quinta-feira, dezembro 27, 2012

O Final de Ano


A proximidade do fim do ano é sempre um período complicado, em que se fecham e abrem ciclos, com a naturalidade possível.

Apesar das perspectivas do país não serem as melhores, tenho vários projectos na "manga" para 2013, que se dividem por actividades que nem têm sido muito exploradas por mim.

Claro que a maior parte destes projectos serão produzidos sem quaisquer contrapartidas financeiras...

Dizem que quem corre por gosto não cansa, mas nem sempre é assim. Há dois projectos para serem desenvolvidos nas Caldas. Espero que o vento sopre favoravelmente.

Espero pelo menos sentir-me bem com o trabalho desenvolvido.

O óleo é de Andrzej Gudanski.

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Natal Feliz, Feliz Natal



Natal

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

Manuel Alegre

quarta-feira, dezembro 19, 2012

A Música e a Arte do Assobio


Estávamos a ouvir música, quando a minha filha me pediu para  lhe ensinar a assobiar. Fingi que não existia uma fórmula ou uma técnica especial na arte do assobio.

Disse-lhe que era tudo espontâneo e girava em volta do fôlego e do jeito de usar os lábios e a língua no sopro...

Ainda por cima tinha um contra, nunca fui muito bom no assobio, especialmente naquele estridente em que usamos os dedos como ajuda, que torna os estádios de futebol, num lugar ainda mais absurdo e ensurdecedor...

O óleo é de Jim Daly.

sábado, dezembro 15, 2012

Os Namoros Tardios dos Rapazes


A última vez que estive com o Gui foi extremamente rica, graças aos acasos que se foram intrometendo no meio da nossa conversa. Já escrevi sobre isso no "Largo", mas ainda sobrou alguma coisa para estas minhas "Viagens" no tempo...

Ele disse que nós somos mais inseguros que as mulheres, principalmente na adolescência. Não concordei. O argumento do Gui foram os nossos namoros tardios (pensa que ainda hoje é um bocado assim...). Andamos quase sempre em grupos de rapazes, o que faz com que os namoros aconteçam mais tarde.

Eu respondi-lhe que a insegurança devia ser igual, embora a condição de mulher fosse mais complicada que a nossa, até por razões biológicas (as particularidade do crescimento do seu próprio corpo, assim como a maternidade...). Acrescentei que havia uma coisa que devia ser decisiva para os nossos namoros tardios, era o facto de normalmente termos de ser nós a tomar a iniciativa. Isso fazia com que muitos "amores" ficassem adiados, pela timidez, tão presente da adolescência, com medo de recebermos um não...

O Gui depois de ficar em silêncio por alguns momentos, acabou por dizer que talvez tivesse razão.

O óleo é de Graig Nelson.

terça-feira, dezembro 11, 2012

O Gostar é Outra Coisa


Quem tem mais que um filho, raramente consegue ter o mesmo tipo de relacionamento com ambos. 

Isso não tem nada a ver com o gostar, tem mais a ver com as proximidades, com a conjugação de feitios, com os pontos comuns que nos unem. E claro, com a diferença dos sexos, que também é um ponto de atracção, no melhor dos sentidos...

O "barro" com que somos feitos e moldados nunca é igual, mesmo que venha da mesma "fábrica"...

O óleo é de Marina Marcolin.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Um Caldense a Chefiar a Protecção Civil


Tenho acompanhado pela comunicação social o percurso de José Manuel Moura, como bombeiro e como técnico reconhecido da protecção civil, com alguma satisfação.

Digo isto porque o  José Manuel foi meu companheiro de escola da primeira classe até ao final do ciclo preparatório. Era um bom amigo, calmo e pacato, já nessa altura ligado aos Bombeiros Voluntários das Caldas, por intermédio do pai.

 Não nos encontramos há mais de trinta anos, porque a vida é feita de muitos caminhos, que não têm necessariamente que se cruzar.

Desejo que tenha mais sorte e capacidade que o seu antecessor, pois o cargo de comandante operacional nacional da protecção civil, está longe de ser uma "pêra doce".

quinta-feira, novembro 29, 2012

Mais uma Visita de Médico às Caldas...


Ontem lá fiz mais uma "visita de médico" às Caldas.

Mesmo curta, ainda deu tempo para dizer um olá ao Zé Ventura e outro ao Henrique. Tanto um como outro, deixam a Cidade Termal e o Oeste muito bem representados na blogosfera.

