Nas cidades a vida é mais pequena que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. (Alberto Caeiro)
domingo, setembro 25, 2011
sexta-feira, setembro 23, 2011
Arte de Rua com Bom Gosto
Há vários dias que não passo aqui pelas "Viagens", por falta de tempo e também de inspiração. Por isso vou socorrer-me da beleza das imagens...
A última vez que estive nas Caldas foi durante o fim de semana do 15 de Agosto, e como de costume, aproveitei para tirar várias fotografias da cidade.
Uma das que me chamou a atenção pela positiva foi este "grafite", encomendado de certeza pelo dono da ourivesaria, e não o achei nada mal...
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domingo, setembro 11, 2011
A Cidade da Liberdade
Não sei porquê, mas sempre olhei para Nova Iorque como a cidade do mundo que melhor simbolizava a Liberdade.
E não tinha nada a ver com a sua estátua...
Ainda hoje, continua a ser o lugar que quero um dia visitar nas américas, mais até que o Rio de Janeiro.
Mesmo sabendo que nada voltou a ser como antes...
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quarta-feira, agosto 24, 2011
As Cores e os Cheiros da Praça da Fruta
Durante o fim de semana do 15 de Agosto senti a habitual visita à Praça da Fruta das Caldas da Rainha de uma forma diferente.
Consegui tirar muitas fotografias e mesmo assim escutar a forma simpática como os vendedores (a maior parte com a idade da sabedoria...) procuravam vender a sua mercadoria, a preços que achei bastante convidativos.
Lembrei-me do meu avô Manuel Joaquim... um "super-campeão" de vendas, que chegava a casa sem sobras e a horas decentes para almoçar, para espanto da avó.
Gostei de andar por ali, misturado com as cores e com os cheiros, sempre agradáveis da fruta, dos legumes e das flores.
Até consegui esquecer por momentos a "crise"...
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quinta-feira, agosto 18, 2011
O Jardim do Oriente de Bombarral
Em boa altura Joe Berardo decidiu transformar a Quinta dos Lóridos num jardim do Oriente, repleto de estátuas que retratam um pouco a Cultura Chinesa (e arredores), tornando todo aquele espaço num lugar extremamente agradável para ser visitado.
Ao decidirmos visitar o espaço no domingo passado, estávamos longe de pensar encontrar por ali milhares de turistas. Agosto é mesmo assim...
Apesar das entradas serem gratuitas, o que se saúda, há uma loja de vinhos, por onde todos temos de passar quando saímos, assim como um "comboio" pago (que leva os visitantes de visita ao Jardim), que minimizam as despesas do empresário português.
Embora possam dizer que estou a exigir demais, acho que devia ser distribuído às pessoas um pequeno folheto explicativo sobre a origem do Jardim naquele lugar e o seu simbolismo...
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segunda-feira, agosto 15, 2011
A Tourada desta Ano
A Maria comentou que a Tourada de 15 de Agosto das Caldas já tinha os bilhetes esgotados.
Achei curioso o programa das festas afixado nas ruas da cidade. O Vitor Mendes (que em Espanha no seus bons tempos era "vendido" como Mendez...) regressa mais uma vez ao palco tauromático, e há uma ressalva que os bilhetes são vendidos a partir de 10 euros (espero que o tempo das "vacas magras" não se reflicta nos touros em lide, de Coimbra).
E não deixa de ser uma boa ideia a homenagem a Manuel dos Santos, um nome grande do toureio apeado, que ombreou com os melhores do mundo, no tempo dos grandes matadores espanhóis, imortalizados por Hemingway.
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sábado, agosto 13, 2011
O Meu 15 de Agosto
O 15 de Agosto sempre foi um dia grande nas Caldas da Rainha, com muitos visitantes, que não queriam perder a feira anual.
A feira nesse tempo era uma "instituição" admirável, especialmente quando ocupava o coração da Mata da Rainha, num tempo quase sem lojas de bijutarias e brinquedos.
Tudo aquilo ainda me parece enorme, visto com os pequenos olhos de criança, capaz de se deslumbrar por tudo e por nada.
Uma boa parte das diversões e o circo ocupavam o pelado do campo de futebol do Caldas. Parece que ainda estou a ver os heróis do "Poço da Morte", com as suas motas, que só quando cresci mais um palmo, pude ver ao vivo e espantar-me com uma das suas "avarias": conduzir com os olhos vendados...
Nesta época alguns tios aproveitavam para nos visitar e enchiam-nos a casa, do Bairro dos Arneiros.
Outro atractivo deste dia era a imponente tourada na velha praça da Cidade. O avô, velho aficionado, raramente a perdia. Foi a seu lado que vi pela primeira vez Ricardo Chibanga tourear de joelhos e depois ficar à frente do touro, ainda de joelhos na areia mas com os braços abertos, como se estivessemos a assistir a um número de ilusionismo e não de toureio apeado, pois o animal nem se mexia.
Com o passar dos anos o 15 de Agosto perdeu fulgor, a feira andou por vários sítios. Mas sobretudo cresci e deixei escapar quase todos os toques de magia, que nos povoam o imaginário infantil...
O óleo é de Kandinsky.
terça-feira, agosto 09, 2011
A Ópera já não é só das Classes Dominantes (felizmente)
A ópera é um espectáculo muito apelativo, e até popular, mesmo que sempre tenha sido vendido ao longo dos tempos, de uma forma praticamente exclusiva, à nobreza e alta burguesia, e posteriormente aos senhores que se seguiram, que mesmo sem títulos, não deixaram (nem deixam...) de fazer vida de marqueses, condes ou barões, mesmo os que se disfarçam de democratas e nos pedem sacrifícios.
