Nas cidades a vida é mais pequena que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. (Alberto Caeiro)
quinta-feira, março 29, 2012
domingo, março 25, 2012
Passei pelas Caldas e... (2)
Depois de ter passado pelo parque ia até ao centro da cidade, quando vi que o Museu do Ciclismo estava aberto.
Entrei e vi uma bonita exposição fotográfica de um encontro de "velhas pastelheiras". Ainda tirei uma fotografia, antes de me informarem que era proibido "disparar", mesmo estando no Oeste...
Belo trabalho que o Mário Lino tem feito na nossa cidade, através do "mundo das bicicletas".
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sábado, março 24, 2012
terça-feira, março 20, 2012
Um Grande Campeão
Quando se parte com apenas 51 anos, ficamos sempre com a sensação que ainda não era tempo...
Falo de António Leitão, atleta com quem privei várias vezes, simples e humilde, como quase todos os fundistas portugueses de classe.
Foi um grande campeão, dos melhores do mundo, quando as pistas, as estradas e os campos enlameados, ainda não tinham sido invadidos pelos atletas africanos.
Conquistou medalhas e títulos desde os juniores (medalha de bronze no Campeonato da Europa), mas se houve uma medalha especial foi a que conquistou nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1984, de bronze, na sua prova-rainha, os 5.000 metros.
Foi também recordista nacional dos 5.000 metros, com uma das melhores marcas do mundo (13.07,70), suplantando os seus heróis e amigos, Carlos Lopes e Fernando Mamede, em 1982.
Ainda hoje recordo a primeira vez que o vi correr, ao vivo, foi no inverno de 1979, nos campeonatos nacionais de corta-mato, disputados na Figueira da Foz, tendo também participado, no escalão de juvenis, com as cores do inesquecível Atlético Clube Arneirense,
António foi e será sempre um Grande Campeão!
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terça-feira, março 13, 2012
«O Mundo mudou. Ponto final.»
«Não. O mundo mudou mas ainda não acabou. Tira lá esse ponto final.»
Foi assim que eu respondi, a uma pessoa cansada de viver neste mundo, em que se fecham mais do dobro das portas que se abrem, quando disse: «O mundo mudou. Ponto final.»
Somos quase todos conformistas, por isso é que conseguimos eleger políticos tão ordinários, corruptos e incompetentes. Temos um presidente da República que corre o risco de ficar na história como o pior dos piores (nem na ditadura havia gente assim, nem mesmo o Américo Tomás...). Temos presidentes de Câmara que se perpetuam no poder, sem fazer nada de significativo pelas suas gentes, além de se endividarem com obras faraónicas, onde no fim cortam uma fita e colocam uma placa com o seu nome. Mas o mundo avança...
O quase patrono das "Viagens", Alberto Caeiro, era capaz de dizer isto:
Fecham mercearias,
fecham livrarias,
mas o mundo avança...
sem pontos finais,
apenas com uma ou outra mudança.
O óleo é de Chris Miles (porque continuamos a ser uns anjinhos).
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segunda-feira, março 05, 2012
A Tia, a Mãe e o Poema
De vez em quando escrevo poemas.
Não é uma coisa fácil como a prosa.
O Gui diz que cada qual é para o que nasce. Tem toda a razão, mas muitos de nós somos teimosos e insistimos, insistimos, sabe-se lá porquê...
O giro da coisa é que a maioria dos poemas que escrevo são "encomendas". Uma boa parte deles andam por aí, dispersos em pequenos cadernos colectivos, outros em antologias.
Falo em poemas aqui nas "Viagens", porque um dos meus poemas foi escolhido pela minha tia Ilda para homenagear de alguma forma a minha Mãe (e a mim, claro...), dizendo-o em público, ainda que num ambiente familiar, na Nazaré.
O óleo é de Liz Ridgway.
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
Jaime Graça (1942 - 2012)
Na segunda metade do mês de Agosto de 1991 tive o prazer de entrevistar Jaime Graça, para o "Contra-ponto", a minha página fixa dos domingos no "Record".
