quinta-feira, janeiro 11, 2018

Crónica Fotográfica de uma Vitória Histórica

Quando cheguei ao Campo da Mata, ficou a "reinar" a incerteza, por perceber que os bilhetes estavam esgotados. Embora tivesse vindo de Almada para ver o Caldas, o grande clube da minha primeira Cidade, com o meu irmão, sabia que não era um drama do "fim do mundo" não ver o jogo (felizmente foi resolvido graças à amizade como escrevi no meu "Largo")...


Vi entrar a "claque caldense", bastante animada, e que felizmente faz do futebol uma festa, contrariando os péssimos exemplos a que assistimos nos nossos grandes jogos...


Acabei por  encontrar o adepto caldense mais bem vestido (que desconhecia mas deve ser conhecido por todos os Caldenses que gostam de futebol...), a  quem pedi para lhe tirar uma foto, que ele acedeu com toda a naturalidade...


E depois foi a festa do futebol, como devem ser todos os jogos, especialmente os da Taça de Portugal. Foi o reviver das emoções dentro de um estádio, sentir o pulsar das multidões (esta felizmente mais festiva que "cega")...



A bola ao centro, que sucedeu o "momento mágico" do jogo, o golo da vitória dos Caldenses de Pedro Emanuel. Uma vitória suada mas merecida, por uma equipa jovem, mas de grande qualidade, que conseguiu contrariar a "matreirice" e a "experiência" do adversário...


E depois do apito final do árbitro, foi a festa. Fora do relvado de uma assistência eufórica. Dentro do relvado de um grupo unido, que trata muito bem a bola. Apesar do campo estar pesado, devido à chuva, tentavam jogar a bola sempre no relvado, com um sentido colectivo muito forte, sem "malabarismos"...

Grande Caldas! Grandes jogadores! Grande treinador! E agora é "sonhar". E porque não, chegar à final?

(Fotografias de Luís Eme)

quarta-feira, janeiro 10, 2018

Quero Estar Lá...

E sim. Força Caldas!

Que no fim vença o melhor, e que o melhor seja o Caldas.

terça-feira, janeiro 02, 2018

O Parque de Inverno...

No dia de Natal acabei por passar pelo Parque das Caldas (desta vez a pedido da minha filhota...) e fomos surpreendidos por uma decoração diferente, com muitos "bonecos de neve" (bonitos e alegres) espalhados pelas ruas mais movimentadas desde "oásis" caldense.

Espero em 2018 passar mais vezes por aqui e também me perder mais pelo Oeste, fisicamente...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 30, 2017

Caldas SC Acaba o Ano em Grande

Cheguei a casa e acabei por saber que o Caldas tinha empatado com a Académica e que o jogo iria ser decidido pelas grandes penalidades.

Minutos depois soube que o Caldas venceu por 4-2, o que demonstra a sua grande força mental, ao derrotar um histórico como a Académica (mesmo que milite na 2ª Liga), na "lotaria dos penalties". E fiquei a saber que a equipa caldense jogou toda a segunda parte com menos um jogador...

Parabéns aos atletas e ao treinador, José Vala, por terem feito história na vida do velho Caldas, conseguindo passar aos quartos de final da Taça de Portugal.

(Fotografia retirada do site de "A Bola")

sexta-feira, dezembro 22, 2017

Salir de Matos em Parágrafos (8)

«Não me lembro de passar o Natal em Salir de Matos na infância, nem que os meus avós dessem um valor especial a esta quadra festiva, se excluir o significado religioso. Aliás, na minha infância não havia "Pai Natal", mas sim o "Sapatinho do Menino Jesus".
E realmente era muito mais fácil "acreditar" na lenda com uma criança descer pelas chaminés para deixar os presentes no "sapatinho" que na figura bonacheirona do Pai Natal, a enfiar-se na chaminé para deixar os presentes  na "árvore de natal"...
Lembro-me sim de fazermos o presépio na nossa casa, irmos aos pinhais procurar o "melhor" musgo para colocar em cima da máquina de costura fechada, onde depois colocávamos as pequenas figuras de barro (além da família tradicional com a vaca e o burro, dos três reis magos, havia os pastores, as ovelhas, um moinho, o moleiro, e mais uma ou outra figura que não recordo...). Normalmente era o pai que trazia a árvore de natal, um pequeno pinheiro natural apanhado nos pinhais que cercavam o bairro da nossa infância, entretanto engolidos pela urbanidade...
Já adulto, lembro-me de irmos passar a noite de 24 à casa dos tios de Salir de Matos e de fazermos de pais natais (levávamos presentes para a avó (o avô já partira...), para os tios, mas sobretudo para os primos, que ainda estavam na idade de esperarem ansiosamente pela meia-noite e de se deliciarem com as prendas.
Depois eles cresceram, a avó também partiu e perdeu-se este hábito familiar...»

(Fotografia de Luís Eme - Presépio junto à Igreja de Salir de Matos em 2009)

sexta-feira, dezembro 01, 2017

Dom Rafael na Baixa...

Vejam só quem é que descobri hoje na Baixa Lisboeta...

Esse mesmo, o nosso Dom Rafael Bordalo Pinheiro!

