segunda-feira, junho 15, 2020

A Televisão dos Telefonemas e dos Prémios nas Caldas



Ontem à tarde quando andava a saltar de canal em canal, descobri que um daqueles programas da tarde que visitam todos os fins de semana localidades portuguesas, tinha montado palco nas Caldas.

Além de passarem o tempo todo a "empurrar" as pessoas para que fizessem chamadas de valor acrescentado, acenando com milhares de euros e carros, achei de um grande mau gosto terem instalado um vendedor de facas no interior de um dos museus do Centro de Artes.

É esta a "ajuda" que dão à cultura...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

sábado, junho 06, 2020

Uma Memória e as Ruas Silenciosas...


As ruas estão muito mais silenciosas, quando se ouve uma voz humana, chama-nos logo a atenção.

Foi o que aconteceu há pouco, com duas vizinhas que aproveitaram para colocar as "novidades" em dia, sem se aperceberem que as suas vozes entravam nas nossas janelas, como se quisessem falar connosco.

Sorri e recordei o meu pai, que sempre foi avesso à chamada "quadrilhice" ou "coscuvilhice", que ainda continua a fazer mais parte do universo feminino que do masculino. Se havia pessoa que ele não achava muita piada no nosso bairro era à leiteira (uma senhora que passava todos os dias pelas ruas do nosso bairro, com o seu carro metálico com rodas de bicicleta, que deveria ter um sistema qualquer de refrigeração  - nem que fosse uma pedra enorme de gelo - e vendia leite do dia em pacote, ao mesmo tempo que também oferecia "notícias fresquinhas" a quem lhe dava dois dedos de conversa...).

"Lá vem o jornal do bairro", dizia ele, por graça. 

E ela era mesmo boa, sabia tudo sobre a vida dos outros. Podia inventar algumas coisas, mas era uma autêntica investigadora, especialista em mexericos. Podia assinar muita da prosa das revistas (que são mais da cor de burro quando foge, que rosa...) ou ter uma página de facebook muito visitada e comentada...

Nota: Texto publicado inicialmente no "Largo da Memória".

(Fotografia de Luís Eme - o "Segredo" de Lagoa Henriques, Lisboa)

sexta-feira, maio 15, 2020

Um 15 de Maio Diferente...


Nestes dias estranhos que vivemos, os cem quilómetros que me distam das Caldas da Rainha parecem mais de mil...

Mesmo sem saber pormenores, o Dia da Cidade teve de ser forçosamente diferente.

Quem não faltou à festa foi a "dona chuva", que está a fazer desde Maio o prolongamento do Abril das águas mil.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

terça-feira, maio 12, 2020

A "Rua 26" e as Chuvas de Maio...


Quando chove, custa menos ficar em casa.

Já lá vai o tempo que nos divertíamos a pisar poças de água (até a minha já está suficientemente crescida, para não me obrigar a esconder o sorriso... quando não resistia à tentação de passar por dentro de um "pequeno lago" de água).

Embora eu na minha meninice, além de meter o "pé na poça", também adorasse ficar na janela da sala da velha casa da "rua 26" (pois é, as ruas do bairro da minha infância eram numeradas, queriam lá saber de pessoas...), a a ver a chuva a cair e as pessoas a passarem, a fazerem uma ginástica enorme para fugir das poças de lama, num tempo em que o alcatrão ainda não chegara ao bairro, nos finais dos anos sessenta do século passado...

Ainda continuo a gostar de olhar para a janela, embora na minha rua (quase escondida), passem muito menos pessoas que na "rua do meio" (sim, além dos carteiros, ninguém lhe chamava "rua 26"...).

Nota: Escrevi este texto no meu "Casario", quando estava à janela da minha casa a ver a chuva a cair... Depois lembrei-me que esta era uma "memória" (provavelmente repetitiva...) da minha infância, vivida no Bairro dos Arneiros, e que fazia mais sentido ser publicada nas quase esquecidas "Viagens pelo Oeste"....

(Óleo de Denis Ichitovkin)

quarta-feira, fevereiro 26, 2020

O "Templo" da SECLA

Gostei de ver o que sobrou da fachada da SECLA, a velha e histórica fábrica de cerâmica das Caldas da Rainha, durante anos inovadora no campo da criatividade, graças à colaboração de alguns jovens que se viriam a revelar como grandes artistas plásticos.

Parece quase um "templo"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

domingo, janeiro 26, 2020

"Qualquer Coisa"...


Já devia ter colocado por aqui "qualquer coisa", porque as festas já fugiram, e daqui a pouco, quase sem darmos por isso,  estamos num ano "quase velho"...

