É assim na cidade onde nasci (Caldas da Rainha), como será em tantos outros lugares em que são quase sempre os mesmos a aparecer, a escrever, a pintar ou a tocar...
Fui espectador em duas ou três inaugurações de exposições artísticas e também em um ou dois lançamentos de livros. E lá estavam os mesmos "doutores", cheios de sorrisos e salamaleques, com um sentido crítico enviesado, logo à partida, porque a amizade é o que é... (continuo a pensar da mesma forma que o Miguel Esteves Cardoso, só conseguimos escrever uma crítica honesta, quando não conhecemos o escritor ou o artista cuja obra avaliamos...).
Sabia que aquele não era o meu mundo...
O mais curioso, é que não era sobre isso que queria escrever. Aconteceu-me mais uma vez, entrar no "comboio" errado e ser obrigado a sair na próxima paragem...
Estou a acabar de ler um livro datado de 1949, "Alma do Povo", da autoria de Leonel Cardoso (só pode ser o dono da rua onde mora a minha mãe, nas Caldas...), de "glosas de cantigas". Embora os poemas sigam todos o mesmo caminho, prontos a entrar em qualquer casa de fados onde ainda se valorize a "desgraçadinha", têm muita musicalidade. A espaços fui capaz de ouvir tanto o Marceneiro como a Aldina, a cantar aquelas coisas onde António pode rimar com demónio ou ciúme com lume.
Não tenho dúvidas que Leonel Cardoso fazia parte da tal elite de que falo, nesses anos quarenta e cinquenta, ainda mais reduzida...
Nota: texto publicado inicialmente no "Largo da Memória".
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
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