terça-feira, abril 30, 2013

A Dança, a Música e as Palavras


Ontem foi Dia da Dança.

Hoje é Dia do Jazz, essa música quase escura, que gosta tanto do improviso.

Embora ambas gostem de comunicar sem palavras, apenas com a magia dos corpos e dos sons que se soltam dos instrumentos, com quase muita liberdade, não resisto a escrever palavras.

Palavras sem vento, mas mexidas como se dançassem, num improviso avesso a regras, quase com pavor a gramáticas, porque sabe tão bem a liberdade...

Ao contrário do que muita gente diz, ainda é possível cheirar cravos, neste Abril que quer ser rendido por um Maio, mais maduro.

O óleo é de Massimo Maramo.

segunda-feira, abril 29, 2013

Os Campos Floridos


Neste fim de semana prolongado não estive no Oeste, andei pela Beira mais Baixa. E como gostei de ver os campos floridos, com tantas variedades de plantas e cores.

Bendita Primavera...

Como gostei de sentir a Liberdade...

terça-feira, abril 23, 2013

Livros e Leitores sem Idade


Apesar das mudanças na sociedade, o livro continua a ser o livro.

Continua a ser um companheiro de muitas horas e de gente de todas as idades.

Digo isto porque a minha filha com apenas oito anos, já é uma "devoradora" de livros de papel.

E não se contenta apenas com os cá de casa, gosta de requisitar livros da biblioteca da escola.

Claro que sei que esta paixão continua a ser coisa de minorias, uma boa parte das pessoas que compram livros, fazem-no com o intuito de decorar as estantes. É a vida...

A propósito tenho uma pequena surpresa no blogue "A Minha Carroça de Livros". Se vos apetecer, apareçam...

O óleo é de Robert Duncan.

domingo, abril 14, 2013

O Sol Apareceu...


Esta semana, quando me preparava para entrar na A8, não resisti e fui ver o "meu Mar" à Foz do Arelho.

Ele estava em forma, aliás está sempre, de Janeiro a Dezembro.

Alguns pescadores, algumas "turistas" e o cheiro a abandono, mais visível num dos quiosques coloridos, que já tiveram melhores dias numa das muitas praias do nosso país, que raramente foi acarinhada como merecia e devia...

E nem vou falar da Costa de Caparica...

Felizmente o Sol apareceu este fim de semana, marcando encontro com as pessoas, que estão de regresso aos areais quase brancos, para dar um «olá mar», mais alegre que de costume.

quarta-feira, abril 10, 2013

«Bom dia Cidade!»


Foi quase isto que fui fazer às Caldas, na terça-feira.

À cidade, praticamente só lhe fui desejar bom dia, embora já se caminhasse para a tarde. Mas não foi um bom dia qualquer, levava um sorriso aberto.

Ainda passei pelo Parque. Embora não esteja tão primaveril como noutros tempos, pensei que o iria encontrar pior, por ser mais uma "vitima", completamente inocente, das guerras de "poder" que se multiplicam por este país, quase sempre sem sentido.

O resto do tempo foi para colocar a conversa em dia com a  minha mãe.

sábado, abril 06, 2013

Voltar (ou não) aos Lugares onde Fomos Felizes


Os livros e os filmes falam sobre as nossas vidas, mesmo quando são escritos ou filmados por um japonês ou canadiano. As nossas generalidades dão quase sempre cabo das singularidades...

São eles que nos dizem, e é quase verdade (quase...), que não devemos voltar uma segunda vez aos lugares onde fomos muito felizes.

Acenam-nos de que a desilusão é certa...

Só se esquecem de um pormenor, da nossa capacidade de "ver coisas", mesmo onde elas já não existem...

(Onde me consigo abstrair com mais facilidade é nas praias que conheci na infância, algumas quase desertas e hoje têm avenidas que quase querem entrar no mar. Consigo quase sempre, ao fechar os olhos, ver os caminhos de areia que percorríamos até ao mar do nosso encantamento...)

O óleo é de Damian Elwes.

terça-feira, abril 02, 2013

Bom Dia Abril


Apetece-me dizer, «Bom dia Abril»!

Mas digo-o hoje, dia dois, para que não seja mentira.

Porque Abril é sempre sinal de esperança e muitas vezes de mudança.

Que seja, mas para melhor.