E este cartaz é dos que estavam guardados da loja do Zé (há vários meses...), oferecidos pela Isabel, mãe e pai da inesquecível 107 e de tantos encontros literários que animaram a cidade...

quarta-feira, novembro 28, 2012

O Clube Grande das Caldas


O Caldas Sport Clube é o clube grande da minha cidade natal, por quase mil razões.

A principal acaba por ser o facto de ter participado durante quatro épocas consecutivas  no Campeonato Nacional da I Divisão, nos longínquos anos cinquenta do século passado. Durante largos anos foi a única equipa do distrito de Leiria a ter conquistado este feito.

Estas palavras devem-se ao facto de conhecer um antigo futebolista almadense (o Castro...), que jogou na equipa do Cova da Piedade que se sagrou campeã nacional da III divisão em 1971 e que quando soube que eu era das Caldas da Rainha, me contou que uma das coisas que se arrependeu durante a sua carreira futebolística  foi não ter aceitado alguns convites para mudar de ares, e um deles foi do Caldas.

Ainda hoje sinto uma grande honra em ter feito parte da sua primeira equipa de iniciados, na década de setenta do século passado.

Na foto uma das equipas que defendeu as cores do Caldas na divisão maior do futebol.


terça-feira, novembro 20, 2012

O Fascínio pela Banda Desenhada


As aventuras de banda desenhada fizeram parte integrante da minha infância e começo de adolescência.

Quando olho para trás, considero que foram bastante importantes como base de leitura. De certeza que me influenciaram, inclusive no gosto que tenho em contar histórias.

Claro que estou a contrariar um dos meus tios, que achava que os meus pais não nos deviam deixar ler tanto "lixo"...

Felizmente os meus pais nunca lhe deram ouvidos e nunca se preocuparam com essas leituras, por várias razões, num tempo em que os livros só com palavras eram objectos de luxo.

Tempo esse que está a voltar, lentamente...

O óleo é de Jim Daly.

sexta-feira, novembro 16, 2012

As Pequenas Memórias


Às vezes escrevo sobre o mesmo assunto nos meus três blogues. Hoje também aconteceu isso, pela feliz coincidência de José Saramago comemorar o seu 90º aniversário.

Ele surge aqui essencialmente porque "As Pequenas Memórias", acabam por ter alguma ligação às minhas "Viagens por Salir de Matos". Além de espelharem as memórias de Saramago na Azinhaga, a aldeia do Ribatejo onde nasceu e passou as férias na infância e adolescência, também reflectem alguns episódios das férias passadas nos campos, por muitos de nós.

Saramago fala entre outras coisas, da "aventura" que eram as pescarias no rio. Também eu, o meu irmão e outros amigos, andámos com pequenas canas artesanais à pesca nos pequenos ribeiros que passavam em redor de Salir de Matos, fascinados sobretudo pela beleza da água...

O óleo é de Jim Daly.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Os Pratos Metálicos...


Estava à procura de uma imagem para um trabalho, quando encontrei este quadro de Mário Fani, que estava guardado para publicar por aqui, um dia destes, com o pensamento no meu pai e no meu sogro, que já não estão entre nós.

Ambos nascidos e criados na Beira Baixa, tinham um fascínio pelos pratos metálicos, com que deveriam ter a maior parte das refeições durante os anos que viveram nas suas aldeias, que ainda continuam quase perdidas no interior.

Digo fascínio, porque pude testemunhar nos dois casos que, quando por uma ou outra razão, almoçavam sozinhos e tinham de tirar os pratos do armário, escolhiam sempre os de metal, quase escondidos e com muito pouco uso (a mãe usava-os apenas para os fritos...).

Só hoje é que pensei na razão pela qual o faziam. 

Provavelmente aquele gesto simbolizava o seu regresso à infância, à mesa da casa dos pais. Apesar de terem sido tempos de fome (ambos cresceram durante a Segunda Guerra Mundial...), estava tudo ali, reflectido naqueles pratos...

sábado, novembro 03, 2012

Comadres Desavindas


Segundo li nos jornais (primeiro no "Público", depois na "Gazeta"), a saída do "Costa" do "poleiro" está a provocar uma série de jogos obscuros, protagonizados pelos seus pares, na luta pela sucessão.

As notícias indiciam que o vereador da juventude é a vitima e o alvo a abater. Como não conheço bem os actores (lembro-me do Tinta na escola, deve ter menos um ano ou dois que eu...), há sempre a possibilidade deste jovem estar a utilizar a "vitimização" para colher votos...

Não deixa de ser curioso ver PSD das Caldas a alimentar cenas telenovelescas, na sempre interessante luta pelo poder.

