sexta-feira, dezembro 22, 2006

O Natal da Minha Infância



Quando recordo o Natal da minha infância, descubro várias coisas. A mais evidente, é que a figura do Pai Natal, quase que se resumia a uma personagem do cinema americano.
Poucos acreditariam que iria obter o peso "institucional" dos nossos dias...
A magia dessa época (que nunca foi convincente, mesmo para uma criança de quatro, cinco anos...) residia no sapatinho que se deixava na chaminé, à espera de um presente do Menino Jesus.
Claro que haviam outros atractivos, que hoje quase não existem...
Estou a falar de irmos escolher um pinheiro jeitosinho ao pinhal do bairro onde vivia, com o pai, para fazermos a Árvore de Natal, numa altura em que ainda não havia lojas de chineses nem árvores artificiais...
Melhor que decorar a árvore, era fazer o presépio! Tentávamos arranjar o maior número de figuras possível (chegávamos a ter pastores, músicos de qualquer filarmónica e até mulheres com cântaros à cabeça...), para dar vida ao musgo farfalhudo que apanhávamos no pinhal, num lugar escondido, com o qual cobríamos a máquina de costura da mãe, fechada. Com o nosso espírito inventivo faziamos colinas com pedras, caminhos com areia clara da praia e lagos com pedaços de prata de maços de cigarro...
Era, sem qualquer dúvida, um Natal mais inventivo e menos consumista...
A imagem que ilustra este texto é o bonito presépio de Salir de Matos, onde ainda não chegou a triste brincadeira de fazer desaparecer as suas figuras carismáticas...

15 comentários:

Anónimo disse...

E esperemos que não chegue a brincadeira, que também acho de muito mau gosto.

Penso que há 40 ou 50 anos os presépios eram todos mais ou menos como descreves... tanto quanto me lembro...

Um abraço

Anónimo disse...

Sou eu ia apanhar o pinheiro de Natal, o musgo para o presépio, saudades...
Desejo que passes um Natal cheio de Paz.
Beijinho *

Ida disse...

Mais real e menos consumista. Como tudo. Mas que o natal, seja lá como for que ele seja vivido, traga o germe de algo mais puro, mais fundo, mais humanamente construído. Obrigada pelo carinho da lembrança. Passa um bom Natal, com amigos, com carinho, com calor. Beijinho.

jcfrancisco disse...

Já agora uma peqeuna memória do meu Natal dos anos 50 em Santa Catarina. O meu tio era o sacristão e colocava um barril de água atrás do presépio. Quando começava a cerimónio do beija mão do Menino ele puxava um cordel e a água começava a descer fazendo rodar uma azenha. Durava pouco minutos porque a tecnologia era modesta. Mas valia a pena.

Luis Eme disse...

Também espero Maria.
O Natal era assim, até à Revolução de Abril... que também revolucionou os nossos hábitos e trouxe a Coca Cola... (a bebida imprescindível do Pai Natal)

Luis Eme disse...

A árvore de Natal mantêm-se mas o musgo e os presépios estão cada vez mais em desuso...
Boas Festas também para ti "Cor do Mar", e um excelente ano de 2007.

Luis Eme disse...

Concordo contigo Ida...

Luis Eme disse...

Devia ser um momento mágico para a criançada (quando as havia aos magotes nas aldeias do mapa da nossa vida...) Zé do Carmo.

mfc disse...

Revejo-me nesse Natal que descreves... era um Natal de alegria e partilha.

Luis Eme disse...

Nesse tempo não havia espaço e "tempo" para os consumismos de hoje.
Conseguiamos ficar encantados com as coisas simples, MFC...

Sininho disse...

Também, em tempos, coloquei o sapatinho na chaminé e era o "Menino Jesus" que lá punha os presentes...
Esta tradição, passei-a aos meus filhos, que também acreditaram no mesmo, enquanto o tempo deixou...
Continuo a fazer o Presépio com as mesmas figuras de sempre, que vou guardando, religiosamente. E são bastantes.
O musgo, hoje, é comprado no mercado e custa os olhos da cara, mas não falta. A prata dos maços de tabaco foi substituída por pedaços de espelho partido, onde nadam alguns patinhos e suas proles...
Estou a ficar velhota, mas, enquanto for viva, nunca deixarei de montar o meu Presépio, esse, sim, o verdadeiro símbolo do Natal.

Luis Eme disse...

Apoio-te, incondicionalmente, Sininho.
Quando li num jornal que uma directora de escola deitou fora o presépio feito por alunos, em nome do laicismo e da igualdade entre religiões, fiquei siderado.
Será que não há lugar para as tradições, para a história cristã de séculos no nosso país?
É pior isso que digo, Sininho, nunca deixes de fazer o teu presépio.

Anónimo disse...

Olá!!
o natal é sempre muito giro. o presépio antigamente até se iluminava e faziam-se ruazinhas em areia lembras-te? e tinha alavadeira e n podaim faltar os patos e os lagos.
Adoro este teu blog. convido-te neste dia especial a ires ao meu blog.
1 sorriso luminoso
lana

Luis Eme disse...

Já lá fui...
Parabéns, mais uma vez, Lana.

Anónimo disse...

O natal da mãe e o teu também foram o meu natal, era um natal de magia e de alegria- a espera do menino Jesus, a espera das filhoses e pouco mais faziam-nos tão felizes...