terça-feira, outubro 12, 2010

Uma Imagem Tão Viva


Este belo quadro de Aldo Luongo, levou-me de viagem à infância, pela pose descontraída, quase em jeito de desafio da malta retratada.
Este quarteto podia ser tanta gente... os meus amigos da escola, os meus amigos do bairro, os meus amigos da bola, os meus amigos da rua... até pelas idades diferentes.

Pela minha experiência de vida, eu teria de ser um dos mais pequenos, pois passei uma boa parte da infância atrás do meu irmão e dos seus amigos, que também acabavam por ser meus, o que me obrigava a crescer um palmo, ao mesmo tempo que era o "menino" do grupo, com as vantagens e desvantagens que daí advêm.

Obrigado Aldo Luongo!

quarta-feira, outubro 06, 2010

A Bela Sopa...

Ao olhar este óleo da russa, Zinaida Serebriakova, lembrei-me logo das fitas que o meu filho faz em relação ao sopa (e como estas coisas se pegam, a irmã também já finge que não gosta de sopa...).
Mas fui mais longe, lembrei-me que embora sempre gostasse de sopa, também não morria de amores pela sopa que a avó fazia - que o meu irmão adorava - só caldo e "entulho". Sempre gostei de sopa passada, com o respectivo "entulho"...
Quando estávamos em Salir de Matos de férias, eu era sempre um "problema" com a comida, porque estava mal habituado com a "comidinha da mamã" e estranhava aquela comida tradicionalmente portuguesa, cozinhada com a simplicidade da avó...
O que nunca estranhei foram os ovos estrelados e as batatas fritas em azeite, nem o chouriço assado na brasas do lume (a avó tinha um fogão que raramente usava, que estava na cozinha de fora) quase uma lareira que funcionava a lenha.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Um Nome, Uma História...


Estava a escrever mais um capítulo de um "possível" romance, e ao dar um nome a uma personagem (Zeca), lembrei-me de dois irmãos que foram meus amigos de infância e do meu irmão.

Chamavam-se Zeca e Jaime e tinham mais ao menos a nossa idade. Não lhes consigo dar um rosto, nem existe qualquer fotografia para os identificar, sei que eram "reguilas" como nós e davam cabo da paciência dos avós. Moravam num das transversais da rua da Estação (a última, a mais próxima da passagem de nível). Lembro-me que moravam com os avós e um dia qualquer mudaram-se e nunca mais os vimos.

Provavelmente foram morar com os pais. Nesses anos sessenta e setenta era comum os filhos ficarem entregues aos avós, devido à emigração. Nem sempre os pais tinham a possibilidade de ter os filhos com eles, especialmente aqueles que pensavam exageradamente no dinheiro que ganhavam, fazendo logo o "câmbio" de cabeça, no tempo do escudo, do marco e do franco...

O óleo "vivo" é de Mikael Bridges...

quinta-feira, setembro 23, 2010

Até Parece...


Sim, até parece que tenho menos histórias, que o filão do "Oeste" se esgotou...

Não, não é nada disso.
Tenho andado mais ocupado, sem vontade de abordar alguns temas, por razões que nem a própria razão conhece.

Também não tenho visitado tanto outros blogues por onde gosto de passar e me "cultivar".

Mesmo assim, fui surpreendido por algumas fotografias da autoria de Dário Manso (uma das quais publico com a devida vénia), publicadas no blogue do Externato Ramalho Ortigão, onde apareço algures, de bata branca, convocado pela minha querida professora da escola primária, para participar na inauguração da Estátua do Marechal Carmona (que nunca percebi porque razão não voltou ao lugar...), em Junho de 1971. Estou na primeira fila nas escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no largo do Borlão.
Fiquei sempre com a ideia que tinha estado presente o almirante Américo Tomás com a sua celebre tesoura, em mais uma inauguração.

Se por acaso alguém se lembrar do facto, diga se sua excelência, o almirante "corta-fitas", esteve nas Caldas ou não...

terça-feira, setembro 14, 2010

Preservar a Imagem

Nunca foi tão importante como hoje, preservar a imagem.

Talvez por isso me apeteça mostrar, com alguma ironia, a única coisa realmente pública da visita que fiz ao "Bowling" das Caldas, com alguns amigos que continuam a surgir nas brumas do tempo com vários rostos, preenchidos por mil e uma memórias, que se repartem pelos anos sessenta, setenta e oitenta.

A partir dos anos noventa, quase que "desaparecemos" das vidas uns dos outros, presos à "vidinha" que alguém nos destinara, sem sequer se lembrar de perguntar.

Andámos entre os quinze e os vinte anos, quase desaparecidos, vivendo as grandes mudanças das nossas vidas, praticamente sem testemunhas conhecidas por perto. Casámos, fomos pais, ganhámos peso, perdemos cabelo, que entretanto ganhou tonalidades de cinzento. Não sei quantos plantaram árvores, sei que fui o único que escrevi livros...

E agora a fotografia simbólica, porque os números também contam histórias, nem que seja dos pés de "cinderela", de cada um de nós...

segunda-feira, setembro 06, 2010

A Paisagem Beirã


Embora esta fotografia mostre água, também mostra as pedras, os rochedos que fazem parte integrante da paisagem Beirã.

Pena que muitas das casas que se reconstroem esqueçam a pedra. Claro que se trata de um esquecimento compreensível, devido aos custos e à dificuldade de encontrar quem utilize a pedra como instrumento de trabalho na construção.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Não Vou de Barco...


