quinta-feira, novembro 30, 2006

Pausa para o Almoço



Lembro-me de a avó fazer o almoço para o avô, meter tudo numa cesta, tapadinho por um pano e levá-lo à cabeça, até à fazenda, onde ele estivesse a trabalhar.
Acompanhei a avó algumas vezes, nestas viagens, quase sempre enebriado pelo cheiro dos petiscos que fazia, para dar energia ao seu homem.
Quando chegávamos, eu olhava com enlevo para a comida e o avô sorria e acabava por a partilhar comigo. A avó não achava piada e chamava-me guloso, que já tinha almoçado, etc, mas aquele cheiro do farnel era mais forte que eu...
Recordo-me, que às vezes o meu pai também ia trabalhar para fora e levava almoço. Quando ele chegava adorava rebuscar a sua mala, à espera das sobras. A mãe fazia muitas vezes carne panada, e lá estava eu à espera de um panadinho...
Pois é, os petiscos são uma coisa fabulosa, especialmente os cheiros...
O óleo que ilustra este texto é a "Sesta" de José Malhoa, mas como este momento de descanso, está acompanhado da cesta do farnel, acabei por a escolher...

11 comentários:

Sininho disse...

Essa cesta do farnel trouxe-me à lembrança os piqueniques que se faziam, aos fins de semana e onde não faltavam os panadinhos, a bôla de carnes e outros petiscos de fazer crescer água na boca.
Os cheiros...memórias que não desaparecem.

mfc disse...

Que bem que nos sabia irmos à merenda alheia petiscar qualquer coisa!
Sabia como mel!

Anónimo disse...

Ola Luis, vou deixar-te um abraço e desejo de b f semana*

Maria disse...

Luís
Continuas a encantar-me com as tuas memórias e com os quadros... do Malhoa.
Como sempre é uma recordação de infância muito comovente.
Um abraço

Luis Eme disse...

Pois é Sininho, já não se fazem piqueniques como antigamente...

Luis Eme disse...

MFC, como muito bem diz a sabedoria popular, "a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha"...

Luis Eme disse...

Bom fim de semana também para ti, "Cor do Mar", e claro, para todos os "viajeiros do Oeste".

Luis Eme disse...

Maria,
o Malhoa, além de ser excelente, é nosso conterrâneo e acaba por ser uma grande ajuda, porque nem sempre sei o que vou escrever nas "Viagens". Felizmente, ao olhar para os seus quadros, surge sempre qualquer ideia ou memória...

Rosa dos Ventos disse...

Belo texto e belo Malhoa!
Também eu tenho recordações bem gostosas de petiscos em casa dos avós!

Luis Eme disse...

Também eu "Rosa dos Ventos"...
Quando me lembro dos ovos estrelados em azeite e do choriço caseiro assado na brasa... cresce-me água na boca...

Anónimo disse...

Naquele tempo, o almoço era por volta das dez horas, às treze era o jantar, por isso, ninguém vinha casa, a comida era-lhes levada pelas mulheres, as quais ficavam em casa, a cuidar dos filhos, da casa e da roupa e dos animais e depois, iam ajudar a tratar da terra, quando as tinham.Mas, para os catraios,o melhor era quando sobrava alguma coisa dentro de cesta...