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segunda-feira, agosto 10, 2026

Um encontro feliz num dos museus da cidade...


Não sei se é a cultura que me persegue, se sou eu que ando atrás dela. Sei apenas que é uma coisa boa. É a explicação que encontro para visitar com agrado o Centro das Artes e outros espaços culturais caldenses, quando passo pela cidade que me viu crescer.

Embora o Museu do Ciclismo (que mostra sempre muito mais que a história dos ciclismo, das bicicletas e dos seus campeões...), tivesse as suas portas encostadas e as montras escondidas por cortinas, eu resolvi entrar.

Em boa hora o fiz, pois tinha na recepção, além das duas simpáticas funcionárias, a "sua alma", Mário Lino, o homem que começou por sonhar e pensar, que já era tempo do desporto velocipédico ter um museu, digno desse nome. Ainda bem que ele não se ficou pelo "mundo dos sonhos" e começou a bater a todas as portas, possíveis e imagináveis, conseguindo que o seu sonho se tornasse realidade. E tornou...

Assim que entrei, Mário Lino recebeu-me com simpatia e quis saber de onde vinha. Disse Almada. Depois tive o cuidado de acrescentar que era caldense, que a minha mãe e o meu irmão continuavam a viver por lá.

E entretanto começámos a conversar, e quase sem darmos por isso, viajámos no tempo durante largos minutos. Andámos à volta da história, com a visita de algumas pessoas (como foi o caso do Romeu Correia e da sua inesquecível peça, "O Vagabundo das Mãos de Ouro", ou do primo, o Padre Felicidade, na sua luta pela democratização da igreja...).

Perguntou-me se tinha os seus livros, disse que tinha alguns, como a biografia do cavaleiro José Tanganho. Como a que eu tinha era primeira edição, fez questão de me oferecer a que foi publicada o ano passado, na comemoração da sua vitória da Volta a Portugal a Cavalo... E como não podia deixar de ser, retribui a sua oferta com dois livros meus, que lá deixei mais tarde: o recente, "Uma Viagem no Tempo com o Padre Felicidade" e o "Passeio Mágico com Romeu Correia" (por não ter esquecido o escritor almadense...).

Mas o momento mais emocionante, foi na nossa despedida, quando ele me perguntou se me podia dar um abraço. Claro que podia. Foi a melhor forma de selarmos aquele boa e agradável conversa, pelas ruas da história, do desporto e da cultura.

E quando já me vinha embora, agradeci-lhe com uma vénia, o muito que ele tem feito pela História, pela Cultura e pelo Desporto das Caldas da Rainha.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)