Esta janela que escolhi é tão "Oeste"... lembra-me outras janelas do meu contentamento, lá para os lados de Salir de Matos e arredores, onde fui feliz...

O óleo é de Damian Elwes.

quinta-feira, março 21, 2013

O Nosso Rafael no Google


Tal como a Isabel Castanheira, protectora da obra do grande Rafael Bordalo Pinheiro, também fiquei surpreendido pela "memória" do google, que lembrou para o país (e será que também para o mundo?), que hoje se comemorava o 167º aniversário do pai do Zé Povinho e de tantas outras figuras inesquecíveis.

E as Caldas a dormir na forma, como salientou a Isabel nos seus "Cavacos"...

quarta-feira, março 20, 2013

A Primavera


Durante anos a Primavera começava no dia 21 de Março, no mesmo dia que se comemorava o Dia da Árvore e o Dia Mundial da Poesia.

Recentemente houve alguém que decidiu que afinal a Primavera começa a 20 de Março, ou seja hoje.

Provavelmente existe alguma explicação científica para o facto (existe sempre...), mas continuo a pensar que a Primavera só começa amanhã...

E também espero que o nosso Parque continue com flores, como estas...

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

A Ilha dos Amores


O Parque das Caldas é um manancial de poesia, até tem a sua "ilha dos amores", que bem poderia estar aberta às pessoas...

Quando era mais pequenote, lembro-me que não possuía o gradeamento de hoje e de chegar a passear por lá.

Deve ter sido nos anos setenta, mas após a Revolução de Abril, um tempo sem os guardas de boné e apito em riste, sempre que colocávamos o pé na relva...

Sei que nem toda a gente sabe viver em liberdade, mas não tenho dúvidas que a vida era  muito mais agradável sem grades.

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Os 75 Anos dos Pimpões


Os "Pimpões" festejaram ontem a bonita idade de 75 anos.

É o grande clube do Bairro da Ponte, que tal como todos os outros bairros da cidade perdeu fronteiras e hoje é quase só Cidade.

Na infância e adolescência sentia alguma inveja por o meu bairro (bairro dos Arneiros, que hoje está praticamente colado...) não ter nenhum clube recreativo como os "Pimpões".

Alguns dos meus amigos da escola primária tinham ligações familiares a esta colectividade, que sempre primou pela diferença, privilegiando a cultura, através da música e do teatro.

Até a escolha do seu nome tem uma bonita história, já que se inspirou num dos vários jornais humorísticos  de Rafael Bordalo Pinheiro, o "Pimpão".

Parabéns a todos aqueles que dão vida a esta Colectividade, que fica numa rua que me é cada vez mais familiar. 

terça-feira, fevereiro 12, 2013

O Carnaval das Caldas


O Carnaval nas Caldas, ao contrário do de Almada, sempre foi uma quadra de alegria, desde o corso aos bailes.

Esta era mesmo a única altura que a maior parte do meu grupo de amigos frequentava bailes, principalmente os do Hotel Lisbonense e da Columbófilia, em que a festa durava até de manhã.

O corso também era sempre uma animação.

Não sei como é hoje. Falo do que me divertia há já mais de trinta anos...

O óleo é de Goyo Dominguez.

domingo, fevereiro 03, 2013

Quase uma Selecção do Oeste


O meu irmão enviou-me duas fotografias, uma delas era esta, a de uma estafeta de 4x400 metros, da qual ambos fizemos parte e em que batemos o recorde regional de Leiria (3.33,1), durante os campeonatos nacionais de estafetas disputados no Estádio Nacional, no final de Abril de 1985 (há quase trinta anos...), com as "cores" da Associação Penichense. Recorde que já era nosso, mas com as cores do Arneirense...

As aspas nas cores no parágrafo anterior não aparecem ali por acaso, pois ao longo de toda a época nunca recebemos qualquer equipamento do clube de Peniche. E como se pode ver pela fotografia, cada um de nós correu com o equipamento próprio que lhe apeteceu, como se fossemos de quatro equipas diferentes...

Ainda há outro aspecto curioso, esta equipa era quase uma selecção do Oeste, eu e o meu irmão em representação das Caldas, o João de Alcobaça e o Zabumba da Nazaré.

