sábado, fevereiro 24, 2007

Um Dois Cavalos Substituido por um Porsche


Desde a primeira "Viagem pelo Oeste" tinha decidido que este espaço seria únicamente para as minhas viagens...

O José do Carmo Francisco enviou-me um texto da sua "Estrada de Macadame", a testar-me, a ver se eu conseguia, ou não, manter este princípio. Claro que consigo, até porque o carro que eu conheci do Dr. Bertolino, durante anos médico dos meus avós maternos e de tantos outros habitantes de Salir de Matos, era um Porsche. Um carro que sempre achei demasiado veloz para aquele "João Semana", que começou por visitar os seu doentes, a cavalo.

O Zé do Carmo começa assim: A Estada de Macadame tinha e sempre teve poucos automóveis. Foi por causa do Citroen 2 Cavalos do Dr. Bertolino da Cabeça Alta que o meu primeiro automóvel em 1983 foi um 2 Cavalos, ainda por cima comprado no Stand da firma Rocha Marques de Leiria, distrito ao qual pertence a minha «estrada de macadame». Mas isso é outra história… Hoje quero recordar o ano de 1958 quando surgiu no mercado o Pachancho, um motociclo cuja «maternidade» foi a Fábrica de Pistões de Braga fundada em 1947 por António Peixoto, Pachancho de alcunha.
Em 1958 eu tinha sete anos, viva já no Montijo e passava as minhas férias grandes em Santa Catarina. Nesses quase quatro meses de Verão voltava a ser de novo catarinense, habitante do largo do pelourinho, lugar de todas as novidades, ponto de partida para todas as viagens. Era dali que partiam as carreiras dos Capristanos para Caldas, Alcobaça ou Rio Maior, era ali ao lado da casa do Zé Rebelo que estacionava o nosso «carro de praça» como então se chamavam os táxis. Era dali que eu via passar o vulto dum Pachancho com um bombardino muito branco a brilhar ao sol. Para quem não saiba, o modelo Pachancho de 1958 apresentava algumas características especiais que o tornaram diferente de todos os outros motociclos ou ciclomotores portugueses. Os apoios dos pés do condutor eram colocados na roda traseira e, por isso, quem conduzia colocava o peito junto do depósito da gasolina que era alto formando, deste modo, o seu corpo com o próprio veículo, uma espécie de linha paralela e aerodinâmica. O corpo do condutor colava-se ao motociclo e assim surgia uma velocidade mais pura nas máquinas com um pequeno motor a dois tempos de 49,50 centímetros cúbicos de cilindrada. Nunca tive um Pachancho e agora já é tarde mas lembro-me bem dos rapazes e dos homens dizerem: «Esse Pachancho é dum rapaz de Turquel que toca bombardino.» Num tempo em que a velocidade era escassa, mais imposta pelos numerosos carros de bois do que pelos raros automóveis, aquele rapaz de Turquel era uma espécie de choque à pasmaceira da minha estrada de macadame. Ele e o brilho intenso do seu bombardino. Diziam que vinha namorar. Isto num tempo em que só se podia namorar ao domingo à tarde e a um dia de semana, previamente acordado entre o candidato a genro e a mãe da rapariga. Digo a mãe porque os pais assistiam a tudo à distância mas não interferiam nessas coisas, digamos, práticas. Seja como for, aquela imagem do rapaz dobrado sobre o motociclo permanece em mim desde 1958 até hoje. Talvez porque tenho a consciência de que muito da minha ingénua visão do mundo estava nessa viagem visível e nessa música de bombardino que nunca ouvi. Num tempo parado, vigiado e cinzento como era o tempo português de 1958, o Pachancho conduzido pelo rapaz de Turquel que tocava bombardino, introduzia velocidade, sonho e cores fortes no grande ecran do largo do Pelourinho. E nas vidas de todos nós que viemos um dia para longe mas continuamos todos lá – mesmo julgando que não. E que quando está frio nos encostamos todos à torre da igreja de Santa Catarina onde se está sempre bem e o frio nunca chega.

Não tenho qualquer memória da existência de uma moto "Pachancho"... recordo-me sim, de ver passar o velho médico no seu inesquecível Porsche, sempre apressado - onde se devia sentir um verdadeiro Fangio, sensação que nunca devia ter experimentado no seu "dois cavalos" -, a furar a estrada estreita e ainda pouco movimentada, entre Salir de Matos e a Cabeça Alta...

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Canto Novo



Gosto de tudo do Zeca, mas o “Canto Jovem” (ou os “Filhos da Madrugada”) tem um simbolismo especial... porque está de alguma forma ligado à primeira vez que acampei, completamente solto, com dezoito anos, numa “aldeia da juventude”, em Vila Nova de Mil Fontes.
Além dos dias bem passados na praia e dos animados “fogos de campo”, no começo e meio da noite, pegávamos nos sacos-cama, nas "violas" e íamos pôr as ondas a dançar, enquanto contávamos estrelas à beira mar...

