terça-feira, março 13, 2012

«O Mundo mudou. Ponto final.»


«Não. O mundo mudou mas ainda não acabou. Tira lá esse ponto final.»

Foi assim que eu respondi, a uma pessoa cansada de viver neste mundo, em que se fecham mais do dobro das portas que se abrem, quando disse: «O mundo mudou. Ponto final.»

Somos quase todos conformistas, por isso é que conseguimos eleger políticos tão ordinários, corruptos e incompetentes. Temos um presidente da República que corre o risco de ficar na história como o pior dos piores (nem na ditadura havia gente assim, nem mesmo o Américo Tomás...). Temos presidentes de Câmara que se perpetuam no poder, sem fazer nada de significativo pelas suas gentes, além de se endividarem com obras faraónicas, onde no fim cortam uma fita e colocam uma placa com o seu nome. Mas o mundo avança...

O quase patrono das "Viagens", Alberto Caeiro, era capaz de dizer isto:

Fecham mercearias, 
fecham livrarias, 
mas o mundo avança... 
sem pontos finais, 
apenas com uma ou outra mudança.

O óleo é de Chris Miles (porque continuamos a ser uns anjinhos).

segunda-feira, março 05, 2012

A Tia, a Mãe e o Poema


De vez em quando escrevo poemas.
Não é uma coisa fácil como a prosa.
O Gui diz que cada qual é para o que nasce. Tem toda a razão, mas muitos de nós somos teimosos e insistimos, insistimos, sabe-se lá porquê...

O giro da coisa é que a maioria dos poemas que escrevo são "encomendas". Uma boa parte deles andam por aí, dispersos em pequenos cadernos colectivos, outros em antologias.

Falo em poemas aqui nas "Viagens", porque um dos meus poemas foi escolhido pela minha tia Ilda para homenagear de alguma forma a minha Mãe (e a mim, claro...), dizendo-o em público, ainda que num ambiente familiar, na Nazaré.

O óleo é de Liz Ridgway.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Jaime Graça (1942 - 2012)


Na segunda metade do mês de Agosto de 1991 tive o prazer de entrevistar Jaime Graça, para o "Contra-ponto", a minha página fixa dos domingos no "Record".

Descobri agora que foi a única entrevista que realizei nas Caldas, numa altura em que Jaime Graça era o treinador da equipa principal do quase centenário, Caldas Sport Clube.

Gostei bastante de falar com ele e também da forma como fui recebido no velho Campo da Mata. Voltámos-nos a encontrar mais duas vezes, uma em Setúbal e outra em Lisboa. Na Cidade do Sado foi durante um almoço, daqueles que se prolongam pela tarde fora, cheios de histórias deliciosas, muitas das quais com o selo de proibido, por se intrometerem com a "batota" que continua a existir no mundo do futebol. 

Estive a reler a entrevista, publicada a 1 de Setembro de 1991 e transcrevo apenas duas frases. A primeira é a resposta a uma quase provocação, pois ele apesar de realizar um bom trabalho por onde passava, nunca treinou nenhum clube da primeira divisão...

«Existem bons técnicos em equipas mais modestas, só que é difícil arranjar-se uma bitola para fazer certas medidas. Noto que na primeira divisão há  uma rotação entre os mesmos treinadores. Há alguns que deixam descer constantemente  equipas e continuam em voga. Faz-me lembrar a selecção do meu tempo, um jogador mesmo abaixo de forma era sempre convocado. Éramos quase sempre os mesmos.»

Também lhe perguntei o que achava das Caldas da Rainha:

«É uma cidade muito gira, é pequena, tem pouca poluição, tem um bom ambiente cultural e está cercada de uma série de vilas com interesse turístico. É uma boa cidade para se viver sem grandes vícios.»

É a minha homenagem ao Homem e ao Ídolo do futebol, sem pés de barro.

A imagem foi retirada do jornal, "A Bola", de hoje.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Ainda a Festa das Artes da SCALA


Esta foi outra das fotografias com que participei na Festa das Artes da SCALA, exposição artística de artesanato, escultura, fotografia, ilustração e pintura.

Como disse anteriomente, o meu "portefólio" foi  dedicado às Caldas e ao Parque D. Carlos.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Festa das Artes da SCALA



Este ano resolvi participar na "Festa das Artes da SCALA", com quatro fotografias do Parque D. Carlos, das Caldas da Rainha.


