terça-feira, maio 15, 2007

O Quinze de Maio nas Caldas


Gosto que a minha primeira cidade tenha um dia, só dela, sem precisar de o partilhar com outras terras.
Neste feriado municipal realizam-se sempre uma série de eventos, com destaque para os espectáculos musicais, as inaugurações habituais e também a entrega das medalhas de mérito da cidade.
Este ano, um dos contemplados com uma das medalhas de prata, foi o padre Felicidade Alves. Recebi a notícia via telefone, pela Elisete, bastante satisfeita pela distinção. Convidava-nos para estarmos presentes... só que, por estas bandas, não é feriado e não pude estar presente.
O primeiro pensamento que tive, depois de desligar o telefone, foi que a prata era demasiado redutora, para quem recebera em vida a Ordem da Liberdade do Estado Português e a Medalha de Ouro da Cidade de Oeiras. Mas depois lembrei-me que o Zé nunca teve uma ligação muito forte às Caldas da Rainha. Embora nunca deixasse de visitar o Vale da Quinta, na Freguesia de Salir de Matos, onde viviam os pais, escolheu a cidade, quase sempre como ponto de passagem.
Pode ser essa a razão de não lhe terem atribuída a medalha de ouro da cidade...
A meio da tarde, sem saber muito bem porquê, lembrei-me também, que foi durante este feriado que participei na minha primeira exposição de artes plásticas, e logo no bonito Casino do Parque...
Claro que foi uma exposição meio a brincar, já que tinha apenas oito, nove anos e fiz um desenho do largo do Borlão, com a estátua do marechal Carmona, que foi escolhido para a mostra de arte dos "pequenos talentos" das escolas primárias do Concelho.
Mas nunca esqueci esta pequena honra...

8 comentários:

Ida disse...

Mas a estátua é da rainha, não é? A que dá nome à cidade. E afinal, quem é?

Já tenho saudades das Caldas, por culpa tua, a última vez que estive lá, foi num fim de semana desses que não se repetem, dancei imenso em uma disco que jamais seria capaz de lembrar, mas foi tão bom e a viagem de volta pra Lisboa tão interessante, às tantas da madrugada, e o mundo parecia um lugar tão interessante... era início de inverno em 99.

Maria disse...

Pois devo dizer-te Luís que houve música até às tantas, na noite de 14 para 15.
E o tradicional fogo de artifício.
Ah, e a coroa de flores na Rainha.

Agora, acreditas que não me lembro onde ficava o largo do Borlão? Sei que existia, já não deve ter esse nome, será que era para os lados onde hoje é a Câmara e o Tribunal?

Beijinhos

Luis Eme disse...

É a estátua da Rainha D. Leonor, esposa de D. João II e grande benfeitora das misericórdias portuguesas.

Não te vou contar a bonita história do aparecimento da cidade, Ida, mas posso resumir...

De uma nascente (ou charco...) de águas sufurosas e onde estavam alguns doentes a lavarem-se e onde a rainha - de passagem - experimentou os efeitos das águas (pelos vistos com resultados positivos...) nasceram as Caldas da Rainha...

Luis Eme disse...

O largo do Borlão é o largo da igreja (que já foi nova), do tribunal e dos passos do concelho.

Não te lembras da estátua do Marechal Carmona? Essa mesmo que nos indiciava em erro, e fazia crer que ele era grande, como o Gomes da Costa, e não a sua fraca figura (fisicamente...).

Pois esqueci-me do fogo... a coroa de flores na estatua da rainha é que não deveria ter sido esquecida, mas...

alice disse...

já para não falar do pão com chouriço e cavacas das caldas ;)

Maria disse...

Não me lembro de todo da estátua do marechal Carmona. De todo, não me lembro.
Ai, esta minha capacidade de fazer o "delete" de coisas que não me servem para nada...
Nessa época (na minha época) o borlão e o bairro da ponte eram os confins da cidade. Hoje estão mesmo no seu meio...
Sou mesmo antiga...

Luis Eme disse...

E das trouxas de ovos, Alice...

Luis Eme disse...

Maria, penso que foi inaugurada no começo da década de setenta, por aquele senhor que cortava fitas, da marinha. Embora não me recordo muito bem, acho que estive lá com as outras criancinhas, com a bata branca da escola a acenar a sua eminência parda.

E depois, mal se deu o 25 de Abril, "desapareceu", e durante anos o largo esteve completamente vazio... talvez para nos lembrarmos que um dia esteve ali um marechal de bronze...