sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Canto Novo



Gosto de tudo do Zeca, mas o “Canto Jovem” (ou os “Filhos da Madrugada”) tem um simbolismo especial... porque está de alguma forma ligado à primeira vez que acampei, completamente solto, com dezoito anos, numa “aldeia da juventude”, em Vila Nova de Mil Fontes.
Além dos dias bem passados na praia e dos animados “fogos de campo”, no começo e meio da noite, pegávamos nos sacos-cama, nas "violas" e íamos pôr as ondas a dançar, enquanto contávamos estrelas à beira mar...

Canto Jovem

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegámos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa moira encantada
Vira a proa da minha barca

6 comentários:

Maria disse...

"pôr as ondas a dançar"...
... e a contar estrelas...?

Que lindo, Luís, que lindo!
Olha, eu fiquei por aqui, a rever o Zeca...
... e deixo-te um abraço apertadinho...

AnaG. disse...

Zeca, continuará vivo entre nós, através das suas canções....

Beijinho...

jcfrancisco disse...

Lembro-me bem de haver muita gentinha que não reconhecia o Zeca como poeta e se admirou muito com um livro do J.H.Santos Barros - José Afonso Poeta. Para mim é e sempre foi...

Luis Eme disse...

Gostei de te deixar a pensar, Maria, que conseguíamos mesmo pôr as ondas a dançar...

Luis Eme disse...

Pois continua Ana.

Ele revolucionou a forma de cantar e até de escrever canções...

Luis Eme disse...

Pois, há gente que também é capaz de dizer que ele como músico não era grande coisa, Zé do Carmo...

Claro que era um poeta, dos grandes, basta lermos o muito que escreveu, para o percebermos.