domingo, dezembro 07, 2014

A Isabel e as Caldas de Bordalo


Ontem estive presente numa pequena apresentação de um caderno de poesia ilustrada, onde emprestei as palavras aos desenhos do meu amigo Américo. Quase em simultâneo com o lançamento do livro, "As Caldas de Bordalo", da autoria de Isabel Castanheira, na minha Cidade Natal.

Tive pena de não aparecer, para dar um abraço à Isabel, que tanto fez (e continua a fazer...) pela Cultura caldense.

Embora nunca tenha tido uma grande proximidade com a Isabel (provavelmente devido à minha partida para a Capital aos dezoito anos), graças à "Gazeta das Caldas", acompanhei o seu percurso como livreira de excepção (amante dos livros e dos autores) e também de grande apaixonada pelo nosso Rafael, que fez o percurso inverso em relação a mim, veio da Capital para as Caldas, onde deixou a sua marca, até hoje, transportando os seus bonecos para a louça da Cidade.

Sei que este livro é excelente (pelas histórias de amor da Isabel...) e logo que me seja possível vou em sua busca, onde quer que ele esteja à minha espera (sem a "107", tenho de descobrir qual a livraria caldense onde está à venda...). 

sexta-feira, novembro 21, 2014

Saudades da Minha Aldeia


Em resposta a um comentário escrevi que tinha saudades da minha aldeia.

Que tinha de a visitar, para ver se as pessoas continuavam a cumprimentar com um bom dia e uma boa tarde, toda a gente, mesmo os desconhecidos...

Acredito que sim, pelo menos as pessoas de mais idade (a maioria...), incapaz de se render aos tempos modernos dos telemóveis e computadores.

Eu sei que estamos num outro tempo, mas conversar continua a ser das melhores coisas que podem acontecer entre seres humanos... 

O óleo é de Petros Malayan.

domingo, novembro 09, 2014

O Desencanto dos Feirantes...


Leio na última "Gazeta" o desencanto dos vendedores da Praça da Fruta, pelas novas estruturas criadas para este lugar histórico.

As suas queixas fixam-se no peso e tamanho dos toldos (com ferros pesados e grandes...).

Não sei como interpretar as palavras do presidente da Câmara, Tinta Ferreira. Como ele já "pagou" os toldos e as bancas, não vai colaborar na montagem e desmontagem dos toldos... Percebo mas não entendo. Até por saber que a maior parte dos vendedores são pessoas já com alguma idade.

O estúpido da coisa, é que o bom senso raramente aparece nestas alturas.

sexta-feira, outubro 31, 2014

A Praça Ainda Sem Fruta


Ontem fui às Caldas almoçar com a minha mãe.

Antes andei a ver a Cidade (cujo centro quase parece um estaleiro de obras...) e lá fui espreitar a Praça da República, conhecida internacionalmente apenas como Praça da Fruta.

E acabei por ver os toldos. Talvez a Praça fique gira...

Talvez.

Acho estranho este prolongamento das obras, mas talvez os senhores estejam à espera que chegue a chuva, para testar a impermeabilidade da "cobertura".

sábado, outubro 25, 2014

A Nova Ribeira "Centro Comercial Gastronómico"


Uma boa parte do Mercado da Ribeira está transformado num "centro comercial gastronómico" de comida de plástico ou falsamente tradicional. Pelo que consta, foi uma criação de uma revista semanal.

No exterior também se encontram vestígios do Oeste, com a "Ginja de Óbidos", também a caminho da "universalidade", quase a par com  o pastel de nata...

domingo, outubro 19, 2014

Bordalo em Almada


Foi ontem inaugurada na Casa da Cerca uma exposição curiosa, "ID. A Identidade do Desenho".

O mais significante foi a presença de Rafael Bordalo Pinheiro (através das faianças...), com andorinhas, um sapo, um gato preto assanhado (de olhos verdes...), e claro o Zé...

Foi bom ver as Caldas em Almada.

segunda-feira, setembro 29, 2014

Setembro no Campo (5)


Com a chegada do Outono começava a escola e quase que perdíamos o rasto dos campos.

Voltávamos alguns fins de semana, mais para matar saudades com os avós, que para visitar as fazendas do avô. Até porque nas aldeias o domingo era mesmo dia santo, com visita à missa e tudo.

Claro que trazíamos sempre qualquer coisa, nem que fosse um saco de fruta e outro de legumes, para não perdermos o perfume e sabor dos campos.

O óleo é de James Borger.

segunda-feira, setembro 22, 2014

Setembro no Campo (4)


Um dos exercícios que tenho feito na fisioterapia é pisar uma cunha de esponja forrada a napa.

