sábado, junho 06, 2009

Um Desafio Poético

A Cristina lançou-me um desafio, completamente aberto, que apelava à construção e colagem de palavras.

A minha escolha acabou por ser parte da poesia do quase "patrono" destas minhas "viagens", ou seja, o lado mais campestre de Fernando Pessoa: Alberto Caeiro, o homem que descreveu o mundo sem pensar nele, em jeito de entrevista...

- Gostou de regressar à “Cidade Grande”?
- Nas cidades as grandes casas fecham a vista à chave, escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu, tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos podem dar, e tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
- Já vi que a realidade actual chocou-o...
- A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias.
- Mantém viva a sua filosofia...
- Eu não tenho filosofia: tenho sentido...
Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é, mas porque a amo, e amo-a por isso...
- Pelo menos continua um homem apaixonado...
- O amor é uma companhia. Já não sei andar só pelos caminhos, porque já não posso andar só.
- Foi por isso que voltou com os seus dois filhos, o Pedro e o João? Como olha para eles?
(Antes de responder olhou com satisfação para o Pedro que brincava com o irmão ali ao lado).
- É uma criança bonita de riso natural. Limpa o nariz ao braço direito, chapinha nas poças de água, colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, rouba a fruta dos pomares e foge a chorar e a gritar dos cães.
(Quando começou a falar do João, esboçou um sorriso de orelha a orelha...)
- Corre atrás das raparigas que vão em ranchos pela estrada com as bilhas às cabeças e levanta-lhes as saias.
- Mas aqui vai ser diferente...
- Eu nem sempre quero ser feliz. É preciso ser de vez enquanto infeliz para se poder ser natural...
- Faltam-lhe os rebanhos...
- Eu nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse. Minha alma é como um pastor, conhece o vento e o sol.
- Pelo menos vão ter o Tejo como companhia...
- O Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia...

Como tem sido hábito meu, não passo este desafio a ninguém em especial, passo-o antes a toda a gente que o ache divertido e o aceite...
A pintura, "Lisboa e o Tejo", é do genial Carlos Botelho.

14 comentários:

Cris Caetano disse...

:) Liiiindo!!!
E já agora... não sei se me atrevo, mas claro que vou pensar no desafio.

Beijinhos

gaivota disse...

interessante desadfio... recebi um assim parecido há uns tempos, mas... ficou ali na "prateleira"
bom domingo
beijinhos

Zé Povinho disse...

Gostei da volta que deste ao desafio.
Se tivesse um blogue, respondia com os desenhos do meu Criador, o mestre Rafael, a perguntas sobre as bestas que nos governam.
Vê lá, que nem o doutor Costa, ia falhar.

Lúcia disse...

:) Gostei muito Luís: construtivo, imaginativo e instrutivo:)
Bjos

CNS disse...

Ideia excelentee, Luis. Valeu bem a "quebra" das regras :))

Laura disse...

Batoteiro!

Mas que ficou bonito ficou.

Luis Eme disse...

mas eu furei as regras, preferi fazer eu as perguntas, Cris...

Luis Eme disse...

este é giro, sim, Gaivota.

Luis Eme disse...

era um desafio e peras, Zé.

Luis Eme disse...

ainda bem que gostaste, Lúcia.

Luis Eme disse...

com as perguntas do jogo era mais dificil dar sentido, Cristina.

foi esperteza...

Luis Eme disse...

então valeu a pena a "batota", Laura.

Méon, disse...

E se eu...

Vou ver se arranjo "engenho e arte"...

Luis Eme disse...

força, Meon...