quinta-feira, setembro 20, 2012

Escrever de Memória


Uma boa parte das coisas que tenho escrito por aqui, têm tido como único auxiliar a memória.

Sei que há quem não se fie muito nela, ninguém é perfeito...

É por escrever sobretudo de memória, que chego aqui e ao querer escrever algo, não sei por onde ir...

Nunca quero fugir muito das Caldas, que para mim é o "coração" do Oeste (sim eu sei, tem corrido variadíssimos  riscos de AVC, graças ao senhor Costa...). É por lá que se encontra o meu "bairro", a minha "aldeia", a minha "praia", entre outras coisas "minhas"...

Abro a janela, fecho os olhos e espreito alguns lugares, algumas pessoas, quase que aceno, mesmo correndo o risco de não passar de um desconhecido...

O óleo é de Joaquin Mateo.

sábado, setembro 15, 2012

Manifestação


Não estarei na nossa Praça da Fruta, mas sim na praça José Fontana.

terça-feira, setembro 11, 2012

O Nosso Rex...


A minha tia recordou-me pedaços da infância, que já estavam esquecidos, um dia destes,ao jantar. Já nem sequer me lembrava que ela tinha morado no meu bairro, antes de emigrar para a Alemanha.

Falou-me do Rex, o pastor alemão deles que rebentava vezes demais com a corrente com que ficava preso, porque a criançada da vizinhança gostava de o confundir com um "touro" e fazer-lhe todo o tipo de patifarias, ao ponto de ele se soltar e colocar todo o quintal em pânico e depois desaparecer para o pinhal mais próximo.

Muitas vezes, depois da notícia chegar lá casa, era eu que saía em sua busca, com apenas seis, sete anos, e trazia-o de volta ao quintal dos tios. 

Mas era uma aventura e pêras, chegava a ser "arrastado" pela sua força, como se estivesse a fazer patinagem. Bastava ele sentir o cheiro dos malandretes que adoravam provocá-lo e lá ia eu.

As coisas que fazemos quando somos pequenos... e não tinha medo nenhum dele, até gritava com ele quando ele ficava mais violento. 

Nunca me fez mal. Pelos vistos também gostava de mim...

domingo, setembro 02, 2012

A Arte nas Estações de Comboios


Tenho saudades do tempo em que as estações de comboios eram um lugar aprazível, com belos azulejos a mostrar a quem chegava o que de melhor existia na Localidade e nos arredores.

Foi por isso que no mês passado, passei com os meus filhos pela estação deserta, para olharmos os lugares bonitos das Caldas, retratados na forma de azulejo...

domingo, agosto 26, 2012

A Facilidade com que se Inventam Palavras nas Aldeias


A minha avó materna sempre teve alguma facilidade em inventar palavras, pelo menos eu pensava assim, quando era mais jovem.

Tenho quase a certeza que nunca a corrigia, limitava-me a sorrir. 

E também não pensava muito nas coisas, muito menos na razão desta facilidade.

Agora já quase crescido, com os cabelos a branquearem, deu-me para decifrar este "enigma", que nem teve nada de complicado, apenas me exigiu alguma razoabilidade.

A sua capacidade de invenção estava ligada sobretudo à liberdade com que se comunicava (e ainda comunica...) oralmente  nas aldeias. 

A falta de escola, de regras gramaticais, do conhecimento formal dos verbos, substantivos e adjectivos, entre outras coisas ainda mais estranhas, tornava a sua linguagem original e autêntica. 

Não conseguiam ler livros mas a oralidade oferecia-lhes um mundo de palavras, que podiam utilizar a seu bel prazer.

O óleo é de Samane Turnbull.

sexta-feira, agosto 24, 2012

As Minhas Visitas "de Médico" às Caldas


Neste último ano a maior parte das minhas visitas às Caldas resumiram-se a um simples almoço de família.

A desculpa que ofereço a mim próprio é a agenda de fim de semana, quase sempre com actividades. Mas sei que não é apenas isso.

Há períodos das nossas vidas em que sentimos mais necessidade de regressar às origens, que outros.

Sei também que quando andamos a correr de um lado para o outro, temos menos tempo para parar e para pensar.

