sábado, setembro 12, 2009

Os Portugueses no Mundo

Achamos quase sempre que somos muito acolhedores e simpáticos, os estrangeiros também nos acham um "doce". Umas vezes concordo, outras não. E por vezes até chego a pensar que a tal simpatia de que os estrangeiros tanto gostam, não passa de "servilismo"...

Passei uma semana fora do país, em Paris, a grande capital multicultural, há várias décadas.
Fui encontrando pelo caminho vários portugueses, ocasionalmente. Uns por bons motivos, outros nem por isso.
Logo à chegada, uma jovem simpática ao escutar a nossa língua, percebeu que estávamos um pouco "deslocados" e ofereceu os seus préstimos para nos indicar a rua do hotel onde iríamos ficar.
Encontrámos mais duas portuguesas simpáticas, de cor, provavelmente de origem caboverdiana, pelo seu tom de pele. Uma delas de grande ajuda num restaurante, onde a língua "universal" era apenas o francês...

Mas encontrámos de tudo, como o português que insultava o filho menor na rua, puxando-o pelo colarinho da camisa, ou a senhorita que quase me atropelou com a mala e ainda teve a lata de dizer em bom português (com maus modos) que eu é que me atravessei no seu caminho...

Passei a gostar mais dos franceses, depois de um dos meus tios, emigrante em França, durante quase quatro décadas, me ter contado o grande carinho que sentia por este povo, que sempre o tratou bem.
Quando saiu do país a salto nos anos sessenta, começou logo a ser enganado por portugueses e espanhóis, durante a caminhada interminável por montes e vales, até ter passado a fronteira. Ainda se recorda das boas vindas dadas pelos franceses, que lhe arranjaram alojamento e comida quente, ao verem o estado em que se encontrava, tão faminto e cansado, entregue à sua sorte, num país desconhecido...
A história continuou...
Não demorou muito tempo a perceber que aqueles que fingiam ajudá-lo, eram quem mais o explorava. Desde o casal de portugueses, que lhe alugou um reles quarto ao preço de uma suite, a outros "compatriotas" que lhe cobravam todos os "favores" prestados, a preço de ouro.
Só quando começou a falar francês, percebeu onde estava metido, o muito que tinha pago por coisas que eram de graça, eram direitos (uma palavra que também desconhecia...).

Claro que, como em tudo na vida, trata-se "apenas" de uma questão de sorte ou de azar...
Provavelmente se tenho encontrado a senhorita portuguesa da mala, no restaurante, até era capaz de comer carne de burro...
É por estas e por outras que não sei se somos tão simpáticos e acolhedores como parecemos.

6 comentários:

as velas ardem ate ao fim disse...

Realmente Paris além de ser linda ..fala muito português.
Senti o mesmo qd lá estive.

um bjo

as velas ardem ate ao fim disse...

Tenho um desafio para ti no Velas..gostava muito que o aceitasses.

bjo e boa semana.

Luis Eme disse...

aceitei, Vela.

e Paris é sempre bela...

Lúcia disse...

Foi bom ler isto.
Quando fui a Paris, amigos avisaram-se de que iria encontrar um povo chauvinista; se ousássemos falar inglês levariam amal, etc.
POis encontrei precisamente o contrário! Gente simpática, com quem falei inglês porque o meu francês... enfim... aliás, eram mesmo os franceses, muitas vezes, que em perguntavam se eu falava inglês!
E vou-te dizer uma coisa: só encontrámos uma pessoa antipática. Mesmo. Era jovem, na casa dos vinte e... era portuguesa!
Calhou.
Beijinhos, Luís

Luis Eme disse...

pois fala, Vela.

sim e eu aceitei o teu desafio, de bom grado...

Luis Eme disse...

acho que sim, é tudo uma questão de sorte, Lúcia.

mas quando encontramos em Paris gente de todas as raças e credos (observo isso desde 1985, a primeira vez que a visitei, com olhos de ver - em 1981 apenas passei por lá de carro), percebemos que não podem ser tão "chauvinistas" como os pintam...