Embora goste da discrição e da quase invisibilidade que as cidades nos proporcionam, não deixo de me deliciar com a afabilidade das aldeias. Algo que felizmente ainda existe na zona onde vivo (já não há bairros, agora são ruas, praças, freguesias...), num espaço de casas mais modestas, onde troco sempre cumprimentos com os moradores, que estão invariavelmente na rua, ou à porta, a estender a roupa ou a fazer outra coisa qualquer...
É algo que acontece há anos, porque só por passarmos por um lugar, todos os dias, criamos alguma familiaridade com as pessoas que estão quase sempre por ali. Às vezes esta troca de cumprimentos até começa por causa dos animais. Acho que foi mesmo assim que começou, por causa de um cão que ladrava mas felizmente não mordia, embora gostasse de se aproximar quase no limite das minhas calças.
As pessoas descansavam-me, diziam que ele não mordia. Claro que não me fiava totalmente nelas, com o aproximar da "fera".
E foi assim que começou a ladainha diária do bom dia e boa tarde, olhos nos olhos, às vezes com mais uma ou outra palavra.
O curioso é que esta "posta" começou com a minha resposta a um comentário da Gaivota...
O óleo é de Jorge Frasca.


