É verdade, quase que me esquecia que uma viagem de ida e volta para as Caldas de carro, já custa uma pipa de massa. O preço da portagem somado ao combustível, faz com que a viagem de apenas uma pessoa seja quase um "luxo". O comboio (que já foi o melhor transporte do mundo...) há muito que não é alternativa. Resta o "expresso", mas...

Sei também que quem fica a perder sou eu. As pessoas que não vejo, as conversas que não tenho...

Senti isso no fim da tarde do dia 15 de Agosto, em que me encontrei no Café Central com uma pessoa especial, com quem é sempre agradável falar, das coisas da cultura, dos livros, e claro, da nossa própria cidade. Estive à conversa com a Teresa uma hora e poucos minutos e além da sensação de prazer que tive, senti que ficou tanto por dizer...

quarta-feira, agosto 22, 2012

A Praça da Fruta das Caldas


Não é apenas o encanto da Praça ser ao ar livre, em pleno coração da cidade, que cativa turistas e forasteiros. É sobretudo o equilíbrio que existe entre a qualidade e o preço dos seus produtos.

Quem como eu vive nos arrabaldes da Capital, sabe que não encontra fruta e legumes com estas cores e cheiros, a estes preços, nos mercados locais, e muito menos nos hipermercados.

É por estas pequenas coisas que nos apetece por vezes (cada vez mais...) regressar ao Oeste...

domingo, agosto 19, 2012

Os Paços do Concelho


O meu filho chamou-me a atenção para a arquitectura do edifício, que hoje é a sede da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, e foi durante muitos anos, os Paços do Concelho das Caldas da Rainha, bem no coração da cidade, na Praça da Fruta. Quase que parece um templo religioso.

Recordei-lhe que em Almada se passa a mesma coisa, com a particularidade de a presidente continuar a manter o seu gabinete da presidência nesse edifício.

quinta-feira, agosto 16, 2012

O 15 de Agosto



O 15 de Agosto continua a ser um dia especial nas Caldas da Rainha.

Foi durante todo o século vinte (e parte do dezanove...)  o dia que  mais gente de fora atraía à Cidade Termal.

Os restaurantes, por exemplo, não tinham mãos a medir...

Hoje as coisas são diferentes, não apenas pela crise, mas também pelas mudanças que se têm verificado na Cidade.

Provavelmente o presidente da Câmara acha que tem feito um excelente trabalho (e tempo não lhe tem faltado...), mesmo que possa ser traído pela realidade, mais forte que a sua vaidade...

Por exemplo, se o dinheiro gasto no CCC e nas Piscinas Municipais tivesse sido investido num projecto termal moderno (também com uma sala de espectáculos e piscinas, que ainda por cima poderia ter apostado na recuperação do Casino do Parque...), as Caldas da Rainha seriam, sem qualquer dúvida, uma cidade diferente, mais à imagem da Rainha D. Leonor...

domingo, agosto 05, 2012

Gosto Dela Desde que me Lembro


Acho que gosto da Marylin desde que a vi (em fotografias, claro).

Não sei se é por ter desaparecido no ano que nasci ou por outra razão.

Tenho quase a certeza que me influenciou na minha preferência pelas louras...

domingo, julho 29, 2012

Frederico Silva Vice-Campeão Europeu de Ténis


O caldense Frederico Silva, a grande esperança do ténis português, sagrou-se vice-campeão europeu de ténis, sub-18, na Suiça.

Grande momento para o Frederico, para o desporto da nossa Cidade e para esta família de desportistas e gente amiga, especialmente para o Isidro, que tem apoiado da melhor maneira a carreira do filho.

segunda-feira, julho 23, 2012

A Casa dos Patudos


De regresso a casa, fizemos uma pausa em Alpiarça e fomos visitar a Casa dos Patudos.

Foi uma bela surpresa, especialmente para nós que gostamos de objectos de arte, coisa que não falta no Palacete que foi propriedade de José Relvas, um dos pais da República portuguesa.