Descobri agora que foi a única entrevista que realizei nas Caldas, numa altura em que Jaime Graça era o treinador da equipa principal do quase centenário, Caldas Sport Clube.
Gostei bastante de falar com ele e também da forma como fui recebido no velho Campo da Mata. Voltámos-nos a encontrar mais duas vezes, uma em Setúbal e outra em Lisboa. Na Cidade do Sado foi durante um almoço, daqueles que se prolongam pela tarde fora, cheios de histórias deliciosas, muitas das quais com o selo de proibido, por se intrometerem com a "batota" que continua a existir no mundo do futebol.
Estive a reler a entrevista, publicada a 1 de Setembro de 1991 e transcrevo apenas duas frases. A primeira é a resposta a uma quase provocação, pois ele apesar de realizar um bom trabalho por onde passava, nunca treinou nenhum clube da primeira divisão...
«Existem bons técnicos em equipas mais modestas, só que é difícil arranjar-se uma bitola para fazer certas medidas. Noto que na primeira divisão há uma rotação entre os mesmos treinadores. Há alguns que deixam descer constantemente equipas e continuam em voga. Faz-me lembrar a selecção do meu tempo, um jogador mesmo abaixo de forma era sempre convocado. Éramos quase sempre os mesmos.»
Também lhe perguntei o que achava das Caldas da Rainha:
«É uma cidade muito gira, é pequena, tem pouca poluição, tem um bom ambiente cultural e está cercada de uma série de vilas com interesse turístico. É uma boa cidade para se viver sem grandes vícios.»
É a minha homenagem ao Homem e ao Ídolo do futebol, sem pés de barro.
A imagem foi retirada do jornal, "A Bola", de hoje.
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sexta-feira, fevereiro 24, 2012
Ainda a Festa das Artes da SCALA
Esta foi outra das fotografias com que participei na Festa das Artes da SCALA, exposição artística de artesanato, escultura, fotografia, ilustração e pintura.
Como disse anteriomente, o meu "portefólio" foi dedicado às Caldas e ao Parque D. Carlos.
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sexta-feira, fevereiro 17, 2012
Festa das Artes da SCALA
Este ano resolvi participar na "Festa das Artes da SCALA", com quatro fotografias do Parque D. Carlos, das Caldas da Rainha.
Duas delas já as publiquei aqui, a de hoje é uma estreia, que nos mostra as várias tonalidades de verde, durante um passeio de barco pelo lago, com os Pavilhões como pano de fundo...
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sábado, fevereiro 11, 2012
O Painel de Júlio Pomar
Quando o " Café Central" esteve em riscos de fechar, houve muitas manifestações contra o seu encerramento, veio ao de cima toda a sua história tertuliana, protagonizada por uma elite da Cidade.
Mesmo sem ter sido frequentador assíduo do café, manifestei-me contra, com uma crónica publicada na "Gazeta das Caldas".
Nessa altura a primeira coisa que me lembrei foi do painel de Júlio Pomar, que quando ainda não era um artista famoso, andou pela Secla, onde havia uma espécie de "laboratório de arte barrista", que chamou muitos jovens, que hoje são nomes sonantes das artes plásticas.
Até Manuel Cargaleiro, antes de partir para Paris, veio várias vezes às Caldas e à Secla (confidenciou-me ele, quando soube que eu era natural das Caldas...).
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domingo, fevereiro 05, 2012
«Estamos "arrumados" como o Caldas.»
Esta expressão está mais actual que nunca, quer pela situação do país, quer pela classificação do Caldas no campeonato da II divisão de futebol, o primeiro a contar do fim da zona sul.
Embora sempre que procuro os resultados deste campeonato, esteja esperançado que o Clube possa ter iniciado a recuperação, a realidade futebolística diz-me que os "milagres" têm um preço demasiado elevado.