O meu pai apesar das suas origens populares gostava de ópera, como provavelmente muita gente da sua geração, mesmo que estivessem privados de entrar no "São Carlos" e afins.
Como gostava bastante da cultura espanhola, se estivesse cá, o "Barbeiro de Sevilha" era uma peça a rever, já que também vai passar pelo C.C.C. das Caldas, no dia 9 de Outubro.
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segunda-feira, agosto 01, 2011
A Solidariedade não é Suficiente
Fiquei surpreendido quando ontem à noite coloquei os olhos pelos jornais que estavam na caixa do correio e descobri na "Gazeta das Caldas" que a "Livraria 107" corria o risco de fechar, devido à crise que promete continuar a fazer "miséria" pelo nosso país, nos próximos anos.
Fiquei triste pela notícia, pela Isabel e pelo serviço que esta "instituição" tem prestado às Caldas da Rainha.
Claro que tristezas não pagam dívidas, muito menos a solidariedade das palavras. O importante é percebermos que para que a "107" continue de portas abertas, é preciso comprarmos livros nesta livraria que é familiar, mesmo para quem lá entra pela primeira vez, graças às pessoas que estão no balcão, que entre outras coisas, gostam muito de livros.
Apenas posso prometer que quando for às Caldas, não me vou esquecer de passar por lá e trazer um ou dois livros. E dizer a quem passa por aqui e gosta de livros, para não se esquecer de passar pela livraria mais central e mais bonita das Caldas e trazer também um livro. Parece pouco, mas ajudará, de certeza.
O desenho é do Zé Rui.
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sexta-feira, julho 15, 2011
quinta-feira, julho 14, 2011
O Tempo Dá e Tira
Não sabia como explicar as diabruras do tempo à minha filhota, foi por isso que me lembrei que o meu irmão tocava viola desde a adolescência e provavelmente nunca mais dedilhou as cordas de qualquer instrumento de cordas...
O tempo vai nos afastando de coisas que gostamos de fazer e que passado tempo parece que perdemos o jeito e fingimo-nos esquecidos.
O óleo é de Eric G, Thompson.
segunda-feira, julho 11, 2011
sábado, julho 09, 2011
"Desmontar" a Rua Onde Cresci...
Uma das coisas que nos faz mais confusão, quando confrontamos as nossas memórias de infância com a actualidade, é a forma como tudo "encolheu". As casas, as ruas, os campos e os quintais, tornaram-se quase insignificantes...
Quando um dia destes voltei a passar pela rua onde cresci (só não nasci porque quando devia estar quase na hora fui para Salir de Matos, para ser assistido na casa da avó pela parteira da família...), voltei a estranhar tudo aquilo.
Nos anos sessenta a estrada ainda era de areia barrenta, tornando-se num autêntico lamaçal quando chovia. Próximo dos anos setenta chegou o alcatrão, mas continuava a ser uma rua "limpa" de carros (um luxo nesses tempos...), onde era comum jogarmos à bola e brincarmos à apanhada ou às escondidas...
Na época nunca questionei o seu nome, rua 26 (todas as ruas tinham um número...). Deve ter sido a forma mais fácil de organizar as artérias do Bairro dos Arneiros, que começou por ser clandestino (como quase todos...). Mas gosto muito mais de um nome. Agora é rua do Compromisso. A Maria da Ilha já deixou por aqui um comentário, em que fala do "compromisso" de D. Leonor (penso que é isso, ainda não me debrucei sobre esta parte da história das Caldas).
Hoje a rua é assim. À vista, parece que tem mais carros que pessoas, como quase todas as ruas...
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domingo, julho 03, 2011
O Abandono...
Não sei porquê, sei apenas que está completamente abandonado o campo de futebol no final do Bairro dos Arneiros e era (penso que ainda deve ser...) do Futebol Clube das Caldas, a 31ª filial dos "Dragões".
Pensar que esfolei por lá os joelhos e dei cabo de algumas sapatilhas...
O mais curioso foi esta colectividade caldense não ter aproveitado o crescimento do F.C. Porto como grande potência nacional e até mundial.
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quinta-feira, junho 23, 2011
O Sétimo Jogador
Ouvia-o falar e recordava uma história parecida, mas com contornos diferentes.
Ele era o imprescindível, ao contrário de mim, que poderia ser substituído por qualquer outro, com o mesmo êxito.
E isso não aconteceu apenas no futebol, também se passou no voleibol, no basquetebol e no andebol. Não passava de um jogador mediano, que normalmente fechava as equipas.
Explicações? A amizade, mas também a minha entrega. Acho que todos sabiam que se fosse preciso corria mais que eles, porque além de forte fisicamente, era extremamente generoso e solidário para com as equipas onde jogava.
Foi assim, como "sétimo jogador" que ganhei vários torneios populares de futebol de sete, para miúdos entre os doze e os catorze anos, com amigos que ainda prezo, mesmo que não os encontre há mais de duas décadas (e alguns casos três...).
O guarda-redes das equipas era sempre o Xico Madeira, franzino e pequenino, mas capaz de fazer defesas "impossíveis", tal como o seu irmão Jorge, um pouco mais velho. Depois jogavam o Zé da Silva, o Xico "Gago", o Paulo Gaspar, o Rui Pedro, o Nuno, o António Carlos (apenas uma ou duas vezes, o seu individualismo não se enquadrava muito no nosso sentido colectivo, por isso é que era conhecido pela malta como o "caga-manias"...) e mais um outro amigo que agora não recordo. Eu normalmente fechava a equipa (quase nunca existiam suplentes...).
O mais giro disto tudo foi um "craque" de qualquer rua, me ter recordado que não passava do "sétimo jogador"...
terça-feira, junho 21, 2011
segunda-feira, junho 13, 2011
Barco que Partes

Navio que partes para longe,
Por que é que, ao contrário dos outros,
Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?
