sexta-feira, março 04, 2011

O Bom dos Pequenos Lugares


Embora goste da discrição e da quase invisibilidade que as cidades nos proporcionam, não deixo de me deliciar com a afabilidade das aldeias. Algo que felizmente ainda existe na zona onde vivo (já não há bairros, agora são ruas, praças, freguesias...), num espaço de casas mais modestas, onde troco sempre cumprimentos com os moradores, que estão invariavelmente na rua, ou à porta, a estender a roupa ou a fazer outra coisa qualquer...

É algo que acontece há anos, porque só por passarmos por um lugar, todos os dias, criamos alguma familiaridade com as pessoas que estão quase sempre por ali. Às vezes esta troca de cumprimentos até começa por causa dos animais. Acho que foi mesmo assim que começou, por causa de um cão que ladrava mas felizmente não mordia, embora gostasse de se aproximar quase no limite das minhas calças.

As pessoas descansavam-me, diziam que ele não mordia. Claro que não me fiava totalmente nelas, com o aproximar da "fera".

E foi assim que começou a ladainha diária do bom dia e boa tarde, olhos nos olhos, às vezes com mais uma ou outra palavra.

O curioso é que esta "posta" começou com a minha resposta a um comentário da Gaivota...

O óleo é de Jorge Frasca.

6 comentários:

Maria disse...

É verdade o que dizes. Mas viver na terrinha onde tu estiveste uns tempos, trabalhar em Lisboa e ir lá apenas para dormir, e muito tempo depois ficar lá todo o dia é substancialmente diferente.
Não conheço praticamente ninguém...

Beijinho, Luís.

gaivota disse...

pois é, Luís! e obrigada pela referência que aqui deixas...
uma vizinha tem umavameleira enorme cheia de flores, andou a escortanhá-le e foi-me oferecer um braçado de troncos...
viver em aldeia!
também a "luna", uma golden retreiver... tomara ela que não lhe "mordam"... só ladra, quer é festas, o meu neto mais pequenino adora-a...
mesmo quando saíamos de casa às 7.30, as crianças ficavam no colégio às 8, no Lumiar, depois eu em alvalade...o regresso, pelas19.30...quantas vezes lá tínhamos um saco de batatas, unmas alfaces, couves... era só abrir a porta e deixar ali debaixo do alpendre... ninguém mexia! às vezes enm sabia quem tinha sido!!!
vou fazer a "minha hiztória" um dia destes!!
beijinhos

Cata- Vento disse...

Nas aldeias partilha-se a vida no que ela tem de melhor e de pior. É a festa da colectividade e a doença do Ti João. A solidão é incomparavelmente menor ou não existe.Espero que o tempo não acabe definitivamente com as relações que ainda se estabelecem nas aldeias e lugarejos porque o homem foi feito para viver em sociedade e corremos o risco de definhar lentamente no silêncio que os tempos modernos nos querm impor.
Bem-hajas!

Abraço fraterno

Luis Eme disse...

e isso tem coisas boas e más, Maria...

Luis Eme disse...

e fazes muito bem, Gaivota.

venha lá a tua história...

Luis Eme disse...

partilha, é a palavra que diz tudo, Cata-Vento...

nas aldeias somos menos, temos a noção de que "um homem sozinho não vale nada", mais viva.