Como caldense fico aborrecido, mas percebo que deverá ser difícil fazer melhor com uma equipa jovem e barata. Como consequência dos maus resultados o treinador (Gila) - que não conheço pessoalmente, mas tenho a certeza que é um bom técnico - pediu a demissão. São situações normais no futebol português. Provavelmente já estava a ser contestado, tal como acontece com Domingos (para mim é o melhor treinador da primeira liga...) em Alvalade e que não merecia tanto azar.
Embora distante (são mais ou menos cem quilómetros), prefiro que o Caldas continue a apostar nos jogadores da região e a fazer uma gestão rigorosa, mesmo que isso tenha custos desportivos, que a contratar "prima-donas" de segunda, para ficar a meio da tabela...
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domingo, janeiro 29, 2012
Janelas do Nada
Irrita-me o abandono urbano, especialmente o de casas com história.
Estas janelas são da antiga escola primária da "praça do peixe", praça onde morou durante anos o "Cine-Teatro Pinheiro Chagas", que também passou os seus últimos anos de vida, desgraçadamente abandonado, depois de lhe terem "esventrado" o seu interior.
Esta falta de amor pelo passado, pela histórias, pelas memórias, talvez explique porque razão os nossos idosos acabam os seus dias na mais completa solidão.
E este é o pior dos abandonos...
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quinta-feira, janeiro 19, 2012
Os Pavilhões, a Senhora do Pópulo e o Ferreira da Silva
Resolvi "ler" esta imagem ao contrário, com o olhar preso nos Pavilhões do Parque, onde estudei no Liceu, que assim escondidos, não se percebe a sua imponência.
Pavilhões que um dia virão a baixo, pois parece que ninguém os quer...
Depois encontrei a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, que é só o monumento mais antigo, e mais importante da Cidade.
Para o fim ficou a arte do Ferreira da Silva, um artista plástico caldense que não pode dizer que "santos da terra não fazem milagres", pois está bem representado em vários locais das Caldas, inclusive o que documenta a foto, as traseiras do espaço museológico do Hospital.
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sexta-feira, janeiro 13, 2012
quinta-feira, janeiro 05, 2012
Paz e Solidão
Não tenho muitas dúvidas que o Parque das Caldas nunca foi um lugar de eleição para um boa parte dos Caldenses, apesar da sua beleza. Isso talvez explique o que o Xico, um dos comentadores das "Viagens" disse, que o Museu Malhoa é muito pouco visitado pelos locais. Infelizmente.
Infelizmente mesmo, pois é o espaço mais bonito da Cidade.
Esta fotografia, datada de Dezembro, mostra muito do que experimento ao passear pelo Parque, Paz e Solidão. Uma solidão que não me é desagradável pois dá espaço à interioridade, ao mesmo tempo que me permite olhar com "todo o tempo do mundo" para tudo o que me rodeia, mesmo sem precisar de me sentar num dos bancos de jardim...
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segunda-feira, janeiro 02, 2012
Dar as Mãos
O segredo deste novo ano, poderá muito bem ser darmos as mãos.
E não digo isto apenas no sentido de ajudarmos quem nos rodeia, mas sim no sentido de nos unirmos para lutar contra o "estado de coisas", a que assistimos com demasiada serenidade, em que alguns casos são um autêntico "roubo".
Esta escultura de Leopoldo de Almeida, é muito mais que um "Grupo Decorativo", como está na sua legenda, quase às portas do Museu José Malhoa.
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quarta-feira, dezembro 28, 2011
sexta-feira, dezembro 23, 2011
Boas Festas
Desejo Boas Festas a todos aqueles que fazem "viagens pelo oeste".
Que em 2012 vejamos alguma luz, como a que se vê ao fundo deste quase túnel, do nosso parque, das Caldas...
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terça-feira, dezembro 20, 2011
quarta-feira, dezembro 14, 2011
Imaginem Só Quem Encontrei na Lagoa...
Quando estamos uns meses sem aparecer no Oeste, apetece-nos dar uma espreitadela a todos os lugares que nos dizem algo.
