segunda-feira, agosto 14, 2006

Salir de Matos a Minha Aldeia


Esta fotografia tem a particularidade de ser a mais antiga que conheço sobre Salir de Matos, a aldeia onde nasci. Está datada de 1914.

É da autoria de Jorge Almeida Lima (1853-1934), um grande amador da fotografia, que teve expostas no Museu do Chiado, em 1997, algumas das suas melhores fotografias .

Quando visitei esta mostra de arte fiquei espantado por ver várias fotografias do concelho de Caldas da Rainha, inclusive esta, da aldeia onde viveram os meus avós maternos e em cuja casa nasci. Como devem imaginar, comprei logo o catálogo.

Não deixa de ser curioso que, durante a infância e adolescência, eu não tivesse qualquer orgulho em ter nascido em Salir de Matos. Como se o facto de ter nascido numa aldeia fosse algo de menor. Felizmente essas coisas infantis desapareceram com o tempo e hoje sinta uma grande satisfação por ter nascido no mesmo quarto onde nasceu minha mãe, meus tios e meu irmão.

Nesta altura os meus pais já viviam num dos bairros da cidade, mas como corria o boato que no velho Hospital de Santo Isidoro, era comum trocarem as criancinhas, fui de propósito nascer à "maternidade da família" em Salir de Matos.

Tive como parteira a dona Gertrudes, tia da avó Henriqueta, a "aparadeira" de todos os partos que ocorreram no velho quarto, o mais aconchegante da casa, por ficar por cima do forno.

Devo ter sido o último elemento da família a ser assistido pela parteira mais famosa das redondezas, naquele quarto, onde dormi tantas vezes...

7 comentários:

Nia disse...

Entendo muito bem a ternura que sai de cada palavra deste post.

Luis Eme disse...

Deixas-me sem palavras, Nia...

jcfrancisco disse...

isto foi uma novidade. Não sabia deste blog. Está uma maravilha. Também concordo que não podemos viver sem uma aldeia e sem uma avó - julgo que é um provérbio chinês. Isto a sério. Agora a brincar. Lembro-me de algumas pessoas de outras aldeias brincarem com as de Salir de Matos cantando uma cantiga que era assim: «Ó SAlir de Matos / terra de mil encantos / onde se matam gatos / e comem lá tantos» Não eram com toda a gente; era só com quem se tinha confiança...Um abraço e parabéns

Luis Eme disse...

É curioso, estamos sempre aprender. Nunca tinha ouvido esta quadra... nem qualquer conversa sobre os ditos "gatos".
Talvez fossem influências de alguém que tenha passado pelo Oriente, como Fernão Mendes Pinto aqui de Almada...
Claro que o Zé do Carmo Francisco não conhecia este "blogue", pois trata-se de uma criação recente, pós férias.
Achei que era importante ter esta aproximação, com as minhas raízes.

tinica disse...

Olá;o)
Desculpe a invasão mas depois de ler a Gazeta vi este endereço e como reportava a memórias de férias em Salir de Matos, a minha freguesia, resolvi espreitar!
Não nasci na aldeia... se calhar porque a minha mãe já tinha 41 anos e como tal teve que ter um acompanhamento diferente, e até porque segundo a mesma sempre fui atravessada, desde os tempos de gestação!... teve que fazer cesariana!!! Mas todos os meus irmãos nasceram em casa nas Trabalhias. Adoro aquela santa terrinha... e agora já casada não me mudei para longe, estou nos Casais da Ponte, ou seja, Salir de Matos fica precisamente entre estas duas terras!
Adorei.Tudo.
Parabéns e não desista.

Luis Eme disse...

Obrigado pelas suas palavras Tinica.
Apareça sempre.

Tânia disse...

Sr.Luis
antes de mais gostaria de lhe dar os meus parabens pelo belissimo trabalho que esta a fazer.Não sou de Salir de Matos mas de umas das aldeias que compoem a freguesia, e ao ler o que escreveu, era como se estivesse a ler partes da minha infancia, apesar de ter alguma diferença de idade do sr. as minhas memorias não são muito difentes... Muito obrigado!! Por me fazer recordar...