Porque quando te não vejo, deixaste de existir.
E se se tem saudades do que não existe,
Sinto-a em relação a cousa nenhuma;
Não é do navio, é de nós, que sentimos saudade.
Alberto Caeiro
Por que é que, ao contrário dos outros,
Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?
Porque quando te não vejo, deixaste de existir.
E se se tem saudades do que não existe,
Sinto-a em relação a cousa nenhuma;
Não é do navio, é de nós, que sentimos saudade.
Alberto Caeiro
O óleo é de Luiza Caetano
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quarta-feira, junho 01, 2011
Dias de Criança
Olho para trás e sinto-me um privilegiado.
Ao contrário dos meus pais e avós, fui criança em toda a sua plenitude.
A minha infância teve muita diversão e descoberta, além duma vivência cheia de variedades.
Vivia na cidade, passava temporadas no campo, na casa dos meus avós, fazia praia no mar do Oeste (acho que o iodo era o grande culpado...).
Tinha menos brinquedos que os meus filhos mas era muito mais livre (e porque não feliz?). As ruas eram minhas e dos meus amigos, assim como os campos...
O óleo é de Le Longyao.
sábado, maio 21, 2011
Gila Leva o Caldas à Segunda
Como caldense (embora afastado...) fiquei bastante feliz com as subidas do Caldas e do S.C. Caldas, à segunda divisão bê de futebol e à primeira divisão de voleibol.
Claro que a subida do Caldas tem um sentimento especial, não tivesse eu também jogado nas suas camadas jovens.
E fiquei ainda mais feliz por a equipa subir tendo o Gila como treinador, o mesmo que quase foi "escorraçado" do clube, depois de estar meses e meses sem receber ordenado, tal como os atletas, quando a equipa desceu à terceira (se há coisa que não tenho é a memória curta). Mesmo à distância pude ver os "ratos a saltarem todos do porão", deixando o Caldas quase falido.
Alguns destes "ratos" tinham responsabilidades acrescidas por ser governantes da cidade, mas o famoso "saco azul" de Felgueiras assustou todos os autarcas de Norte a Sul que financiavam o futebol, do qual estavam habituados a retirar dividendos políticos...
Parabéns ao Caldas, aos seus dirigentes, sérios e competentes, ao seu excelente treinador, e claro aos jogadores, pois são eles que vencem os jogos dentro das quatro linhas.
A fotografia é de um Caldas-Sporting, nos seus bons tempos da primeira divisão, no Campo da Mata, cheio de espectadores...
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segunda-feira, maio 16, 2011
A Casa-Museu
Nas últimas vezes que visitei a casa dos avós, pelo seu espaço, pensei que poderia muito bem ser transformada em museu.
Idealismos, sonhos e tontices. Claro que não havia (nem há...) qualquer espaço museológico na aldeia, mas mesmo assim, o que se iria expor, seria um museu de quê?
A minha ideia maluca era ser um museu de tudo. Etnográfico, antropológico, artístico, etc. Ser uma casa aberta a todas as artes e ideias.
Nunca falei nisto a ninguém. E até tinha um nome bem aldeão: "Casa Manuel Joaquim".
Claro que não tinha dinheiro para me meter numa "empreitada" destas.
Foi mais uma daquelas ideias malucas que se intrometem no meio dos sonhos...
O óleo é de Kenny Harris.
sábado, maio 14, 2011
Que Seja um Bom Dia Comercial
Hoje as montras das Caldas ganham vida.
Que seja um dia de muitas vendas, sorrisos e que as pessoas deixem transparecer no rosto a vontade de voltar...
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domingo, maio 08, 2011
O Oeste e a Temática
Sei que tenho deixado quase em "pousio" as Viagens Pelo Oeste, e também sei porque razão isso acontece.
Os blogues temáticos são mais dados à "fenitude" e à falta de assunto.
Como actualmente estou numa fase mais desligada do Oeste (a minha cabeça está mais ocupada com outras latitudes...), tem sido mais difícil "postar"...
Claro que isto não é um fim, é apenas uma explicação. A mesa está assim, apenas porque ainda não chegaram os convidados...
O óleo é de Dino Boshi.
segunda-feira, abril 25, 2011
quinta-feira, abril 21, 2011
A Janela, o Gato e as Flores
Ela continuou a ter vasos com flores, um gato para não se limitar a falar com as paredes, e claro, a janela, para espreitar o mundo...
Era uma janela parecida com esta, pintada por António Capel.
Era uma janela parecida com esta, pintada por António Capel.
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quarta-feira, abril 06, 2011
Os "The Gift"
Gosto bastante dos "The Gift", pela sua grande qualidade musical.
Considero-os a banda portuguesa com mais capacidade de triunfar pelo mundo fora.
Gostei muto das cores que usaram na promoção do seu trabalho mais recente.
Mas mais palavras para quê? São uma banda do Oeste e está tudo dito.
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quarta-feira, março 23, 2011
O Xico "Gago"
Vinha para casa, depois de deixar o meu filho quase à porta da escola quando ultrapassei um pai e um filho pequenote (cinco, seis anos). Vinham os dois a conversar e percebi que o menino gaguejava, algo que não interferia em nada na conversa dos dois.
Calculei que o mesmo não se passaria na escola, como é normal, não fossem as crianças umas "pestes" no uso que fazem destas e doutras fragilidades...
Foi então que me lembrei do meu amigo Xico "Gago" (que não encontro há mais de vinte anos...). Foi meu colega na escola primária e também fez parte da primeira equipa de iniciados do Caldas Sport Clube (e de outras tantas dos torneios populares). Era o armador de jogo da equipa e uma das peças fundamentais do onze do mister Santana...