Foi por isso que durante a manhã do feriado, fui até ao coração da Lagoa de Óbidos, andando e parando, nas suas margens.
Já quase na Foz do Arelho, encontrei a "Rita Pavoni", a ser puxada para a margem por um pescador...
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domingo, dezembro 11, 2011
Grandes Planos: O Rei
Provavelmente era republicano, mas pela sua qualidade e pelo que nos deixou, considero José Malhoa o Rei das Artes, pelo menos das Caldas da Rainha.
O seu museu continua a ser mais emblemático das Cidade, e também um dos mais bonitos do país, por estar metido dentro do Parque D. Carlos, com toda aquela envolvência florida e agradável.
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sexta-feira, dezembro 09, 2011
Grandes Planos: A Rainha
Finalmente fui às Caldas!
Jantei com um bom grupo de amigos de infância, onde se soltaram muitas histórias e outras tantas personagens. O que achei mais estranho foi ouvir falar de nomes, saber da sua existência mas não lhes conseguir dar rostos...
Hoje de manhã andei pela cidade, olhei isto e aquilo, tirei fotografias aqui e ali. Olhei com atenção para a estátua da Rainha D. Leonor e achei-a serena e nada "generala", apesar de nos impor a sua presença de um forma forte...
Espero que ninguém pense em retirá-la do seu pedestal.
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quarta-feira, novembro 30, 2011
Saudade...
Apetecia-me passear de sobretudo dentro do frio que encolhe as árvores, mesmo as gigantes, quase despidas do Parque.
Também me apetecia sentir a humidade do oceano, que tenta entrar dentro de nós, rente ao mar da Foz.
Fecho os olhos e quase que ouço o mar, juntamente com algumas vozes familiares, com quem é sempre um prazer trocar mais de dois dedos de conversa...
O óleo é de José Malhoa, "Outono"...
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terça-feira, novembro 15, 2011
À Procura da Geração Anterior...
A diferença de dois anos nunca foi grande, os amigos do meu irmão foram os meus.
Embora tenha dificuldade em fazer divisões geracionais, somos, sem qualquer dúvida, da mesma geração.
Quando começo a procurar a geração anterior à nossa, acho que recuo demais no tempo. Vou buscar o Henrique e os seus amigos (que deviam ter mais dez anos que eu, pelo menos, pois o Henrique ainda foi obrigado a cumprir o serviço militar em Timor, no começo da década de setenta do século passado). Por ele ser irmão do Fernando, o nosso grande amigo de infância, olhávamos para a sua "tribo" com bastante admiração e condescendência, até por serem quase loucos... especialmente o Rui "taranta" e o Joaquim "bronquite".
Embora fosse pequenote, lembro-me de os espreitar na praia a rondar as miúdas e também de os ver sairem de casa com camisas floridas, sem se preocuparem com os velhos "machos" que achavam que aquilo era coisa de maricas. Só não fazia ideia era que eles estavam a sofrer influencias dos movimentos "hippies" e do Maio de 68...
Apesar da ditadura, parece que o "mundo" não estava assim tão longe.
O óleo é de Mike Briscoe.
segunda-feira, novembro 07, 2011
O Grande Malhoa
Estava por ali, naquele espaço, a olhar aqueles quadros, como faço tantas vezes nas Caldas, aos domingos de manhã (agora que querem acabar com as "borlas", vai ter de ser diferente...) quando me perco no Museu Malhoa, sem me cansar de olhar as obras, que já olhei, dezenas de vezes...
Foi por isso que me apeteceu intrometer na conversa dos dois sujeitos que falavam alto sobre o naturalismo, dizendo que os tipos do Grupo do Leão deviam ter-se dedicado à fotografia e não à pintura.
Limitei-me a sorrir e a passar ao largo, agradecido ao grande José Malhoa e companhia.
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domingo, outubro 30, 2011
O Jantar Adiado
Outubro tem sido um mês muito movimentado, conseguiu inclusive adiar o jantar com o meu irmão e um amigo (de quem quero subtrair dividendos da sua memória de elefante...), na minha Cidade Natal.