Foi uma época muito peculiar, em que só nos inscrevemos pela Associação Penichense pela amizade que nos ligava a António Vasconcelos, que deixara o Arneirense e fora treinar este clube de Peniche.

terça-feira, janeiro 29, 2013

Nazaré na Onda Mundial


Graças ao americano Garret McNamara as ondas gigantes da Nazaré estão mesmo no mapa dos surfistas de ondas largas e longas.

Agradeço ao Garret esta promoção do Oeste e espero que o "mundo" apareça e goste desta Terra bonita e acolhedora, conhecida anteriormente fora das nossas fronteiras  pelos seus corajosos pescadores e pelas mulheres de negro, memorizadas em fotografias que correram mundo. Agora é outro tempo, o dos surfistas mais destemidos, capazes de enfrentar ondas de muitos metros, como a da imagem tirada na segunda feira por Sérgio Mendes, de São Martinho do Porto.

Adenda: em alguns jornais a autoria da foto é atribuída ao Tó Mané. Se for o caso, as minhas desculpas ao autor pelo lapso.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Um Mal Nunca Vem Só...


Depois do jogo do empurra em relação à limpeza do Parque das Caldas, em foram alguns voluntários e amigos deste lugar tão belo e majestoso, que se organizaram para o deixar maia apresentável, o mau tempo resolveu ferir ainda mais o Parque...

Ver algumas imagens do que aconteceu com o temporal, como a da capa da "Gazeta das Caldas", fazem doer...

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Os Nossos Espelhos


Algumas das reacções do meu filho fazem-me lembrar a minha rebeldia enquanto adolescente, em que mesmo sem saber quase nada da vida, já pensava saber tanto.

Mas grave é vermos alguns adultos a confundirem as palavras como se fossem adolescentes.

Às vezes apetece-me dizer-lhes que convicção não é a mesma coisa que teimosia, tal como coerência não é sinónimo de burrice.

Mas para quê?

O desenho é do genial Rafael Bordalo Pinheiro.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

A Cidade Clandestina


Com toda esta publicidade ao "bairro vermelho" de Viseu, lembrei-me que nunca conheci nenhum bordel nas Caldas da Rainha. Pode ter sido por distracção, mas penso que não. 

Isso aconteceu sobretudo por ter crescido já em liberdade, a alguma distância da geração (aliás, gerações...) de homens que cultivavam a visita a bordeis, como símbolo de virilidade (e até iniciação sexual...) e das mulheres que preservavam a "virtude" quase até ao casamento.

Já tinha vinte e alguns anos quando alguém me apontou um prédio antigo na Praça da Fruta e me disse que durante bastante tempo existiu ali uma "casa de tolerãncia". 

Nunca soube da existência de outra, ou outras, que com toda a certeza funcionaram na "Cidade Clandestina"...

O óleo é de Dimitry Lisichenko.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Recordações da Minha Escola Primária


Estava ali por mero acaso, a ouvir coisas que não devia nem queria... de um pirralho que com os seus nove, dez anos, contava orgulhosamente as suas aventuras na escola primária,   para quem o queria ou não ouvir. Desvendava pormenorizadamente a forma como fazia "gato sapato" da professora, que devia ser um anjo sem asas...

O que me fez mais impressão foi o riso de satisfação dos pais, provavelmente por terem um filho tão espertalhaço. 

Paguei o café e continuei a marcha.

Para me esquecer do que ouvira, recordei com carinho a minha professora da escola primária. Passados tantos anos, ainda a consegui ver a ensinar-nos, numa das salas do rés de chão da escola do Bairro da Ponte...

O óleo é de Jim Daly.

quinta-feira, dezembro 27, 2012

O Final de Ano


A proximidade do fim do ano é sempre um período complicado, em que se fecham e abrem ciclos, com a naturalidade possível.

Apesar das perspectivas do país não serem as melhores, tenho vários projectos na "manga" para 2013, que se dividem por actividades que nem têm sido muito exploradas por mim.

Claro que a maior parte destes projectos serão produzidos sem quaisquer contrapartidas financeiras...

Dizem que quem corre por gosto não cansa, mas nem sempre é assim. Há dois projectos para serem desenvolvidos nas Caldas. Espero que o vento sopre favoravelmente.

Espero pelo menos sentir-me bem com o trabalho desenvolvido.

O óleo é de Andrzej Gudanski.

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Natal Feliz, Feliz Natal



Natal

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

Manuel Alegre