Viagens pelo Oeste
Nas cidades a vida é mais pequena que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. (Alberto Caeiro)
segunda-feira, janeiro 05, 2026
terça-feira, dezembro 23, 2025
Federação Portuguesa de Futebol segue a mesma política do governo central: "protege os fortes e bate nos fracos"
Mas nem com este alinhamento, se percebe que a menos de 24 horas do início do jogo entre o Caldas e o Braga, esta decida mudar o jogo do Campo da Mata para o estádio do Torreense, com a alegação de que o relvado não oferecia as condições mínimas para a prática do futebol.
A medida ainda é mais polémica, porque pelo que li nos jornais, o campo de futebol de Torres Vedras não estava muito melhor que o das Caldas...
Mesmo sabendo que o Caldas acabaria por ser penalizado, os seus dirigentes e equipa técnica deveriam ter decidido marcar presença no Campo da Mata, à hora do jogo e não em Torres.
A melhor Taça para o Caldas, na minha opinião claro, era perder por falta de comparência, mas de pé, nas Caldas da Rainha, convidando a cidade a comparecer no Campo da Mata, mostrando solidariedade para com o Clube.
(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)
quinta-feira, outubro 09, 2025
O Centenário da "Gazeta das Caldas"
Neste caso particular, a instituição em causa, ainda merece mais o nosso aplauso, por se dedicar a uma área muito especial, que raramente tem o apoio necessário para conseguir sobreviver sem sobressaltos, por ter como missão não agradar a "gregos e a troianos".
Estou a falar da "Gazeta das Caldas", o principal semanário da minha cidade natal, que honra o jornalismo regional.
Se o jornalismo sobrevive com muitas dificuldades na actualidade, o regional ainda se debate com maiores problemas, se lutar todos os dias, para se manter independente de todos os poderes, especialmente os político e económico.
(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)
sexta-feira, setembro 05, 2025
A extraordinária vitória de João Almeida na 13.ª etapa da Vuelta
As suas palavras dizem tudo: «Fiz o melhor que pude, é a subida mais dura que já fiz e a melhor vitória da minha carreira».
Com este resultado destacou-se ainda mais na segunda posição e recuperou alguns segundos em relação a Vingegaard.
(Fotografia retirada do site de "A Bola")
domingo, julho 13, 2025
Os 40 anos do "Teatro da Rainha"
Normalmente não encontro pessoas conhecidas, embora se possa dar o caso de me cruzar com gente que não encontro há mais de três décadas (em muitos casos quatro...) e não lhes descobrir traços familiares.
Se fui ao encontro do Zé Povinho e da sua exposição comemorativa dos 150 anos, a mostra comemorativa do quadragésimo aniversário do "Teatro da Rainha", foi uma descoberta, no "Céu de Vidro", uma das entradas para o Parque D. Carlos.
E parabéns a todos aqueles que são e fazem o "Teatro da Rainha", que é a grande marca teatral da Cidade.
(Fotografias de Luís Eme - Caldas da Rainha)
sábado, julho 12, 2025
As Caldas, o Zé Povinho e o Grande Rafael
Gostei muito do que vi. Já sabia que o Zé Povinho era a figura mais caricaturada no nosso país, ao longo do tempo, mas não imaginava que até tinha sido capa de revistas como a "Gaiola Aberta" ou o "Riso Mundial".
Tudo isto graças ao grande Rafael Bordalo Pinheiro, que, além de ser o pai de muitas coisas no nosso país, inclusive da Banda Desenhada, escolheu as Caldas para começar a trabalhar na indústria da cerâmica. O Artista acabou por oferecer um novo cunho artístico às faianças da ainda Vila, ao mesmo tempo que dava uma nova vida ao Zé, oferecendo-lhe a tridimensionalidade que não possuía.
(Texto publicado inicialmente no "Largo da Memória")
(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)
segunda-feira, junho 23, 2025
João Almeida: já é o melhor ciclista português de sempre
Dizemos isto sem querer beliscar as qualidades extraordinárias de Joaquim Agostinho, que além de ter chegado tarde ao ciclismo, nunca teve o acompanhamento internacional que merecia e deveria ter tido.