Além dos magníficos azulejos, do mobiliário, das jóias, das louças, das esculturas, há dois aspectos que merecem um relevo especial: as peças artísticas de Rafael Bordalo Pinheiro e os quadros de José Malhoa (pintor da família...).
O quadro de José Malhoa que ilustra este texto, retrata Carlos Relvas, o pai de José Relvas, famoso fotógrafo e também cavaleiro tauromáquico.

terça-feira, junho 26, 2012

As Praias de Peniche


No sábado fui almoçar às Caldas e depois passei por Peniche, antes de regressar a casa.

Gostei de ver com os próprios olhos os bons acessos às várias praias da Cidade piscatória.

Penso que o único senão das praias do Oeste é mesmo o nevoeiro. O vento também gosta de soprar forte, mas não é tão incomodativo...

quinta-feira, junho 21, 2012

O Começo do Verão...


Embora a região das Caldas tenha um microclima especial, que nos permite ter um Verão mais fresco que na maior parte das Terras, vou deixar aqui uma foto tirada no Verão de 2011, quando ficámos na Foz do Arelho até ao pôr do Sol...

domingo, junho 17, 2012

O Zé Povinho Empurrado para o Mundo


Tirei esta fotografia no Verão de 2010, no interior do CCC.

Este Zé Povinho pode muito bem andar por aí, feito nómada, ainda por cima de "triciclo" a pedais.

Ao revisitar algumas fotografias, apareceu esta e lembrei-me do Relvas e do Coelho, essas sapiências pardas, que fingem governar o país, para quem o futuro passa por todo o lado, menos dentro de Portugal.

Pelo menos é essa leitura que faço, quando convidam os jovens a partir para outras paragens...

sábado, junho 09, 2012

Lá Dizia o Camões...


Mais um desenho urbano das Caldas, a homenagear Luís de Camões e o Amor, o tal fogo que arde sem se ver...

quarta-feira, maio 30, 2012

As Regatas Nocturnas do Parque


Nem sou muito "arrumadinho", mas achei graça à forma como os barcos do Parque das Caldas estavam atracados, em jeito de "pódio".

Por falar em pódios, li na "Gazeta" que na passada sexta (há quase quinze dias...) tinham decorrido as "Regatas  Nocturnas do Parque D. Carlos", com assinalável êxito (11 equipas e 45 participantes), que nem a chuva demoveu desta aventura.

A "Gazeta" diz que as regatas se vão repetir durante o Verão.

Isto é o que eu chamo uma boa notícia, tentar sacudir a Cidade da pasmaceira.

Quando por qualquer motivo o presidente da edilidade caldense vem á baila, lembra-me sempre um dos números dos "malucos do riso", em que alguém gritava numa esquadra, »Ó Costa! Ó Costa!». Espero que haja vários alguéns nas Caldas,  a "sucrinarem" aos ouvidos da excelência - mesmo que seja só de vez em quanto -, porque a Cidade merece muito mais do que festas brancas ou cor de rosa no areal da Foz do Arelho na época estival...

segunda-feira, maio 21, 2012

Artistas & Modelos


Está estátua da "ilha" do lago do Parque das Caldas, lembrou-me as queixas do João, artista plástico não profissional, que se lastima por não ter dinheiro para pagar a modelos femininos nem capacidade para angariar modelos de graça...

É por isso que a maior parte dos modelos dos seus esboços são de papel, retirados das revistas que muita gente chama "masculinas"...


terça-feira, maio 15, 2012

Dia da Cidade


Hoje, dia 15 de Maio, é o dia da Cidade das Caldas da Rainha.

Com este calor, é provável que uma boa parte dos caldenses aproveitem para ir ver o mar e refrescar o corpo e a alma, na Foz do Arelho ou em S. Martinho do Porto.

Além do concerto musical, do fogo de artificio, haverá a habitual distribuição das medalhas de mérito municipal.


E segundo li na "Gazeta", será inaugurada uma exposição de pintura do José Pires, artista caldense, no CCC. 

Por vezes os tempo de crise têm uma vantagem, recorre-se à prata da casa...

Nesta fotografia, que tirei em 2009 o José Pires está a conversar com Teresa Perdigão,  na rua das Montras, onde tinha patente uma mostra dos seus quadros. 

