quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Bailes Longe da Paróquia...

Nunca fui grande frequentador de bailes, até porque na minha adolescência, as discotecas já começavam a ganhar aos pontos aos espaços dançantes aos pares. A "Green Hill", o "Ferro Velho", o "O Inferno da Azenha" (tinha escrito Azenha do Inferno, mas não me soou tão bem...) e outra discoteca na Foz do Arelho, um pouco antes do "Facho", que teve tantos nomes, que não me lembro de nenhum em especial...

Antes desta fase apareceram as primeiras festas particulares, de aniversário ou apenas festas dançantes, especializadas em músicas lentas, onde tive os primeiros contactos com as curvas das miúdas e aprendi a dançar as "valsas lentas" com namoradas ou simples amigas, que também aproveitavam estes jogos para a longa e complexa aprendizagem do amor...
As músicas? Pois... nestas valsas lentas, raramente faltava o clandestino "Je T'Aime Moi Nou Plus", de Serge Gainsbourg e Jane Birkin.
Mas a grande descoberta da minha adolescência foram, sem qualquer dúvida, os "Pink Floyd", com todas aquelas viagens quase cósmicas, sem a ajuda de qualquer tipo de droga, leve ou pesada, que ainda hoje gosto de ouvir...
Depois havia uma longa lista, de músicas e músicos...
Mas agora prefiro referir apenas os de cá, os especiais que sempre gostei, desde a adolescência. O Sérgio Godinho, o Zeca Afonso, o Fausto e o Vitorino. Não me lembro de uma voz feminina portuguesa que me tocasse...
Na minha adolescência ainda não havia Rui Veloso, mas já havia rock português. Lembro-me de ter assistido a concertos dos "Tantra", "Arte & Ofício", "Ferro e Fogo" e até dos UHF, a primeira banda rock, que ouvi cantar em português, acho que em 1978, numa passagem de ano, realizada no ginásio da Escola Rafael Bordalo Pinheiro.
Não, não gostava de fado. Na época era proibido aos adolescentes da minha geração gostarem de fado...
Obrigado Maria e Sininho, por me fazerem recordar estas e outras músicas...
A imagem que ilustra este texto é do álbum histórico dos "Pink Floyd",
The Dark Side Of The Moon, de 1973...

16 comentários:

Maria disse...

Ó Luís, o "je t'aime moi non plus" era uma "valsa" tão lenta tão lenta que os pés nem se mexiam, hehehehehe...
O que eu me tenho divertido com esta brincadeira....

Um abraço
(de repenten lembrei-me que no início do Infernda d'Azenha tocavamos muito o Calhambeque.... era paródia completa, já que não era aberto a toda gente...)

Maria disse...

quis dizer Inferno d'Azenha, claro.

Sininho disse...

Como diz a nossa desafiadora-mor, este é um passatempo que vem a revelar-se bem divertido.
Vem uma música e outra e outra e começam a saír da caixa (craneana...) as recordações em catadupa.
Podemos ser uns mais velhos do que outros, mas acabamos todos por ir ter às respectivas adolescências que lembraremos como um tempo dourado pela nossa memória, enquanto cá andarmos à superfície...

Digo eu.

Abraço

joana disse...

Há qualquer coisa de grande, de exaltante, nas composições dos "Pink Floyd".

Gosto muito da sua música.

Admirei-me de não falares de "Os Beatles". Deve ser por teres bom gosto, os rapazes de Liverpool também não me dizem nada, acho-os vulgares, apesar de serem considerados quase uns "deuses" da música.

beijos

alice disse...

nem uma vozinha feminina? nem maria callas? nem teresa salgueiro? nem amália? nem mariza? :( fabuloso o disco, luís!

Higino disse...

O pior foi quando, já naquele tempo, assaltaram o "INFERNO D'AZENHA de madrugada e levaram os LPs todos e ficamos sem musica durante uns tempos e nos que até tinhamos entrada livre. Lembram-se do porquinho em cima do balcão onde se metiam as moedas quando se metiam?.

Maria disse...

... e dos "amendoins à diabo"????

Ida disse...

Até pareces mais velho do que eu, Luís, e NÃO és, quem me dera! O Pink Floyd era pra outra tribo, não a minha, ou pelo menos eu sempre pensei. Eu gostava mt dos Beatles, mas tb de um mt de outras coisas, acho que comecei a ir às discotecas só depois dos 18 e aí já eram os eighties, dancing days, e as festas nas casas dos amigos, hi-fi, como dizíamos... e sim... adorávamos dançar agarradinho. Havia mta música nacional, mtas bandas de rock, recém-saídas das proibiçòes da ditadura militar e dançava-se muito e tínhamos todos esperanças, todas as esperanças. Beijos, here, there and everywhere.

samuel disse...

Todas estas músicas passaram por mim... e tudo cometendo a proeza de não dançar! Tirando a dança, porém, lá estava tudo, as mesmas músicas, como disse, a mesma excitação, a mesma agarração, até a mesma descoberta das curvas vertiginosas das meninas...
Mas para que é que estou para aqui a tentar contar uma história que o Manuel da Fonseca conta muitíssimo melhor do que eu?

Abraço.

"Quando foi que demorei os olhos
sobre os seios nascendo debaixo das blusas,
das raparigas que vinham, à tarde, brincar comigo?...
... Como nasci poeta,
devia ter sido muito antes que as mães se apercebessem disso
e fizessem mais largas as blusas para as suas meninas.
Quando, não sei ao certo.

Mas a história dos peitos, debaixo das blusas,
foi um grande mistério.
Tão grande
que eu corria até ao cansaço.
E jogava pedradas a coisas impossíveis de tocar,
como sejam os pássaros quando passam voando.
E desafiava,
sem razão aparente,
rapazes muito mais velhos e fortes!
E uma vez,
de cima de um telhado,
joguei uma pedrada tão certeira,
que levou o chapéu do senhor administrador!
Em toda a vila,
se falou, logo, num caso de política;
o senhor administrador
mandou vir, da cidade, uma pistola,
que mostrava, nos cafés, a quem a queria ver;
e os do partido contrário,
deixaram crescer o musgo nos telhados
com medo daquela raiva de tiros para o céu...

Tal era o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas!"
--
Manuel da Fonseca (1911-1993)

Luis Eme disse...

Pois era, Maria...

a rainha das "valsas lentas"...

Luis Eme disse...

Esta é uma das "correntezas" giras, mesmo pessoais são transmissiveis, Sininho...

Luis Eme disse...

Os Pink Floyd são únicos, Joana...

Luis Eme disse...

Lembraste-me a Callas, foi a seguir, Alice...

Luis Eme disse...

Lembro-me dessa história, Higino...

Luis Eme disse...

Porque razão querias que fosse mais velho que tu, minha querida "carioca"? (fiquei curioso...)

Luis Eme disse...

Adorei o poema do grande Manuel da Fonseca, Samuel...