Canto Jovem

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegámos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa moira encantada
Vira a proa da minha barca

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Quando o Carnaval era uma Folia...



Assistir ao Carnaval em Almada é uma coisa deprimente.

Provavelmente por ter assistido desde bastante cedo, aquilo que considero ser um verdadeiro Corso Carnavalesco, na cidade onde cresci.

Recordo o Corso das Caldas como uma grande festa popular, cheia de graça, imaginação e movimento. Durante muitos anos não falhei qualquer desfile na avenida principal da cidade, que se enchia de foliões e carros alegóricos, que encantavam a população e que se realizava entre a Estação e o Largo do Borlão (esse mesmo, o largo da Igreja, do Tribunal e dos Paços do Concelho). Era um circuito alegórico contínuo, sem perdas de ritmo...

O Carnaval tinha ainda outro atractivo na minha adolescência, era a única altura do ano em que dançava com par (coisa fora de moda nas discotecas de então, se excluirmos as "valsas lentas" das festas de garagem...). Isso acontecia também porque, por ser carnaval, mais pisadela menos pisadela, ninguém levava a mal...

Ainda dancei no antigo salão do Hotel Lisbonense, que está agora a ser transformado num monte de entulho, para se erguer mais uma catedral do consumismo na cidade. Embora o salão mais frequentado pelo meu grupo de amigos fosse o da "Columbófilia".

Esta era praticamente a única altura do ano em que nos deitávamos com o começo da aurora, porque éramos todos desportistas e bons rapazes...

sábado, fevereiro 17, 2007

O Solteirão da Família



Há sessenta anos atrás era uma raridade um homem optar por ficar solteiro a vida inteira. Isto acabava por ser quase sempre um estigma para a família, especialmente na província.

Digo isto porque a interpretação dada a um homem que ficasse solteiro, era muito diferente de uma mulher na mesma situação...

Ela era alguém que tinha decidido ficar para tia ou como apoio dos pais. Ele era sempre alvo de desconfianças. Podia ser tudo, até um "fazedor de panelas", no pior sentido da frase.

A única pessoa que conheço que nunca casou nem viveu com uma mulher, se ignoramos a sua dedicada mãe, a tia Gertrudes, foi o Tio Freitas, primo direito da minha avó materna.

Não olho esta situação como um acto de coragem, mas sim como uma consequência da vida, de um homem aparentemente frágil. O Tio Freitas era pequeno, magro e nunca foi um homem de trabalho do campo, sempre andou de costas direitas. Trabalhou em várias quintas no concelho das Caldas, onde tratava dos animais, sem precisar de andar agarrado a uma enxada, de sol a sol. Estes desígnios profissionais acabaram por o diminuir como homem, pelo menos no olhar das moçoilas das aldeias, que sonhavam com um homem forte, de mãos calejadas.

Recordo-o como uma pessoa alegre, que adorava conversar, especialmente com as mulheres da família. Então quando bebia um copito tornava-se imparável, as anedotas e os ditos brejeiros sucediam-se, pelo que havia sempre alguém disponível para lhe encher o copo. E se fosse altura de festa (era quase sempre, porque ele escolhia estas datas para "dar à costa" e visitar a família...), dançava de forma imparável, com todos os pares que lhe aparecessem à frente. Enquanto dançava não parava de dizer brejeirices, de fazer corar qualquer mulher casada...

A sua sorte era não ser visto como uma ameaça pelo sexo masculino. Havia mesmo quem duvidasse da sua masculinidade, embora não existisse no seu passado qualquer indício de tendências homossexuais.

Depois passava largos meses sem descer à aldeia, sem se meter em festas e romarias, a sua grande perdição...
A foto que acompanha este texto é de Jean Dieuzaide.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O Aborto das Ruas da Minha Meninice


Todas estas peripécias à volta do referendo sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez (um nome realmente pomposo, pelo menos para a giria popular...), fizeram com que recuasse no tempo, à procura da primeira vez que escutei esta palavra...
Não é segredo nenhum, que nós, na infância e adolescência, somos muito mauzinhos uns para os outros. Aproveitamo-nos quase sempre das fraquezas e desgraças dos outros para montarmos um circo e rirmos, quase sempre de uma forma exagerada, dando força ao sentido colectivo do espectáculo.
Foi nestes festivais de "gozação" que ouvi pela primeira vez a palavra ABORTO.
Curiosamente ou não, o seu significado nos recreios ou nas ruas era bem diferente do verdadeiro sentido da palavra. Não passava de mais um mimo, usado para adjectivar alguém que não tinha jeito para nada, desde o jogar à bola até outra brincadeira qualquer de rua.
Na adolescência este mimo também era usado para caracterizar as miúdas mais foleiras na escola e das nossas ruas (não faço ideia se elas também usavam esta palavra para caracterizar os rapazes menos jeitosos...).
Esta palavra estava distante das maternidades e dos "vãos de escada" (esta campanha transformou esta pequena frase num lugar, cada vez mais comum...), apesar de também reflectir ausência. Só que não era de vida, mas sim de talento ou de beleza...