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, novembro 05, 2017

Salir de Matos em Parágrafos (7)


Hoje vou falar do meu avô, Manuel Joaquim, um excelente contador de histórias e homem de grande sabedoria em relação a todas as coisas da natureza.

O que não ele aprendeu nos livros que não leu (por nunca lhe terem ensinado praticamente nada do mundo das letras e das palavras escritas), numa altura em o normal nas aldeias era as crianças não colocarem os pés na escola (ajudar a família nos campos era muito mais "importante"...), aprendeu com as muitas vozes da sabedoria, que escutou aqui e ali, guardando histórias e saberes milenares dos campos, sobre a magia da natureza.

Histórias que nos contava com mestria, deixando-nos presos às suas palavras, sentados nas escadas de cimento que davam acesso à casa de fora.

(fotografia de Artur Pastor)

segunda-feira, outubro 30, 2017

«Então quer dizer que vives mesmo em Almada?»

De vez enquanto cruzo-me com um rapaz que conheci nas viagens que fazíamos de comboio entre Caldas e Lisboa, há mais de trinta anos (quando este era o transporte por excelência de uma boa parte das pessoas do Oeste, porque o "expresso" saia à tarde e não havia um carro ou dois por lar... Foi antes de sermos "europeus" e do "cavaquismo"...).

Ele vinha de S. Martinho (onde tinha casa de férias...) mas era de Almada.

Quando vim morar para Almada (lá vem os trinta anos, como o tempo passa...), passei a encontrá-lo mais vezes pelas ruas da Cidade. Trocávamos palavras de circunstancia (como ainda trocamos...), mas nunca nos tornámos próximos.

Foi por isso que estranhei que hoje, quando nos cruzámos, ele me tenha perguntado, se ainda tinha ligações às Caldas. Disse que sim, de vez enquanto ia almoçar com a minha mãe e o meu irmão. Ele estranhou e fez a pergunta parva da ordem: «Então quer dizer que vives mesmo em Almada?»

Disse que sim e lá continuámos o nosso caminho...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 22, 2017

O Número Um...

Ontem encontrei na FIL um busto do grande Rafael Bordalo Pinheiro, que estava em boa companhia.

Mas ele é que era o verdadeiro número naquele cenário. Mas não vale a pena ligarem para aquele número, ele não atende...

(Fotografia Luís Eme)

quarta-feira, setembro 13, 2017

O Centro de Artes das Caldas

Embora possa ser uma sensação agradável sermos a única pessoa que está no interior do museu (como se o museu estivesse aberto só para nós), não deixa de nos questionar, e até inquietar...

Nem sequer vou na conversa das "pérolas e dos porcos". As coisas são o que são.

Se as Caldas possuem um Parque, que é um autêntico Museu Aberto, povoado de esculturas de inegável beleza e qualidade artística, não é muito inteligente falar de "défice de cultura" dos caldenses.

Mas o Centro de Artes está ali... e é um bálsamo passear por lá, ao lado de tanta gente diferente, de pedra, de ferro, de gesso, de barro...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, setembro 03, 2017

Salir de Matos em Parágrafos (6)

«Não foi um acidente. Foi uma escolha, uma opção familiar.
E foi assim que nasci no terceiro dia de Setembro às 17.30 horas no quarto-maternidade da família, na casa dos avós maternos em Salir de Matos. 
Lembro-me de não achar muita piada de início, por viver na cidade e ter ido nascer à aldeia. O argumento da família era que no velho Hospital de Santo Isidoro das Caldas "se trocavam os bebés". 
Parece que nessa altura os boatos já tinham muita força...
Curiosamente, com o tempo, fui gostando da ideia de ter nascido em Salir de Matos, no mesmo quarto onde nasceram a mãe os tios e o meu irmão...
Quarto que tinha uma particularidade, ficava ligeiramente acima do forno, pelo que era um pouco mais quente que os outros. Mas como ainda nasci no Verão, a temperatura devia ser agradável nesse já longínquo início de Setembro dos primeiros anos da década de sessenta.»

(Na foto sou o mais pequeno e mais redondinho, com a Mãe e o Mano, em Salir de Matos... - escrito originalmente para as "Viagens")

quinta-feira, agosto 17, 2017

Salir de Matos em Parágrafos (5)

«As reuniões familiares, em que se juntam três, quatro, e até cinco gerações diferentes, são quase sempre espaços de boas memórias.
Depois do café e da sobremesa, é normal que os mais antigos escolham as histórias com mais humor da sua juventude, para retratarem um tempo tão diferente dos dias de hoje, em que por exemplo a exploração da mão de obra infantil era comum a todas as famílias. E também era a única possibilidade de se sobreviver, num tempo em que quase todas as pessoas eram pobres... principalmente quem vivia no campo, em aldeias profundamente rurais como era Salir de Matos.
Mesmo assim, há sempre um ou outro drama que se mistura, um sentimento de injustiça que se aviva, porque, ao contrário do que se pensa, não era mais fácil ser-se pai e mãe, nesse tempo em que quase eram proibidos os afectos.»

(escrito originalmente para as "Viagens")

(Fotografia de Luís Eme)