Não sei se a Teresa já foi distinguida pelo Município. Caso tal não tenha acontecido, já era tempo de a homenagearem, por todo o trabalho que tem desenvolvido na defesa e divulgação da cultura mais tradicional do nosso país, bem patente na sua série de quatro volumes, "Tesouros do Artesanato Português", editados pela Verbo. 

terça-feira, maio 08, 2012

Óbidos é Sempre um Encanto


No domingo fui almoçar às Caldas com a minha mãe e o meu irmão.

Como fui um pouco mais cedo, fiz uma paragem em Óbidos, onde aproveitei para tirar alguns retratos, da Vila das paredes brancas, com frisos azuis e amarelos, sempre com turistas...

terça-feira, maio 01, 2012

Cidade de Maio


Caldas da Rainha é sem qualquer dúvida uma Cidade de Maio.

Digo isto porque neste mês o Parque torna-se mais luminoso e a Praça da Fruta ganha mais cor, graças a uma maior variedade de frutas e legumes (e claro, das roupas das pessoas que passam...). E continuam a ser dois lugares emblemáticas da minha Cidade...

Além disso o seu feriado municipal é a 15 de Maio...

segunda-feira, abril 23, 2012

As Caldas Nunca foi uma Cidade de Abril


Olho para os anos que vivi nas Caldas da Rainha (desde os primeiros dias de vida até aos dezoito anos...) e sinto que a Cidade nunca foi de Abril.

Um dos aspectos que acho mais curiosos, foi as principais inovações no campo cultural terem acontecido ainda antes do 25 de Abril de 1974, graças ao famoso Conjunto Cénico Caldense.

Não é por acaso que Caldas da Rainha, mesmo depois da Revolução, continuou a ser governada pelos partidos mais conservadores e do lado direito da política, até à actualidade.

Mas pior que os partidos, têm sido as pessoas, sempre prontas a cortar qualquer "bocejo" do lado esquerdo. Não esqueço o fim da "Casa da Cultura"...

Decididamente, os cravos nunca foram as flores da Cidade (foto da minha autoria da Praça da Fruta).

quinta-feira, abril 19, 2012

As Caldas da Rainha


Quando as Caldas da Rainha, no seu hospital termal, continuam a marcar passo, sem que exista um aproveitamento das suas valências e do seu património, foi engraçado encontrar um exemplar da revista "Arquivo Nacional", de 5 de Abril de 1939, que tem uma reportagem sobre a doença de D. João V e as suas curas nas águas da Vila das Caldas da Rainha...

sábado, abril 14, 2012

O Palacete da Praça do Peixe


As Caldas da Rainha ainda possuem alguns palacetes, como este na antiga "Praça do Peixe".

A minha avó esteve lá "a servir" (era esta a designação que se dava às jovens que iam desde cedo trabalhar como criadas para as casas de famílias importantes).

Só lá entrei uma vez, na sua companhia. A avó aproveitou uma passagem na cidade foi visitar as senhoras (as "Pereiras", que foram donas de uma boa parte da localidade, no tempo das "quintas" que rodeavam as Caldas e onde o avô foi feitor...). Não devia ter mais onze, doze anos.

Fiquei encantado com a casa, especialmente com o seu jardim interior, onde nem faltava um pequeno lago... 

Felizmente o palacete continua com um bom aspecto exterior.

terça-feira, abril 03, 2012

Talvez Sejam os Ares da ESAD...


Reparo que as Caldas estão povoadas de desenhos de rua, que se aproximam do conceito que temos de Arte.  Furam o mau gosto e até conseguem ter alguma graça pela sua pertinência. 

Penso que a existência de tanto pedaço de arte urbana, se deve à existência da ESAD (Escola Superior de Arte e Design) na Cidade, que deve deixar tantos jovens em "efervescência".

Penso eu, claro.

quinta-feira, março 29, 2012

Passei pelas Caldas e... (3)


Ao passar pela tua avenida do Parque, lembrei-me da matéria diária que terias para desenhar e legendar, se estivesses por cá, com políticos tão manhosos à frente do país. Cem vezes piores que o teu "António Maria",  Rafael...

domingo, março 25, 2012

Passei pelas Caldas e... (2)


Depois de ter passado pelo parque ia até ao centro da cidade, quando vi que o Museu do Ciclismo estava aberto.

