sábado, maio 21, 2011

Gila Leva o Caldas à Segunda


Como caldense (embora afastado...) fiquei bastante feliz com as subidas do Caldas e do S.C. Caldas, à segunda divisão bê de futebol e à primeira divisão de voleibol.

Claro que a subida do Caldas tem um sentimento especial, não tivesse eu também jogado nas suas camadas jovens.

E fiquei ainda mais feliz por a equipa subir tendo o Gila como treinador, o mesmo que quase foi "escorraçado" do clube, depois de estar meses e meses sem receber ordenado, tal como os atletas, quando a equipa desceu à terceira (se há coisa que não tenho é a memória curta). Mesmo à distância pude ver os "ratos a saltarem todos do porão", deixando o Caldas quase falido.

Alguns destes "ratos" tinham responsabilidades acrescidas por ser governantes da cidade, mas o famoso "saco azul" de Felgueiras assustou todos os autarcas de Norte a Sul que financiavam o futebol, do qual estavam habituados a retirar dividendos políticos...

Parabéns ao Caldas, aos seus dirigentes, sérios e competentes, ao seu excelente treinador, e claro aos jogadores, pois são eles que vencem os jogos dentro das quatro linhas.

A fotografia é de um Caldas-Sporting, nos seus bons tempos da primeira divisão, no Campo da Mata, cheio de espectadores...

segunda-feira, maio 16, 2011

A Casa-Museu


Nas últimas vezes que visitei a casa dos avós, pelo seu espaço, pensei que poderia muito bem ser transformada em museu.


Idealismos, sonhos e tontices. Claro que não havia (nem há...) qualquer espaço museológico na aldeia, mas mesmo assim, o que se iria expor, seria um museu de quê?

A minha ideia maluca era ser um museu de tudo. Etnográfico, antropológico, artístico, etc. Ser uma casa aberta a todas as artes e ideias.

Nunca falei nisto a ninguém. E até tinha um nome bem aldeão: "Casa Manuel Joaquim".

Claro que não tinha dinheiro para me meter numa "empreitada" destas.

Foi mais uma daquelas ideias malucas que se intrometem no meio dos sonhos...

O óleo é de Kenny Harris.

sábado, maio 14, 2011

Que Seja um Bom Dia Comercial


Hoje as montras das Caldas ganham vida.


Que seja um dia de muitas vendas, sorrisos e que as pessoas deixem transparecer no rosto a vontade de voltar...


domingo, maio 08, 2011

O Oeste e a Temática


Sei que tenho deixado quase em "pousio" as Viagens Pelo Oeste, e também sei porque razão isso acontece.


Os blogues temáticos são mais dados à "fenitude" e à falta de assunto.

Como actualmente estou numa fase mais desligada do Oeste (a minha cabeça está mais ocupada com outras latitudes...), tem sido mais difícil "postar"...

Claro que isto não é um fim, é apenas uma explicação. A mesa está assim, apenas porque ainda não chegaram os convidados...


O óleo é de Dino Boshi.

segunda-feira, abril 25, 2011

Abril Continua Inesquecível



Por muitos "pontapés" que dêem à democracia, Abril continua inesquecível...

quinta-feira, abril 21, 2011

A Janela, o Gato e as Flores


Aquela janela podia ser a da casa da minha avó.

Ela continuou a ter vasos com flores, um gato para não se limitar a falar com as paredes, e claro, a janela, para espreitar o mundo...

Era uma janela parecida com esta, pintada por António Capel.

quarta-feira, abril 06, 2011

Os "The Gift"


Gosto bastante dos "The Gift", pela sua grande qualidade musical.


Considero-os a banda portuguesa com mais capacidade de triunfar pelo mundo fora.

Gostei muto das cores que usaram na promoção do seu trabalho mais recente.

Mas mais palavras para quê? São uma banda do Oeste e está tudo dito.

quarta-feira, março 23, 2011

O Xico "Gago"

Vinha para casa, depois de deixar o meu filho quase à porta da escola quando ultrapassei um pai e um filho pequenote (cinco, seis anos). Vinham os dois a conversar e percebi que o menino gaguejava, algo que não interferia em nada na conversa dos dois.