Ainda não percebi se o "Costa" está a assistir a tudo isto no camarote presidencial ou se vai mesmo puxar algum tapete...

O desenho é do Rui Pimentel.

terça-feira, outubro 30, 2012

A Roupa por Medida


Às vezes entramos dentro da história dos outros sem querer.

Eram duas mulheres que sorriam ao recordarem que na infância a mãe adorava vesti-las de igual.

Também foi assim comigo e com o meu irmão. Aliás, com uma boa parte dos irmãos da minha geração e anteriores.

A nossa roupa era feita por uma modista (a prima Ermelinda...), que nos viu crescer ao centímetro  Lembro-me que a mãe também era uma boa cliente de uma senhora do Bairro da Ponte, que nos fazia as camisolas de malha...

As mesmas camisolinhas e casaquinhos que as duas mulheres recordavam, sem deixar de sorrir...

Felizmente não olharam para mim, não me apanharam a sorrir com a cumplicidade possível.

O óleo é de Jenifer Li.

sábado, outubro 27, 2012

Todos Somos Parciais...


Todos somos parciais, mesmo quando pensamos que não. Isso acontece sobretudo quando estão em causa pessoas que gostamos.

Acontece com os filhos (lembro-me sempre da anedota em que o filho de alguém é o único que vai com o passo certo, no desfile militar...) e com os amigos.

Lembro-me de no começo da adolescência achar que os meus amigos Xico Mendes e Paulo Gaspar eram futebolistas fora de série, o primeiro à baliza e o segundo no meio campo. E tive muita pena de não ter contado com a sua companhia na primeira equipa de iniciados do Caldas...

Mas também somos parciais no sentido contrário. Ou seja, quando não gostamos de alguém, temos dificuldade em dar-lhe o valor devido.

Isso aconteceu hoje nos palcos, não consegui achar graça a um canastrão, por saber que ele é uma merda de homem. Fui o único do grupo que não bateu palmas, que não foi capaz de soltar qualquer elogio. Percebi que desta vez era eu o tal do "passo trocado". Ninguém é perfeito...

O óleo é de Claude Verlinde.

terça-feira, outubro 23, 2012

Memórias das Caldas


Como acontece com a maior parte dos livros que falam das Caldas e das suas histórias, fiquei curioso com estas memórias, de Augusto da Silva Carvalho, apresentadas no passado sábado.

Espero que esta nova edição não esgote e a possa adquirir na minha próxima visita à Cidade.

sábado, outubro 13, 2012

O Cardeal, Fátima e as Manifestações


Hoje, dia 13 de Outubro, é dia de grandes manifestações.

Não estou propriamente  a pensar em Fátima, embora assim que ligasse a televisão, na  RTP1, para ver o "Jornal da Tarde", percebesse que hoje era dia de festa católica.

Além de ter mudado de canal, lembrei-me de imediato das palavras do Cardeal Patriarca, que por acaso pertence ao concelho das Caldas da Rainha, quando tentou desvalorizar as manifestações de rua, dizendo que estas não resolvem nada, nem as revoluções.

Ele lá terá as suas razões para dizer isto. Cerejeira de certeza que pensava a mesma coisa. Pelo menos aos governos de direita como o de Portugal, as manifestações religiosas e os milagres de qualquer nossa senhora, dão sempre mais jeito que as pessoas na rua a protestarem, cada vez com mais razão, pois o que estes governantes estão a fazer aos portugueses está próximo do roubo.

Esqueci-me que essas acções de massas religiosas não são manifestações, mas sim peregrinações...

terça-feira, outubro 02, 2012

Uma Boa Ideia


Não sei de quem partiu a ideia da crónica semanal, "ontem e hoje", que tem sido publicada na "Gazeta das Caldas". Sei apenas que é muito positiva e reforça o papel deste jornal regional no panorama jornalístico, que não se limita à linha do horizonte do Oeste.

As palavras são sempre "alimentadas" por duas imagens, o tal "ontem" em contraponto com o "hoje", que nos mostram o que mudou...

A Rainha das Caldas agradece, assim como os caldenses de dentro e de fora.

quinta-feira, setembro 27, 2012

Cada um de Nós tem o "Dinossauro" que Merece


Embora quem esteja no poder crie mecanismos que ajudam a sua perpetuação no lugar que ocupa, nós, cidadãos, somos os principais responsáveis pela manutenção do mesmo partido à frente de uma autarquia, duas e três décadas.

Claro que é triste que quem ocupa o poder não queira perceber que o seu tempo já passou. E esta dialéctica tanto serve para Fernando Costa nas Caldas, como para Maria Emília de Sousa em Almada. Apesar de defenderem cores políticas ideologicamente antagónicas, na prática esses aspectos quase que não se notam. 