Não vou de barco, mas vou partir para mais um curto período de férias, uma semanita na Beira Baixa, para juntar à praia também um pedaço de campo, como fazia na minha meninice.
Depois da praia, ia sempre para Salir de Matos, para a casa dos avós maternos...
A foto é do nosso Parque, tirada a meio deste mês.

terça-feira, agosto 24, 2010

Interiores


Não olhei para o interior porque a pequena janela estava alta demais, limitei-me a disparar para lá da janela.

O resultado foi esta imagem.

Só depois vi que a porta das traseiras estava presa por um fio azul de electricidade, que desenrolei para entrar, pela última vez, para o que restava da casa da avó. O que sobrara do telhado ameaçava cair a qualquer momento, mesmo assim passei, porque queria ver novamente o jardim interior, onde brinquei em todas as estações...

sexta-feira, agosto 20, 2010

A Porta Não dá Tréguas...

Em mais uma visita a Salir de Matos, achei curioso a porta da casa da avó (enquanto existir, será sempre a casa da avò...), continuar direita, sem dar tréguas ao tempo, que foi encarregue de a deitar abaixo, pedra a pedra, lentamente...

Embora não se trate de uma "tortura", não deixa de ser triste que à boa maneira portuguesa, se deixem as casas cairem de "podres", até restar apenas um monte de entulho...

terça-feira, agosto 17, 2010

Passos dos Nossos Avós

Os projectos colectivos têm vários aspectos positivos, o maior é a possibilidade de conhecermos e convivermos com pessoas, completamente desconhecidas até ai, ficando sempre algumas portas entreabertas.

Foi o que aconteceu com o livro, "25 Olhares de Abril", coordenado por Carlos Garrido e publicado em 2008. Através deste projecto conheci a professora Aida Baptista, que estava a iniciar uma outra iniciativa, sobre os nossos avós. Ela acabou por me desafiar a escrever algo e eu enviei-lhe uma crónica sobre a minha vivência e do meu irmão, com os meus avós, durante as férias grandes.
A crónica chama-se "Passeio pelo Campo", e é isso mesmo, uma viagem pelas fazendas e vinhas do avô, de Salir de Matos. Aliás, alguns episódios já foram relatados por aqui, nas minhas "Viagens pelo Oeste".

Entre os dias 26 e 28 de Julho realizou-se em Lisboa o "II Congresso Internacional A Voz dos Avós: Migrações e Património Cultural", tendo sido lançado o livro, "Passos de Nossos Avós", coordenado pelas professoras Aida Baptista e Manuela Marujo, com a tal crónica e mais trinta e duas.
Não assisti ao lançamento (por estar de férias no Sul) mas já tenho o livro, que está muito bonito, pois além das histórias sobre os nossos avós, está ilustrado com a arte das crianças da Escola B.I. de Água de Pau, Açores.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Ouvir, Quase sem Espaço para Falar...

Ouvia-a, sem saber muito bem o que dizer.

Sei que não é das coisas mais bonitas revelarmos pena dos outros, mas naquele momento eu estava mesmo com pena dela, a escutar toda aquela dor que lhe saia da boca e se reflectia nos olhos.
Consegui recordar com saudade os almoços e jantares familiares que enchiam a casa dos avós, com filhos e netos. Éramos mais de vinte, nem sei como cabíamos todos à mesa... sei sim, havia sempre uma mesa "extra" para os mais pequenos...
Não eram aquela coisa feia, triste e chata que ela contava, com mais desconversas que conversas.
Mesmo assim fez-me pensar que de vez enquanto também apareciam conflitos à mesa, mas eram sempre bem geridos pelos avós, pelo respeito que impunham nos filhos e netos.

Continuava sem saber bem o que dizer, foi por isso que deixei fugir qualquer coisa do género: «a família banalizou-se, quase que não se têm filhos, quando há cinquenta, sessenta anos, meia-dúzia era um número normal.»

Ela respondeu-me, «ainda bem», fingindo-se aliviada.

Recordei que enquanto os avós foram activos, a família era um Farol sempre aceso e eles os faroleiros-mor, sempre de serviço, para que nenhuma "barca" fosse levada pelo Oceano...

Tão longe deste tempo, de casas vazias, de gente que se finge feliz, sozinha...
O óleo é de Jean Marie Barre.


quarta-feira, agosto 04, 2010

50 Fotografias dos Anos Cinquenta

Ofereci um dos meus livros a um amigo, que não fazia ideia que eu era de Caldas da Rainha.

Graças a esta descoberta, na última vez que nos encontrámos ele resolveu oferecer-me o livro-álbum, "50 Fotografias dos Anos Cinquenta, José Neto Pereira, Caldas da Rainha", organizado por Maria Isabel Xavier Baptista.
É um bonito livro, cheio de imagens e efemérides.
Obrigado, João.

quinta-feira, julho 15, 2010

O Mar da Foz

Vou para o Sul, com saudades do Mar da Foz do Arelho.

Lá não existem ondas que se façam respeitar e escutar, mesmo pelos nadadores mais atrevidos, nem bandeiras vermelhas desfraldadas, quase diariamente. E nem falo do nevoeiro, que até dá para esperarmos pela chegada do D. Sebastião, em qualquer barca...


Este mar sonoro e mexido prolonga-se quase até à Figueira da Foz. Esta foto por exemplo, foi tirada na Praia Vieira.


domingo, julho 11, 2010

Tão Longe do Areal Pintado de Toalhas

Os domingos de Verão são os únicos dias de folga para muita gente.