A escolha da imagem (do Museu António Duarte), tem muito a ver com os "contorcionismos" que a vida nos obriga a fazer...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

terça-feira, dezembro 24, 2019

Boas Festas



(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, novembro 29, 2019

Tão Perto e Tão Longe...

Sem que exista uma razão aparente, por vezes parece que estou a "milhares de quilómetros" da minha primeira Cidade, outras, sinto que fica logo ali, depois da esquina.

Agora estou nessa fase, distante...

Sei que o facto de ter deixado de ser assinante da "Gazeta" (uma coisa parva, como não renovei a assinatura no começo do ano, em Maio deixaram de me enviar o semanário. O mais curioso, é que cheguei a estar atrasado mais de um ano e nunca me cancelaram a assinatura... E eu por casmurrice, acabei por não a renovar) também tem contribuído para este vazio...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

sábado, novembro 02, 2019

Os "Sinais de Fogo" de Jorge de Sena


Jorge de Sena faz faz hoje 100 anos.

Embora, para mim, não seja um dos nomes maiores da nossa literatura, foi um autor muito multifacetado e esforçado. Gostei bastante dos seus "Sinais de Fogo", romance que li no final da adolescência, e que continua presente na lista dos livros que mais me marcaram.

Provavelmente se lesse esta obra hoje, não teria o mesmo efeito que teve num rapaz de dezoito anos, que estava a viver situações próximas das personagens do romance. Mas essa é a beleza da literatura...

Uma faceta muito importante da sua obra - como retrato do nosso país -, são os seus livros de correspondência (com grandes nomes da nossa literatura, dos quais destaco a Sophia, que também está quase a fazer anos...), onde se percebe a dificuldade que Jorge de Sena tem em se reconhecer num país, como aquele, tão salazarento. O que explica que a sua vida académica ter sido feita no exílio (Brasil e Estados Unidos da América).

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 18, 2019

O Palco do "Fólio"...

No final da manhã de quinta-feira, a tenda do "Fólio" foi aproveitada pelos os estudantes (mais elas que eles...), para usarem do "palco" a seu bel prazer.

E os livros cheios de cores, devem ter servido na perfeição para dar mais vida às fotografias...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, outubro 08, 2019

O Fólio e a "Vila Literária"...


O Fólio regressa a Óbidos, de 10 a 20 de Outubro, com uma programação para todos os gostos literários, como de costume.

Não deixa de ser curioso o espírito camaleónico da Autarquia de Óbidos, que "dança" durante o ano, entre o Chocolate, o Natal e os Livros...

quarta-feira, setembro 11, 2019

Roteiro Caldense (para a Elvira...)


Se eu não conhecesse as Caldas, não ia gostar mais da cidade, ia sim, gostar de maneira diferente.

Começava o meu passeio pelo Parque (que fica logo à entrada da cidade...) e deliciava-me com todo aquele verde (nem sequer tinha tempo para reparar que a relva esta mais gasta e descuidada aqui e ali, ou na falta de flores...), com aquelas estátuas que rodeiam o bonito Museu José Malhoa. 

E tinha de entrar no museu e descobrir aquelas belas telas (algumas enormes...), assim como as esculturas (também as de arte sacra com Jesus...). Até me sentava num banco e ficava por ali, à procura de um pormenor, a respirar arte...

Depois passava pelo lago, dizia olá aos cisnes e subia para o centro da cidade.  E descobria a Praça da Fruta (uma das únicas ao ar livre...), passeava no meio das pessoas, reparava no ar simpático dos vendedores, quase todos com alguma idade, nas cores das suas frutas e legumes (e também nos preços... são melhores e mais baratas que os dos centros comerciais).

Se quisesse almoçar, não seria difícil encontrar um lugar simpático, com a comida tradicional da estremadura...

E se gostasse mesmo de arte, podia (e devia) passar pelo agradável Museu da Cerâmica (instalado num belo palacete que tem um jardim simpático...) e depois continuar o circuito pelos espaços do Centro das Artes, mesmo ali ao lado, onde "reinam" alguns dos nossos melhores escultores. Começava pelo Barata-Feio, depois seguia para o Espaço da Concas, o Museu Leopoldo de Almeida e por fim, pela Casa-Atelier António Duarte (o meu preferido...)

Sei que o dia já vai longo, mas se ainda existisse um tempinho, podia passar pelo mar da Foz do Arelho, para ouvir a sua "voz" e a "dança das suas ondas".

Já de regresso (se viesse e fosse para Sul...), podia terminar o dia, na sempre bela e turística Vila de Óbidos (que agora também quer ser a "rainha dos livros"...)

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)