Entrei e vi uma bonita exposição fotográfica de um encontro de "velhas pastelheiras". Ainda tirei uma fotografia, antes de me informarem que era proibido "disparar", mesmo estando no Oeste...

Belo trabalho que o Mário Lino tem feito na nossa cidade, através do "mundo das bicicletas".

sábado, março 24, 2012

Passei pelas Caldas e... (1)


Passei pelas Caldas, onde almoçei com a minha Mãe, que continua a ser a razão maior das minhas passagens (curtas) pela Cidade onde cresci.

Para variar fui ao Parque e tirei este "boneco", num ângulo diferente, à esta Mãe, que  tem tudo para ser um belo símbolo de todas as mães deste mundo.

terça-feira, março 20, 2012

Um Grande Campeão


Quando se parte com apenas 51 anos, ficamos sempre com a sensação que ainda não era tempo...

Falo de António Leitão, atleta com quem privei várias vezes, simples e humilde, como quase todos os fundistas portugueses de classe.

Foi um grande campeão, dos melhores do mundo, quando as pistas, as estradas e os campos enlameados, ainda não tinham sido invadidos pelos atletas africanos.

Conquistou medalhas e títulos desde os juniores (medalha de bronze no Campeonato da Europa), mas se houve uma medalha especial foi a que conquistou nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1984, de bronze, na sua prova-rainha, os 5.000 metros.

Foi também recordista nacional dos 5.000 metros, com uma das melhores marcas do mundo (13.07,70), suplantando os seus heróis e amigos, Carlos Lopes e Fernando Mamede, em 1982.

Ainda hoje recordo a primeira vez que o vi correr, ao vivo, foi no inverno de 1979, nos campeonatos nacionais de corta-mato, disputados na Figueira da Foz, tendo também participado, no escalão de juvenis, com as cores do inesquecível Atlético Clube Arneirense, 

António foi e será sempre um Grande Campeão!

terça-feira, março 13, 2012

«O Mundo mudou. Ponto final.»


«Não. O mundo mudou mas ainda não acabou. Tira lá esse ponto final.»

Foi assim que eu respondi, a uma pessoa cansada de viver neste mundo, em que se fecham mais do dobro das portas que se abrem, quando disse: «O mundo mudou. Ponto final.»

Somos quase todos conformistas, por isso é que conseguimos eleger políticos tão ordinários, corruptos e incompetentes. Temos um presidente da República que corre o risco de ficar na história como o pior dos piores (nem na ditadura havia gente assim, nem mesmo o Américo Tomás...). Temos presidentes de Câmara que se perpetuam no poder, sem fazer nada de significativo pelas suas gentes, além de se endividarem com obras faraónicas, onde no fim cortam uma fita e colocam uma placa com o seu nome. Mas o mundo avança...

O quase patrono das "Viagens", Alberto Caeiro, era capaz de dizer isto:

Fecham mercearias, 
fecham livrarias, 
mas o mundo avança... 
sem pontos finais, 
apenas com uma ou outra mudança.

O óleo é de Chris Miles (porque continuamos a ser uns anjinhos).

segunda-feira, março 05, 2012

A Tia, a Mãe e o Poema


De vez em quando escrevo poemas.
Não é uma coisa fácil como a prosa.
O Gui diz que cada qual é para o que nasce. Tem toda a razão, mas muitos de nós somos teimosos e insistimos, insistimos, sabe-se lá porquê...

O giro da coisa é que a maioria dos poemas que escrevo são "encomendas". Uma boa parte deles andam por aí, dispersos em pequenos cadernos colectivos, outros em antologias.

Falo em poemas aqui nas "Viagens", porque um dos meus poemas foi escolhido pela minha tia Ilda para homenagear de alguma forma a minha Mãe (e a mim, claro...), dizendo-o em público, ainda que num ambiente familiar, na Nazaré.