Talvez seja por isso, por serem de folga, de descanso, que não percebo as filas de pessoas que encontrei na estação de comboios do Cais de Sodré, em busca de bilhete para as "praias da linha".
Da mesma forma que não percebo as filas da ponte e das estradas de areia, rente às praias da Costa de Caparica, em direcção aos parques de estacionamento, onde não há espaço nem para um "carrinho de linhas"...
E nem vale a pena falar do areal "pintado de toalhas", quase sem espaço para mais uma, nem do mar cheio de gente...
Não é que queira uma praia só para mim, mas gosto muito de estar na areia e conseguir ouvir as conversas do mar.
É por isso que aos domingos, prefiro a calma de um parque ou jardim, que poderia muito bem ser o D. Carlos, que também tem barcos...

domingo, julho 04, 2010

Regresso às Origens



O sábado foi sobretudo diferente, o reencontro com uma parte da família em Salir de Matos.
Histórias que passam por nós de uma forma quase vertiginosa, os tios que eram rapazes solteiros e nos deliciavam com mil brincadeiras, são hoje avós, alguns andaram por outras terras (um deles continua longe, no Canadá...).
Não conseguem perceber este país (quem consegue?), nem a ligeireza com que se continua a tentar sugar a "teta" cada vez mais seca do estado, desde empresários (dos banqueiros milionários aos patrões instantâneos) a pobres por conveniência...

É sempre bom conversar sobre gente e lugares que amamos. Foi tão bom que nem sequer fui dar uma olhadela aos jogos dos quartos de final do Mundial...

As fotografias são fresquinhas, das Caldas e de Salir de Matos, símbolos da arte e da vida...

domingo, junho 27, 2010

Alfabeto Adiado


Fiquei curioso com o novo livro deste autor caldense, que antes publicara obras de poesia.

Curioso por ser a estreia de José Ricardo Nunes na prosa, por ser alguém da minha geração e pelas palavras de Henrique.
Provavelmente conhecemo-nos, nem que seja de vista, dos nossos tempos de liceu.
Como deverá estar à venda na 107, da Isabel, fica para a próxima visita às Caldas.

sexta-feira, junho 25, 2010

Claro que Não

Fui confrontado com uma questão estranha e pertinente por um "amigo da onça" (estou a brincar, Pedro...).

Primeiro fiquei a digerir, a verificar se realmente existiria algum contra senso meu, de fazer algumas criticas à distância de cem quilómetros sobre o "Mayor" das Caldas, depois cheguei à conclusão que não, estou no meu direito, enquanto natural do burgo e também como visitante assíduo.
Não, não acho nada que o presidente de qualquer Município só tenha de dar satisfações e explicações aos seus eleitores. As cidades são espaços abertos, como tal qualquer visitante ou turista, tem o direito de se insurgir contra aquilo que acha errado, e se tiver possibilidade, de confrontar os responsáveis pelas muitas "aberrações" que encontramos de Norte a Sul, deve fazê-lo.
Só faltava esta, as cidades serem espaços fechados, propriedade dos seus autarcas e munícipes.

Provavelmente o doutor Costa preferia, assim como a dona Maria Emília, da minha outra cidade.
Eu também preferia muita coisa...

segunda-feira, junho 21, 2010

As Termas...

Ainda há médicos que "receitam" banhos nas termas.

Foi por isso que um amigo me perguntou pelas Termas das Caldas. E eu sem saber o que lhe dizer.
Não sabia se estavam a funcionar, fui-lhe dizendo que pelas notícias que ia lendo pela "Gazeta" local, abria e pouco tempo depois fechava, devido a um qualquer contratempo, porque o hospital termal era velhinho...
Esta questão recordou-me que da última vez que estive com o meu irmão, entre as vários temas da nossa conversa, acabaram por surgir as termas, que foram durante tantos anos a "marca" de qualidade turística das Caldas e que hoje são quase nada...
Ele recordou-me alguns projectos, como o de instalar no coração da Mata da Rainha (no velho campo do Caldas) um complexo termal de grande qualidade, com hotel e todas as condições para quem faz férias termais.
Foi também por isto que tivemos de falar do presidente do Município, um populista igual a tantos outros do nosso país, incapazes de aproveitar o melhor das suas terras. Acham quase sempre que os caixotes de cimento e as rotundas são suficientes para o crescimento das suas urbes.
Os anos que temos perdido, de Norte a Sul, nestas "guerrinhas de mangerona", em que só se "acorda" no último ano de mandato, usando e abusando da memória curta dos eleitores.
Em relação às Caldas, tenho pena que não se aproveite a proximidade da Capital, assim como a beleza do Oeste, onde a cidade termal se encontra num lugar privilegiado, para se apostar a sério num turismo de qualidade, promovendo toda esta região especial.

domingo, junho 06, 2010

O Microclima do Oeste


Quando sai de Almada, a meio da manhã, o sol brilhava.

Quando ultrapassámos aquela linha que nos faz ter um clima único, mais fresco e agradável no Verão, algures para lá da Serra de Montejunto o céu foi engolido pelas nuvens.
A meio da viagem o telemóvel tocou, era a mãe a perguntar se trazíamos casacos, porque nas Caldas e arredores estava frio (a preocupação das mães...). Sorrimos, porque nunca sabemos muito bem o que nos espera no Oeste.
Mesmo assim mantivemos o programa e lá fomos molhar os pés à Foz do Arelho.
Parece que voltámos a ter praia (a aberta estava no sitio e a areia quase), embora o dia estivesse estranho, sem nevoeiro e quase sem sol...