São dois extraordinários talentos do ciclismo do nosso Oeste e os melhores da história do ciclismo do nosso país.
(Fotografia retirada do site do jornal "A Bola")
segunda-feira, abril 21, 2025
Caldas: um espaço turístico de eleição no Oeste
Talvez fosse por ser uma época festiva, mas havia bastante movimento, nas estradas e nas ruas, numa cidade bonita, que antes de se apostar neste turismo quase desenfreado, já ela aproveitava a sua situação geográfica (bem podia ser a "capital do Oeste"...) e o facto de possuir das melhores termas do país, para ser um espaço turístico de eleição no nosso país.
Nem mesmo a incompetência autárquica - fruto dos muitos anos de poder "laranja" - conseguiu deitar abaixo, esta cidade única, que vai recuperando as suas melhores valias, graças a uma Câmara, quase "independente dos partidos"...
Também aproveitámos a companhia do meu irmão, para irmos ver o mar à Foz do Arelho, que estava cheia de gente, a aproveitar aquele Sol do momento, por saber que a chuva também andava por ali, escondida nas nuvens com várias tonalidades de cinzento.
(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)
Nota: Publicado inicialmente no "Largo da Memória" (19 de Abril).
quarta-feira, janeiro 22, 2025
Ainda a desagregação das freguesias (a pensar no meu Oeste)...
Publiquei o texto que se segue no meu blogue principal ("Largo da Memória") e depois copei-o para o "Casario" e agora para as "Viagens", porque continua a parecer-me um absurdo, a união das freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório.
«Consultei a lista das freguesias que são ser desagregadas de outras (são cento e trinta e cinco) e não encontrei qualquer sinal do Concelho de Almada, mesmo que algumas uniões sejam autênticos erros de casting, pelo menos para quem conhece a história local e o dia a dia destes pequenos centros urbanos.
O mesmo se passou em relação às Caldas da Rainha, onde até existe uma união entre uma freguesia urbana unida a duas rurais (Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório)... e irá continuar a existir. Aqui é que se deve sentir o "abandono autárquico"...
Mesmo assim, estou satisfeito, pelas mais de cem freguesias que voltam a caminhar, apenas com os seus pés. Sei que se trata de uma reposição justa e uma forma de servir melhor as suas populações.
Sei do que falo. Assisti às mudanças de um concelho com o de Almada, que passou de onze para cinco freguesias. O que foi mais notório foi a "desresponsabilização" dos autarcas, com a velha desculpa, de que lhe era impossível estar em todo o lado ao mesmo tempo. Isso fez, entre outras coisas, que cada vez apoiassem menos as colectividades recreativas, culturais e desportivas, tal como outras instituições que serviam os almadenses. Neste caso particular, diziam sempre que não havia dinheiro para tudo...
Por se tratar de um Concelho onde há um grande envelhecimento da população (especialmente nos centros urbanos mais antigos, como são os casos de Almada, Cacilhas, Cova da Piedade ou Trafaria), a anterior divisão de freguesias permitia uma maior proximidade junto das populações. Infelizmente, esta ligação foi desaparecendo com o tempo, assim como a própria identidade dos lugares, quase sempre com uma história muito própria, e bastante rica, como são os casos de Cova da Piedade, Trafaria ou Cacilhas.
Se acho natural que as freguesias do Feijó e Laranjeiro, assim como a Charneca e Sobreda de Caparica, devem permanecer unidas, acho que pelo menos a Cova da Piedade, o Pragal e a Trafaria, deviam ser freguesias autónomas.
Todos tínhamos a ganhar, especialmente os habitantes destes pequenos centros urbanos.»
(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)
sábado, janeiro 04, 2025
Salir de Matos é Vila
Claro que para mim continuará a ser a aldeia da minha meninice, o lugar especial onde passei grande parte das férias grandes com o meu irmão, na casa dos avós.