Este texto está ilustrado com mais uma excelente fotografia de João Martins.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Os Sonhos de Santiago


Durante as conversas de café, Santiago sente-se importante, embora, mesmo na sua cidade provinciana, esteja longe de ser uma figura popular. É olhado pelos conhecidos da sua geração como mais um curioso que tem a mania que é jornalista e que escreve umas coisas na “Gazeta” sobre a sétima arte.
Poucos sabem que o seu grande sonho é fazer parte, a tempo inteiro, do sindicato de cineastas. Só a meia dúzia de amigos que o acompanha às salas de cinema sem pipocas conhece esta paixão. Ele continua a acreditar que ainda vai a tempo de fazer o que sempre quis fazer, produzir filmes, abandonando o bando de inúteis que atura, diariamente, na repartição de finanças.
Às vezes tem sonhos bizarros, onde se vê dentro de limusines a passear pelas avenidas de Hollywood... e até a entrar de smoking na festa da entrega dos “óscares”, acompanhado de uma sereia qualquer, daquelas que fazem as delícias dos amantes de mulheres com tudo colocado no sítio, incluindo a excentricidade própria de quem se passeia por Beverly Hill, à espera de entrar em qualquer filme, mesmo ordinário.
Ele pertence a uma pequena tertúlia de cinéfilos que colecciona os Cahiers du Cinéma e troca filmes em DVD, apreciados em silêncio, mais que uma vez. A repetição de imagens é utilizada para desvendar alguns dos truques dos homens que dirigem a sala das máquinas e conseguem projectar sonhos e pesadelos, em qualquer écran.
Nas conversas «baratas» do grupo de meia dúzia de companheiros desfilam projectos que vão desde uma mão cheia de filmes, à criação de um «cine-clube» e até à produção de uma revista, só de cinema, na cidade.
Os amigos, cansados da pasmaceira que preenche o seu dia a dia, até já inventaram uma sociedade de “euromilhões”, onde investem uns euros às sextas, à espera de um bafo de sorte nas suas vidas vulgares.
Resta-lhes continuar a subir a corda da vida a pulso, incapazes de esconder o desânimo provocado pelo bando de inúteis que está a banalizar a sociedade, cultivando a cultura do nada nas "sic's" e "tvis", vocacionados em preencher a vida das pessoas, cada vez mais agarradas à televisão e ao vazio que se ocupa do seu olhar, cada vez menos exigente.
Santiago, entre um cigarro e um sonho, com a câmara digital numa das mãos, regista momentos e lugares avulsos da cidade. Talvez acabe mesmo por montar um documentário sobre a sua terra e sobre as pessoas que deambulam pelas ruas.
Só sobre o mercado diário, ao ar livre da cidade, conhecido, internacionalmente, como a Praça da Fruta, tem horas de gravação. Já pensou apresentar um projecto documental à autarquia, mas a pouca abertura do poder autárquico para as artes não é nada motivadora...
Texto Ilustrado com uma fotografia do mestre João Martins

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Tão Longe da Realidade...



Quando me cruzei na Baixa Lisboeta com o Manel, um antigo companheiro do bairro da minha infância, fiquei completamente arrepiado, sem saber o que fazer. Ele sorriu-me, enquanto se afastava, embrulhado numa manta muito encardida, que usava para fintar o frio de Inverno.

Ele estava com pressa, quando olhei para trás, só vi um pedaço da manta a virar a esquina.

Acelerei o passo e consegui vê-lo ao longe. Fui-me aproximando, quando estava a meia dúzia de metros, chamei-o: «Manel!»

Não obtive qualquer resposta. Tive de acelarar ainda mais o passo, para me colocar lado a lado e falar com ele. Saiu-me uma frase estúpida: «Então Manel, já não falas aos amigos?», que recebeu como resposta, uma frase inteligente: «Que amigos?». Enquanto olhava à sua volta, com um sorriso nos lábios.

Tresandava a mijo , mas não fui capaz de lhe virar as costas.

Perguntei-lhe se queria comer e beber qualquer coisa. Acenou a cabeça, que sim, enquanto me olhava de alto a baixo.

Sentámo-nos numa esplanada da Rua Augusta. Um dos empregados olhou-nos com cara de caso, mas não teve coragem para dizer nada. Foi melhor assim, até porque não tinham qualquer letreiro a proibir gente mal vestida e com pavor à água de se sentar ali.

Como o sujeito de laço não se aproximava, chamei-o. Pedi um café e o Manel pediu uma torrada e um galão.

Quase sem querer, comecei a minha inquirição.

Estava curioso, queria saber como é que se acaba nas ruas assim...

Comecei por falar da nossa cidade, do nosso bairro, de alguns amigos comuns...