Nas Caldas, onde nos esperavam para almoçar, o sol brilhava...
A foto é mesmo de hoje, cinzenta como este domingo, pelo menos até à hora de almoço, na Foz do Arelho.

quinta-feira, junho 03, 2010

"A Alma Marroquina" dos Mercados

Este postal é bem mais antigo que as minhas visitas na meninice à Praça da Fruta, "preso" à mão da mãe, no meio daquela confusão de gente, para trás e para a frente, num tempo em que não existiam supermercados, apenas mercearias e "lugares"...
Nesses tempos não havia preço tabelado, era tudo muito "marroquino", tudo muito discutido, o vendedor ia descendo, depois de começar "alto", o comprador ia subindo, depois de começar "baixo".
Para mim comércio era isto, discutir, virar costas ao vendedor e esperar (ou ter esperança) que ele nos chamasse, mesmo que viesse com a ladainha que estava a perder dinheiro, mas...
Na Praça do Peixe era a mesma coisa, embora aqui a coisa piasse mais fino, pois havia sempre quem não se preocupasse em vender peixe impróprio para consumo, pelo que a mãe tinha sempre duas ou três peixeiras de "confiança", daquelas que sabia que não lhe vendiam algo que não prestasse...
Infelizmente (ou não) tudo isto se foi perdendo com a modernidade...

sexta-feira, maio 28, 2010

Caldas a Caminho do Centenário

Soube pelo Zé Ventura que se realiza hoje o jantar do 94º aniversário do clube mais emblemático da minha cidade natal, o Caldas Sport Clube.

Apesar da distância física, continua a ser um clube especial para mim e acredito que ressurgirá a um nível mais próximo do seu historial, dentro de poucos anos. Para isso será essencial manter os "oportunistas" noutras "freguesias".
Desde a segunda metade dos anos sessenta do século passado que me habituei a ver os jogos do Caldas, no velho Campo da Mata.
Tantos jogadores que ainda recordo, desde o Fortunato, o guarda-redes das barbas, ao Custódio, patrão de tantas defesas, passando pelo Sena, um dos melhores centro-campistas da história do clube, os brasileiros Paulo Veloso e Lima, o Delfim, o Orlando, o Forneri, o Gaspar, o Vitor, o Sá Quintas, o Lúcio, e claro, os campeões da primeira divisão, com que me cruzava por vezes na rua: António Pedro, Anacleto, o Leandro, o Janita, o Fragateiro, e outros que também conheci, embora não os visse com tanta regularidade, casos do Rita, do Lenine e do Amaro, entre tantos outros, que sempre foram - e são - motivo de orgulho de todos os caldenses.
Que o futuro dê a mão ao Caldas e muita força aos actuais dirigentes, que têm resistido e lutado com grande determinação e coragem, perante as muitas contrariedades que foram surgindo pela frente.

terça-feira, maio 18, 2010

O Meu Museu...


No Dia Internacional dos Museus, seria imperdoável não falar do "meu museu"...

O Museu José Malhoa, que ainda por cima está instalado num sitio belíssimo, o Parque D. Carlos, da minha cidade...

Se pudesse, hoje ia ai, nem que fosse apenas para uma passagem rápida, em redor de tanta coisa bonita...


terça-feira, maio 11, 2010

A Hora de São Martinho

A confusão e as dúvidas que se mantêm em relação à recuperação da Foz do Arelho praia, deverão transformar São Martinho na praia do Verão. para uma boa parte dos caldenses que não rumam para outras paragens.
Só espero que o Vento não apareça muitas vezes, a fazer lembrar o deserto do "Sahara"...

sábado, maio 01, 2010

Maio

Maio é esperança, sempre foi...

É um mês bonito, florido, luminoso.

No fim de semana passado passei pela Foz do Arelho e já tinham conseguido fechar a aberta, contrariando as notícias da véspera da "Gazeta".
O Verão por aqueles lados continua a ser uma incógnita.
Não percebo porque razão estiveram quase à espera de Maio para fazer aquilo que parecia lógico, fechar a aberta e tentar fintar a natureza, abrindo-a mais para Sul, para os lados do Bom Sucesso...

Mas o que não falta neste país, são coisas que escapam à compreensão do cidadão comum...

domingo, abril 25, 2010

Abril


Abril não foi um sonho,
foi mesmo uma Revolução.

Foi um dia demasiado belo
e é muito mais que uma canção.

No entanto são os poetas e os trovadores da revolução quem melhor sintetiza o que se passou antes e depois...

Quando Zeca Afonso cantou (Vampiros), disse-nos quase tudo:

[...]
Se alguém se engana
com seu ar sisudo
e lhes franqueia
as portas à chegada
eles comem tudo
e não deixam nada
[...]

E nós enganámo-nos mesmo, franqueámos as portas à mesma gente, que no Estado Novo, enriquecia e deixava o povo à míngua e o Estado pobre, as célebres famílias que dominam hoje a banca, a pouca indústria e comércio que temos. Foram eles com a complacência e a "corrupção" ética e moral de uma parte significativa dos ministros e secretários de estado, que nos governaram desde a década de oitenta até aos nossos dias (dou o benefício da dúvida aos que governaram na década de setenta, por todas as convulsões e dúvidas que ainda existiam...).
Com outros empresários e outros políticos, Portugal seria um país muito diferente, para melhor, não tenho qualquer dúvida...
E é uma pena constatarmos que Abril não se cumpriu integralmente. Sobra a LIberdade, que também já não é o que era...

domingo, abril 18, 2010

A Conversa era Outra...

Não sabia o que colocar nas "Viagens" e fui à pasta das minhas fotos e escolhi aquela. Depois acrescentei-lhe palavras...

Falava mais da paisagem que do comboio, que anda à vinte anos (pelo menos...) a ser maltratado, a ser quase obrigado a não servir e transportar ninguém, a não ser que seja um qualquer habitante de um apeadeiro longinquo, sem carro, onde ainda passa o comboio uma ou duas vezes por dia...
Falava que a entrada e saída pela Linha do Oeste era feia, triste, abandonada, tal como os composições e as máquinas com aquele som característico que aprendemos na primária: «pouca terra, pouca terra, pouca terra...»