Calculei que o mesmo não se passaria na escola, como é normal, não fossem as crianças umas "pestes" no uso que fazem destas e doutras fragilidades...

Foi então que me lembrei do meu amigo Xico "Gago" (que não encontro há mais de vinte anos...). Foi meu colega na escola primária e também fez parte da primeira equipa de iniciados do Caldas Sport Clube (e de outras tantas dos torneios populares). Era o armador de jogo da equipa e uma das peças fundamentais do onze do mister Santana...

O Xico tinha a particularidade de gaguejar a falar. Acho que só se esquecia deste pormenor quando dizia palavrões e quando brincávamos distraídos no recreio. Embora já não me lembre muito bem, penso que era corrigido muitas vezes pela nossa professora (que era uma querida, diga-se, pelo menos para a época, em que a "régua" reinava...) e ainda ficava mais atrapalhado, provocando a risota colectiva. O que também deve acontecer com este pequenote, porque as coisas não mudaram assim tanto, pelo menos no uso que se faz das fragilidades involuntárias que todos transportamos pela vida fora...
Na fotografia, "Os Putos", de João Martins.

sábado, março 19, 2011

A Dança das Feridas

Se para dançar o tango convenientemente são precisos dois, felizmente para escrever poesia da boa, basta uma só pessoa.
"Dança das Feridas", da autoria de Henrique Manuel Bento Fialho, um poeta grande do Oeste (até no nome), é um livro especial, cheio de encontros, dedicatórias, pedidos, e claro, muita criatividade e inspiração.

No "baile" poético de Henrique é feita uma escolha criteriosa nos pares que vão surgindo, página a página, gente grande das várias culturas do mundo.

O baile começa com um convite:

«Se eu soubesse dançar/ convidava-te para um tango,/ guiava-te nos labirintos do coração./ Voarias sobre os campos/ como num deslumbramento/ seríamos uma ameaça/ à estabilidade nacional [...]»

Mas há sempre excelentes motivos de leitura ao longo das cem páginas, com quase sete dezenas de poemas, como quando "Ian Curtis (dança com) a Annik Honoré":

[...] «Andamos sempre à procura/ de uma noite que não tem dias/ de uma noite sem sinais/ candeeiros que reflictam/ a agitação dos mosquitos à queima-roupa [..]»

Até as dimensões deste livro são giras e diferentes, tal como a capa de Maria João Lopes Fernandes.

quarta-feira, março 16, 2011

As Caldas e o 16 de Março

Não sei como se comemorou este dia, hoje nas Caldas da Rainha.

Espero que bem, de uma forma descontraída e feliz, sem esquecer os homens que saíram do quartel antes de tempo, à procura da Revolução, que afinal sempre estava por dias, para bem de todos nós...

terça-feira, março 08, 2011

Caldas da Rainha é uma Mulher


A identidade sexual está presente em praticamente tudo aquilo que nos rodeia, até mesmo nas pequeninas coisas. Não é por isso de estranhar que os lugares onde vivemos ou nascemos, também possuam uma carga masculina ou feminina, quase sempre evidente.

A cidade onde cresci e aprendi a ser gente, é sem sombra de dúvida uma mulher. A sua beleza e simplicidade não deixam ninguém indiferente, até os mais distraídos nos jogos de "amor", se rendem ao seu encanto.

Se tivesse que lhe dar formas, Caldas da Rainha seria, sem sombra de dúvida, uma mulher elegante, de cabelos longos e olhar penetrante. Um olhar quase multicolor, castanho com os tons suaves do azul e do verde, dos campos e do mar.

Caldas da Rainha é um daqueles casos que raramente escapam a um amor à primeira vista.

sexta-feira, março 04, 2011

O Bom dos Pequenos Lugares


Embora goste da discrição e da quase invisibilidade que as cidades nos proporcionam, não deixo de me deliciar com a afabilidade das aldeias. Algo que felizmente ainda existe na zona onde vivo (já não há bairros, agora são ruas, praças, freguesias...), num espaço de casas mais modestas, onde troco sempre cumprimentos com os moradores, que estão invariavelmente na rua, ou à porta, a estender a roupa ou a fazer outra coisa qualquer...