Sempre que faço esses movimentos, lembro-me da alegria que era entrar no lagar e ficar ali a pisar as uvas, na companhia do meu irmão e dos primos.

Só quando se começava a fazer o vinho é que éramos convidados a acabar a brincadeira, para não estorvarmos o avô, o pai e os tios.

Claro que depois de crescermos mais de um palmo, também participávamos naquele agradável treino de musculação, em que o nosso suor se misturava com o vinho e em que todo o trabalho era feito de forma artesanal...

sábado, setembro 13, 2014

Setembro no Campo (3)


Volto aos campos, para falar das vindimas, que me lembro desde sempre e que se iniciavam durante o mês de Setembro (normalmente na segunda quinzena).

Fazer vinho era um dos maiores orgulhos do avô, e depois passou a ser do meu pai, quando herdámos uma das vinhas, o Arneiro.

Há quase algo de mágico na arte de fazer, é quase uma quimera que enche de orgulho quem trata de uma vinha desde o seu início, a poda, até ao fim, a apanha das uvas...

Além do vinho que chegava aos lagares, havia a aguardente, o açúcar (e um pó branco, conservante acho eu), que se misturam na pia, que era despejada com o motor para um dos depósitos enormes da adega (que também herdámos...), onde ficava a fermentar.

O avô (e o pai, posteriormente...), iam medindo o grau do vinho, quase tina a tina, não escondendo o orgulho da fortaleza deste néctar, em anos  mais quentes e com menos chuva na Primavera e Verão...

O óleo é de Ernesto Arrisueno.

sexta-feira, setembro 05, 2014

Setembro no Campo (2)



O meu avô podia muito ser a personagem retratada neste quadro do Eustáquio Servelles, junto da sua parelha de vacas mais famosa, a "Borisca" e a "Benfeita" (nunca percebi o porquê destes nomes...).

Quando me recordo do meu avô materno, descubro um homem sábio, com uma enorme bagagem da sabedoria popular, tão útil naqueles tempos, que fazia com que desse a sensação de saber quase tudo sobre a vida.

As suas conversas a caminho de estórias, tinham algo de mágico (devia ser por isso que a avó tinha ciúmes...), deixando os netos sentados sossegados nas escadas que davam para a casa de fora, a beberem cada uma das suas palavras...

A única coisa realmente diferente dele em relação à personagem deste quadro, é o cigarro. Penso que o avô nunca fumou. Pelo menos eu nunca o vi fumar, embora não o tenha conhecido na juventude, espaço de eleição para quase todos os pecadilhos.


quarta-feira, setembro 03, 2014

Setembro no Campo (1)


Em Setembro costumávamos apanhar a fruta das fazendas do avô.

Lembro-me que era uma tarefa realizada antes das vindimas.

Além da alegria do rancho de pessoas, enchiam-se umas dezenas boas de caixas com pêros e maçãs...

O óleo é de  Eustáquio Segrelles.

sábado, agosto 30, 2014

A Festa de Salir de Matos


No começo de Agosto, talvez no seu primeiro fim de semana, decorria a Festa de Salir de Matos, igual a tantas outras que enchem de alegria as aldeias portuguesas.

Acho que todos os meus tios foram festeiros, ou seja os "operários para todo o serviço" da festa pagã, que nunca se desligou da paróquia (penso que era o padre que guardava os seus lucros, embora não tenha a certeza absoluta).

De um ano para o outro (acho que já neste milénio, embora o tempo voe...) deixou de se realizar, sem que fossem dadas muitas explicações, para lá das dificuldades financeiras em realizar os festejos, com muitos anos (sempre me lembro da sua realização...) de história.

Infelizmente nunca mais foi reactivada. Este ano durante um jantar familiar soube de mais um pormenor, que concorreu para algumas discordâncias entre os organizadores, a existência de uma pipa de vinho, que podia ser consumida à discrição, por todos os contribuintes da festa.

Algumas pessoas não só achavam que a "pipa" causava descrédito como era um "rastilho" para algumas discussões, provocadas por quem tinha "mau vinho".

Com pipa ou sem pipa, eu limito-me a lamentar que tenham colocado fim esta Tradição, sem grandes explicações, como é hábito acontecer no nosso país, de tantas "mortes solteiras"...

O óleo é de Alphonse Roman.

sexta-feira, agosto 15, 2014

O 15 de Agosto nas Caldas


O 15 de Agosto sempre foi um dia grande nas Caldas da Rainha.

Vinha gente de todo o lado, enchiam os restaurantes, as pensões, e claro, as casas de familiares. Era normal recebermos a visita de algum tio paterno, que ficava pelo menos uma noite, com a sala a transformar-se em quarto de hóspedes.