Em relação ao resto, têm toda a razão...
Em nome das portagens, do negócio da gasolina e dos automóveis, destruiu-se no nosso país, em poucos anos, o melhor transporte do mundo...

sábado, abril 17, 2010

Chegar ou Partir pela Linha do Oeste

Embora não se note, esta é uma das entradas, ou saídas, das Caldas da Rainha. Depende apenas do nosso destino, se vamos para Norte ou se vamos para Sul...
Além das viagens incontáveis que fiz de comboio, também percorri bastantes vezes esta linha a pé, num dos muitos exemplos das aventuras inconscientes, próprias da juventude, que todos praticamos.
Sei que não é das melhores entradas da cidade, porque a paisagem que encontramos em ambas as bermas, está longe de ser bonita. É uma parte que não cresceu nem foi aproveitada para se fazer um "lava olhos".
Como podem ver pela imagem, está um pouco abandonada, como destaque para os antigos celeiros da Ceres, que são olhados, quase como os arranha-céus (para não lhe chamar outro nome...) das Caldas.

sábado, abril 10, 2010

A Necessidade Aguça o Engenho

O dito "A Necessidade Aguça o Engenho" faz parte da sabedoria popular e também da natureza humana, felizmente.

Sei que há várias maneiras de se reagir à adversidade. Talvez que a mais comum seja mesmo baixar os braços. Talvez.
É por isso que é bom valorizar e aplaudir as pessoas que passam a vida a "remar contra a maré", mesmo quando as forças começam a faltar.
Tudo isto para dizer que gosto da forma como os comerciantes caldenses têm procurado contornado a crise, vindo para a rua, chamar os clientes.
Gostava que em Almada também fosse assim, mas parece que ainda falta alguma cultura do comércio aos lojistas da Margem Sul...

A imagem foi retirada das Águas Mornas do Zé Ventura.

sexta-feira, abril 02, 2010

É Verdade...

É verdade.

Estou em falta com o Oeste, estou a viajar muito pouco pelas minhas bandas, é que isto de "alimentar" três blogues tem que se lhe diga...
É a única desculpa que me ocorre, embora também esteja em falta com a minha cidade natal, pois nunca estive tanto tempo sem aparecer por lá...

São fases pelas quais passamos.
Talvez precise de remodelar a "casa", talvez precise de entrar por outros lugares, mas parar, não, não está nos meus horizontes. As "Viagens" ainda estão longe de estarem a prazo...

(resposta a uma pergunta de um leitor atento, devidamente identificado, via telemóvel...)

quinta-feira, março 25, 2010

O Parque Cheira a Primavera

Apesar da distância física, sei que o nosso Parque neste começo de Primavera, deve estar um espectáculo.
Aliás, o nosso Parque, é um espectáculo o ano inteiro. Nem mesmo o Inverno o dobra e o transforma num lugar feio e sem alma...

domingo, março 21, 2010

A Praça Nocturna


a praça nocturna
descansa, deserta e abandonada,

aguarda pela madrugada
abraçada aos candeeiros
sempre silenciosos e frios
que tentam iluminar a velha calçada

anseia pela claridade
que lhe devolve o sorriso e a vida
que saltam de dentro da gente simples
que a invade e devolve ao mundo

sonha com os pregões diários do mercado
para esquecer o vazio e à lentidão da noite fria…

As palavras são minhas, a fotografia é de certeza de um excelente fotógrafo, que desconheço e aplaudo...

quarta-feira, março 10, 2010

A Praça Pintada por Mártio

Coloco aqui mais um quadro da Praça da Fruta, pintado por Mártio, artista plástico almadense.
Um lugar que continua a manter o encanto e a cor, apesar de se perceber que é preciso fazer alguma coisa, para acabar com o marasmo que vai tomando conta daquele autêntico "monumento vivo" das Caldas.

sábado, março 06, 2010

Os Livros e a Sensação de "Barata Tonta"

Ontem quando me deslocava de cacilheiro para Lisboa, para o lançamento do livro, "Palavras em Jogo" (trinta entrevistas e um memória, um olhar invulgar sobre o desporto), de José do Carmo Francisco, poeta e jornalista, com raízes no Oeste, pois nasceu em Santa Catarina, Caldas da Rainha, lembrei-me do que me acontece em lançamentos de livros e inaugurações de exposições, na qual sou um dos principais intervenientes.

O nervoso que me acompanha (mesmo depois de começar a ser habitual...), e as muitas solicitações de amigos, familiares e até desconhecidos, faz com que ande de um lado para o outro, quase como uma "barata tonta". E muitas vezes, só depois é que me lembro que não falei com alguém que me é especial, limitámos-nos apenas a um cumprimento de fugida.
Regressando ao lançamento, a chuva diluviana que caiu por Lisboa a meio da tarde, não me afastou do "Teatro Trindade", pela amizade que tenho ao autor, e claro, porque o livro apresentado tem todo o interesse, pois estão lá entrevistas de pessoas de grande valor cultural, algumas das quais também tive o grato prazer de entrevistar para jornais.
Ou seja, esta obra de José do Carmo Francisco, vale a pena ser lida, não por abordar a temática desportiva, mas sim pela sua singularidade e pelo peso das palavras dos entrevistados.
Curiosamente, por contratempos de última hora, o livro acabou por ser apresentado pelo jornalista, António Simões, do jornal "A Bola", que viveu parte da infância e adolescência nas Caldas da Rainha, onde foi meu companheiro na equipa de atletismo do Arneirense.

