Desejo Boas Festas a todos aqueles que fazem "viagens pelo oeste".
Que em 2012 vejamos alguma luz, como a que se vê ao fundo deste quase túnel, do nosso parque, das Caldas...
Nas cidades a vida é mais pequena que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. (Alberto Caeiro)
Provavelmente era republicano, mas pela sua qualidade e pelo que nos deixou, considero José Malhoa o Rei das Artes, pelo menos das Caldas da Rainha.
Finalmente fui às Caldas!
Apetecia-me passear de sobretudo dentro do frio que encolhe as árvores, mesmo as gigantes, quase despidas do Parque.
A diferença de dois anos nunca foi grande, os amigos do meu irmão foram os meus.
Estava por ali, naquele espaço, a olhar aqueles quadros, como faço tantas vezes nas Caldas, aos domingos de manhã (agora que querem acabar com as "borlas", vai ter de ser diferente...) quando me perco no Museu Malhoa, sem me cansar de olhar as obras, que já olhei, dezenas de vezes...
Outubro tem sido um mês muito movimentado, conseguiu inclusive adiar o jantar com o meu irmão e um amigo (de quem quero subtrair dividendos da sua memória de elefante...), na minha Cidade Natal.
O óleo é de Lindsay Goodwin.
Este governo vai ficar na história, de certeza.
E não será pelas melhores razões. Não se contenta com os cortes nos subsídios de férias e de natal, continua a fechar tudo o que mexe e não dá lucro.
A última notícia que li nos jornais (é capa na "Gazeta"), é o fim da viagem para os passageiros entre as Caldas e a Figueira da Foz.
O próximo passo, se continuarem no poder, será acabar com o que resta, da ligação entre a Capital e as Caldas...
Nada é feito por acaso. Desde o "cavaquismo", com a construção da A8, que o comboio foi um alvo a abater.
Quase duas décadas depois, é tempo de passarem as "certidões de óbito".
Espero que o dr. Costa esteja feliz, tal como a dra. Maria da Conceição e restante poder "laranja" local.
O óleo de Carlos Marijuan, mostra-nos a sensação bonita de vermos a terra a andar, das janelas do comboio.
O Zé Ventura escreveu nas suas "Águas Mornas", que acha a estátua da Rainha D. Leonor, austera e pouco feminina (disse, penso com algum humor, que parecia a filha de um general).
Também vou colocar uma fotografia do Aníbal Sequeira, aqui nas "Viagens". Uma das sessenta que fazem parte da sua exposição que será inaugurada logo à tarde, às 16 horas, no Solar dos Zagalos, na Sobreda da Caparica.
Fiquei satisfeito ao ver na televisão a aposta cultural do projecto "Manobras no Porto".
Há vários dias que não passo aqui pelas "Viagens", por falta de tempo e também de inspiração. Por isso vou socorrer-me da beleza das imagens...
Não sei porquê, mas sempre olhei para Nova Iorque como a cidade do mundo que melhor simbolizava a Liberdade.
Durante o fim de semana do 15 de Agosto senti a habitual visita à Praça da Fruta das Caldas da Rainha de uma forma diferente.
Em boa altura Joe Berardo decidiu transformar a Quinta dos Lóridos num jardim do Oriente, repleto de estátuas que retratam um pouco a Cultura Chinesa (e arredores), tornando todo aquele espaço num lugar extremamente agradável para ser visitado.
A Maria comentou que a Tourada de 15 de Agosto das Caldas já tinha os bilhetes esgotados.
O 15 de Agosto sempre foi um dia grande nas Caldas da Rainha, com muitos visitantes, que não queriam perder a feira anual.
A ópera é um espectáculo muito apelativo, e até popular, mesmo que sempre tenha sido vendido ao longo dos tempos, de uma forma praticamente exclusiva, à nobreza e alta burguesia, e posteriormente aos senhores que se seguiram, que mesmo sem títulos, não deixaram (nem deixam...) de fazer vida de marqueses, condes ou barões, mesmo os que se disfarçam de democratas e nos pedem sacrifícios.
Fiquei surpreendido quando ontem à noite coloquei os olhos pelos jornais que estavam na caixa do correio e descobri na "Gazeta das Caldas" que a "Livraria 107" corria o risco de fechar, devido à crise que promete continuar a fazer "miséria" pelo nosso país, nos próximos anos.
Não sabia como explicar as diabruras do tempo à minha filhota, foi por isso que me lembrei que o meu irmão tocava viola desde a adolescência e provavelmente nunca mais dedilhou as cordas de qualquer instrumento de cordas...
Uma das coisas que nos faz mais confusão, quando confrontamos as nossas memórias de infância com a actualidade, é a forma como tudo "encolheu". As casas, as ruas, os campos e os quintais, tornaram-se quase insignificantes...
Não sei porquê, sei apenas que está completamente abandonado o campo de futebol no final do Bairro dos Arneiros e era (penso que ainda deve ser...) do Futebol Clube das Caldas, a 31ª filial dos "Dragões".
Pensar que esfolei por lá os joelhos e dei cabo de algumas sapatilhas...
Ouvia-o falar e recordava uma história parecida, mas com contornos diferentes.

Olho para trás e sinto-me um privilegiado.
Ao contrário dos meus pais e avós, fui criança em toda a sua plenitude.