Esta escolha deve ter acontecido graças à sua centralidade (não acredito que tenha mais habitantes de que há dez ou vinte anos...), porque num primeiro olhar, noto que Salir de Matos tem muito poucas coisas de Vila, pelo menos segundo o tal "meu olhar" quase citadino...
(Fotografia de Luís Eme - Salir de Matos)
sexta-feira, dezembro 20, 2024
Um Natal com cada vez mais dificuldades em esconder debaixo do tapete as "misérias humanas"...
À medida que os anos vão passando, tenho cada vez menos paciência para o Natal.
Sei que em parte isso deve-se a este mundo que nos rodeia, ter cada vez menos ares natalícios (as luzes e as montras não contam...). Gaza, Beirute, Damasco ou Kiev, são os maiores exemplos...
Por outro lado, como tenho os filhos já adultos (ainda não há netos...), perdeu-se um pouco o encanto e a sua alegria contagiante (mesmo que passageira...) em receber presentes...
Tenho vários defeitos, mas a hipocrisia, o cinismo e a inveja, não estão no "pacote" (e ainda bem, são das coisas mais miseráveis e vulgares dos seres humanos...). E esta época trás todas essas coisas - em "tamanho xl" - para as casas, para as ruas, para as igrejas e sobretudo para as lojas.
E se há coisa que nós vamos perdendo com os anos, é a paciência para fazermos fretes.
Claro que isto não tem nada a ver, por exemplo, com a reunião natalícias das famílias. Numa época em que este núcleo especial tem sido tão desvalorizado, é bom que as pessoas que se encontrem, nem que seja, na tal "uma vez por ano"...
É com gosto que janto a 24 com a minha sogra, passo ceia com os meus cunhados e mais família (onde até costuma aparecer o "pai natal"...). Ou almoço a 25 com a minha mãe e o meu irmão...
Mas não consigo suportar este regresso ao passado, ao tempo dos "coitadinhos", com os ricos a voltarem a "escolher" o seu pobrezinho, para a sua ceia (voltou-se a isto, com mais visibilidade, porque os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres...) ou a ver o presidente da república a servir refeições aos sem abrigo (ele bem podia fazer com que o natal para esta gente não fosse apenas um dia. Até lhe dou a ideia de, quando sair do cargo, fomentar estes encontros, mensalmente...).
Nota: Texto publicado primeiro no "Casario" e depois nas "Viagens" e por fim, no "Largo".
(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)
quarta-feira, outubro 30, 2024
As perseguições boas do passado...
Sou o único que faz isso. Todos os restantes elementos da família, antes de fazerem qualquer coisa, no terreno com cada vez menos uso, enfiam as luvas nas mãos, como se este mundo lhes fosse estranho. E é...
Nenhum deles teve um Avô, agricultor a tempo inteiro, numa aldeia que era o espaço privilegiado das férias grandes, minhas e do meu irmão, que tinham muito mais campo que mar, na infância...
Penso sempre nele, quando olho para as minhas mãos castanhas enquanto mexo na terra estranha, que produz muito mais ervas daninhas que plantas para consumo interno. Se tivesse escutado os seus conselhos em vez de andar a brincar com o meu irmão, muitas vezes em "terrenos proibidos", onde deixávamos sempre a marca do nosso calçado, quase como "impressão digital", talvez o hoje fosse diferente... Mas aqueles eram tempos de brincar, e eu estava longe de sonhar ser agricultor, até por saber e ver a roda viva do avó, que saltava quase diariamente de fazenda em fazenda, porque era ali que estava o seu sustento...
E gosto de pensar no Avô, não só por ser um tempo feliz, este da infância, mas por sentir um grande orgulho neste homem, excessivamente sério, incapaz de apanhar uma peça de fruta, mesmo da que cai no chão, de uma fazenda que não fosse sua...
Nota: Texto publicado inicialmente no "Largo da Memória".
(Fotografia de Luís Eme - Óbidos)