domingo, fevereiro 28, 2010

O Banco do Parque

Gosto de fotografar janelas, portas, bancos.
De preferência vazios e limpos de gente.
Não sei explicar muito bem o porquê. Acho que tem muito a ver com a diversidade e com a própria arquitetura de cada um destes objectos.
Esta imagem do nosso Parque, tem muito a ver com este tempo, cinzento, com chuva, vento, frio, muitas folhas e troncos caídos no chão.
Hoje de manhã estive no café, a conversar, a olhar e a escrever.
Um dos meus companheiros chamou-nos a atenção que as últimas grandes catástrofes no nosso país, tem acontecido em Fevereiro. Dissemos quase em coro: «o que vale é que amanhã é Março». Não confirmei os dados, mas ele disse que as grandes cheias de Sacavém, Vila Franca de Xira e arredores, que fizeram centenas de mortos e milhares de desalojados (números branqueados pela censura, que nos fizeram recordar o papel de AJJ em relação à Madeira...), o terramoto de 1969, e agora a tragédia da Madeira, são de Fevereiro...

terça-feira, fevereiro 23, 2010

A Areia da Foz do Arelho

Estive a fazer um exercício de memória, em busca das primeiras recordações que tinha da Foz do Arelho.

Lembrei-me de uma manhã de nevoeiro, onde descobri a beleza dos seixos, aquelas pequenas pedras entre o esférico e o oval, de várias cores, quase sempre polidas pelo mar. Era pequenote e trouxe o balde quase cheio para casa...
Não me lembrei do frio, da maresia que nos refrescava a cara e o corpo, nos dias em que o sol teimava esconder-se, até pelo menos à hora do almoço.

As praias de Salir e S. Martinho do Porto, mais frequentadas pela família, não tinham nada daquilo, apenas a areia fina manhosa, que adorava colar-se ao nosso corpo e que sempre detestei...
Nesses tempos a família era mesmo uma instituição, lembro-me de fins de semana na praia, com os meus avós, tios e primos. Era uma animação...
Os almoços tornavam-se em autênticos piqueniques, em pinhais próximos da praia, com direito a sesta e tudo. Da ementa havia sempre arroz de tomate e panados, que comíamos em pratos de plástico, num ambiente de alegria e partilha, que hoje está tão em desuso...

A Foz do Arelho desse tempo tinha fama e algum proveito de ser uma praia perigosa, porque facilmente se perdia o pé nas margens da Lagoa. E a aberta também costumava fazer das suas, especialmente a nadadores incautos, que se assustavam ao mínimo sinal de remoinhos e por lá ficavam...
Mesmo com estes perigos, no começo da adolescência, começámos a saborear a praia sem a companhia dos pais. De bicicleta, lá íamos nós do Bairro dos Arneiros até à Foz do Arelho. Eu era o mais pequeno e o mais "reguila", daquele grupo de amigos que já não há...

Interrompi esta "prosa" para ir levar a minha filha à escola.

O vento fez-nos companhia, na caminhada. Houve mesmo um momento em que fechei os olhos e recordei outras caminhadas, já adulto, à beira-mar, fora de época, em que também fechava os olhos e sentia aquela frescura atlântica, tão agradável, perfumada com o sal do Mar mais comunicativo que conheço...
Sim, o mar da Foz , fala, ruge, irrita-se. É por isso que está a tomar conta do areal. É provável que ande um pouco indeciso, porque também gosta de ter companhia. Só espero é que não se lembre dos "auto-falantes" de Verão, para não se enfurecer ainda mais...

domingo, fevereiro 21, 2010

Um País Trágico

Com os Invernos mais rigorosos começa a vir ao de cima o pior que temos feito nos últimos trinta anos, ao nível do planeamento e ordenamento do território, assim como da própria defesa do meio ambiente onde estamos inseridos.

A Lagoa de Óbidos e a praia da Foz do Arelho só estão a passar por todos os problemas que conhecemos, porque nunca se fez nada para resolver os pequenos problemas que foram surgindo ano após ano, e que hoje são um caso dramático, ao ponto de já se colocar em causa a continuidade da Foz do Arelho como praia, pelo menos de mar...

O mesmo posso dizer da Ilha da Fuzeta, onde foi a própria natureza a "correr" com as dezenas casas abarracadas que existiam na Ilha...

E agora foi a vez da Ilha da Madeira, um paraíso que se transformou num pesadelo para os seus habitantes, em apenas dois dias, devido aos caprichos do tempo e dos homens, especialistas em cobrir ribeiras secas com betão...
Será que ainda não é desta que aprendemos com os erros que cometemos, de Norte a Sul, com passagem pelas nossas belas Ilhas?

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Outros Carnavais...


Quando somos pequenos achamos graça a tudo, felizmente...

Era por isso que o Carnaval era uma festa.
Na minha infância ainda não estavam em voga os balões de água, mas todos nós tínhamos uma bisnaga, meia dúzia de "estalitos" no bolso, e os mais atrevidos até tinham essas coisas perigosas que hoje são proibidas, a que chamávamos "bombinhas de carnaval". Fazíamos as habituais guerras de "índios e caubóis", desta vez com munições, embora liquidas. A única tragédia eram as chegadas a casa, mais molhados que secos...
Havia outro atractivo, que ainda hoje se usa, os ovos. Mas nós no meu bairro usávamos mesmo ovos dos bons, podres, daqueles pestilentos. Isso acontecia porque conhecíamos uma "lixeira" de um aviário, onde nos abastecíamos. E era com eles é que fazíamos verdadeiras guerras de carnaval nas ruas do bairro...
Depois cresci um palmo e também comecei a frequentar os bailes de carnaval, outro espaço privilegiado para a "malandragem", que aparecia sempre completamente mascarada. Ainda hoje estou a espera de ver cumpridas algumas promessas feitas por algumas musas, que acabavam sempre por deixar pistas, que as acabavam por identificar...