O óleo é de Liz Ridgway.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Jaime Graça (1942 - 2012)


Na segunda metade do mês de Agosto de 1991 tive o prazer de entrevistar Jaime Graça, para o "Contra-ponto", a minha página fixa dos domingos no "Record".

Descobri agora que foi a única entrevista que realizei nas Caldas, numa altura em que Jaime Graça era o treinador da equipa principal do quase centenário, Caldas Sport Clube.

Gostei bastante de falar com ele e também da forma como fui recebido no velho Campo da Mata. Voltámos-nos a encontrar mais duas vezes, uma em Setúbal e outra em Lisboa. Na Cidade do Sado foi durante um almoço, daqueles que se prolongam pela tarde fora, cheios de histórias deliciosas, muitas das quais com o selo de proibido, por se intrometerem com a "batota" que continua a existir no mundo do futebol. 

Estive a reler a entrevista, publicada a 1 de Setembro de 1991 e transcrevo apenas duas frases. A primeira é a resposta a uma quase provocação, pois ele apesar de realizar um bom trabalho por onde passava, nunca treinou nenhum clube da primeira divisão...

«Existem bons técnicos em equipas mais modestas, só que é difícil arranjar-se uma bitola para fazer certas medidas. Noto que na primeira divisão há  uma rotação entre os mesmos treinadores. Há alguns que deixam descer constantemente  equipas e continuam em voga. Faz-me lembrar a selecção do meu tempo, um jogador mesmo abaixo de forma era sempre convocado. Éramos quase sempre os mesmos.»

Também lhe perguntei o que achava das Caldas da Rainha:

«É uma cidade muito gira, é pequena, tem pouca poluição, tem um bom ambiente cultural e está cercada de uma série de vilas com interesse turístico. É uma boa cidade para se viver sem grandes vícios.»

É a minha homenagem ao Homem e ao Ídolo do futebol, sem pés de barro.

A imagem foi retirada do jornal, "A Bola", de hoje.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Ainda a Festa das Artes da SCALA


Esta foi outra das fotografias com que participei na Festa das Artes da SCALA, exposição artística de artesanato, escultura, fotografia, ilustração e pintura.

Como disse anteriomente, o meu "portefólio" foi  dedicado às Caldas e ao Parque D. Carlos.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Festa das Artes da SCALA



Este ano resolvi participar na "Festa das Artes da SCALA", com quatro fotografias do Parque D. Carlos, das Caldas da Rainha.


Duas delas já as publiquei aqui, a de hoje é uma estreia, que nos mostra as várias tonalidades de verde, durante um passeio de barco pelo lago, com os Pavilhões como pano de fundo...

sábado, fevereiro 11, 2012

O Painel de Júlio Pomar


Quando o " Café Central" esteve em riscos de fechar, houve muitas manifestações contra o seu encerramento, veio ao de cima toda a sua história tertuliana, protagonizada por uma elite da Cidade.

Mesmo sem ter sido frequentador assíduo do café, manifestei-me contra, com uma crónica publicada na "Gazeta das Caldas".

Nessa altura a primeira coisa que me lembrei foi do painel de Júlio Pomar, que quando ainda não era um artista famoso, andou pela Secla, onde havia uma espécie de "laboratório de arte barrista", que chamou muitos jovens, que hoje são nomes sonantes das artes plásticas.

Até Manuel Cargaleiro, antes de partir para Paris, veio várias vezes às Caldas e à Secla (confidenciou-me ele, quando soube que eu era natural das Caldas...).

domingo, fevereiro 05, 2012

«Estamos "arrumados" como o Caldas.»


Esta expressão está mais actual que nunca, quer pela situação do país, quer pela classificação do Caldas no campeonato da II divisão de futebol, o primeiro a contar do fim da zona sul.

Embora sempre que procuro os resultados deste campeonato, esteja esperançado que o Clube possa ter iniciado a recuperação, a realidade futebolística diz-me que os "milagres" têm um preço demasiado elevado.