Ele no inicio não me deu respostas concretas. Ria-se muito, enquanto mastigava as fatias da torrada cheias de manteiga. Provavelmente devia ter também alguns problemas psíquicos, embora eu percebesse que estava a gozar o prato.

Só depois de ter comido a torrada e beber o galão, é que começou a construir frases com mais de duas, três palavras.

De uma forma inesperada chamou-me pelo nome... falou no meu irmão e da nossa rua...

Depois foi uma charada completa, com muito riso e pouco siso.

A loucura esteve sempre na nossa mesa, claro, com alguma racionalidade, mas pouca...

Daquilo que me disse consegui reter algumas frases feitas: que gostava da rua, que nunca tinha sido tão livre e tão feliz, desde que adormecia a olhar a lua. Mas foi ainda mais longe, disse que não tinha qualquer cartão. Não tinha identidade, não pagava impostos e não precisava de trabalhar para cabrão nenhum.

Quando lhe falei de comida, não se atrapalhou. Aliás, ele era tudo menos atrapalhado. Disse-me que há sempre um bocado de pão duro ou outra coisa qualquer, num caixote, à espera de uma boca esfomeada.

Perguntei-lhe se queria levar alguma coisa para comer. Pediu um "croissant" misto.

Depois de guardar o pequeno embrulho, levantou-se.

Antes de desaparecer no meio da multidão, olhou-me, agradecido, com o seu sorriso de rapaz grande. Percebi que estava indeciso, se havia ou não de esticar a mão suja, para se despedir. Eu antecipei-me e depois de lhe apertar a mão e tocar o braço, perguntei se havia uma zona especial, onde ele parasse, para bebermos um café, um dia destes.

Disse-me que Lisboa era demasiado grande e que não gostava de parar em sitios certos...

Tinha razão. Lisboa é mesmo demasiado grande.
Já se passaram dois anos e não o voltei a encontrar na rua...
O texto está ilustrado com o guache, "Paisagem com Figura", de Nikias Skapinakis.

sábado, janeiro 27, 2007

Onde estão estas Meninas?



De vez em quando interrogo-me onde estarão alguns amigos e amigas , de infância, que nunca mais vi?
Alguns sei onde vivem, apesar da distância que existe - e que foi aumentando com o decorrer do tempo.
Quando nos vimos, de anos a anos, cumprimentamo-nos com alegria. Embora raramente tenhamos tempo para conversar...
Desculpamo-nos sempre, com coisas do género, «a vida é assim...»
Ultimamente há duas pessoas de quem me lembro muitas vezes. Foram minhas colegas no ciclo preparatório, depois mudaram de cidade e nunca mais as vi (pelo menos penso que nunca mais as vi... podem ter alterado as feições, com o crescimento).
Chamam-se Ana Maria e Marina.
Recordo-me delas, não por ter tido uma daquelas paixonetas de começo de adolescência, em que ainda não sabemos muito bem, como expressar o verbo amar. Recordo-as como colegas porreiras, mais expansivas e abertas que a generalidade das miúdas. Falavam com os rapazes tu cá tu lá, sem se fazerem difíceis, mesmo no convívio normal do dia a dia.
Não me lembro sequer dos seus apelidos. Sei que os seus pais tinham profissões do género "saltimbanco", que as faziam andar de cidade em cidade (penso que eram professores, embora não tenha a certeza).
A Ana Maria era para o gordinho, mas era uma miúda estupenda... e muito boa aluna. A Marina era mais reservada, mas falávamos muito... sei que antes de "desaparecer" do meu mapa, morou nos Casais da Ponte, uma aldeia quase ao lado de Salir de Matos.
A única questão que me apetece levantar é esta: porque será que a vida, assim como dá, também nos tira tantas coisas?
O óleo que acompanha este texto tem como título "Duas Irmãs" e é da Autoria de Sousa Lopes (1879 - 1944).

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Um Quadro da Praça da Fruta



Um quadro pintado por um almadense, fez com que voltasse a falar da nossa Parça da Fruta, a viver tempos extremamente difíceis.
Há mesmo quem já tenha decretado o seu fim, para breve...
É possível.
Até porque não sei se ela terá tempo e espaço para se erguer e voltar a ser, um dos mais bonitos cartões de visita das Caldas da Rainha.
Para que isso aconteça é preciso que exista vontade política e que se arranjem formas de lutar contra a oferta desigual dos hipermercados, onde se pode comprar de tudo um pouco, quase sempre a preços de estação...
Claro que esta questão dos mercados de fruta, legumes e peixe, não se trata apenas de um problema caldense, é um problema nacional...
Só que a nossa Praça era e é ao ar livre.... e é esse o seu verdadeiro encanto...