Não sei se crescemos, se envelhecemos. Sei apenas que as máscaras e os bailes são mesmo passado. Coisas de outros carnavais...
O óleo é de Philipe Guston.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

A Boa da Electricidade

Estava a conversar com amigo, sobre este triste país antes de Abril.
Embora sejamos da mesma geração, crescemos em sítios diferentes. Eu no Litoral, ele no Interior.
Ambos sabemos que a diferença entre a proximidade do mar e o distanciamento sempre existiu, não é coisa dos nossos tempos...
Mas o que nos uniu na conversa foi o facto de a maior parte das aldeias do interior não terem electricidade. Recordei a aldeia dos meus avós paternos, onde a única televisão que existia era a do também único café, movida por um gerador ensurdecedor. Ele recordou outras onde nem gerador existia...
Nós quando somos pequenos adaptamos-nos a tudo e não achamos as coisas estranhas. Eu por exemplo, vivia na cidade, numa casa normal, sem luxos mas com tudo o que deveríamos ter direito. E nunca estranhava ir para a casa dos meus avós maternos, onde passávamos parte das férias, dormir por exemplo num colchão cheio de folhas secas de milho. Até gostava de saltar em cima dele e ver como ficava deformado... Embora já tivéssemos electricidade (nunca me lembro da casa dos meus avós sem luz eléctrica... fomos mesmo dos primeiros de Salir de Matos a ter a instalação eléctrica, graças ao meu tio electricista), visitava algumas casas que apenas eram iluminadas a candeeiro de petróleo, daqueles de vidro, e a candeias de azeite.
Consigo ver todos à volta da mesa, na casa dos Antunes, a jantarem, com os rostos cheios de sombras do reflexo do candeeiro. Na altura achava aquilo exótico...
E sem luz não existiam frigoríficos, haviam sim as arcas de salmoura, onde se conservava a carne com sal grosso. Até o peixe era salgado (detestava os carapaus salgados, que só via pendurados na cozinha da avó)...
Foi Abril que trouxe a electricidade a quase todas as aldeias do país, assim como estradas, mais ou menos decentes.
Pensar que há por aí, quem queira o regresso de "Salazar".
A ignorância sempre foi e será, muito atrevida...

domingo, janeiro 31, 2010

Um Republicano na Terra da Rainha

Rafael Bordalo Pinheiro nunca escondeu a sua simpatia pela República.

Embora partisse antes da sua implantação, foi uma figura especial que desde cedo pugnou pelos valores republicanos.
Não deixa de ser curioso que tenha vindo revolucionar a cerâmica da "Terra da Rainha", as nossas Caldas, com a sua arte que continua a perdurar e a merecer cada vez mais atenção e respeito.
Esta gravura foi retirada do álbum, "Bordalo, a Rolha".

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Era Aqui...

Foi aqui, neste lugar, que existiu um hospital (de Santo Isidoro), que depois de muitos anos de abandono, foi recuperado e faz agora parte da ESAD (Escola Superior de Arte e Design).

Na minha infância corria o boato que trocavam por lá os bebés.
Não foi só por isso que fui nascer a Salir de Matos, à casa dos meus avós maternos, no mesmo quarto onde nasceu a minha mãe, os meus tios e o meu irmão, mas...

sábado, janeiro 16, 2010

O Mar Quer a Minha Praia

O mar quer ficar com a minha praia só para ele.

Olho-o de frente e sinto que não é por egoísmo, é sim para nos dar uma lição. O mar já tinha deixado alguns avisos, de que estamos a abusar da sua bondade há tempo demais.
Não sei se os avisos foram ouvidos por quem de direito. Provavelmente, os responsáveis dos Municípios de Caldas e Óbidos, assim como os senhores engenheiros do INAG, vão continuar a fingir que estão a resolver o problema, com as mãos nos bolsos e com algumas desculpas ensaiadas, que culminam sempre com a sua "fragilidade humana", de não conseguirem lutar contra a "violência" do mar...
Mas dói, dói ver esta gente no habitual deixa andar, ignorando as potencialidades da Lagoa de Óbidos e da praia da Foz do Arelho. É assim há mais de trinta anos...

Talvez um dia destes acordem mesmo sem praia, sem terem espaço para colocar as colunas de som, com que tentam falar mais alto que o mar, ou para montarem palcos no areal para os espectáculos nocturnos de Verão...

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Quando Deixamos as Janelas Fechadas...

Quando nos distraímos e deixamos de aparecer nos sítios, de abrir as janelas, a natureza encarrega-se de nos oferecer algumas surpresas.
Foi por isso que vim aqui às "Viagens", abrir as janelas, abrir a porta, sem me importar com a humidade ou os pingos de água que vão caindo, neste Inverno, que além de ter virado do avesso algum Oeste, também já conseguiu encher o maior lago da Europa (algo impossível, para os profetas da desgraça...), lá para Além do Tejo.
Vamos ver se retomo o ritmo, pelo menos semanal, de passar por aqui, para deixar um olá.

terça-feira, dezembro 29, 2009

Mau Tempo no Oeste

O Oeste - especialmente os concelhos de Torres Vedras e Lourinhã - foi fustigado pelo mau tempo na época natalícia, com um turbilhão de vendavais, que destruíram plantações, arrancaram telhados, provocaram inundações, deitaram abaixo árvores e postes de electricidade, de baixa, média e alta tensão, etc.

Estes últimos acabaram por ser os que mais falta fizeram às populações locais, que foram forçadas a recuar quarenta e cinquenta anos e a passarem o Natal à luz da vela e com os velhos candeeiros a petróleo.