É algo que acontece há anos, porque só por passarmos por um lugar, todos os dias, criamos alguma familiaridade com as pessoas que estão quase sempre por ali. Às vezes esta troca de cumprimentos até começa por causa dos animais. Acho que foi mesmo assim que começou, por causa de um cão que ladrava mas felizmente não mordia, embora gostasse de se aproximar quase no limite das minhas calças.

As pessoas descansavam-me, diziam que ele não mordia. Claro que não me fiava totalmente nelas, com o aproximar da "fera".

E foi assim que começou a ladainha diária do bom dia e boa tarde, olhos nos olhos, às vezes com mais uma ou outra palavra.

O curioso é que esta "posta" começou com a minha resposta a um comentário da Gaivota...

O óleo é de Jorge Frasca.

domingo, fevereiro 27, 2011

Parabéns Isabel!

Ao passar pelas "
Águas Mornas" do Zé Ventura, fiquei a saber que a nossa Isabel Castanheira tinha sido premiada nas "Correntes D'Escritas", da Póvoa do Varzim, com o "Prémio Especial Livreiro".
É um prémio mais que merecido por alguém que não se preocupa apenas em vender livros, procura divulgar e partilhar a literatura, através da sua ligação especial aos livros e aos autores, numa cidade onde a Cultura continua a não para todos.

Parabéns Isabel!

Os Nomes de Guerra do Futebol de Rua

Acho que já escrevi sobre isto, provavelmente aqui, nas "Viagens", sobre os "nomes de guerra", pescados pela miudagem no universo futebolístico.

Enquanto lia o jornal, sentado nas bancadas do polidesportivo, fingia estar distante do jogo entre alguns miúdos, mas era impossível ficar indiferente quando o "Messi" não passava a bola ao "Xavi" ou ao "Drogba" e estes chamavam-lhe nomes mais feios. Também o seu guarda-redes, "Casillas", ouvia das boas, quando facilitava a tarefa ao "Cristiano Ronaldo", da equipa adversária, ou ao "Di Maria" (curiosamente também era o rapazola mais fininho da trupe...).

Não ouvi um único nome do campeonato português por ali, eram quase todos craques importados do campeonato espanhol, do "Barça" e do "Real".

Nos meus tempos de jogador de futebol de rua, a maior parte dos nomes que "roubávamos" eram do nosso campeonato. a excepção seria um "Cruyff" ou um "Neskens", da Holanda, ou então alguns alemães do Bayer de Munique como o Mayer, o "Breitner" o "Muller", e outros tantos, com nomes mais estranhos.

Estávamos no começo da década de setenta e o Ajax e o Bayer eram das melhores equipas da Europa e do Mundo...

Lembro-me mesmo de existir um "Mini-Ajax" que costumava ganhar os torneios populares (a par do Mini-Benfica, onde também joguei...).

Qualquer espaço pode ser lugar de memórias, até uma bancada simples de cimento...

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

As Ligações Familiares Sempre Presentes

Há quem não goste da excessiva familiaridade das aldeias ou dos bairros pequenos, onde toda a gente se conhece, ou pelo menos faz por isso. Eu sempre achei este aspecto divertido e curioso.

Provavelmente isso acontece por ter sido sempre um "turista", alguém que chega de fora ou está de passagem na aldeia.

Só durante a infância é que passei mais tempo em Salir de Matos, durante uma boa parte das férias grandes. A partir da adolescência, as visitas passaram a ser mais espaçadas e eu passei a ser alvo do olhar dos aldeões de todas as idades. Ouvia-os a tentarem colocar-me em qualquer família (nas aldeias não se sussurra em silêncio...) , até acertarem. Sorria quase sempre para dentro e fingia que não percebia, sem fornecer qualquer pista...