O Xico tinha a particularidade de gaguejar a falar. Acho que só se esquecia deste pormenor quando dizia palavrões e quando brincávamos distraídos no recreio. Embora já não me lembre muito bem, penso que era corrigido muitas vezes pela nossa professora (que era uma querida, diga-se, pelo menos para a época, em que a "régua" reinava...) e ainda ficava mais atrapalhado, provocando a risota colectiva. O que também deve acontecer com este pequenote, porque as coisas não mudaram assim tanto, pelo menos no uso que se faz das fragilidades involuntárias que todos transportamos pela vida fora...
Na fotografia, "Os Putos", de João Martins.
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sábado, março 19, 2011
A Dança das Feridas
Se para dançar o tango convenientemente são precisos dois, felizmente para escrever poesia da boa, basta uma só pessoa."Dança das Feridas", da autoria de Henrique Manuel Bento Fialho, um poeta grande do Oeste (até no nome), é um livro especial, cheio de encontros, dedicatórias, pedidos, e claro, muita criatividade e inspiração.
No "baile" poético de Henrique é feita uma escolha criteriosa nos pares que vão surgindo, página a página, gente grande das várias culturas do mundo.
O baile começa com um convite:
«Se eu soubesse dançar/ convidava-te para um tango,/ guiava-te nos labirintos do coração./ Voarias sobre os campos/ como num deslumbramento/ seríamos uma ameaça/ à estabilidade nacional [...]»
Mas há sempre excelentes motivos de leitura ao longo das cem páginas, com quase sete dezenas de poemas, como quando "Ian Curtis (dança com) a Annik Honoré":
[...] «Andamos sempre à procura/ de uma noite que não tem dias/ de uma noite sem sinais/ candeeiros que reflictam/ a agitação dos mosquitos à queima-roupa [..]»
Até as dimensões deste livro são giras e diferentes, tal como a capa de Maria João Lopes Fernandes.
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quarta-feira, março 16, 2011
As Caldas e o 16 de Março
Não sei como se comemorou este dia, hoje nas Caldas da Rainha.
Espero que bem, de uma forma descontraída e feliz, sem esquecer os homens que saíram do quartel antes de tempo, à procura da Revolução, que afinal sempre estava por dias, para bem de todos nós...
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terça-feira, março 08, 2011
Caldas da Rainha é uma Mulher
A identidade sexual está presente em praticamente tudo aquilo que nos rodeia, até mesmo nas pequeninas coisas. Não é por isso de estranhar que os lugares onde vivemos ou nascemos, também possuam uma carga masculina ou feminina, quase sempre evidente.
A cidade onde cresci e aprendi a ser gente, é sem sombra de dúvida uma mulher. A sua beleza e simplicidade não deixam ninguém indiferente, até os mais distraídos nos jogos de "amor", se rendem ao seu encanto.
Se tivesse que lhe dar formas, Caldas da Rainha seria, sem sombra de dúvida, uma mulher elegante, de cabelos longos e olhar penetrante. Um olhar quase multicolor, castanho com os tons suaves do azul e do verde, dos campos e do mar.
Caldas da Rainha é um daqueles casos que raramente escapam a um amor à primeira vista.
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sexta-feira, março 04, 2011
O Bom dos Pequenos Lugares
Embora goste da discrição e da quase invisibilidade que as cidades nos proporcionam, não deixo de me deliciar com a afabilidade das aldeias. Algo que felizmente ainda existe na zona onde vivo (já não há bairros, agora são ruas, praças, freguesias...), num espaço de casas mais modestas, onde troco sempre cumprimentos com os moradores, que estão invariavelmente na rua, ou à porta, a estender a roupa ou a fazer outra coisa qualquer...
É algo que acontece há anos, porque só por passarmos por um lugar, todos os dias, criamos alguma familiaridade com as pessoas que estão quase sempre por ali. Às vezes esta troca de cumprimentos até começa por causa dos animais. Acho que foi mesmo assim que começou, por causa de um cão que ladrava mas felizmente não mordia, embora gostasse de se aproximar quase no limite das minhas calças.
As pessoas descansavam-me, diziam que ele não mordia. Claro que não me fiava totalmente nelas, com o aproximar da "fera".
E foi assim que começou a ladainha diária do bom dia e boa tarde, olhos nos olhos, às vezes com mais uma ou outra palavra.
O curioso é que esta "posta" começou com a minha resposta a um comentário da Gaivota...
O óleo é de Jorge Frasca.
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domingo, fevereiro 27, 2011
Parabéns Isabel!
Ao passar pelas "Águas Mornas" do Zé Ventura, fiquei a saber que a nossa Isabel Castanheira tinha sido premiada nas "Correntes D'Escritas", da Póvoa do Varzim, com o "Prémio Especial Livreiro".
É um prémio mais que merecido por alguém que não se preocupa apenas em vender livros, procura divulgar e partilhar a literatura, através da sua ligação especial aos livros e aos autores, numa cidade onde a Cultura continua a não para todos.
Parabéns Isabel!
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Os Nomes de Guerra do Futebol de Rua
Acho que já escrevi sobre isto, provavelmente aqui, nas "Viagens", sobre os "nomes de guerra", pescados pela miudagem no universo futebolístico.
Enquanto lia o jornal, sentado nas bancadas do polidesportivo, fingia estar distante do jogo entre alguns miúdos, mas era impossível ficar indiferente quando o "Messi" não passava a bola ao "Xavi" ou ao "Drogba" e estes chamavam-lhe nomes mais feios. Também o seu guarda-redes, "Casillas", ouvia das boas, quando facilitava a tarefa ao "Cristiano Ronaldo", da equipa adversária, ou ao "Di Maria" (curiosamente também era o rapazola mais fininho da trupe...).
