O 15 de Agosto sempre foi um dia grande nas Caldas da Rainha, com muitos visitantes, que não queriam perder a feira anual.
A feira nesse tempo era uma "instituição" admirável, especialmente quando ocupava o coração da Mata da Rainha, num tempo quase sem lojas de bijutarias e brinquedos.
Tudo aquilo ainda me parece enorme, visto com os pequenos olhos de criança, capaz de se deslumbrar por tudo e por nada.
Uma boa parte das diversões e o circo ocupavam o pelado do campo de futebol do Caldas. Parece que ainda estou a ver os heróis do "Poço da Morte", com as suas motas, que só quando cresci mais um palmo, pude ver ao vivo e espantar-me com uma das suas "avarias": conduzir com os olhos vendados...
Nesta época alguns tios aproveitavam para nos visitar e enchiam-nos a casa, do Bairro dos Arneiros.
Outro atractivo deste dia era a imponente tourada na velha praça da Cidade. O avô, velho aficionado, raramente a perdia. Foi a seu lado que vi pela primeira vez Ricardo Chibanga tourear de joelhos e depois ficar à frente do touro, ainda de joelhos na areia mas com os braços abertos, como se estivessemos a assistir a um número de ilusionismo e não de toureio apeado, pois o animal nem se mexia.
Com o passar dos anos o 15 de Agosto perdeu fulgor, a feira andou por vários sítios. Mas sobretudo cresci e deixei escapar quase todos os toques de magia, que nos povoam o imaginário infantil...
O óleo é de Kandinsky.




