Duas delas já as publiquei aqui, a de hoje é uma estreia, que nos mostra as várias tonalidades de verde, durante um passeio de barco pelo lago, com os Pavilhões como pano de fundo...

sábado, fevereiro 11, 2012

O Painel de Júlio Pomar


Quando o " Café Central" esteve em riscos de fechar, houve muitas manifestações contra o seu encerramento, veio ao de cima toda a sua história tertuliana, protagonizada por uma elite da Cidade.

Mesmo sem ter sido frequentador assíduo do café, manifestei-me contra, com uma crónica publicada na "Gazeta das Caldas".

Nessa altura a primeira coisa que me lembrei foi do painel de Júlio Pomar, que quando ainda não era um artista famoso, andou pela Secla, onde havia uma espécie de "laboratório de arte barrista", que chamou muitos jovens, que hoje são nomes sonantes das artes plásticas.

Até Manuel Cargaleiro, antes de partir para Paris, veio várias vezes às Caldas e à Secla (confidenciou-me ele, quando soube que eu era natural das Caldas...).

domingo, fevereiro 05, 2012

«Estamos "arrumados" como o Caldas.»


Esta expressão está mais actual que nunca, quer pela situação do país, quer pela classificação do Caldas no campeonato da II divisão de futebol, o primeiro a contar do fim da zona sul.

Embora sempre que procuro os resultados deste campeonato, esteja esperançado que o Clube possa ter iniciado a recuperação, a realidade futebolística diz-me que os "milagres" têm um preço demasiado elevado.

Como caldense fico aborrecido, mas percebo que deverá ser difícil fazer melhor com uma equipa jovem e barata. Como consequência dos maus resultados o treinador (Gila) - que não conheço pessoalmente, mas tenho a certeza que é um bom técnico - pediu a demissão. São situações normais no futebol português. Provavelmente já estava a ser contestado, tal como acontece com Domingos (para mim  é o melhor treinador da primeira liga...) em Alvalade e que não merecia tanto azar.

Embora distante (são mais ou menos cem quilómetros), prefiro que o Caldas continue a apostar nos jogadores da região e a fazer uma gestão rigorosa, mesmo que isso tenha custos desportivos, que a contratar "prima-donas" de segunda, para ficar a meio da tabela...

domingo, janeiro 29, 2012

Janelas do Nada


Irrita-me o abandono urbano, especialmente o de casas com história.

Estas janelas são da antiga escola primária da "praça do peixe", praça onde morou durante anos o "Cine-Teatro Pinheiro Chagas", que também passou os seus últimos anos de vida, desgraçadamente abandonado, depois de lhe terem "esventrado" o seu interior.

Esta falta de amor pelo passado, pela histórias, pelas memórias, talvez explique porque razão os nossos idosos acabam os seus dias na mais completa solidão.

E este é o pior dos abandonos...

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Os Pavilhões, a Senhora do Pópulo e o Ferreira da Silva


Resolvi "ler" esta  imagem ao contrário, com o olhar preso nos Pavilhões do Parque, onde estudei no Liceu, que assim escondidos, não se percebe a sua imponência.

Pavilhões que um dia virão a baixo, pois parece que ninguém os quer...

Depois encontrei a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, que é só o monumento mais antigo, e mais importante da Cidade.

Para o fim ficou a arte do Ferreira da Silva, um artista plástico caldense que não pode dizer que "santos da terra não fazem milagres", pois está bem representado em vários locais das Caldas, inclusive o que documenta a foto, as traseiras do espaço museológico do Hospital.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Gosto desta Fotografia


Gosto muito desta fotografia.

Talvez a mostre numa exposição colectiva, no próximo mês.

Não sei se é da cor ou da profundidade, mas sinto que tem algo de especial.

E como vêm, continuo "preso" ao Parque das Caldas da Rainha...


quinta-feira, janeiro 05, 2012

Paz e Solidão


Não tenho muitas dúvidas que o Parque das Caldas nunca foi um lugar de eleição para um boa parte dos Caldenses, apesar da sua beleza. Isso talvez explique o que o Xico, um dos comentadores das "Viagens" disse, que o  Museu Malhoa é muito pouco visitado pelos locais. Infelizmente.

Infelizmente mesmo, pois é o espaço mais bonito da Cidade.

Esta fotografia, datada de Dezembro, mostra muito do que experimento ao passear pelo Parque, Paz e Solidão. Uma solidão que não me é desagradável pois dá espaço à interioridade, ao mesmo tempo que me permite olhar com "todo o tempo do mundo" para tudo o que me rodeia, mesmo sem precisar de me sentar num dos bancos de jardim...

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Dar as Mãos


O segredo deste novo ano, poderá muito bem ser darmos as mãos.