O Óleo que acompanha este texto é da autoria de Mártio, um artista plástico do concelho de Almada.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Era uma Vez um Campeão de Papel



Ao ler as palavras de um treinador português, que até já conseguiu a proeza de se sagrar Campeão Nacional, consegui recordar-me uma história antiga, protagonizada pelo Alberto, conhecido no nosso grupo de amigos como o "taças".
Ele conseguiu fintar a sua inabilidade natural desportiva, com a fabulação de uma vida recheada de êxitos desportivos, à qual nem sequer faltavam fotografias e muitos troféus, "conquistados" nas lojas de artigos desportivos e afins da cidade...
As histórias não são paralelas, mas sem saber porquê, Augusto Inácio, que conseguiu a proeza de treinar uma equipa da primeira divisão grega, sem conseguir uma única vitória (sendo despedido, com naturalidade), lembrou-me este cromo, conhecido de várias gerações, pela forma apaixonada como vivia e vive o mundo do desporto.
Ao ler as suas palavras no jornal "A Bola", de terça-feira, descobri uma pérola deliciosa do Inácio, quando se referia ao presidente do Ionikos: «Disse que eu tinha sido o melhor treinador da história do clube. Estou orgulhoso por ouvir isso. Saí a bem e fiz bons amigos.»
Se o presidente disse isso, como é que deixou sair, aquele que foi o melhor treinador da história do clube, mesmo sem ganhar um único jogo? Pois, dá que pensar...
Voltando ao Alberto, ele nunca era escolhido para jogar nem nunca ganhou nada, mas tinha o quarto cheio de taças e fotografias, cada uma com a sua história. Claro que só permitia a visita ao seu museu a desconhecidos, com quem nunca tinha partilhado os baldios onde brincávamos ao futebol.
Mas como estas coisas acabam por se saber, ficou o "taças".
Penso que nunca veio mal ao mundo por ele ter resolvido desta maneira, um dos seus sonhos, fintados pela realidade, tantas vezes demasiado amarga.
E até pode ser, que os seus netos adorem as suas histórias fabulosas...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Mistérios do Convento de São Miguel



A primeira vez que visitei o Convento de São Miguel, das Gaeiras (entre as Caldas e Óbidos), aconteceu por um mero acaso.
Andava a passear de bicicleta com o meu irmão quando deparámos com a fachada do Convento, com um ar bastante convidativo. Resolvemos deixar as bicicletas, fechadas a cadeado, meio escondidas entre a vegetação, próximo da estrada de alcatrão.
O próximo passo foi arranjar uma maneira engenhosa de entrar lá dentro. Lembro-me que tivemos de fazer alguma ginástica e entrar por uma pequena fresta, já que todas as janelas e portas estavam fechadas com tijolos e cimento.
Depois fomos entrando, pelo antigo Convento...
Começámos por visitar as celas, antes de descermos até à capela, onde apesar de já estar vandalizada, ainda conservava alguma beleza e metia respeito, pelo menos a quem tinha tido uma educação católica, como nós.
Tudo aquilo era novidade, desde as estatuetas de barro de frades, quase em tamanho natural (devia ser por isso que ainda lá estavam...), à espécie de Assembleia da Ordem Religiosa, com cadeiras de madeira. Havia também uma entrada com umas escadas que davam para uma espécie de cave, onde descobrimos uma ossada humana, que nos fez subir quase de imediato.
Depois desta descoberta, voltámos pelo mesmo caminho, até ao local onde tinhamos entrado. Recordo-me que a saída foi mais complicada que a entrada...
Quando nos deslocámos na direcção das nossas bicicletas, só descobrimos o sitio. Olhámos um para o outro com cara de mistério... rondámos a zona e nada. Lá tivemos de vir para casa a pé...
No dia seguinte o meu irmão lembrou-se de passar pela esquadra da polícia e, para sorte nossa, lá estavam as nossas bicicletas.
Houve alguém que ao passar pela estrada, numa camioneta de caixa aberta, olhou para os campos e ao ver as bicicletas escondidas pensou que eram roubadas e recolheu-as, entregando-as na esquadra da PSP das Caldas.
Foi assim que o mistério ficou esclarecido, com ou sem uma mãozinha do São Miguel...
Mais tarde, quando falávamos á mesa dos nos acontecera, o pai contou-nos uma outra história, passada no mesmo Convento, para surpresa de todos.
Ele quando andava a caçar também sentiu curiosidade em espreitar aquele edifício religioso abandonado e foi entrando (provavelmente pelo mesmo sitio onde nós entraramos)...
Algum tempo depois começou a ouvir uma espécie de música sacra, no interior do Convento. Olhou para todos os lados, completamente arrepiado, sem saber de onde vinha o som...
A música acabou por fazer com que saisse um pouco mais rápido do que tinha planeado. Já cá fora, pegou na arma de caça, que por respeito deixara escondida e que felizmente não teve o mesmo destino das nossas bicicletas, sem saber no que pensar...
Estes acontecimentos reforçam o ditado espanhol que nos faz dizer: «não acredito em bruxas, mas que as há, há...»
Alguns anos mais tarde o Convento abandonado foi adquirido pela Associação de Municípios do Oeste, que o recuperou e restaurou, deixando-o bastante bonito.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Faltou um Herói Acidental...