O mais curioso é verificar que a maior parte dos "dinossauros" do nosso país, se pudessem mudavam a lei, para permanecerem mais um mandato no "bem bom"...

quinta-feira, setembro 20, 2012

Escrever de Memória


Uma boa parte das coisas que tenho escrito por aqui, têm tido como único auxiliar a memória.

Sei que há quem não se fie muito nela, ninguém é perfeito...

É por escrever sobretudo de memória, que chego aqui e ao querer escrever algo, não sei por onde ir...

Nunca quero fugir muito das Caldas, que para mim é o "coração" do Oeste (sim eu sei, tem corrido variadíssimos  riscos de AVC, graças ao senhor Costa...). É por lá que se encontra o meu "bairro", a minha "aldeia", a minha "praia", entre outras coisas "minhas"...

Abro a janela, fecho os olhos e espreito alguns lugares, algumas pessoas, quase que aceno, mesmo correndo o risco de não passar de um desconhecido...

O óleo é de Joaquin Mateo.

sábado, setembro 15, 2012

Manifestação


Não estarei na nossa Praça da Fruta, mas sim na praça José Fontana.

terça-feira, setembro 11, 2012

O Nosso Rex...


A minha tia recordou-me pedaços da infância, que já estavam esquecidos, um dia destes,ao jantar. Já nem sequer me lembrava que ela tinha morado no meu bairro, antes de emigrar para a Alemanha.

Falou-me do Rex, o pastor alemão deles que rebentava vezes demais com a corrente com que ficava preso, porque a criançada da vizinhança gostava de o confundir com um "touro" e fazer-lhe todo o tipo de patifarias, ao ponto de ele se soltar e colocar todo o quintal em pânico e depois desaparecer para o pinhal mais próximo.

Muitas vezes, depois da notícia chegar lá casa, era eu que saía em sua busca, com apenas seis, sete anos, e trazia-o de volta ao quintal dos tios. 

Mas era uma aventura e pêras, chegava a ser "arrastado" pela sua força, como se estivesse a fazer patinagem. Bastava ele sentir o cheiro dos malandretes que adoravam provocá-lo e lá ia eu.

As coisas que fazemos quando somos pequenos... e não tinha medo nenhum dele, até gritava com ele quando ele ficava mais violento. 

Nunca me fez mal. Pelos vistos também gostava de mim...

domingo, setembro 02, 2012

A Arte nas Estações de Comboios


Tenho saudades do tempo em que as estações de comboios eram um lugar aprazível, com belos azulejos a mostrar a quem chegava o que de melhor existia na Localidade e nos arredores.

Foi por isso que no mês passado, passei com os meus filhos pela estação deserta, para olharmos os lugares bonitos das Caldas, retratados na forma de azulejo...

domingo, agosto 26, 2012

A Facilidade com que se Inventam Palavras nas Aldeias


A minha avó materna sempre teve alguma facilidade em inventar palavras, pelo menos eu pensava assim, quando era mais jovem.

Tenho quase a certeza que nunca a corrigia, limitava-me a sorrir. 

E também não pensava muito nas coisas, muito menos na razão desta facilidade.

Agora já quase crescido, com os cabelos a branquearem, deu-me para decifrar este "enigma", que nem teve nada de complicado, apenas me exigiu alguma razoabilidade.

A sua capacidade de invenção estava ligada sobretudo à liberdade com que se comunicava (e ainda comunica...) oralmente  nas aldeias. 

A falta de escola, de regras gramaticais, do conhecimento formal dos verbos, substantivos e adjectivos, entre outras coisas ainda mais estranhas, tornava a sua linguagem original e autêntica. 

Não conseguiam ler livros mas a oralidade oferecia-lhes um mundo de palavras, que podiam utilizar a seu bel prazer.

O óleo é de Samane Turnbull.

sexta-feira, agosto 24, 2012

As Minhas Visitas "de Médico" às Caldas


Neste último ano a maior parte das minhas visitas às Caldas resumiram-se a um simples almoço de família.

A desculpa que ofereço a mim próprio é a agenda de fim de semana, quase sempre com actividades. Mas sei que não é apenas isso.

Há períodos das nossas vidas em que sentimos mais necessidade de regressar às origens, que outros.

Sei também que quando andamos a correr de um lado para o outro, temos menos tempo para parar e para pensar.