Não ouvi um único nome do campeonato português por ali, eram quase todos craques importados do campeonato espanhol, do "Barça" e do "Real".
Nos meus tempos de jogador de futebol de rua, a maior parte dos nomes que "roubávamos" eram do nosso campeonato. a excepção seria um "Cruyff" ou um "Neskens", da Holanda, ou então alguns alemães do Bayer de Munique como o Mayer, o "Breitner" o "Muller", e outros tantos, com nomes mais estranhos.
Estávamos no começo da década de setenta e o Ajax e o Bayer eram das melhores equipas da Europa e do Mundo...
Lembro-me mesmo de existir um "Mini-Ajax" que costumava ganhar os torneios populares (a par do Mini-Benfica, onde também joguei...).
Qualquer espaço pode ser lugar de memórias, até uma bancada simples de cimento...
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quarta-feira, fevereiro 16, 2011
As Ligações Familiares Sempre Presentes
Há quem não goste da excessiva familiaridade das aldeias ou dos bairros pequenos, onde toda a gente se conhece, ou pelo menos faz por isso. Eu sempre achei este aspecto divertido e curioso.
Provavelmente isso acontece por ter sido sempre um "turista", alguém que chega de fora ou está de passagem na aldeia.
Só durante a infância é que passei mais tempo em Salir de Matos, durante uma boa parte das férias grandes. A partir da adolescência, as visitas passaram a ser mais espaçadas e eu passei a ser alvo do olhar dos aldeões de todas as idades. Ouvia-os a tentarem colocar-me em qualquer família (nas aldeias não se sussurra em silêncio...) , até acertarem. Sorria quase sempre para dentro e fingia que não percebia, sem fornecer qualquer pista...
Além destes "reconhecimentos" de rua, existem ainda as não menos curiosas conversas de café, onde também é possível ganharmos um ou outro familiar, mesmo que afastado, quando menos esperamos.
Algumas pessoas praticamente analfabetas demonstram-nos o quanto é importante a memória visual e oral. São capazes de construir verdadeiras árvores genealógicas, durante mais de um século, sem precisarem de um papel ou de uma caneta.
Eu adoro estas viagens, gosto sempre de conhecer mais coisas dos meus bisavós e de outros parentes afastados.
O óleo é de François Barraud.
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domingo, fevereiro 13, 2011
O Rigoletto de Verdi
A Orquestra e Ópera Nacional da Moldávia, vai estar hoje nas Caldas, no CCC, com o "Rigoletto" de Verdi.
Gosto muito do palhaço do cartaz. Só depois de o apreciar é que vi que as Caldas da Rainha também era contemplada com a digressão.
Espero que este espectáculo seja bem acolhido na minha Terra Natal.
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quarta-feira, fevereiro 09, 2011
Arte nas Caldas
Já tenho pensado várias vezes quer nasci tarde demais.
Queria ter pelo menos uns dezasseis anos quando se deu a Revolução de Abril. O mais curioso é que essa idade também me dava jeito em 1977, para assistir aos "IV Encontros Internacionais de Arte", que se realizaram nas Caldas da Rainha.
Nessa altura tinha apenas catorze anos e não me ficou qualquer registo do acontecimento.
Ao ler a "Colóquio Artes" de Outubro de 1977, fiquei pasmo com as palavras de Eurico Gonçalves, que escreveu a reportagem sobre o acontecimento com centenas de artistas nacionais e estrangeiros: [...]«Estes encontros visam, através de uma convivência necessária entre os artistas e as populações locais, uma confrontação de atitudes, ideias e opiniões, a sensibilização à linguagem dita artística»[...].
Parece que a mensagem não foi muito bem compreendida pelos caldenses, pois na reportagem ainda se pode ler: [...]«O Grupo Acre, constituído pela escultura Clara Menéres e pelo pintor Lima de Carvalho, depois de muitas horas de trabalho não remunerado, viu destruída à picareta uma escultura que quis erguer no Mercado do Peixe, em alusão ao 16 de Março de 1974, data em que um movimento militar das Caldas tentou fazer o que só foi possível um mês depois, em 25 de Abril do mesmo ano, o derrube do regime fascista em Portugal. Volvidos três anos e meio, a reacção ainda lá está e não só não permitiu tal tipo de evocação, como perseguiu à paulada alguns artistas participantes nestes Encontros e destruiu muitos objectos e símbolos de uma intensa actividade desenvolvida durante doze dias, evidenciando total desrespeito pelo trabalho não remunerado dos artistas»[...].
Não fazia ideia da coisa, nem desta "reacção", completamente conservadora, para não lhe chamar outro nome...
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domingo, janeiro 30, 2011
Do Mondego para o Oeste
As populações que continuam à espera do "metro", lá para os lados do Mondego, são hoje as vitimas mais mediáticas da destruição das "estradas de ferro", que no século XIX, nos tempos da governação de Fontes Pereira de Melo (o António Maria do meu querido Bordalo...), aproximaram e desenvolveram o país, de uma forma completamente revolucionária.
Infelizmente há mais histórias miseráveis, de abandono e destruição destas vias, tanto a Norte, próximo do Douro, como no distrito de Beja, todas elas a recordarem a "destruição" lenta da Linha do Oeste.
Não deixa de ser inquietante que os interesses económicos de meia dúzia de empresários continuem a prevalecer sobre os das populações e do próprio ambiente. E claro, os do próprio governo, refém da fatia que recebe da exploração do "petróleo" e das portagens...
O óleo é de Robert Steell.
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terça-feira, janeiro 25, 2011
«Olá!»
Não nos víamos há uns bons vinte anos, pelo menos.