Além destes "reconhecimentos" de rua, existem ainda as não menos curiosas conversas de café, onde também é possível ganharmos um ou outro familiar, mesmo que afastado, quando menos esperamos.

Algumas pessoas praticamente analfabetas demonstram-nos o quanto é importante a memória visual e oral. São capazes de construir verdadeiras árvores genealógicas, durante mais de um século, sem precisarem de um papel ou de uma caneta.

Eu adoro estas viagens, gosto sempre de conhecer mais coisas dos meus bisavós e de outros parentes afastados.

O óleo é de François Barraud.

domingo, fevereiro 13, 2011

O Rigoletto de Verdi

A Orquestra e Ópera Nacional da Moldávia, vai estar hoje nas Caldas, no CCC, com o "Rigoletto" de Verdi.


Gosto muito do palhaço do cartaz. Só depois de o apreciar é que vi que as Caldas da Rainha também era contemplada com a digressão.

Espero que este espectáculo seja bem acolhido na minha Terra Natal.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Arte nas Caldas


Já tenho pensado várias vezes quer nasci tarde demais.

Queria ter pelo menos uns dezasseis anos quando se deu a Revolução de Abril. O mais curioso é que essa idade também me dava jeito em 1977, para assistir aos "IV Encontros Internacionais de Arte", que se realizaram nas Caldas da Rainha.

Nessa altura tinha apenas catorze anos e não me ficou qualquer registo do acontecimento.

Ao ler a "Colóquio Artes" de Outubro de 1977, fiquei pasmo com as palavras de Eurico Gonçalves, que escreveu a reportagem sobre o acontecimento com centenas de artistas nacionais e estrangeiros: [...]«Estes encontros visam, através de uma convivência necessária entre os artistas e as populações locais, uma confrontação de atitudes, ideias e opiniões, a sensibilização à linguagem dita artística»[...].

Parece que a mensagem não foi muito bem compreendida pelos caldenses, pois na reportagem ainda se pode ler: [...]«O Grupo Acre, constituído pela escultura Clara Menéres e pelo pintor Lima de Carvalho, depois de muitas horas de trabalho não remunerado, viu destruída à picareta uma escultura que quis erguer no Mercado do Peixe, em alusão ao 16 de Março de 1974, data em que um movimento militar das Caldas tentou fazer o que só foi possível um mês depois, em 25 de Abril do mesmo ano, o derrube do regime fascista em Portugal. Volvidos três anos e meio, a reacção ainda lá está e não só não permitiu tal tipo de evocação, como perseguiu à paulada alguns artistas participantes nestes Encontros e destruiu muitos objectos e símbolos de uma intensa actividade desenvolvida durante doze dias, evidenciando total desrespeito pelo trabalho não remunerado dos artistas»[...].

Não fazia ideia da coisa, nem desta "reacção", completamente conservadora, para não lhe chamar outro nome...

domingo, janeiro 30, 2011

Do Mondego para o Oeste

As populações que continuam à espera do "metro", lá para os lados do Mondego, são hoje as vitimas mais mediáticas da destruição das "estradas de ferro", que no século XIX, nos tempos da governação de Fontes Pereira de Melo (o António Maria do meu querido Bordalo...), aproximaram e desenvolveram o país, de uma forma completamente revolucionária.
Infelizmente há mais histórias miseráveis, de abandono e destruição destas vias, tanto a Norte, próximo do Douro, como no distrito de Beja, todas elas a recordarem a "destruição" lenta da Linha do Oeste.
Não deixa de ser inquietante que os
interesses económicos de meia dúzia de empresários continuem a prevalecer sobre os das populações e do próprio ambiente. E claro, os do próprio governo, refém da fatia que recebe da exploração do "petróleo" e das portagens...
O óleo é de Robert Steell.

terça-feira, janeiro 25, 2011

«Olá!»


Não nos víamos há uns bons vinte anos, pelo menos.

Nunca tinhamos sequer conversado, mas conhecíamo-nos de vista, das ruas da nossa cidade natal e também da nossa praia.

O mais curioso, foi trocarmos um sorriso e um olá, expontâneo, apenas por nos termos reconhecido como conterrâneos.

