, que foram durante tantos anos a "marca" de qualidade turística das Caldas e que hoje são quase nada...
Ele recordou-me alguns projectos, como o de instalar no coração da Mata da Rainha (no velho campo do Caldas) um complexo termal de grande qualidade, com hotel e todas as condições para quem faz férias termais.
Foi também por isto que tivemos de falar do presidente do Município, um populista igual a tantos outros do nosso país, incapazes de aproveitar o melhor das suas terras. Acham quase sempre que os caixotes de cimento e as rotundas são suficientes para o crescimento das suas urbes.
Os anos que temos perdido, de Norte a Sul, nestas "guerrinhas de mangerona", em que só se "acorda" no último ano de mandato, usando e abusando da memória curta dos eleitores.
Em relação às Caldas, tenho pena que não se aproveite a proximidade da Capital, assim como a beleza do Oeste, onde a cidade termal se encontra num lugar privilegiado, para se apostar a sério num turismo de qualidade, promovendo toda esta região especial.

domingo, junho 06, 2010

O Microclima do Oeste


Quando sai de Almada, a meio da manhã, o sol brilhava.

Quando ultrapassámos aquela linha que nos faz ter um clima único, mais fresco e agradável no Verão, algures para lá da Serra de Montejunto o céu foi engolido pelas nuvens.
A meio da viagem o telemóvel tocou, era a mãe a perguntar se trazíamos casacos, porque nas Caldas e arredores estava frio (a preocupação das mães...). Sorrimos, porque nunca sabemos muito bem o que nos espera no Oeste.
Mesmo assim mantivemos o programa e lá fomos molhar os pés à Foz do Arelho.
Parece que voltámos a ter praia (a aberta estava no sitio e a areia quase), embora o dia estivesse estranho, sem nevoeiro e quase sem sol...

Nas Caldas, onde nos esperavam para almoçar, o sol brilhava...
A foto é mesmo de hoje, cinzenta como este domingo, pelo menos até à hora de almoço, na Foz do Arelho.

quinta-feira, junho 03, 2010

"A Alma Marroquina" dos Mercados

Este postal é bem mais antigo que as minhas visitas na meninice à Praça da Fruta, "preso" à mão da mãe, no meio daquela confusão de gente, para trás e para a frente, num tempo em que não existiam supermercados, apenas mercearias e "lugares"...
Nesses tempos não havia preço tabelado, era tudo muito "marroquino", tudo muito discutido, o vendedor ia descendo, depois de começar "alto", o comprador ia subindo, depois de começar "baixo".
Para mim comércio era isto, discutir, virar costas ao vendedor e esperar (ou ter esperança) que ele nos chamasse, mesmo que viesse com a ladainha que estava a perder dinheiro, mas...
Na Praça do Peixe era a mesma coisa, embora aqui a coisa piasse mais fino, pois havia sempre quem não se preocupasse em vender peixe impróprio para consumo, pelo que a mãe tinha sempre duas ou três peixeiras de "confiança", daquelas que sabia que não lhe vendiam algo que não prestasse...
Infelizmente (ou não) tudo isto se foi perdendo com a modernidade...

sexta-feira, maio 28, 2010

Caldas a Caminho do Centenário

Soube pelo Zé Ventura que se realiza hoje o jantar do 94º aniversário do clube mais emblemático da minha cidade natal, o Caldas Sport Clube.

Apesar da distância física, continua a ser um clube especial para mim e acredito que ressurgirá a um nível mais próximo do seu historial, dentro de poucos anos. Para isso será essencial manter os "oportunistas" noutras "freguesias".
Desde a segunda metade dos anos sessenta do século passado que me habituei a ver os jogos do Caldas, no velho Campo da Mata.
Tantos jogadores que ainda recordo, desde o Fortunato, o guarda-redes das barbas, ao Custódio, patrão de tantas defesas, passando pelo Sena, um dos melhores centro-campistas da história do clube, os brasileiros Paulo Veloso e Lima, o Delfim, o Orlando, o Forneri, o Gaspar, o Vitor, o Sá Quintas, o Lúcio, e claro, os campeões da primeira divisão, com que me cruzava por vezes na rua: António Pedro, Anacleto, o Leandro, o Janita, o Fragateiro, e outros que também conheci, embora não os visse com tanta regularidade, casos do Rita, do Lenine e do Amaro, entre tantos outros, que sempre foram - e são - motivo de orgulho de todos os caldenses.
Que o futuro dê a mão ao Caldas e muita força aos actuais dirigentes, que têm resistido e lutado com grande determinação e coragem, perante as muitas contrariedades que foram surgindo pela frente.

terça-feira, maio 18, 2010

O Meu Museu...


No Dia Internacional dos Museus, seria imperdoável não falar do "meu museu"...

O Museu José Malhoa, que ainda por cima está instalado num sitio belíssimo, o Parque D. Carlos, da minha cidade...

Se pudesse, hoje ia ai, nem que fosse apenas para uma passagem rápida, em redor de tanta coisa bonita...