Nunca tinhamos sequer conversado, mas conhecíamo-nos de vista, das ruas da nossa cidade natal e também da nossa praia.
O mais curioso, foi trocarmos um sorriso e um olá, expontâneo, apenas por nos termos reconhecido como conterrâneos.
Podia ter acontecido num outro país qualquer, mas não, aconteceu em Lisboa, na Capital do Império.
Só me lembrei do teu nome, horas depois, quando estava sentado no cacilheiro, de volta a Almada.
Rita.
O óleo é de Jean Hildebrant.
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sexta-feira, janeiro 14, 2011
O Velho Valdemar
[...] Quando via alguém mais idoso, agarrado a uma rede, recordava-se sempre de um velho lobo do mar da Nazaré que originara uma crónica sobre esse extraordinário pescador cheio de rugas e cabelos brancos que o enchia de orgulho.
De tempos a tempos lia o recorte de jornal com a sua assinatura. Era como se voltasse por breves instantes ao convívio com aquele homem cujas emoções à flor da pele se confundiam com as ondas do mar: «Chamam-lhe velho e já não o deixam ir ao mar... mas Valdemar continua a sentir a mesma vontade de partir, ao desafio, pelo interior das ondas do Atlântico que continuam a bater próximo do seu coração.
Ele não consegue esconder o desgosto de ficar em terra, enquanto os outros se aventuram pelo mar fora. Sente que remendar redes não é digno como final de vida, de quem desde os treze anos começou a ir para o mar, desafiando os muitos demónios que se banhavam nas águas da Nazaré.
Na vila todos o conhecem por “Leão do Mar”, uma alcunha com mais de cinquenta anos, fruto das muitas aventuras vividas ao longo dos seus setenta e um anos, curtidos pelo sal e sol da vida, algumas das quais se transformaram em lendas...
Valdemar foi um dos poucos pescadores da sua geração que aprendeu a nadar, ao ponto de ser requisitado no Verão, durante décadas, como nadador salvador da bonita praia da Nazaré.
Salvou centenas de pessoas da morte certa na época balnear, sem esquecer alguns amigos de profissão, corajosos, que desafiavam o mar, sem sequer se conseguirem manter à tona de água.
Ele nunca aceitou de bom grado que grande parte dos seus companheiros não soubessem nadar, agarrados à desculpa de que em caso de naufrágio, o sofrimento seria menor, esquecidos das ínfimas possibilidades que teriam de sobreviver a qualquer contratempo caso se deslocassem dentro de água. Foi por isso que ensinou muitos pescadores, menos dados à teimosia a nadar.
Mas não é só por isso que todos os respeitam, e lhe perguntam coisas sobre o mar. O velho Valdemar é uma verdadeira enciclopédia marinha, conhece quase todas as espécies de peixes, sabe os seus círculos de vida, onde se deslocam para desovar, e quais são as épocas em que se encontram mais saborosos, preparados para servirem de pescado.
Lutou anos a fio pela construção de um Porto de Abrigo, de mão dada com os companheiros de pescaria, fartos de enfrentar as ondas violentas do mar da vila, e de ter de deixar os barcos ancorados na Baía de São Martinho do Porto.
Orgulha-se de, actualmente, a vida dos pescadores da Nazaré estar mais facilitada. Com o porto de abrigo já podem entrar no mar sem levarem banhos das ondas violentas, que em dias de fúria conseguiam virar os barcos na zona de rebentação, e lançar o pânico na vila.
Valdemar acaricia os seus cabelos brancos, sem perder de vista o mar, enquanto percorre o passeio à beira do mar.
Continua a acreditar que tem um lugar guardado no cemitério do oceano, e espera, pacientemente, por uma oportunidade para cumprir o seu destino. Quer ir ter com o pai, o tio, o irmão e uma mão cheia de amigos, nem que seja no seu velho barco a remos.»
Nuno não sabia o que era feito de Valdemar - há mais de três anos que não visitava a vila da Nazaré -, mas continuava a sentir que o velho lobo do mar seria sempre o seu “Pescador da Barca Bela”, onde quer que estivesse. [...]
Extracto de um dos meus contos (intitulado, "Sonhos Cor de Água", premiado no "Prémio Literário Hernâni Cidade". em 2003), que faz parte do livro, "Um Café com Sabor Diferente".
O óleo é de Spartaco Lombardo.
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quinta-feira, janeiro 06, 2011
A Beleza Animal
A minha filha perguntou-me de que animal mais gostava.
Disse-lhe que não gostava só de um, havia pelo menos meia dúzia. Então lançou-me um desafio, disse que só podia escolher dois.
Para uma tarefa difícil destas só podia responder sem pensar. E foi assim que sairam da "cartola" os gatos e os cavalos.
Talvez nesta escolha esteja presente parte do meu espírito que ainda luta por ser indomável...
O óleo é de Robert Ducan.
quarta-feira, dezembro 29, 2010
Um Lugar Especial...
Não há muitos lugares assim, que convidam à leitura e à evasão, com a sombra das árvores, uma mesa e bancos, num ambiente profundamente campestre.
Eu conheci dois ou três, em que o olhar se expandia para lá dos montes que completavam a paisagem estremenha.
Um deles era o Vale da Quinta...
O óleo é de Stefan Ambs.