Já se disse tanta coisa sobre o naufrágio da embarcação de pesca de Vila do Conde e da morte de quase todos os seus tripulantes, rente à praia da Nazaré, que só me sobra espaço para olhar para esta questão com uma outra perspectiva, sem andar à procura de culpados...
Claro que foram mortes horríveis, tanto para quem estava no mar agitado, à espera do "milagre da vida" - que não aconteceu - como para quem estava na praia, e se viu completamente impotente, para salvar aqueles homens do mar.
É fácil culpar a Marinha e a Força Aérea, esquecendo as dificuldades do seu dia a dia, graças à falta de apoio que recebem do governo, obrigando-os, de uma forma geral, a poupar dinheiro em combustiveis e nos exercícios necessários, para que garantam o minimo de operacionalidade dos seus meios materiais e humanos.
Também é fácil lembrar que o barco estava a pescar muito perto da costa, destacando que os pescadores estavam a trabalhar sem cinto ou colete de salvação...
Para mim estes aspectos são secundários.
O que faltou realmente na Nazaré foi um herói acidental, com uma coragem e uma capacidade de discernimento quase sobrenatural, que conseguisse inventar uma solução de recurso na praia, ao mesmo tempo que se fazia ao mar, para trazer os homens que pediam socorro, um a um...
Vão dizer que isto é pura ficção, mas quantas vidas têm sido salvas por pessoas aparentemente normais, que perante situações dramáticas como esta, conseguem exceder os seus limites e fazer coisas impensáveis, esquecendo que são simples mortais?...

quarta-feira, janeiro 03, 2007

A Fuga de Peniche



Peniche foi palco de uma das fugas mais espectaculares de resistentes antifascistas, das prisões políticas salazaristas, há precisamente 46 anos.
Os comunistas estudaram durante anos uma maneira de libertar o seu secretário geral, Álvaro Cunhal, preso em 1949, encarcerado numa cela solitária da Fortaleza de Peniche, sem êxito.
No final dos anos cinquenta a PIDE tinha conseguido prender alguns dos dirigentes mais importantes do partido na época, provocando uma crise sem limites no seio dos comunistas.
Esta crise fez com que se começasse a preparar um plano de fuga, naquela que era tida como a prisão mais segura do Estado Novo. Claro que este plano só poderia ser bem sucedido com o apoio de algum guarda da fortaleza. Depois de um "namoro" paciente conseguiram acenar com bastante dinheiro e cativar o guarda José Alves, que os ajudaria na fuga que teve lugar no princípio da noite de 3 de Janeiro de 1960.
Nesta fuga heróica, além de Álvaro Cunhal, foram também libertados: Carlos Costa, Costa Carvalho, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho.
No exterior contaram com o apoio dos dirigentes Octávio Pato, Dias Lourenço, Pires Jorge e Rui Perdigão, além dos médicos Orlando Ramos e Carlos Plácido, que foram os condutores de serviço do Cadillac e do Dodge, que quase ganharam asas nesta noite inesquecível para a resistência comunista.
O desenho que ilustra este texto é da autoria de Margarida Tengarrinha, viúva do escultor Dias Coelho, assassinado de uma forma cobarde pela PIDE.

sábado, dezembro 30, 2006

Mais uma Passagem de Testemunho



Mais um Ano Novo que se aproxima...
Espera-se sempre que seja melhor que o ano que passou, porque somos insatisfeitos, por natureza.
Todos sentimos que as coisas por cá não estão muito risonhas, apesar das contas compridas que aparecem nos jornais sobre os nossos hábitos consumistas.
Nem sei qual é o espanto, se não há cidade que não tenha a sua "catedral do consumismo", onde se fazem convites diários para se gastar o nosso dinheirito, com a promessa de que só pagamos para o ano, aquilo que compramos hoje...
Voltando às Passagens de Ano, nunca foram uma grande festa no seio da minha família. O Natal sempre teve outro sabor, provavelmente por os meus pais não serem muito efusivos, não terem hábitos de bater panelas, abanar notas em cima de cadeiras ou abrir garrafas de espumante e fazer brindes que raramente se concretizam, como todos nós sabemos.
Sei que as primeiras passagens de ano fora de casa foram passadas em festas de garagem, entre adolescentes. Não guardo muitas recordações dessas primeiras farras porque nesse tempo não se passavam grandes histórias com namoradas - o respeitinho era muito bonito... -, pelo menos na província.
Mesmo hoje não valorizo muito esta data e tenho dificuldade em escolher doze desejos, ao ritmo das badaladas do relógio.
Desejos que acabam por ser lugares comuns: Saúde, Paz e Amor... e claro algum dinheiro, que pode chegar a um Ferrari ou ficar-se por uma simples "lata" em segunda ou terceira mão.
Falando mais a sério, claro que todos nós merecíamos um ano de 2007 melhor, com governantes mais competentes e sérios... mas, provavelmente, a crise vai continuar, e no final do ano vem mais do mesmo... ou seja mais desejos e brindes, porque enquanto há vida há esperança...
Só podia ser assim, não fossemos nos os navegadores aventureiros que dobrámos o Cabo das Tormentas e o transformámos em Boa Esperança...
O quadro que escolhi para ilustrar o texto foi um guache de Manuel Cargaleiro, sem título, de um dos nossos grandes artistas plásticos contemporâneos.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