Podia ter acontecido num outro país qualquer, mas não, aconteceu em Lisboa, na Capital do Império.

Só me lembrei do teu nome, horas depois, quando estava sentado no cacilheiro, de volta a Almada.

Rita.

O óleo é de Jean Hildebrant.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

O Velho Valdemar

[...] Quando via alguém mais idoso, agarrado a uma rede, recordava-se sempre de um velho lobo do mar da Nazaré que originara uma crónica sobre esse extraordinário pescador cheio de rugas e cabelos brancos que o enchia de orgulho.
De tempos a tempos lia o recorte de jornal com a sua assinatura. Era como se voltasse por breves instantes ao convívio com aquele homem cujas emoções à flor da pele se confundiam com as ondas do mar: «Chamam-lhe velho e já não o deixam ir ao mar... mas Valdemar continua a sentir a mesma vontade de partir, ao desafio, pelo interior das ondas do Atlântico que continuam a bater próximo do seu coração.
Ele não consegue esconder o desgosto de ficar em terra, enquanto os outros se aventuram pelo mar fora. Sente que remendar redes não é digno como final de vida, de quem desde os treze anos começou a ir para o mar, desafiando os muitos demónios que se banhavam nas águas da Nazaré.
Na vila todos o conhecem por “Leão do Mar”, uma alcunha com mais de cinquenta anos, fruto das muitas aventuras vividas ao longo dos seus setenta e um anos, curtidos pelo sal e sol da vida, algumas das quais se transformaram em lendas...
Valdemar foi um dos poucos pescadores da sua geração que aprendeu a nadar, ao ponto de ser requisitado no Verão, durante décadas, como nadador salvador da bonita praia da Nazaré.
Salvou centenas de pessoas da morte certa na época balnear, sem esquecer alguns amigos de profissão, corajosos, que desafiavam o mar, sem sequer se conseguirem manter à tona de água.
Ele nunca aceitou de bom grado que grande parte dos seus companheiros não soubessem nadar, agarrados à desculpa de que em caso de naufrágio, o sofrimento seria menor, esquecidos das ínfimas possibilidades que teriam de sobreviver a qualquer contratempo caso se deslocassem dentro de água. Foi por isso que ensinou muitos pescadores, menos dados à teimosia a nadar.
Mas não é só por isso que todos os respeitam, e lhe perguntam coisas sobre o mar. O velho Valdemar é uma verdadeira enciclopédia marinha, conhece quase todas as espécies de peixes, sabe os seus círculos de vida, onde se deslocam para desovar, e quais são as épocas em que se encontram mais saborosos, preparados para servirem de pescado.
Lutou anos a fio pela construção de um Porto de Abrigo, de mão dada com os companheiros de pescaria, fartos de enfrentar as ondas violentas do mar da vila, e de ter de deixar os barcos ancorados na Baía de São Martinho do Porto.
Orgulha-se de, actualmente, a vida dos pescadores da Nazaré estar mais facilitada. Com o porto de abrigo já podem entrar no mar sem levarem banhos das ondas violentas, que em dias de fúria conseguiam virar os barcos na zona de rebentação, e lançar o pânico na vila.
Valdemar acaricia os seus cabelos brancos, sem perder de vista o mar, enquanto percorre o passeio à beira do mar.
Continua a acreditar que tem um lugar guardado no cemitério do oceano, e espera, pacientemente, por uma oportunidade para cumprir o seu destino. Quer ir ter com o pai, o tio, o irmão e uma mão cheia de amigos, nem que seja no seu velho barco a remos.»
Nuno não sabia o que era feito de Valdemar - há mais de três anos que não visitava a vila da Nazaré -, mas continuava a sentir que o velho lobo do mar seria sempre o seu “Pescador da Barca Bela”, onde quer que estivesse. [...]

Extracto de um dos meus contos (intitulado, "Sonhos Cor de Água", premiado no "Prémio Literário Hernâni Cidade". em 2003), que faz parte do livro, "Um Café com Sabor Diferente".
O óleo é de Spartaco Lombardo.