É verdade, quase que me esquecia que uma viagem de ida e volta para as Caldas de carro, já custa uma pipa de massa. O preço da portagem somado ao combustível, faz com que a viagem de apenas uma pessoa seja quase um "luxo". O comboio (que já foi o melhor transporte do mundo...) há muito que não é alternativa. Resta o "expresso", mas...

Sei também que quem fica a perder sou eu. As pessoas que não vejo, as conversas que não tenho...

Senti isso no fim da tarde do dia 15 de Agosto, em que me encontrei no Café Central com uma pessoa especial, com quem é sempre agradável falar, das coisas da cultura, dos livros, e claro, da nossa própria cidade. Estive à conversa com a Teresa uma hora e poucos minutos e além da sensação de prazer que tive, senti que ficou tanto por dizer...

quarta-feira, agosto 22, 2012

A Praça da Fruta das Caldas


Não é apenas o encanto da Praça ser ao ar livre, em pleno coração da cidade, que cativa turistas e forasteiros. É sobretudo o equilíbrio que existe entre a qualidade e o preço dos seus produtos.

Quem como eu vive nos arrabaldes da Capital, sabe que não encontra fruta e legumes com estas cores e cheiros, a estes preços, nos mercados locais, e muito menos nos hipermercados.

É por estas pequenas coisas que nos apetece por vezes (cada vez mais...) regressar ao Oeste...

domingo, agosto 19, 2012

Os Paços do Concelho


O meu filho chamou-me a atenção para a arquitectura do edifício, que hoje é a sede da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, e foi durante muitos anos, os Paços do Concelho das Caldas da Rainha, bem no coração da cidade, na Praça da Fruta. Quase que parece um templo religioso.

Recordei-lhe que em Almada se passa a mesma coisa, com a particularidade de a presidente continuar a manter o seu gabinete da presidência nesse edifício.

quinta-feira, agosto 16, 2012

O 15 de Agosto



O 15 de Agosto continua a ser um dia especial nas Caldas da Rainha.

Foi durante todo o século vinte (e parte do dezanove...)  o dia que  mais gente de fora atraía à Cidade Termal.

Os restaurantes, por exemplo, não tinham mãos a medir...

Hoje as coisas são diferentes, não apenas pela crise, mas também pelas mudanças que se têm verificado na Cidade.

Provavelmente o presidente da Câmara acha que tem feito um excelente trabalho (e tempo não lhe tem faltado...), mesmo que possa ser traído pela realidade, mais forte que a sua vaidade...

Por exemplo, se o dinheiro gasto no CCC e nas Piscinas Municipais tivesse sido investido num projecto termal moderno (também com uma sala de espectáculos e piscinas, que ainda por cima poderia ter apostado na recuperação do Casino do Parque...), as Caldas da Rainha seriam, sem qualquer dúvida, uma cidade diferente, mais à imagem da Rainha D. Leonor...

domingo, agosto 05, 2012

Gosto Dela Desde que me Lembro


Acho que gosto da Marylin desde que a vi (em fotografias, claro).

Não sei se é por ter desaparecido no ano que nasci ou por outra razão.

Tenho quase a certeza que me influenciou na minha preferência pelas louras...

domingo, julho 29, 2012

Frederico Silva Vice-Campeão Europeu de Ténis


O caldense Frederico Silva, a grande esperança do ténis português, sagrou-se vice-campeão europeu de ténis, sub-18, na Suiça.

Grande momento para o Frederico, para o desporto da nossa Cidade e para esta família de desportistas e gente amiga, especialmente para o Isidro, que tem apoiado da melhor maneira a carreira do filho.

segunda-feira, julho 23, 2012

A Casa dos Patudos


De regresso a casa, fizemos uma pausa em Alpiarça e fomos visitar a Casa dos Patudos.

Foi uma bela surpresa, especialmente para nós que gostamos de objectos de arte, coisa que não falta no Palacete que foi propriedade de José Relvas, um dos pais da República portuguesa.

Além dos magníficos azulejos, do mobiliário, das jóias, das louças, das esculturas, há dois aspectos que merecem um relevo especial: as peças artísticas de Rafael Bordalo Pinheiro e os quadros de José Malhoa (pintor da família...).
O quadro de José Malhoa que ilustra este texto, retrata Carlos Relvas, o pai de José Relvas, famoso fotógrafo e também cavaleiro tauromáquico.

terça-feira, junho 26, 2012

As Praias de Peniche


No sábado fui almoçar às Caldas e depois passei por Peniche, antes de regressar a casa.

Gostei de ver com os próprios olhos os bons acessos às várias praias da Cidade piscatória.