Espero que Novembro seja mais calmo, inclusive aos fins de semana. E que o tal jantar de "memórias" seja mesmo uma realidade...
O óleo é de Lindsay Goodwin.
sábado, outubro 22, 2011
O Fim da Viagem na Linha do Oeste
Este governo vai ficar na história, de certeza.
E não será pelas melhores razões. Não se contenta com os cortes nos subsídios de férias e de natal, continua a fechar tudo o que mexe e não dá lucro.
A última notícia que li nos jornais (é capa na "Gazeta"), é o fim da viagem para os passageiros entre as Caldas e a Figueira da Foz.
O próximo passo, se continuarem no poder, será acabar com o que resta, da ligação entre a Capital e as Caldas...
Nada é feito por acaso. Desde o "cavaquismo", com a construção da A8, que o comboio foi um alvo a abater.
Quase duas décadas depois, é tempo de passarem as "certidões de óbito".
Espero que o dr. Costa esteja feliz, tal como a dra. Maria da Conceição e restante poder "laranja" local.
O óleo de Carlos Marijuan, mostra-nos a sensação bonita de vermos a terra a andar, das janelas do comboio.
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sábado, outubro 15, 2011
A Rainha e a Estátua
O Zé Ventura escreveu nas suas "Águas Mornas", que acha a estátua da Rainha D. Leonor, austera e pouco feminina (disse, penso com algum humor, que parecia a filha de um general).
Talvez o escultor Francisco Franco lhe tenha querido dar uma imagem de força, de grandeza, até porque ela foi isso tudo, em vida.
Eu como sempre me habituei a vê-la naquele lugar, imponente, a dar as boas vindas a quem chega, nunca me tinha debruçado pela sua "estética". É por isso que tenho dificuldade em arranjar outra posição, outra graciosidade.
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sábado, outubro 08, 2011
As Fotografias do Aníbal...
Também vou colocar uma fotografia do Aníbal Sequeira, aqui nas "Viagens". Uma das sessenta que fazem parte da sua exposição que será inaugurada logo à tarde, às 16 horas, no Solar dos Zagalos, na Sobreda da Caparica.
Esta é especial, além da sua beleza, "A Poeira do Caminho", lembra-me a infância do meu pai, pastor pelos montes e vales da Beira Baixa...
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quarta-feira, outubro 05, 2011
quinta-feira, setembro 29, 2011
O Projecto Cultural "Manobras no Porto"
Fiquei satisfeito ao ver na televisão a aposta cultural do projecto "Manobras no Porto".
Além da inovação e da surpresa de se encontrarem vacas junto ao metro da Trindade, que possibilitaram o saborear de uma "meia de leite directa", há a parte cultural da coisa, a descoberta do mundo rural para tantos jovens, que desconhecem em absoluto como é a vida no campo, onde não faltam de plantas e animais.
Felizmente os meus filhos desde muito cedo tiveram a felicidade de contactar com animais domésticos de várias espécies, graças aos meus tios Arcelino e Maria, de Salir de Matos, que quase tinham um "jardim zoológico" ao pé de casa. Nesta imagem a minha filha, ainda de colo, foi confrontada com a presença de um cabritinho, a quem pôde fazer umas festinhas e tudo...
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domingo, setembro 25, 2011
sexta-feira, setembro 23, 2011
Arte de Rua com Bom Gosto
Há vários dias que não passo aqui pelas "Viagens", por falta de tempo e também de inspiração. Por isso vou socorrer-me da beleza das imagens...
A última vez que estive nas Caldas foi durante o fim de semana do 15 de Agosto, e como de costume, aproveitei para tirar várias fotografias da cidade.
Uma das que me chamou a atenção pela positiva foi este "grafite", encomendado de certeza pelo dono da ourivesaria, e não o achei nada mal...
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domingo, setembro 11, 2011
A Cidade da Liberdade
Não sei porquê, mas sempre olhei para Nova Iorque como a cidade do mundo que melhor simbolizava a Liberdade.