Como caldense fico aborrecido, mas percebo que deverá ser difícil fazer melhor com uma equipa jovem e barata. Como consequência dos maus resultados o treinador (Gila) - que não conheço pessoalmente, mas tenho a certeza que é um bom técnico - pediu a demissão. São situações normais no futebol português. Provavelmente já estava a ser contestado, tal como acontece com Domingos (para mim  é o melhor treinador da primeira liga...) em Alvalade e que não merecia tanto azar.

Embora distante (são mais ou menos cem quilómetros), prefiro que o Caldas continue a apostar nos jogadores da região e a fazer uma gestão rigorosa, mesmo que isso tenha custos desportivos, que a contratar "prima-donas" de segunda, para ficar a meio da tabela...

domingo, janeiro 29, 2012

Janelas do Nada


Irrita-me o abandono urbano, especialmente o de casas com história.

Estas janelas são da antiga escola primária da "praça do peixe", praça onde morou durante anos o "Cine-Teatro Pinheiro Chagas", que também passou os seus últimos anos de vida, desgraçadamente abandonado, depois de lhe terem "esventrado" o seu interior.

Esta falta de amor pelo passado, pela histórias, pelas memórias, talvez explique porque razão os nossos idosos acabam os seus dias na mais completa solidão.

E este é o pior dos abandonos...

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Os Pavilhões, a Senhora do Pópulo e o Ferreira da Silva


Resolvi "ler" esta  imagem ao contrário, com o olhar preso nos Pavilhões do Parque, onde estudei no Liceu, que assim escondidos, não se percebe a sua imponência.

Pavilhões que um dia virão a baixo, pois parece que ninguém os quer...

Depois encontrei a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, que é só o monumento mais antigo, e mais importante da Cidade.

Para o fim ficou a arte do Ferreira da Silva, um artista plástico caldense que não pode dizer que "santos da terra não fazem milagres", pois está bem representado em vários locais das Caldas, inclusive o que documenta a foto, as traseiras do espaço museológico do Hospital.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Gosto desta Fotografia


Gosto muito desta fotografia.

Talvez a mostre numa exposição colectiva, no próximo mês.

Não sei se é da cor ou da profundidade, mas sinto que tem algo de especial.

E como vêm, continuo "preso" ao Parque das Caldas da Rainha...


quinta-feira, janeiro 05, 2012

Paz e Solidão


Não tenho muitas dúvidas que o Parque das Caldas nunca foi um lugar de eleição para um boa parte dos Caldenses, apesar da sua beleza. Isso talvez explique o que o Xico, um dos comentadores das "Viagens" disse, que o  Museu Malhoa é muito pouco visitado pelos locais. Infelizmente.

Infelizmente mesmo, pois é o espaço mais bonito da Cidade.

Esta fotografia, datada de Dezembro, mostra muito do que experimento ao passear pelo Parque, Paz e Solidão. Uma solidão que não me é desagradável pois dá espaço à interioridade, ao mesmo tempo que me permite olhar com "todo o tempo do mundo" para tudo o que me rodeia, mesmo sem precisar de me sentar num dos bancos de jardim...

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Dar as Mãos


O segredo deste novo ano, poderá muito bem ser darmos as mãos.

E não digo isto apenas no sentido de ajudarmos quem nos rodeia, mas sim no sentido de nos unirmos para lutar contra o "estado de coisas", a que assistimos com demasiada serenidade, em que alguns casos são um autêntico "roubo".

Esta escultura de Leopoldo de Almeida, é muito mais que um "Grupo Decorativo", como está na sua legenda, quase às portas do Museu José Malhoa.

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Eu e os Candeeiros...


Na minha passagem pelas Caldas, lá descobri mais dois ou três candeeiros, para a colecção.

Gosto de andar pela cidade e sentir-me mais turista que alguém da terra. Sei que também  é por isso que olho com tempo para todas as coisas que me rodeiam...

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Boas Festas


Desejo Boas Festas a todos aqueles que fazem "viagens pelo oeste".

Que em 2012 vejamos alguma luz, como a que se vê ao fundo deste quase túnel, do nosso parque, das Caldas...

terça-feira, dezembro 20, 2011

A Visão das Berlengas


No meu regresso ao Oeste, decidi sair da auto-estrada e viajar rente ao Oceano.