O Natal da Minha Infância



Quando recordo o Natal da minha infância, descubro várias coisas. A mais evidente, é que a figura do Pai Natal, quase que se resumia a uma personagem do cinema americano.
Poucos acreditariam que iria obter o peso "institucional" dos nossos dias...
A magia dessa época (que nunca foi convincente, mesmo para uma criança de quatro, cinco anos...) residia no sapatinho que se deixava na chaminé, à espera de um presente do Menino Jesus.
Claro que haviam outros atractivos, que hoje quase não existem...
Estou a falar de irmos escolher um pinheiro jeitosinho ao pinhal do bairro onde vivia, com o pai, para fazermos a Árvore de Natal, numa altura em que ainda não havia lojas de chineses nem árvores artificiais...
Melhor que decorar a árvore, era fazer o presépio! Tentávamos arranjar o maior número de figuras possível (chegávamos a ter pastores, músicos de qualquer filarmónica e até mulheres com cântaros à cabeça...), para dar vida ao musgo farfalhudo que apanhávamos no pinhal, num lugar escondido, com o qual cobríamos a máquina de costura da mãe, fechada. Com o nosso espírito inventivo faziamos colinas com pedras, caminhos com areia clara da praia e lagos com pedaços de prata de maços de cigarro...
Era, sem qualquer dúvida, um Natal mais inventivo e menos consumista...
A imagem que ilustra este texto é o bonito presépio de Salir de Matos, onde ainda não chegou a triste brincadeira de fazer desaparecer as suas figuras carismáticas...

segunda-feira, dezembro 18, 2006

A Árvore que Falava


O meu irmão, por ser mais velho, sempre foi o mestre das traquinices em casa, embora raramente fosse apanhado, por ser mais espertalhaço e cuidadoso que eu.
Às vezes esmerava-se nos seus jogos, sem medir as consequências, como costuma ser normal na meninice...
Sempre teve um jeito especial para se empoleirar em árvores, como se quisesse imitar o Tarzan. Uma das suas brincadeiras especiais teve como protagonista uma árvore, também especial, de Salir de Matos. A árvore era enorme e ficava próximo da casa de uma das nossas tias, rente à estrada principal de alcatrão que nos levava à Santa Catarina do Zé do Carmo. Ele adorava esconder-se por entre a folhagem e pregar sustos a quem passava, com tiradas únicas. Assobiava, gritava, imitava vozes, etc. Curiosamente, as pessoas olhavam para todos os lados menos para cima.Eu quando dava pela sua falta já sabia onde estava...
Costumava ficar a apreciar o espectáculo, afastado, para não ser descoberto. Fartava-me de rir com a reacção das pessoas. Quem estivesse por perto, pensava que eu era maluquinho...
A única vez que não achei muita graça foi quando a vitima foi um senhor que conheciamos por "Ti Zei". Ele vinha sossegado na sua bicicleta e ao ouvir o seu nome, começou a ziguezaguear, até ficar estatelado no chão, uns metros mais à frente. Claro que sorri ao vê-lo andar aos ésses, mas depois de o ver cair, deu-me vontade de descer e ir ajudá-lo. Não foi preciso porque ele levantou-se rapidamente, irritado. Ainda voltou para trás, a falar alto, à procura do «cabrão que o tinha feito cair, rasgar as calças e lixar o joelho». Mais uma vez, olhou para todos os lados, menos para cima. Também se olhasse para cima não via o meu irmão, porque ele estava bem escondido por entre as folhas da amoreira.
O "Ti Zei" lá se fez à vida, com as calças rotas no joelho e sangue à vista. Caminhava direito na estrada, pelo que vi que não havia problemas de maior...
Outras vezes assobiava e era ver os carros e as motorizadas a travarem, com os condutores a olharem para todos os lados, até perceberem que tinham sido vitimas de um brincalhão...
E se ele adorava esta brincadeira...
Normalmente falava quando as pessoas iam já uns metros à frente da árvore. Um simples «boa tarde» era o suficiente para assustar as pessoas, especialmente as mulheres, que gritavam sempre: «Ai credo! Que susto»!
A melhor imagem que encontrei com árvores e um caminho, foi este óleo de Malhoa, que retrata de uma forma soberba a bonita e misteriosa "Mata das Caldas".