E não tinha nada a ver com a sua estátua...
Ainda hoje, continua a ser o lugar que quero um dia visitar nas américas, mais até que o Rio de Janeiro.
Mesmo sabendo que nada voltou a ser como antes...
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quarta-feira, agosto 24, 2011
As Cores e os Cheiros da Praça da Fruta
Durante o fim de semana do 15 de Agosto senti a habitual visita à Praça da Fruta das Caldas da Rainha de uma forma diferente.
Consegui tirar muitas fotografias e mesmo assim escutar a forma simpática como os vendedores (a maior parte com a idade da sabedoria...) procuravam vender a sua mercadoria, a preços que achei bastante convidativos.
Lembrei-me do meu avô Manuel Joaquim... um "super-campeão" de vendas, que chegava a casa sem sobras e a horas decentes para almoçar, para espanto da avó.
Gostei de andar por ali, misturado com as cores e com os cheiros, sempre agradáveis da fruta, dos legumes e das flores.
Até consegui esquecer por momentos a "crise"...
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quinta-feira, agosto 18, 2011
O Jardim do Oriente de Bombarral
Em boa altura Joe Berardo decidiu transformar a Quinta dos Lóridos num jardim do Oriente, repleto de estátuas que retratam um pouco a Cultura Chinesa (e arredores), tornando todo aquele espaço num lugar extremamente agradável para ser visitado.
Ao decidirmos visitar o espaço no domingo passado, estávamos longe de pensar encontrar por ali milhares de turistas. Agosto é mesmo assim...
Apesar das entradas serem gratuitas, o que se saúda, há uma loja de vinhos, por onde todos temos de passar quando saímos, assim como um "comboio" pago (que leva os visitantes de visita ao Jardim), que minimizam as despesas do empresário português.
Embora possam dizer que estou a exigir demais, acho que devia ser distribuído às pessoas um pequeno folheto explicativo sobre a origem do Jardim naquele lugar e o seu simbolismo...
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segunda-feira, agosto 15, 2011
A Tourada desta Ano
A Maria comentou que a Tourada de 15 de Agosto das Caldas já tinha os bilhetes esgotados.
Achei curioso o programa das festas afixado nas ruas da cidade. O Vitor Mendes (que em Espanha no seus bons tempos era "vendido" como Mendez...) regressa mais uma vez ao palco tauromático, e há uma ressalva que os bilhetes são vendidos a partir de 10 euros (espero que o tempo das "vacas magras" não se reflicta nos touros em lide, de Coimbra).
E não deixa de ser uma boa ideia a homenagem a Manuel dos Santos, um nome grande do toureio apeado, que ombreou com os melhores do mundo, no tempo dos grandes matadores espanhóis, imortalizados por Hemingway.
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sábado, agosto 13, 2011
O Meu 15 de Agosto
O 15 de Agosto sempre foi um dia grande nas Caldas da Rainha, com muitos visitantes, que não queriam perder a feira anual.
A feira nesse tempo era uma "instituição" admirável, especialmente quando ocupava o coração da Mata da Rainha, num tempo quase sem lojas de bijutarias e brinquedos.
Tudo aquilo ainda me parece enorme, visto com os pequenos olhos de criança, capaz de se deslumbrar por tudo e por nada.
Uma boa parte das diversões e o circo ocupavam o pelado do campo de futebol do Caldas. Parece que ainda estou a ver os heróis do "Poço da Morte", com as suas motas, que só quando cresci mais um palmo, pude ver ao vivo e espantar-me com uma das suas "avarias": conduzir com os olhos vendados...
Nesta época alguns tios aproveitavam para nos visitar e enchiam-nos a casa, do Bairro dos Arneiros.
Outro atractivo deste dia era a imponente tourada na velha praça da Cidade. O avô, velho aficionado, raramente a perdia. Foi a seu lado que vi pela primeira vez Ricardo Chibanga tourear de joelhos e depois ficar à frente do touro, ainda de joelhos na areia mas com os braços abertos, como se estivessemos a assistir a um número de ilusionismo e não de toureio apeado, pois o animal nem se mexia.