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quinta-feira, dezembro 23, 2010
O Natal da Minha Mãe

A abstracção não precisa de mãe nem pai
nem tão pouco de tão tolo infante
mas o natal de minha mãe é ainda o meu natal
com restos de Beira Alta
ano após ano via surgir figura nova nesse
presépio de vaca burro banda de música
ribeiro com patos farrapos de algodão muito
musgo percorrido por ovelhas e pastores
multidão de gente judaizante estremenha pela
mão de meu pai descendo de montes contando
moedas azenhas movendo água levada pela estrela
de Belém
um galo bate as asas um frade está de acordo
com a nossa circuncisão galinhas debicam milho
de mistura com um porco a que minha avó juntava
sempre um gato para dar sorte era preto
assim íamos todos naquela figuração animada
até ao dia de Reis aí estão
um de joelhos outro em pé
e o rei preto vinha sentado no
camelo. Era o mais bonito.
depois eram filhoses o acordar de prenda no
sapato tudo tão real como o abrir das lojas no dia
de feira
e eu ia ao Sanguinhal visitar a minha prima que
tinha um cavalo debaixo do quarto
subindo de vales descendo de montes
acompanhando a banda do carvalhal com ferrinhos
e roucas trompas o meu Natal é ainda o Natal de
minha mãe com uns restos de canela e Beira Alta.
João Miguel Fernandes Jorge
nem tão pouco de tão tolo infante
mas o natal de minha mãe é ainda o meu natal
com restos de Beira Alta
ano após ano via surgir figura nova nesse
presépio de vaca burro banda de música
ribeiro com patos farrapos de algodão muito
musgo percorrido por ovelhas e pastores
multidão de gente judaizante estremenha pela
mão de meu pai descendo de montes contando
moedas azenhas movendo água levada pela estrela
de Belém
um galo bate as asas um frade está de acordo
com a nossa circuncisão galinhas debicam milho
de mistura com um porco a que minha avó juntava
sempre um gato para dar sorte era preto
assim íamos todos naquela figuração animada
até ao dia de Reis aí estão
um de joelhos outro em pé
e o rei preto vinha sentado no
camelo. Era o mais bonito.
depois eram filhoses o acordar de prenda no
sapato tudo tão real como o abrir das lojas no dia
de feira
e eu ia ao Sanguinhal visitar a minha prima que
tinha um cavalo debaixo do quarto
subindo de vales descendo de montes
acompanhando a banda do carvalhal com ferrinhos
e roucas trompas o meu Natal é ainda o Natal de
minha mãe com uns restos de canela e Beira Alta.
João Miguel Fernandes Jorge
O presépio é de Salir de Matos (a foto é de 2008...)
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sábado, dezembro 11, 2010
As Bicicletas do Parque
Quando encontro pessoas que descobrem ocasionalmente que sou das Caldas, referem sempre qualquer pormenor pitoresco.
Um senhor dos seus sessenta anos, lembrou-se, deliciado, que tinha aprendido a andar de bicicleta no parque D. Carlos, nas Caldas. Acrescentou que durante muitos anos passou férias na Foz do Arelho.
Sorri e disse que o meu irmão também tinha aprendido a andar de bicicleta nesse lugar, onde era comum passear-se ao domingo e alugar uma bicicleta para dar umas voltas naquele espaço largo, na parte superior dos campos de ténis, em frente ao Hotel Lisbonense...
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segunda-feira, dezembro 06, 2010
Uma Crónica de Santa Catarina...
Por José do Carmo Francisco
"Continua à espera da carrinha dos Capristanos"
A vida é um mistério, não é um negócio. O sacristão de Santa Catarina morreu mas continua à espera da carrinha dos Capristanos. A encomenda de 400 partículas para a missa campal não veio na carreira das sete e vinte; foi preciso o Vítor trazê-la de propósito. Vem na curva da Forca. Nas Caldas o Guimarães marca os desdobramentos para Peniche e Atouguia da Baleia. Se a vida fosse um negócio e não um mistério, o Álvaro teria trocado a sua pela do filho Zé Carlos em 1989 naquela manhã de domingo. Fui eu o padrinho que na pia baptismal lhe segurei a caixa dos santos óleos, tal como já antes tinha segurado ao Luís e ao Fernando. O Zé Carlos teria hoje 41 anos, poderia ter emigrado para a Suíça como o Luís ou vendido arcas congeladoras como o Fernando, poderia ter casado e continuado a ser aquilo que todos nós somos mesma quando não parece – navalheiros numa terra de oficinas de cutelaria. A Milu que agora cantou na missa de corpo presente foi a mesma que lhe fez as últimas contas do empregado Zé Carlos em 1989. Presidiu o padre Joaquim Nazaré e concelebrou o padre Maximino mas não vi os padres da nossa terra que ele tanto ajudou a preparar as missas novas nos anos 60. Mas vi o Henrique do Carvalhal. A vida é um mistério, não é um negócio Sei que o Álvaro tem andado às quartas de milho de casa em casa, saco cheio, na tulha vai subindo devagar mas há quem dê sete e quinhentos em vez do milho. Quando os fregueses dão dinheiro o sacristão fica a perder porque cada quarta de milho são oito escudos. Na sexta-feira doirada pelo sol, o pão de milho que comi na Taberna do Manelvina sabia ao milho das quartas da côngrua do sacristão de Santa Catarina.