Acabei por ir até ao Cabo Carvoeiro e gostei de ver as Berlengas e os Farilhões, com uma nitidez pouco vulgar.

Gostava de encontrar Mariano Calado e acabei a circular na sua longa Avenida...

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Imaginem Só Quem Encontrei na Lagoa...


Quando estamos uns meses sem aparecer no Oeste, apetece-nos dar uma espreitadela a todos os lugares que nos dizem algo.

Foi por isso que durante a manhã do feriado, fui até ao coração da Lagoa de Óbidos, andando e parando, nas suas margens.

Já quase na Foz do Arelho, encontrei a "Rita Pavoni", a ser puxada para a margem por um pescador...

domingo, dezembro 11, 2011

Grandes Planos: O Rei


Provavelmente era republicano, mas pela sua qualidade e pelo que nos deixou, considero José Malhoa o Rei das Artes, pelo menos das Caldas da Rainha.

O seu museu continua a ser mais emblemático das Cidade, e também um dos mais bonitos do país, por estar metido dentro do Parque D. Carlos, com toda aquela envolvência florida e agradável.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Grandes Planos: A Rainha


Finalmente fui às Caldas!

Jantei com um bom grupo de amigos de infância, onde se soltaram muitas histórias e outras tantas personagens. O que achei mais estranho foi ouvir falar de nomes, saber da sua existência mas não lhes conseguir dar rostos...

Hoje de manhã andei pela cidade, olhei isto e aquilo, tirei fotografias aqui e ali. Olhei com atenção para a estátua da Rainha D. Leonor e achei-a serena e nada "generala", apesar de nos impor a sua presença de um forma forte...

Espero que ninguém pense em retirá-la do seu pedestal.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Saudade...


Apetecia-me passear de sobretudo dentro do frio que encolhe as árvores, mesmo as gigantes, quase despidas do Parque.

Também me apetecia sentir a humidade do oceano, que tenta entrar dentro de nós, rente ao mar da Foz.

Fecho os olhos e quase que ouço o mar, juntamente com algumas vozes familiares, com quem é sempre um prazer trocar mais de dois dedos de conversa...

O óleo é de José Malhoa, "Outono"...

terça-feira, novembro 15, 2011

À Procura da Geração Anterior...


A diferença de dois anos nunca foi grande, os amigos do meu irmão foram os meus.

Embora tenha dificuldade em fazer divisões geracionais, somos, sem qualquer dúvida, da mesma geração.

Quando começo a procurar a geração anterior à nossa, acho que recuo demais no tempo. Vou buscar o Henrique e os seus amigos (que deviam ter mais dez anos que eu, pelo menos, pois o Henrique ainda foi obrigado a cumprir o serviço militar em Timor, no começo da década de setenta do século passado). Por ele ser irmão do Fernando, o nosso grande amigo de infância, olhávamos para a sua "tribo" com bastante admiração e condescendência, até por serem quase loucos... especialmente o Rui "taranta" e o Joaquim "bronquite".

Embora fosse pequenote, lembro-me de os espreitar na praia a rondar as miúdas e também de os ver sairem de casa com camisas floridas, sem se preocuparem com os velhos "machos" que achavam que aquilo era coisa de maricas. Só não fazia ideia era que eles estavam a sofrer influencias dos movimentos "hippies" e do Maio de 68...

Apesar da ditadura, parece que o "mundo" não estava assim tão longe.

O óleo é de Mike Briscoe.

segunda-feira, novembro 07, 2011

O Grande Malhoa


Estava por ali, naquele espaço, a olhar aqueles quadros, como faço tantas vezes nas Caldas, aos domingos de manhã (agora que querem acabar com as "borlas", vai ter de ser diferente...) quando me perco no Museu Malhoa, sem me cansar de olhar as obras, que já olhei, dezenas de vezes...


Foi por isso que me apeteceu intrometer na conversa dos dois sujeitos que falavam alto sobre o naturalismo, dizendo que os tipos do Grupo do Leão deviam ter-se dedicado à fotografia e não à pintura.

Limitei-me a sorrir e a passar ao largo, agradecido ao grande José Malhoa e companhia.