Com o passar dos anos o 15 de Agosto perdeu fulgor, a feira andou por vários sítios. Mas sobretudo cresci e deixei escapar quase todos os toques de magia, que nos povoam o imaginário infantil...
O óleo é de Kandinsky.
terça-feira, agosto 09, 2011
A Ópera já não é só das Classes Dominantes (felizmente)
A ópera é um espectáculo muito apelativo, e até popular, mesmo que sempre tenha sido vendido ao longo dos tempos, de uma forma praticamente exclusiva, à nobreza e alta burguesia, e posteriormente aos senhores que se seguiram, que mesmo sem títulos, não deixaram (nem deixam...) de fazer vida de marqueses, condes ou barões, mesmo os que se disfarçam de democratas e nos pedem sacrifícios.
O meu pai apesar das suas origens populares gostava de ópera, como provavelmente muita gente da sua geração, mesmo que estivessem privados de entrar no "São Carlos" e afins.
Como gostava bastante da cultura espanhola, se estivesse cá, o "Barbeiro de Sevilha" era uma peça a rever, já que também vai passar pelo C.C.C. das Caldas, no dia 9 de Outubro.
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segunda-feira, agosto 01, 2011
A Solidariedade não é Suficiente
Fiquei surpreendido quando ontem à noite coloquei os olhos pelos jornais que estavam na caixa do correio e descobri na "Gazeta das Caldas" que a "Livraria 107" corria o risco de fechar, devido à crise que promete continuar a fazer "miséria" pelo nosso país, nos próximos anos.
Fiquei triste pela notícia, pela Isabel e pelo serviço que esta "instituição" tem prestado às Caldas da Rainha.
Claro que tristezas não pagam dívidas, muito menos a solidariedade das palavras. O importante é percebermos que para que a "107" continue de portas abertas, é preciso comprarmos livros nesta livraria que é familiar, mesmo para quem lá entra pela primeira vez, graças às pessoas que estão no balcão, que entre outras coisas, gostam muito de livros.
Apenas posso prometer que quando for às Caldas, não me vou esquecer de passar por lá e trazer um ou dois livros. E dizer a quem passa por aqui e gosta de livros, para não se esquecer de passar pela livraria mais central e mais bonita das Caldas e trazer também um livro. Parece pouco, mas ajudará, de certeza.
O desenho é do Zé Rui.
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sexta-feira, julho 15, 2011
quinta-feira, julho 14, 2011
O Tempo Dá e Tira
Não sabia como explicar as diabruras do tempo à minha filhota, foi por isso que me lembrei que o meu irmão tocava viola desde a adolescência e provavelmente nunca mais dedilhou as cordas de qualquer instrumento de cordas...
O tempo vai nos afastando de coisas que gostamos de fazer e que passado tempo parece que perdemos o jeito e fingimo-nos esquecidos.
O óleo é de Eric G, Thompson.
segunda-feira, julho 11, 2011
sábado, julho 09, 2011
"Desmontar" a Rua Onde Cresci...
Uma das coisas que nos faz mais confusão, quando confrontamos as nossas memórias de infância com a actualidade, é a forma como tudo "encolheu". As casas, as ruas, os campos e os quintais, tornaram-se quase insignificantes...
Quando um dia destes voltei a passar pela rua onde cresci (só não nasci porque quando devia estar quase na hora fui para Salir de Matos, para ser assistido na casa da avó pela parteira da família...), voltei a estranhar tudo aquilo.
Nos anos sessenta a estrada ainda era de areia barrenta, tornando-se num autêntico lamaçal quando chovia. Próximo dos anos setenta chegou o alcatrão, mas continuava a ser uma rua "limpa" de carros (um luxo nesses tempos...), onde era comum jogarmos à bola e brincarmos à apanhada ou às escondidas...
