quarta-feira, janeiro 17, 2007

Era uma Vez um Campeão de Papel



Ao ler as palavras de um treinador português, que até já conseguiu a proeza de se sagrar Campeão Nacional, consegui recordar-me uma história antiga, protagonizada pelo Alberto, conhecido no nosso grupo de amigos como o "taças".
Ele conseguiu fintar a sua inabilidade natural desportiva, com a fabulação de uma vida recheada de êxitos desportivos, à qual nem sequer faltavam fotografias e muitos troféus, "conquistados" nas lojas de artigos desportivos e afins da cidade...
As histórias não são paralelas, mas sem saber porquê, Augusto Inácio, que conseguiu a proeza de treinar uma equipa da primeira divisão grega, sem conseguir uma única vitória (sendo despedido, com naturalidade), lembrou-me este cromo, conhecido de várias gerações, pela forma apaixonada como vivia e vive o mundo do desporto.
Ao ler as suas palavras no jornal "A Bola", de terça-feira, descobri uma pérola deliciosa do Inácio, quando se referia ao presidente do Ionikos: «Disse que eu tinha sido o melhor treinador da história do clube. Estou orgulhoso por ouvir isso. Saí a bem e fiz bons amigos.»
Se o presidente disse isso, como é que deixou sair, aquele que foi o melhor treinador da história do clube, mesmo sem ganhar um único jogo? Pois, dá que pensar...
Voltando ao Alberto, ele nunca era escolhido para jogar nem nunca ganhou nada, mas tinha o quarto cheio de taças e fotografias, cada uma com a sua história. Claro que só permitia a visita ao seu museu a desconhecidos, com quem nunca tinha partilhado os baldios onde brincávamos ao futebol.
Mas como estas coisas acabam por se saber, ficou o "taças".
Penso que nunca veio mal ao mundo por ele ter resolvido desta maneira, um dos seus sonhos, fintados pela realidade, tantas vezes demasiado amarga.
E até pode ser, que os seus netos adorem as suas histórias fabulosas...

10 comentários:

AnaG. disse...

Foi muito engenhoso o Alberto, driblando a realidade que afinal, não passou de um sonho....
Espero que seja um bom contador de histórias...
Beijinho.

jcfrancisco disse...

Ao menos foi coerente e fez a ligação entre sonho e vida prática. Povoou a vida de sonhos que nunca deixou de sonhar. E isso é muito importante. Ele sabia que todos temos duas vidas.

Luis Eme disse...

Quando os Albertos deste mundo, driblam a realidade desta maneira, não há grande mal que lhe venha...
Acredito que sim, Ana, ele já de pequenote, tinha jeito para nos contar estórias...

Luis Eme disse...

Não sei se foi coerente, Zé do Carmo, mas pelo menos não desistiu a meio da viagem, nem facilitou a vida aqueles que lhe chamavam mentiroso, decomentando-se com bonitas fotografias, de uma vida de sonho recheada de pequenas glórias...

Alice C. disse...

Ao ler a história do Alberto, lembrei-me imediatamente de todas aquelas pessoas que têm a mania que são famosas e tiram retratos em suites de hoteis e casas de turismo rural, como se estivessem em casa... e pagam, para aparecer nas revistas de consultório e de cabeleireiro.
Inácio? Futebol? Não percebo nada disso, mas o exemplo foi delicioso.
Não esperava outra coisa de ti, Luis!

Luis Eme disse...

Pois... é por isso que as revistas "cor de rosa" e as telenovelas são um sucesso...
A vida dos portugueses, de uma forma geral, está muito longe dos "contos de fadas", é por isso que se sonha e sonha... Alice.

Sininho disse...

Enquanto a fantasia fica cingida, fìsicamente, a quatro paredes, nenhum mal vem ao mundo.
A imaginação é das poucas coisas completamente imunes a qualquer legislação...

Luis Eme disse...

Tens razão Sininho.
A imaginação é (até ver...) uma das poucas coisas imunes a qualquer legislação.

Anónimo disse...

Como já defendi no meu Blog “Águas Mornas”, é urgente uma intervenção de fundo naquele espaço, pois actualmente o estado de abandono a que foi condenado levou a uma degradação do empedrado que é lindíssimo e com mais de 100 Anos. Seria a altura ideal para reestruturar toda aquela zona.
Em minha opinião, a construção de um parque de estacionamento subterrâneo de dois pisos resolveria os problemas de estacionamento do centro da cidade e o tabuleiro superior depois de devidamente reconstruído e apetrechado com mobiliário urbano adequado permitiria que o mercado diário continuasse a funcionar em condições, e não como acontece actualmente onde vendedoras e compradores são tratados como em qualquer mercado medieval.
Quando falo nestas “Soluções” dizem que o tempo que a obra demoraria iria acabar com a Praça… Bem …… senão se fizer nada acaba de certeza.

Luis Eme disse...

Concordo com o Zé, é preciso fazer alguma coisa.
Mas tenho algum receio que se as obras durarem demasiado tempo acabem os vendedores...

Acabou-se praticamente com a agricultura no nosso país (pelo menos ao nível dos pequenos e médios agricultores), uma estupidez de todo o tamanho, que nos irá trazer cada vez mais dissabores.