É sempre delicioso visitar um parque ou jardim "alcatifado" de folhas douradas. Então as crianças adoram correr e sentir debaixo dos pés a "música" que as folhas lhes oferecem...
Foi assim, no parque D. Carlos, nas Caldas...
Nas cidades a vida é mais pequena que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. (Alberto Caeiro)
É sempre delicioso visitar um parque ou jardim "alcatifado" de folhas douradas. Então as crianças adoram correr e sentir debaixo dos pés a "música" que as folhas lhes oferecem...
Foi assim, no parque D. Carlos, nas Caldas...
«Sempre apareci Maria.»
Talvez a beleza volte aos campos com toda esta crise, talvez as pessoas voltem a cultivar as terras em pousio.
A sabedoria popular diz-nos que a necessidade aguça o engenho.
Não sei se tive medo do Adamastor na infância, mas acho que não, nunca o levei demasiado a sério. Apenas me lembro de uma imagem imprecisa de um livro escolar, em que ele se confundia com as ondas bravas do mar.
Agora anda por aí outro Adamastor a cirandar (fmi), tenho quase a certeza que esta gente que nos governa (e a que se prepara para nos governar...), não tem medo dele e ainda menos vergonha na cara.
Com esta gente não há Adamastor que nos valha...
Percebe-se pela urgência em despedir os mais de 300 funcionários da "Groundforce", ao mesmo tempo que (segundo a imprensa) foram contratados mais 274 funcionários para as voltinhas da governação
Quando passei com os meus filhos próximo das velhas portas altaneiras dos Pavilhões do Parque, expliquei-lhes que era ali que se situava a Biblioteca Calouste Gulbenkian, o "paraíso" dos livros sem imagens das Caldas.
O meu filho estranhou que um edifício gigantesco acolhesse uma biblioteca. Expliquei-lhe então que os históricos Pavilhões acolheram muito mais coisas, e que a biblioteca ficava-se por um espaço relativamente modesto, no primeiro piso que aparece na fotografia.
A região do Oeste é de tal forma especial, que até atrai os "bandoleiros" mais improváveis.
Depois de se terem encontrado elementos da ETA em Óbidos, agora foi a vez de se descobrir membros da "máfia siciliana", no Carvalhal, próximo do Bombarral.
O óleo é de Lee Harvey Roswell.
Gostava tanto daquele banco azul, de madeira, onde se costumavam sentar as visitas da avó, quando lhe vinham contar alguma novidade ou simplesmente receber a sua companhia, como era o caso da prima Beatriz.
A vizinha de frente da avó, assim que pressentia que havia alguém em casa, aparecia quase de rompante, desejosa de meter a conversa em dia. A criatura chamava-se Manelina e acho que foi graças a ela que aprendi a detestar as pessoas que passavam o tempo a falar mal da vida dos outros.
O óleo é de Collin Frazer.
Este belo quadro de Aldo Luongo, levou-me de viagem à infância, pela pose descontraída, quase em jeito de desafio da malta retratada.
Pela minha experiência de vida, eu teria de ser um dos mais pequenos, pois passei uma boa parte da infância atrás do meu irmão e dos seus amigos, que também acabavam por ser meus, o que me obrigava a crescer um palmo, ao mesmo tempo que era o "menino" do grupo, com as vantagens e desvantagens que daí advêm.
Obrigado Aldo Luongo!
Ao olhar este óleo da russa, Zinaida Serebriakova, lembrei-me logo das fitas que o meu filho faz em relação ao sopa (e como estas coisas se pegam, a irmã também já finge que não gosta de sopa...).
Mas fui mais longe, lembrei-me que embora sempre gostasse de sopa, também não morria de amores pela sopa que a avó fazia - que o meu irmão adorava - só caldo e "entulho". Sempre gostei de sopa passada, com o respectivo "entulho"...
Quando estávamos em Salir de Matos de férias, eu era sempre um "problema" com a comida, porque estava mal habituado com a "comidinha da mamã" e estranhava aquela comida tradicionalmente portuguesa, cozinhada com a simplicidade da avó...
O que nunca estranhei foram os ovos estrelados e as batatas fritas em azeite, nem o chouriço assado na brasas do lume (a avó tinha um fogão que raramente usava, que estava na cozinha de fora) quase uma lareira que funcionava a lenha.
Estava a escrever mais um capítulo de um "possível" romance, e ao dar um nome a uma personagem (Zeca), lembrei-me de dois irmãos que foram meus amigos de infância e do meu irmão.
Chamavam-se Zeca e Jaime e tinham mais ao menos a nossa idade. Não lhes consigo dar um rosto, nem existe qualquer fotografia para os identificar, sei que eram "reguilas" como nós e davam cabo da paciência dos avós. Moravam num das transversais da rua da Estação (a última, a mais próxima da passagem de nível). Lembro-me que moravam com os avós e um dia qualquer mudaram-se e nunca mais os vimos.
Sim, até parece que tenho menos histórias, que o filão do "Oeste" se esgotou...
Não, não é nada disso.
Nunca foi tão importante como hoje, preservar a imagem.
Talvez por isso me apeteça mostrar, com alguma ironia, a única coisa realmente pública da visita que fiz ao "Bowling" das Caldas, com alguns amigos que continuam a surgir nas brumas do tempo com vários rostos, preenchidos por mil e uma memórias, que se repartem pelos anos sessenta, setenta e oitenta.
Embora esta fotografia mostre água, também mostra as pedras, os rochedos que fazem parte integrante da paisagem Beirã.
Pena que muitas das casas que se reconstroem esqueçam a pedra. Claro que se trata de um esquecimento compreensível, devido aos custos e à dificuldade de encontrar quem utilize a pedra como instrumento de trabalho na construção.
Depois da praia, ia sempre para Salir de Matos, para a casa dos avós maternos...
A foto é do nosso Parque, tirada a meio deste mês.
Não olhei para o interior porque a pequena janela estava alta demais, limitei-me a disparar para lá da janela.
O resultado foi esta imagem.
Só depois vi que a porta das traseiras estava presa por um fio azul de electricidade, que desenrolei para entrar, pela última vez, para o que restava da casa da avó. O que sobrara do telhado ameaçava cair a qualquer momento, mesmo assim passei, porque queria ver novamente o jardim interior, onde brinquei em todas as estações...
Em mais uma visita a Salir de Matos, achei curioso a porta da casa da avó (enquanto existir, será sempre a casa da avò...), continuar direita, sem dar tréguas ao tempo, que foi encarregue de a deitar abaixo, pedra a pedra, lentamente...
Embora não se trate de uma "tortura", não deixa de ser triste que à boa maneira portuguesa, se deixem as casas cairem de "podres", até restar apenas um monte de entulho...