Penso que o único senão das praias do Oeste é mesmo o nevoeiro. O vento também gosta de soprar forte, mas não é tão incomodativo...

quinta-feira, junho 21, 2012

O Começo do Verão...


Embora a região das Caldas tenha um microclima especial, que nos permite ter um Verão mais fresco que na maior parte das Terras, vou deixar aqui uma foto tirada no Verão de 2011, quando ficámos na Foz do Arelho até ao pôr do Sol...

domingo, junho 17, 2012

O Zé Povinho Empurrado para o Mundo


Tirei esta fotografia no Verão de 2010, no interior do CCC.

Este Zé Povinho pode muito bem andar por aí, feito nómada, ainda por cima de "triciclo" a pedais.

Ao revisitar algumas fotografias, apareceu esta e lembrei-me do Relvas e do Coelho, essas sapiências pardas, que fingem governar o país, para quem o futuro passa por todo o lado, menos dentro de Portugal.

Pelo menos é essa leitura que faço, quando convidam os jovens a partir para outras paragens...

sábado, junho 09, 2012

Lá Dizia o Camões...


Mais um desenho urbano das Caldas, a homenagear Luís de Camões e o Amor, o tal fogo que arde sem se ver...

quarta-feira, maio 30, 2012

As Regatas Nocturnas do Parque


Nem sou muito "arrumadinho", mas achei graça à forma como os barcos do Parque das Caldas estavam atracados, em jeito de "pódio".

Por falar em pódios, li na "Gazeta" que na passada sexta (há quase quinze dias...) tinham decorrido as "Regatas  Nocturnas do Parque D. Carlos", com assinalável êxito (11 equipas e 45 participantes), que nem a chuva demoveu desta aventura.

A "Gazeta" diz que as regatas se vão repetir durante o Verão.

Isto é o que eu chamo uma boa notícia, tentar sacudir a Cidade da pasmaceira.

Quando por qualquer motivo o presidente da edilidade caldense vem á baila, lembra-me sempre um dos números dos "malucos do riso", em que alguém gritava numa esquadra, »Ó Costa! Ó Costa!». Espero que haja vários alguéns nas Caldas,  a "sucrinarem" aos ouvidos da excelência - mesmo que seja só de vez em quanto -, porque a Cidade merece muito mais do que festas brancas ou cor de rosa no areal da Foz do Arelho na época estival...

segunda-feira, maio 21, 2012

Artistas & Modelos


Está estátua da "ilha" do lago do Parque das Caldas, lembrou-me as queixas do João, artista plástico não profissional, que se lastima por não ter dinheiro para pagar a modelos femininos nem capacidade para angariar modelos de graça...

É por isso que a maior parte dos modelos dos seus esboços são de papel, retirados das revistas que muita gente chama "masculinas"...


terça-feira, maio 15, 2012

Dia da Cidade


Hoje, dia 15 de Maio, é o dia da Cidade das Caldas da Rainha.

Com este calor, é provável que uma boa parte dos caldenses aproveitem para ir ver o mar e refrescar o corpo e a alma, na Foz do Arelho ou em S. Martinho do Porto.

Além do concerto musical, do fogo de artificio, haverá a habitual distribuição das medalhas de mérito municipal.


E segundo li na "Gazeta", será inaugurada uma exposição de pintura do José Pires, artista caldense, no CCC. 

Por vezes os tempo de crise têm uma vantagem, recorre-se à prata da casa...

Nesta fotografia, que tirei em 2009 o José Pires está a conversar com Teresa Perdigão,  na rua das Montras, onde tinha patente uma mostra dos seus quadros. 

Não sei se a Teresa já foi distinguida pelo Município. Caso tal não tenha acontecido, já era tempo de a homenagearem, por todo o trabalho que tem desenvolvido na defesa e divulgação da cultura mais tradicional do nosso país, bem patente na sua série de quatro volumes, "Tesouros do Artesanato Português", editados pela Verbo. 

terça-feira, maio 08, 2012

Óbidos é Sempre um Encanto


No domingo fui almoçar às Caldas com a minha mãe e o meu irmão.

Como fui um pouco mais cedo, fiz uma paragem em Óbidos, onde aproveitei para tirar alguns retratos, da Vila das paredes brancas, com frisos azuis e amarelos, sempre com turistas...

terça-feira, maio 01, 2012

Cidade de Maio


Caldas da Rainha é sem qualquer dúvida uma Cidade de Maio.

Digo isto porque neste mês o Parque torna-se mais luminoso e a Praça da Fruta ganha mais cor, graças a uma maior variedade de frutas e legumes (e claro, das roupas das pessoas que passam...). E continuam a ser dois lugares emblemáticas da minha Cidade...