Não sei quando começou a perder importância... talvez fossem as mudanças de lugar (constantes até se fixarem no lugar actual) ou o peso do tempo. No meu imaginário, nunca existiram feiras com as realizadas na Mata da Rainha. Mas nesses tempos era pequenote e tudo o que me rodeava parecia enorme...

Ou talvez fosse a sua dificuldade em se modernizar. Embora uma feira ambulante, com estas características populares, não consiga funcionar de forma muito diferente.

Havia ainda a tourada, que o meu avô fazia questão de assistir (e de me levar algumas vezes), que felizmente permanece viva...

Infelizmente a Cidade perdeu muita da sua importância comercial e termal, por erros políticos cometidos e pela situação económica do país. E isso acaba por afectar o turismo e tudo o que o rodeia...

O óleo é de Ernest Procter.

segunda-feira, agosto 11, 2014

Resquícios de uma Certa Monarquia


O comportamento das grandes famílias portuguesas em relação ao país sempre teve muito que se lhe diga, pois uma boa parte delas sempre achou estar acima da restante população. Embora sejam uma "casta" habituada a viver à sombra do Estado, ou seja, de todos nós, acham-se seres "iluminados" (ou fingem muito bem...) e que os grande cargos do país nunca deviam fugir das suas mãos.

Como nunca se adaptaram à democracia (a possibilidade de ser o povo a escolher os governantes...), conseguiram "inventar" outra coisa, com a conivência de uma outra "casta" (os novos ricos com poucos escrúpulos que hoje enchem o parlamento e os ministérios...), que acaba por se resumir a um sistema misto, que dá a possibilidade a quem tem poder e dinheiro, de viver acima da lei, com os resultados que todos sabemos.

O mais curioso, é que, apesar de viverem desta forma obscena, muitos ainda têm o descaramento de dizer que o salário mínimo é demasiado elevado, entre outras coisas...

Coloco aqui a fotografia deste busto (do jardim do Museu da Cerâmica), por estar farto desta gente "postiça", que tem destruído o país ao longo dos séculos e por simbolizar tudo aquilo que abomino em qualquer sociedade.

quinta-feira, agosto 07, 2014

Uma Estátua para a Rita (e para mim)


O quase "abandono" das Viagens levou a que a Rita me pedisse para colocar por aqui fotografias minhas com a estatuária do Parque das Caldas.

Quase de uma forma simbólica, coloco José Malhoa de costas, porque também tenho estado de costas voltadas para o meu blogue do Oeste...

domingo, julho 20, 2014

Água de Mar


Embora não vá ver a telenovela, "Água de Mar", pelo menos com regularidade, acho uma boa ideia esta aproximação aos lugares, este sair do estúdio e filmar em espaços abertos, e muito mais ainda por as escolhas da RTP recairem no Oeste.
 
Depois do Carvalhal é agora a vez da Foz do Arelho...
 

quarta-feira, julho 02, 2014

As Palavras e o Mar de Sophia


Sophia,

O mar azul e branco
torna-se mais expansivo,
e tocante,
depois de sentir
a luminosidade,
o perfume
e o encanto
das tuas palavras...


Porque hoje é dia da nossa Sophia, poeta maior da nossa Aldeia, publico aqui um poema que lhe dediquei, em 2003. A fotografia mostra o mar da Foz do Arelho.


segunda-feira, junho 30, 2014

Quase Bilhete Postal


Este  óleo é de Mathias Alten e simboliza em parte as colheitas de Verão de outros tempos, o pasto que começava a ficar seco e era apanhado e guardado nos palheiros, para a alimentação dos animais...

Quando ainda eram raras as máquinas nos campos.


É quase um bilhete postal.

quarta-feira, junho 11, 2014

Um Dia Pode ser Muitos Dias...


O feriado 10 de Junho é o dia que transporta atrás de si mais definições.

A nós, crescidos, habituados a estas maneiras pouco dadas à simplicidade da nossa "lusa pátria", nem sequer estranhamos.

Mas quando a nossa filha do alto da sua sabedoria de nove anos nos questiona, porque é que este dia não é um feriado como os outros, só com um significado, não sabemos muito bem o que dizer, porque Dia de Portugal, é como todos os que passamos por aqui...

Eu se pudesse escolher era apenas do "Dia de Camões"...

Deixo-vos este Camões de Lima de Freitas.

sexta-feira, junho 06, 2014

As Cores da Primavera


As Cores da Primavera são do melhor que se encontra nos campos.

E com as cores vêm os cheiros, os sabores...

O óleo é de Jane Aukslumas.