À distância, pode parecer poético e nostálgico, passar o Natal desta forma, de volta às lareiras e às conversas em família, sem a habitual interrupção da televisão. Mas deve ter sido tão estranho, passar vários dias sem a companhia dos novos meios de comunicação (sim, a "net" também) e sem poder desfrutar das iluminações de Natal e do conforto da modernidade...

O que é certo, é que às vezes fazem bem alguns "apagões", para desenferrujar a língua e abrir uns sorrisos esquecidos, aqui e ali...

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Um Poema do Poeta-Mor do Oeste


Nada melhor para comemorar esta quadra festiva, que um poema de Manuel Alegre, poeta-mor do Oeste.
Boas Festas para Todos.

NATAL

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.
Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

O Palacete da Família Pinto Basto

A vila das Gaeiras, do concelho de Óbidos, encerra vários espaços únicos.
Um deles, é o Palacete da família Pinto Basto.
Palacete que só conheço do exterior.
Imagino a sua beleza interior...

sábado, dezembro 19, 2009

Luiz Pacheco e as Caldas


Por José do Carmo Francisco

«1 Homem dividido vale por 2» - Luiz Pacheco

Trata-se de um livro duplo: além do material respeitante a Luiz Pacheco (o autor) as suas 378 páginas integram a bibliografia completa de Pacheco (o editor). Entre outros a Contraponto de Luiz Pacheco editou Apollinaire, Raul Brandão, Alfonso Castelao, Camilo Castelo Branco, Mário Cesariny de Vasconcelos, Natália Correia, Dostoiewski, Hélia Correia, Manuel Grangeio Crespo, Durrenmatt, António Ferreira, Garrett, Vergílio Ferreira, Carlo Goldoni, Herberto Hélder, Ibsen, Ionesco, Karl Jaspers, Kleist, Manuel Laranjeira, Raul Leal, Manuel de Lima, António Maria Lisboa, António Tavares Manaças, José Alberto Marques e Virgílio Martinho.
No que diz respeito a Pacheco (personagem) o outro lado do livro refere uma curiosa ligação afectiva a Caldas da Rainha: «Não me julguem que chegado a esta terra como náufrago ou foragido (e alguns sabem-no) sou aqui um tipo género pára-quedista. Por acaso, sou muito mais Caldense que muitos que por cá nasceram ou vivem – e isto bastantes o sabem já. Um dia espero contar como cheguei, quem já conhecia; quem já não vim encontrar e me fez deambular, meio-sonâmbulo, ensimesmado, pelas áleas do cemitério: a Dona Eugénia Soeiro de Brito, o Pai Freitas, o dono (como se chamava? Tiago?) do Gato Preto; o Jaime Arsénio de Oliveira e outros fantasmas mais. E aqueles que vim a conhecer, me deram a mão, ficaram Amigos ou malquistos e enchiam esta página. As minhas memórias de caldense adoptivo dariam um rico volume, se o chegar a escrever. E se não sair em letras está-me escrito na pele.»
(Editora: D. Quixote – Biblioteca Nacional, Comissário: Luís Gomes)

quinta-feira, dezembro 17, 2009

O Café Bocage

O Café Bocage agora é cafetaria.
São sinais dos tempos, mas pelo menos resiste, no alto na Praça da República, a sempre popular Praça da Fruta das Caldas...
Sempre achei curioso este café, não sei se pelo nome, nesse tempo mais associado ao "herói" das anedotas (sim, herói, era um vencedor, ludibriava tudo e todos, inclusive franceses, alemães e americanos, os cromos mais difíceis de se deixarem levar...) que ao poeta das palavras proibidas.
Quando somos jovens, não paramos muito em cafés, gostamos mais da rua.
É por isso que todas as "tertúlias" de café caldenses, não fazem parte do meu imaginário...

terça-feira, dezembro 08, 2009

Quase Jardim Interior

Estava a ver algumas fotografias quando parei nesta, que tirei na última vez que visitei Salir de Matos, ainda na Primavera.

A fotografia não ficou muito boa porque foi tirada do muro, porque todo aquele espaço pertence agora à paróquia local e não quis passar por "invasor"...
É uma parte do pátio da casa dos meus avós maternos e aquele telheiro interior foi sempre um lugar especial para nós. Permitia-nos brincar em pleno Inverno, ao som da chuva que caia ali mesmo ao lado.
Como o chão era de areia, podíamos fazer buracos (sem exageros, claro...) e construir estradas para os nossoa carrinhos, ou jogar ao berlinde...
Claro que muitas vezes acabávamos por inventar outras brincadeiras, com a água da chuva, acabando por nos molhar e ouvir a avó...
Ainda hoje sinto que havia algo de "mágico" naquele lugar, aberto, mas protegido do rigores do Inverno e do Verão...

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Quase pausa nas "Viagens"...

Tenho escrito cada vez menos por aqui.

Não há grandes explicações. Digo eu.
Embora este 2009 tenha sido o ano que fui menos vezes às Caldas.
Mas se me esforçar, sempre encontro várias razões. Além de ter tido menos disponibilidade de tempo (sem esquecer os custos de uma viagem de carro, de ida e volta, sozinho às Caldas... gasolina e portagens é coisa para se aproximar dos 40 euros, um luxo nos dias que correm...),também tive menos motivos para aparecer...
Por outro lado, como cá em casa não morrem de amores pelo Oeste, também me vou rendendo.
Mas acho que em 2010 vou voltar mais vezes, apenas porque sim...
Esta fotografia primaveril de S. Martinho do Porto, serviu para provar que nem sempre por aqueles lados, "o diabo anda à solta", espalhando aquela areia fina (que detesto) por todo o lado, como se estivéssemos no deserto do Sahara...