Além disso o seu feriado municipal é a 15 de Maio...

segunda-feira, abril 23, 2012

As Caldas Nunca foi uma Cidade de Abril


Olho para os anos que vivi nas Caldas da Rainha (desde os primeiros dias de vida até aos dezoito anos...) e sinto que a Cidade nunca foi de Abril.

Um dos aspectos que acho mais curiosos, foi as principais inovações no campo cultural terem acontecido ainda antes do 25 de Abril de 1974, graças ao famoso Conjunto Cénico Caldense.

Não é por acaso que Caldas da Rainha, mesmo depois da Revolução, continuou a ser governada pelos partidos mais conservadores e do lado direito da política, até à actualidade.

Mas pior que os partidos, têm sido as pessoas, sempre prontas a cortar qualquer "bocejo" do lado esquerdo. Não esqueço o fim da "Casa da Cultura"...

Decididamente, os cravos nunca foram as flores da Cidade (foto da minha autoria da Praça da Fruta).

quinta-feira, abril 19, 2012

As Caldas da Rainha


Quando as Caldas da Rainha, no seu hospital termal, continuam a marcar passo, sem que exista um aproveitamento das suas valências e do seu património, foi engraçado encontrar um exemplar da revista "Arquivo Nacional", de 5 de Abril de 1939, que tem uma reportagem sobre a doença de D. João V e as suas curas nas águas da Vila das Caldas da Rainha...

sábado, abril 14, 2012

O Palacete da Praça do Peixe


As Caldas da Rainha ainda possuem alguns palacetes, como este na antiga "Praça do Peixe".

A minha avó esteve lá "a servir" (era esta a designação que se dava às jovens que iam desde cedo trabalhar como criadas para as casas de famílias importantes).

Só lá entrei uma vez, na sua companhia. A avó aproveitou uma passagem na cidade foi visitar as senhoras (as "Pereiras", que foram donas de uma boa parte da localidade, no tempo das "quintas" que rodeavam as Caldas e onde o avô foi feitor...). Não devia ter mais onze, doze anos.

Fiquei encantado com a casa, especialmente com o seu jardim interior, onde nem faltava um pequeno lago... 

Felizmente o palacete continua com um bom aspecto exterior.

terça-feira, abril 03, 2012

Talvez Sejam os Ares da ESAD...


Reparo que as Caldas estão povoadas de desenhos de rua, que se aproximam do conceito que temos de Arte.  Furam o mau gosto e até conseguem ter alguma graça pela sua pertinência. 

Penso que a existência de tanto pedaço de arte urbana, se deve à existência da ESAD (Escola Superior de Arte e Design) na Cidade, que deve deixar tantos jovens em "efervescência".

Penso eu, claro.

quinta-feira, março 29, 2012

Passei pelas Caldas e... (3)


Ao passar pela tua avenida do Parque, lembrei-me da matéria diária que terias para desenhar e legendar, se estivesses por cá, com políticos tão manhosos à frente do país. Cem vezes piores que o teu "António Maria",  Rafael...

domingo, março 25, 2012

Passei pelas Caldas e... (2)


Depois de ter passado pelo parque ia até ao centro da cidade, quando vi que o Museu do Ciclismo estava aberto.

Entrei e vi uma bonita exposição fotográfica de um encontro de "velhas pastelheiras". Ainda tirei uma fotografia, antes de me informarem que era proibido "disparar", mesmo estando no Oeste...

Belo trabalho que o Mário Lino tem feito na nossa cidade, através do "mundo das bicicletas".

sábado, março 24, 2012

Passei pelas Caldas e... (1)


Passei pelas Caldas, onde almoçei com a minha Mãe, que continua a ser a razão maior das minhas passagens (curtas) pela Cidade onde cresci.

Para variar fui ao Parque e tirei este "boneco", num ângulo diferente, à esta Mãe, que  tem tudo para ser um belo símbolo de todas as mães deste mundo.

terça-feira, março 20, 2012

Um Grande Campeão


Quando se parte com apenas 51 anos, ficamos sempre com a sensação que ainda não era tempo...

Falo de António Leitão, atleta com quem privei várias vezes, simples e humilde, como quase todos os fundistas portugueses de classe.

Foi um grande campeão, dos melhores do mundo, quando as pistas, as estradas e os campos enlameados, ainda não tinham sido invadidos pelos atletas africanos.

