
Nos meus primeiros anos de vida a parte maior das férias grandes eram passadas em Salir de Matos, na casa dos meus avós maternos.
Recordo-me que na época não morria de amores pela vida do campo. Quando o avô dava algumas explicações sobre as leis da natureza, era costume fazer ouvidos de mercador.
O avô era um pequeno agricultor a tempo inteiro. Conseguia sobreviver sem dividas, graças a uma gestão muito cuidadosa e a uma vida cheia de trabalho, do nascer ao pôr do sol. Comercializava o vinho, a fruta e a maior parte dos produtos hortícolas que eram cultivados na meia dúzia de fazendas que possuía, ao longo do ano inteiro.
Nos dias longos e quentes de Verão, eu e o meu irmão passávamos parte dos dias na sua companhia, a inventar brincadeiras, de fazenda em fazenda. O fim da tarde era a parte do dia mais agradável, por ser a altura da rega.
Todas as crianças gostam de brincar com água. Nós não éramos excepção...
A Ambrósia e a Várzea eram visitadas diariamente, porque era aí que o avô plantava as novidades, ou seja: tomates, pepinos, pimentos, feijão verde, melancias e melões.
A vista da Ambrósia era extraordinária. No alto das encostas sobranceiras, que se perdiam de vista entre os montes e vales que traçavam uma espécie de linha do horizonte, encontravam-se meia dúzia de moinhos que ainda tinham velas. Rodavam com a força do vento e ainda deviam produzir farinha, depois de esmagarem o trigo, o milho e o centeio.
Na sua baixa existiam dois poços de areia, que depois de serem despejados na rega, não precisavam de muitas horas para voltarem a ficar repletos de água.
O avô regava a horta, ora com o motor ora com o cabaço, criando carreiros, de forma quase labiríntica, que se enchiam de água, sempre em movimento, como se fossem rios. O grande atractivo deste “festim” eram os regos do feijão verde, que encantavam qualquer criança, com as suas canas a quererem furar o céu, atadas na forma triangular das tendas dos índios do “outro oeste”. Quando o feijão já trepava até ao alto das canas e ficava cheio de folhas, eu e o meu irmão aproveitávamos para brincar às escondidas. De quando em vez lá ouvíamos uma reprimenda do avô. Traídos pelo entusiasmo da brincadeira, pisávamos, invariavelmente, as plantas e alguns frutos...
A Ambrósia e a Várzea eram visitadas diariamente, porque era aí que o avô plantava as novidades, ou seja: tomates, pepinos, pimentos, feijão verde, melancias e melões.
A vista da Ambrósia era extraordinária. No alto das encostas sobranceiras, que se perdiam de vista entre os montes e vales que traçavam uma espécie de linha do horizonte, encontravam-se meia dúzia de moinhos que ainda tinham velas. Rodavam com a força do vento e ainda deviam produzir farinha, depois de esmagarem o trigo, o milho e o centeio.
Na sua baixa existiam dois poços de areia, que depois de serem despejados na rega, não precisavam de muitas horas para voltarem a ficar repletos de água.
O avô regava a horta, ora com o motor ora com o cabaço, criando carreiros, de forma quase labiríntica, que se enchiam de água, sempre em movimento, como se fossem rios. O grande atractivo deste “festim” eram os regos do feijão verde, que encantavam qualquer criança, com as suas canas a quererem furar o céu, atadas na forma triangular das tendas dos índios do “outro oeste”. Quando o feijão já trepava até ao alto das canas e ficava cheio de folhas, eu e o meu irmão aproveitávamos para brincar às escondidas. De quando em vez lá ouvíamos uma reprimenda do avô. Traídos pelo entusiasmo da brincadeira, pisávamos, invariavelmente, as plantas e alguns frutos...