Na época nunca questionei o seu nome, rua 26 (todas as ruas tinham um número...). Deve ter sido a forma mais fácil de organizar as artérias do Bairro dos Arneiros, que começou por ser clandestino (como quase todos...). Mas gosto muito mais de um nome. Agora é rua do Compromisso. A Maria da Ilha já deixou por aqui um comentário, em que fala do "compromisso" de D. Leonor (penso que é isso, ainda não me debrucei sobre esta parte da história das Caldas).
Hoje a rua é assim. À vista, parece que tem mais carros que pessoas, como quase todas as ruas...
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domingo, julho 03, 2011
O Abandono...
Não sei porquê, sei apenas que está completamente abandonado o campo de futebol no final do Bairro dos Arneiros e era (penso que ainda deve ser...) do Futebol Clube das Caldas, a 31ª filial dos "Dragões".
Pensar que esfolei por lá os joelhos e dei cabo de algumas sapatilhas...
O mais curioso foi esta colectividade caldense não ter aproveitado o crescimento do F.C. Porto como grande potência nacional e até mundial.
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quinta-feira, junho 23, 2011
O Sétimo Jogador
Ouvia-o falar e recordava uma história parecida, mas com contornos diferentes.
Ele era o imprescindível, ao contrário de mim, que poderia ser substituído por qualquer outro, com o mesmo êxito.
E isso não aconteceu apenas no futebol, também se passou no voleibol, no basquetebol e no andebol. Não passava de um jogador mediano, que normalmente fechava as equipas.
Explicações? A amizade, mas também a minha entrega. Acho que todos sabiam que se fosse preciso corria mais que eles, porque além de forte fisicamente, era extremamente generoso e solidário para com as equipas onde jogava.
Foi assim, como "sétimo jogador" que ganhei vários torneios populares de futebol de sete, para miúdos entre os doze e os catorze anos, com amigos que ainda prezo, mesmo que não os encontre há mais de duas décadas (e alguns casos três...).
O guarda-redes das equipas era sempre o Xico Madeira, franzino e pequenino, mas capaz de fazer defesas "impossíveis", tal como o seu irmão Jorge, um pouco mais velho. Depois jogavam o Zé da Silva, o Xico "Gago", o Paulo Gaspar, o Rui Pedro, o Nuno, o António Carlos (apenas uma ou duas vezes, o seu individualismo não se enquadrava muito no nosso sentido colectivo, por isso é que era conhecido pela malta como o "caga-manias"...) e mais um outro amigo que agora não recordo. Eu normalmente fechava a equipa (quase nunca existiam suplentes...).
O mais giro disto tudo foi um "craque" de qualquer rua, me ter recordado que não passava do "sétimo jogador"...
terça-feira, junho 21, 2011
segunda-feira, junho 13, 2011
Barco que Partes

Navio que partes para longe,
Por que é que, ao contrário dos outros,
Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?
Porque quando te não vejo, deixaste de existir.
E se se tem saudades do que não existe,
Sinto-a em relação a cousa nenhuma;
Não é do navio, é de nós, que sentimos saudade.
Alberto Caeiro
Por que é que, ao contrário dos outros,
Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?
Porque quando te não vejo, deixaste de existir.
E se se tem saudades do que não existe,
Sinto-a em relação a cousa nenhuma;
Não é do navio, é de nós, que sentimos saudade.
Alberto Caeiro
O óleo é de Luiza Caetano
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quarta-feira, junho 01, 2011
Dias de Criança
Olho para trás e sinto-me um privilegiado.
Ao contrário dos meus pais e avós, fui criança em toda a sua plenitude.
A minha infância teve muita diversão e descoberta, além duma vivência cheia de variedades.
Vivia na cidade, passava temporadas no campo, na casa dos meus avós, fazia praia no mar do Oeste (acho que o iodo era o grande culpado...).
Tinha menos brinquedos que os meus filhos mas era muito mais livre (e porque não feliz?). As ruas eram minhas e dos meus amigos, assim como os campos...
O óleo é de Le Longyao.
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