Conquistou medalhas e títulos desde os juniores (medalha de bronze no Campeonato da Europa), mas se houve uma medalha especial foi a que conquistou nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1984, de bronze, na sua prova-rainha, os 5.000 metros.

Foi também recordista nacional dos 5.000 metros, com uma das melhores marcas do mundo (13.07,70), suplantando os seus heróis e amigos, Carlos Lopes e Fernando Mamede, em 1982.

Ainda hoje recordo a primeira vez que o vi correr, ao vivo, foi no inverno de 1979, nos campeonatos nacionais de corta-mato, disputados na Figueira da Foz, tendo também participado, no escalão de juvenis, com as cores do inesquecível Atlético Clube Arneirense, 

António foi e será sempre um Grande Campeão!

terça-feira, março 13, 2012

«O Mundo mudou. Ponto final.»


«Não. O mundo mudou mas ainda não acabou. Tira lá esse ponto final.»

Foi assim que eu respondi, a uma pessoa cansada de viver neste mundo, em que se fecham mais do dobro das portas que se abrem, quando disse: «O mundo mudou. Ponto final.»

Somos quase todos conformistas, por isso é que conseguimos eleger políticos tão ordinários, corruptos e incompetentes. Temos um presidente da República que corre o risco de ficar na história como o pior dos piores (nem na ditadura havia gente assim, nem mesmo o Américo Tomás...). Temos presidentes de Câmara que se perpetuam no poder, sem fazer nada de significativo pelas suas gentes, além de se endividarem com obras faraónicas, onde no fim cortam uma fita e colocam uma placa com o seu nome. Mas o mundo avança...

O quase patrono das "Viagens", Alberto Caeiro, era capaz de dizer isto:

Fecham mercearias, 
fecham livrarias, 
mas o mundo avança... 
sem pontos finais, 
apenas com uma ou outra mudança.

O óleo é de Chris Miles (porque continuamos a ser uns anjinhos).

segunda-feira, março 05, 2012

A Tia, a Mãe e o Poema


De vez em quando escrevo poemas.
Não é uma coisa fácil como a prosa.
O Gui diz que cada qual é para o que nasce. Tem toda a razão, mas muitos de nós somos teimosos e insistimos, insistimos, sabe-se lá porquê...

O giro da coisa é que a maioria dos poemas que escrevo são "encomendas". Uma boa parte deles andam por aí, dispersos em pequenos cadernos colectivos, outros em antologias.

Falo em poemas aqui nas "Viagens", porque um dos meus poemas foi escolhido pela minha tia Ilda para homenagear de alguma forma a minha Mãe (e a mim, claro...), dizendo-o em público, ainda que num ambiente familiar, na Nazaré.

O óleo é de Liz Ridgway.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Jaime Graça (1942 - 2012)


Na segunda metade do mês de Agosto de 1991 tive o prazer de entrevistar Jaime Graça, para o "Contra-ponto", a minha página fixa dos domingos no "Record".

Descobri agora que foi a única entrevista que realizei nas Caldas, numa altura em que Jaime Graça era o treinador da equipa principal do quase centenário, Caldas Sport Clube.

Gostei bastante de falar com ele e também da forma como fui recebido no velho Campo da Mata. Voltámos-nos a encontrar mais duas vezes, uma em Setúbal e outra em Lisboa. Na Cidade do Sado foi durante um almoço, daqueles que se prolongam pela tarde fora, cheios de histórias deliciosas, muitas das quais com o selo de proibido, por se intrometerem com a "batota" que continua a existir no mundo do futebol. 

Estive a reler a entrevista, publicada a 1 de Setembro de 1991 e transcrevo apenas duas frases. A primeira é a resposta a uma quase provocação, pois ele apesar de realizar um bom trabalho por onde passava, nunca treinou nenhum clube da primeira divisão...

«Existem bons técnicos em equipas mais modestas, só que é difícil arranjar-se uma bitola para fazer certas medidas. Noto que na primeira divisão há  uma rotação entre os mesmos treinadores. Há alguns que deixam descer constantemente  equipas e continuam em voga. Faz-me lembrar a selecção do meu tempo, um jogador mesmo abaixo de forma era sempre convocado. Éramos quase sempre os mesmos.»

Também lhe perguntei o que achava das Caldas da Rainha:

«É uma cidade muito gira, é pequena, tem pouca poluição, tem um bom ambiente cultural e está cercada de uma série de vilas com interesse turístico. É uma boa cidade para se viver sem grandes vícios.»

É a minha homenagem ao Homem e ao Ídolo do futebol, sem pés de barro.

A imagem foi retirada do jornal, "A Bola", de hoje.