sábado, dezembro 16, 2006

Últimas Palavras de um Bilhete Especial

A
s histórias nem sempre surjem quando queremos... é esta a razão de não ter dado notícias nos últimos dias.
Foi por isso que pensei em deixar aqui, o final do primeiro livro que escrevi, um romance que andou meio perdido pelo Oeste:
«Quando se preparava para partir no autocarro, Pedro olhou mais uma vez para o mar, em jeito de despedida. Descobriu ao longe um vulto. Era uma mulher que trazia na cabeça um chapéu de abas que lhe escondia o rosto do Sol e dos curiosos e no corpo um vestido leve que dançava com o vento. Passeava na areia molhada na companhia de um cão enorme. Pedro lembrou-se da Rita, a mulher que lhe escapara, e de Leonardo, o cão que fora um bom amigo.
Depois foi o regresso no comboio do Oeste. Estava meio triste, os sonhos de outros tempos iam-se distanciando do seu interior. No fundo ele sabia que eles voltariam, voltam sempre.»
Esta praia, como não podia deixar de ser, é a Foz do Arelho...
O livro em causa tem como título "Bilhete para a Violência" e é um romance sobre jornalismo e futebol. O Óleo que ilustra este texto é da autoria de João Vaz e chama-se "Manhã na Praia".

terça-feira, dezembro 12, 2006

O Largo da Igreja de Salir de Matos


O Largo da Igreja de Salir de Matos da minha meninice era muito diferente do jardim bonito, cheio de escadarias, dos nossos dias.
Nesse tempo a Igreja estava delimitada por um muro e pelas paredes das habitações próximas. Tinha também dois portões de ferro. No seu interior existiam várias lápides rasas, bastante antigas, com inscrições em latim - não faço ideia o que aconteceu a estas pedras com história, só espero que não tenham sido destruidas... -, e também um pequeno coreto, praticamente só usado nas brincadeiras da garotada.
Aquele lugar nunca foi um local demasiado sagrado, sempre me lembro de brincarmos junto à igreja... por vezes até exagerávamos e para além das brincadeiras habituais da apanhada e das escondidas, fazíamos "tiro" ao sino, com as pedras que apanhávamos do chão...
O barulho alertava as pessoas e nós acabávamos por ter de escapar para as traseiras. O sacristão da Igreja era mudo, mas acho que não era surdo, até porque era ele que fazia os vários toques do sino, quando era necessário. Ele aparecia sempre, no papel de vigilante daquela capela e quando nos via, mirava-nos com cara de caso.
Mas a aventura mais engraçada, que guardo do Largo da Igreja, aconteceu durante uns festejos do Santo Antão. Nessa altura faziam-se vários jogos tradicionais, para angariar dinheiro e divertir as pessoas. Um deles foi o popular "Pau de Cebo" - um tronco de eucalipto liso e com cebo, enterrado no chão, com um objecto colocado no seu topo, o prémio do vencedor -, que estava tão encebado que ninguém conseguiu subir e alcançar a garrafa de vinho do porto. Extra-campeonato, já sem assistentes, o meu irmão, com a ligeireza dos seus doze anitos, começou a subir o pau por brincadeira. Como qualquer "macaco" que se prezasse, conseguiu chegar lá acima, deixando cair a garrafa no solo...
Sorrimos quase em silêncio depois da façanha. Olhámos para todos os lados, como não havia ninguém por perto, pegámos no "prémio" misturado com a roupa e fomos para a casa da avó...
Quando ela nos viu com a garrafa, tivemos logo "serão e missa cantada". Depois de explicarmos o que tinha acontecido, ela lá se acalmou e a garrafa acabou por ser colocada ao lado de outras, no guarda loiça da sala.
Sei que, apesar do Largo ter sido baptizado como Largo Padre José da Felicidade Alves, vai continuar a ser o Largo da Igreja...
A fotografia que acompanha este texto foi tirada da torre da Igreja, há uns anitos... ainda se vê um pedaço do célebre sino.

domingo, dezembro 10, 2006

Domingo Cheio de Sol



Hoje esteve um domingo bonito, cheio de sol e de luz.

Fui a Salir de Matos, onde foi descerrada a placa do novo Largo Padre José da Felicidade Alves.

Foi agradável encontrar pessoas que não via há anos, que não quiseram faltar a esta homenagem simples, a um grande cidadão natural da Freguesia.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

A Originalidade Toponímica das Caldas



Algumas placas das ruas das Caldas da Rainha, felizmente, ainda guardam os traços artísticos de Rafael Bordalo Pinheiro. A do Largo Conselheiro José Filipe (um caldense que viveu no século XIX e que pertenceu a uma das famílias mais importantes da vila), junto à Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, é um bom exemplo.

Apesar de esta placa ser um objecto aparentemente simples, faz parte da história de uma Terra com grandes tradições na Arte e Indústria de trabalhar o barro.