segunda-feira, fevereiro 23, 2026

"Bilhete-postal" para um amigo...


Sei que devia conversar, olhar-te nos olhos, em vez de estar a escrever este "bilhete-postal".

Até porque não acredito que tenhas mudado assim tanto, ao ponto de teres viajado para o planeta do Trump e do Ventura, sem levares bilhete de regresso. Faz-me confusão que acredites que o mundo agora é uma mentira e que vale tudo para "lixar o próximo".

Por muito desiludido que possas estar com os nossos, políticos incompetentes e corruptos (eu sei que são mais de meia dúzia...), não podes pensar em os substituir por uma coisa pior: populistas especialistas em "cantos da sereia" e "cantigas do bandido", que dizem sempre o que queres ouvir, em especial quando estás farto de tudo e de todos. Cansado de ser enganado e de ver gente que está interessada em tudo, menos em resolver os teus problemas.

Podia dizer-te para olhares para os Estados Unidos.

Mas já não é preciso atravessares o Atlântico, começas a ter muitos exemplos de que esse partido onde votas não passa de um "antro de bandidos". E nem é preciso colocar o foco nos ladrões de malas ou nos pedófilos. Agora que se chegaram ao poder, já começaram a oferecer "tachos" (e panelas), às namoradas, irmãs, tias e primas, porque seguem à letra a frase mestra dos políticos de sarjeta: "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".

E depois há a parte que eles tentam esconder (mesmo que o seu "rabo gigante" fique sempre de fora...), a ideologia. De vez enquanto lá aparecem os "três salazares", assim como a tentativa de tapar "Abril" com "novembro", que é sempre demasiado pequeno e curto, para apagar esse dia inesquecível que nos devolveu a liberdade e a democracia.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


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