A minha infância teve muita diversão e descoberta, além duma vivência cheia de variedades.
Vivia na cidade, passava temporadas no campo, na casa dos meus avós, fazia praia no mar do Oeste (acho que o iodo era o grande culpado...).
Tinha menos brinquedos que os meus filhos mas era muito mais livre (e porque não feliz?). As ruas eram minhas e dos meus amigos, assim como os campos...
O óleo é de Le Longyao.
Como caldense (embora afastado...) fiquei bastante feliz com as subidas do Caldas e do S.C. Caldas, à segunda divisão bê de futebol e à primeira divisão de voleibol.
Nas últimas vezes que visitei a casa dos avós, pelo seu espaço, pensei que poderia muito bem ser transformada em museu.
Hoje as montras das Caldas ganham vida.
Sei que tenho deixado quase em "pousio" as Viagens Pelo Oeste, e também sei porque razão isso acontece.
Gosto bastante dos "The Gift", pela sua grande qualidade musical.
Considero-os a banda portuguesa com mais capacidade de triunfar pelo mundo fora.
Vinha para casa, depois de deixar o meu filho quase à porta da escola quando ultrapassei um pai e um filho pequenote (cinco, seis anos). Vinham os dois a conversar e percebi que o menino gaguejava, algo que não interferia em nada na conversa dos dois.
Calculei que o mesmo não se passaria na escola, como é normal, não fossem as crianças umas "pestes" no uso que fazem destas e doutras fragilidades...
Se para dançar o tango convenientemente são precisos dois, felizmente para escrever poesia da boa, basta uma só pessoa."Dança das Feridas", da autoria de Henrique Manuel Bento Fialho, um poeta grande do Oeste (até no nome), é um livro especial, cheio de encontros, dedicatórias, pedidos, e claro, muita criatividade e inspiração.
Não sei como se comemorou este dia, hoje nas Caldas da Rainha.
Espero que bem, de uma forma descontraída e feliz, sem esquecer os homens que saíram do quartel antes de tempo, à procura da Revolução, que afinal sempre estava por dias, para bem de todos nós...
A identidade sexual está presente em praticamente tudo aquilo que nos rodeia, até mesmo nas pequeninas coisas. Não é por isso de estranhar que os lugares onde vivemos ou nascemos, também possuam uma carga masculina ou feminina, quase sempre evidente.
A cidade onde cresci e aprendi a ser gente, é sem sombra de dúvida uma mulher. A sua beleza e simplicidade não deixam ninguém indiferente, até os mais distraídos nos jogos de "amor", se rendem ao seu encanto.
Embora goste da discrição e da quase invisibilidade que as cidades nos proporcionam, não deixo de me deliciar com a afabilidade das aldeias. Algo que felizmente ainda existe na zona onde vivo (já não há bairros, agora são ruas, praças, freguesias...), num espaço de casas mais modestas, onde troco sempre cumprimentos com os moradores, que estão invariavelmente na rua, ou à porta, a estender a roupa ou a fazer outra coisa qualquer...
É algo que acontece há anos, porque só por passarmos por um lugar, todos os dias, criamos alguma familiaridade com as pessoas que estão quase sempre por ali. Às vezes esta troca de cumprimentos até começa por causa dos animais. Acho que foi mesmo assim que começou, por causa de um cão que ladrava mas felizmente não mordia, embora gostasse de se aproximar quase no limite das minhas calças.
Ao passar pelas "Águas Mornas" do Zé Ventura, fiquei a saber que a nossa Isabel Castanheira tinha sido premiada nas "Correntes D'Escritas", da Póvoa do Varzim, com o "Prémio Especial Livreiro".
É um prémio mais que merecido por alguém que não se preocupa apenas em vender livros, procura divulgar e partilhar a literatura, através da sua ligação especial aos livros e aos autores, numa cidade onde a Cultura continua a não para todos.
Acho que já escrevi sobre isto, provavelmente aqui, nas "Viagens", sobre os "nomes de guerra", pescados pela miudagem no universo futebolístico.
Enquanto lia o jornal, sentado nas bancadas do polidesportivo, fingia estar distante do jogo entre alguns miúdos, mas era impossível ficar indiferente quando o "Messi" não passava a bola ao "Xavi" ou ao "Drogba" e estes chamavam-lhe nomes mais feios. Também o seu guarda-redes, "Casillas", ouvia das boas, quando facilitava a tarefa ao "Cristiano Ronaldo", da equipa adversária, ou ao "Di Maria" (curiosamente também era o rapazola mais fininho da trupe...).
Há quem não goste da excessiva familiaridade das aldeias ou dos bairros pequenos, onde toda a gente se conhece, ou pelo menos faz por isso. Eu sempre achei este aspecto divertido e curioso.
Provavelmente isso acontece por ter sido sempre um "turista", alguém que chega de fora ou está de passagem na aldeia.
A Orquestra e Ópera Nacional da Moldávia, vai estar hoje nas Caldas, no CCC, com o "Rigoletto" de Verdi.
Já tenho pensado várias vezes quer nasci tarde demais.
Queria ter pelo menos uns dezasseis anos quando se deu a Revolução de Abril. O mais curioso é que essa idade também me dava jeito em 1977, para assistir aos "IV Encontros Internacionais de Arte", que se realizaram nas Caldas da Rainha.