A vida é um mistério, não é um negócio. O sacristão de Santa Catarina morreu mas continua à espera da carrinha dos Capristanos. A encomenda de 400 partículas para a missa campal não veio na carreira das sete e vinte; foi preciso o Vítor trazê-la de propósito. Vem na curva da Forca. Nas Caldas o Guimarães marca os desdobramentos para Peniche e Atouguia da Baleia. Se a vida fosse um negócio e não um mistério, o Álvaro teria trocado a sua pela do filho Zé Carlos em 1989 naquela manhã de domingo. Fui eu o padrinho que na pia baptismal lhe segurei a caixa dos santos óleos, tal como já antes tinha segurado ao Luís e ao Fernando. O Zé Carlos teria hoje 41 anos, poderia ter emigrado para a Suíça como o Luís ou vendido arcas congeladoras como o Fernando, poderia ter casado e continuado a ser aquilo que todos nós somos mesma quando não parece – navalheiros numa terra de oficinas de cutelaria. A Milu que agora cantou na missa de corpo presente foi a mesma que lhe fez as últimas contas do empregado Zé Carlos em 1989. Presidiu o padre Joaquim Nazaré e concelebrou o padre Maximino mas não vi os padres da nossa terra que ele tanto ajudou a preparar as missas novas nos anos 60. Mas vi o Henrique do Carvalhal. A vida é um mistério, não é um negócio Sei que o Álvaro tem andado às quartas de milho de casa em casa, saco cheio, na tulha vai subindo devagar mas há quem dê sete e quinhentos em vez do milho. Quando os fregueses dão dinheiro o sacristão fica a perder porque cada quarta de milho são oito escudos. Na sexta-feira doirada pelo sol, o pão de milho que comi na Taberna do Manelvina sabia ao milho das quartas da côngrua do sacristão de Santa Catarina.
terça-feira, novembro 30, 2010
O Outono no seu Esplendor
É sempre delicioso visitar um parque ou jardim "alcatifado" de folhas douradas. Então as crianças adoram correr e sentir debaixo dos pés a "música" que as folhas lhes oferecem...
Foi assim, no parque D. Carlos, nas Caldas...
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sábado, novembro 27, 2010
O Museu, a República e as Pessoas
«Sempre apareci Maria.»
Entrei e não descobri nenhum rosto conhecido. Estranhei que o acontecimento despertasse interesse apenas a pessoas já com alguma idade, que devem aproveitar estes momentos (menos comuns que em Almada, por exemplo) para aparecerem e ver os amigos e conhecidos.
Folheei alguns catálogos, inclusive o da exposição, enquanto esperava a chegada de uma amiga que disse que aparecia.
Encostei-me a um dos cantos da sala e olhei o "filme" que se desenrolava por ali, com algum conforto, por ser um mero espectador, não fazer parte da fita. Entraram duas jovens, reparei que conhecia uma delas, pouco depois percebi que era a Natascha, por estar com um gravador e um bloco nas mãos.
Os minutos passavam e ela nada. Entretanto o hall do museu enchia e comecei a perder o conforto inicial e a sentir que não tinha nada a ver com aquele "filme", que nunca mais começava.
Sai para a rua e fiz um telefonema. Ela estava tão atrasada, disse que só se despachava uns vinte minutos depois. Desmarcámos a exposição e combinámos um encontro num café no centro da cidade, enquanto me fazia ao caminho escuro do parque.
No meio da escuridão ainda me cruzei com um rosto feminimo que não me era desconhecido, percebi depois que era a vereadora da cultura do Município e também deputada do parlamento. Pensei, «destemida a senhora, sozinha, por aqui, no meio da escuridão...»
Já no coração da cidade, cruzei-me com o Xico Zé, que me falou das más experiências culturais dos "Pimpões", a colectividade rainha do bairro que agora também é da minha mãe.
Depois de alguns minutos de seca, ela lá apareceu no café. Conversámos de livros, de pessoas, com sorrisos à mistura.
Mais à noite ainda dei mais uma volta pela cidade, agora mais fria, na companhia do Fernando, a melhor "memória" da nossa "rua do meio". Mais palavras, mais pessoas e algum desencanto pelo rumo deste país...
A fotografia é da manhã de hoje, do nosso parque, Maria...
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quinta-feira, novembro 25, 2010
sábado, novembro 20, 2010
A Beleza dos Campos
Talvez a beleza volte aos campos com toda esta crise, talvez as pessoas voltem a cultivar as terras em pousio.
A sabedoria popular diz-nos que a necessidade aguça o engenho.
E agora que a "fonte" europeia ameaça secar, até nos gabinetes governamentais, já se fala do regresso à agricultura e às pescas.
Se isso acontecer os campos vão ficar mais radiosos, como este óleo de David Inshaw.
segunda-feira, novembro 15, 2010
O Adamastor
Não sei se tive medo do Adamastor na infância, mas acho que não, nunca o levei demasiado a sério. Apenas me lembro de uma imagem imprecisa de um livro escolar, em que ele se confundia com as ondas bravas do mar.
Agora anda por aí outro Adamastor a cirandar (fmi), tenho quase a certeza que esta gente que nos governa (e a que se prepara para nos governar...), não tem medo dele e ainda menos vergonha na cara.
Com esta gente não há Adamastor que nos valha...
Percebe-se pela urgência em despedir os mais de 300 funcionários da "Groundforce", ao mesmo tempo que (segundo a imprensa) foram contratados mais 274 funcionários para as voltinhas da governação
domingo, novembro 07, 2010
A Biblioteca do Senhor Arménio
Quando passei com os meus filhos próximo das velhas portas altaneiras dos Pavilhões do Parque, expliquei-lhes que era ali que se situava a Biblioteca Calouste Gulbenkian, o "paraíso" dos livros sem imagens das Caldas.
O meu filho estranhou que um edifício gigantesco acolhesse uma biblioteca. Expliquei-lhe então que os históricos Pavilhões acolheram muito mais coisas, e que a biblioteca ficava-se por um espaço relativamente modesto, no primeiro piso que aparece na fotografia.
A parte de "leão" do edifício, que até já fora quartel militar, era o liceu, onde andei no ensino secundário.
Ainda bem que o senhor Calouste, em fuga da Guerra que destruiu grande parte da Europa, ficou por cá e por gostar tanto do nosso país, acabou por fazer parte da sua história, através da Fundação com o seu nome, que deu um impulso às artes e letras portuguesas, como jamais alguém tinha dado, sendo, sem sombra de dúvida, o maior mecenas que este país já teve.
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