E não digo isto apenas no sentido de ajudarmos quem nos rodeia, mas sim no sentido de nos unirmos para lutar contra o "estado de coisas", a que assistimos com demasiada serenidade, em que alguns casos são um autêntico "roubo".

Esta escultura de Leopoldo de Almeida, é muito mais que um "Grupo Decorativo", como está na sua legenda, quase às portas do Museu José Malhoa.

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Eu e os Candeeiros...


Na minha passagem pelas Caldas, lá descobri mais dois ou três candeeiros, para a colecção.

Gosto de andar pela cidade e sentir-me mais turista que alguém da terra. Sei que também  é por isso que olho com tempo para todas as coisas que me rodeiam...

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Boas Festas


Desejo Boas Festas a todos aqueles que fazem "viagens pelo oeste".

Que em 2012 vejamos alguma luz, como a que se vê ao fundo deste quase túnel, do nosso parque, das Caldas...

terça-feira, dezembro 20, 2011

A Visão das Berlengas


No meu regresso ao Oeste, decidi sair da auto-estrada e viajar rente ao Oceano.

Acabei por ir até ao Cabo Carvoeiro e gostei de ver as Berlengas e os Farilhões, com uma nitidez pouco vulgar.

Gostava de encontrar Mariano Calado e acabei a circular na sua longa Avenida...

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Imaginem Só Quem Encontrei na Lagoa...


Quando estamos uns meses sem aparecer no Oeste, apetece-nos dar uma espreitadela a todos os lugares que nos dizem algo.

Foi por isso que durante a manhã do feriado, fui até ao coração da Lagoa de Óbidos, andando e parando, nas suas margens.

Já quase na Foz do Arelho, encontrei a "Rita Pavoni", a ser puxada para a margem por um pescador...

domingo, dezembro 11, 2011

Grandes Planos: O Rei


Provavelmente era republicano, mas pela sua qualidade e pelo que nos deixou, considero José Malhoa o Rei das Artes, pelo menos das Caldas da Rainha.

O seu museu continua a ser mais emblemático das Cidade, e também um dos mais bonitos do país, por estar metido dentro do Parque D. Carlos, com toda aquela envolvência florida e agradável.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Grandes Planos: A Rainha


Finalmente fui às Caldas!

Jantei com um bom grupo de amigos de infância, onde se soltaram muitas histórias e outras tantas personagens. O que achei mais estranho foi ouvir falar de nomes, saber da sua existência mas não lhes conseguir dar rostos...

Hoje de manhã andei pela cidade, olhei isto e aquilo, tirei fotografias aqui e ali. Olhei com atenção para a estátua da Rainha D. Leonor e achei-a serena e nada "generala", apesar de nos impor a sua presença de um forma forte...

Espero que ninguém pense em retirá-la do seu pedestal.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Saudade...


Apetecia-me passear de sobretudo dentro do frio que encolhe as árvores, mesmo as gigantes, quase despidas do Parque.

Também me apetecia sentir a humidade do oceano, que tenta entrar dentro de nós, rente ao mar da Foz.

Fecho os olhos e quase que ouço o mar, juntamente com algumas vozes familiares, com quem é sempre um prazer trocar mais de dois dedos de conversa...

O óleo é de José Malhoa, "Outono"...

terça-feira, novembro 15, 2011

À Procura da Geração Anterior...


A diferença de dois anos nunca foi grande, os amigos do meu irmão foram os meus.

Embora tenha dificuldade em fazer divisões geracionais, somos, sem qualquer dúvida, da mesma geração.

Quando começo a procurar a geração anterior à nossa, acho que recuo demais no tempo. Vou buscar o Henrique e os seus amigos (que deviam ter mais dez anos que eu, pelo menos, pois o Henrique ainda foi obrigado a cumprir o serviço militar em Timor, no começo da década de setenta do século passado). Por ele ser irmão do Fernando, o nosso grande amigo de infância, olhávamos para a sua "tribo" com bastante admiração e condescendência, até por serem quase loucos... especialmente o Rui "taranta" e o Joaquim "bronquite".

Embora fosse pequenote, lembro-me de os espreitar na praia a rondar as miúdas e também de os ver sairem de casa com camisas floridas, sem se preocuparem com os velhos "machos" que achavam que aquilo era coisa de maricas. Só não fazia ideia era que eles estavam a sofrer influencias dos movimentos "hippies" e do Maio de 68...

Apesar da ditadura, parece que o "mundo" não estava assim tão longe.

O óleo é de Mike Briscoe.