sexta-feira, maio 16, 2014

As Minhas Músicas


Noto que há medida que o tempo passa, o jazz e o fado são as músicas que mais "andam à volta" do leitor de "cedês".

Encontro nestas sonoridades uma largueza que antes não encontrava. 

O mais curioso é que a maior parte dos álbuns que ouço são dos anos cinquenta, sessenta e setenta.

Há fadistas que só conhecia de nome ou de ouvir cantar na televisão. Ou seja, desconhecia completamente a sua obra.

E as suas palavras já têm muita poesia, mesmo que muitos dos letristas não tenham obra publicada...

O meu completo desinteresse pelas músicas destes tempos, pelas sonoridades que entusiasmam os meus filhos, deve ser coisa da idade.

quinta-feira, maio 15, 2014

Hoje é o Dia da Minha Outra Cidade


Hoje é dia de festa nas Caldas da Rainha, pois comemora-se o dia da Cidade.

Como é o "ano estreia" do actual presidente (ainda que tenha sido vereador durante quase cinquenta anos...), aposto que se irão fazer coisa diferentes, o que acho muito bem.

A cidade tem estado povoada de obras, pelo que até devem existir umas fitas para cortar e tudo.

Entre outras coisas é preciso esquecer o "reinado" do Costa...

Agora sem ironias, desejo que a Festa seja boa e que os caldenses se sintam mais em casa.

quarta-feira, maio 14, 2014

Ainda os Museus e a Cultura


Noto que há um desinteresse crescente pelas coisas da Cultura (e se calhar por muitas mais coisas, noto na cultura por ser a área onde me movimento com mais ligeireza...) no nosso país.

O que disse em relação aos museus das Caldas, também poderia ser transferido para Almada (que hoje também já tem uma oferta invejável de espaços museológicos) e não é tão conservadora.

Talvez um dos meus amigos, o Francisco, tenha razão: estamos a viver um período de grande indefinição, em que ainda não conseguimos equilibrar a "balança", entre o passado, presente e o futuro. Ainda não conseguimos dar respostas aos desafios diários que o tal futuro nos coloca, especialmente aos jovens, que andam sempre um passo à frente de nós e por isso são tão incompreendidos...

terça-feira, maio 06, 2014

Museus quase Desertos...


Não devia estranhar, as Caldas não é uma cidade de Cultura, embora tenham espaços culturais dignos de qualquer grande urbe (e até uma Escola Superior de Arte e Design).

Acho que a minha passagem pelos museus da Cerâmica e José Malhoa, é quase um vício, um abraço a Malhoa e a Rafael.

Mas não deixo de achar anormal que quando visito o Museu da Cerâmica, abram a porta propositadamente para mim e seja o único "passageiro" daquela "barca" com tanta beleza e luz...

segunda-feira, maio 05, 2014

A Praça da Fruta Improvisada


Ontem fui às Caldas almoçar com a minha mãe e o meu irmão.

Fui mais cedo que o costume para puder visitar o Parque, os Museus José Malhoa e da Cerâmica, e passar também pela Praça da Fruta.

E até deu para ver a exposição que está no CCC sobre o naturalismo (colecção do Millenium).

Apesar de tudo, não fiquei mal impressionado com a Praça provisória... continuam por lá as cores, os cheiros e os olhares campestres.


segunda-feira, abril 28, 2014

O Mário foi Notícia na Gazeta


Embora continue a ser uma notícia triste, a morte do último caldense na Guerra Colonial, quarenta anos depois, não posso deixar de escrever algumas palavras sobre o Mário.

aqui tinha escrito sobre ele, há praticamente seis anos, por ser a única pessoa próxima que conheci, vitima da chamada Guerra do Ultramar (nesse tempo as colónias eram sobretudo parte do império...).
~
Apesar da confusão entre Salir de Matos e Santa Catarina, como sua terra natal, gostei da forma como foi escrita a notícia na "Gazeta das Caldas".

Do Mário "Torrelho" continuo a recordar sobretudo a alegria, o seu sorriso contagiante, as suas brincadeiras e a paciência que tinha para mim e para o meu irmão.

Do seu desaparecimento recordo o quase "luto" de toda a aldeia de Salir de Matos, o sabor a injustiça que têm todas as mortes que acontecem em guerras estúpidas.

Esta ainda é mais absurda por ter ocorrido dias depois do 25 de Abril...

domingo, abril 13, 2014

"O Teu Mar" (meu...)


Há algumas pessoas especiais que visitam os meus blogues e que quando me encontram falam do que escrevo, quase sempre de uma forma positiva.

Acho que também é por isso que vale a pena escrever, que vale a pena ter blogues...

Uma dessas visitantes, a Clara, até me brindou com um poema, em que quase "glosa" o meu Mar, da Foz do Arelho. Poema que vou partilhar convosco, muito agradecido à  amiga e poetisa almadense:

O Teu Mar

Olhas o teu mar
dentro de ti
nunca o encontras
parado
Achas que quase
imita a lassidão
dum rio...
gostas mais da tua 
Foz
Povoada de sons
e ondas fortes
Estás certo!
O mar é como nós
precisamos de espaço
muito espaço
e muita sorte...

Clara Mestre

quinta-feira, abril 03, 2014

Ser de Dois Lugares sem Qualquer Tipo de Conflito


Quando almoço com a minha mãe, falamos de muitas coisas e aparecem sempre outras pessoas à mesa.

Elas não surgem com um sentido de coscuvilhice, mas sim memorialista. É comum a mãe falar-me de gentes de Salir de Matos, que eu não recordo a maior parte das vezes, nem mesmo quando ela rebusca as suas árvores genealógicas ou visita os seus lugares.

Às vezes penso que ela acha que eu vivi muito mais tempo em redor dos avós, que tenho um conhecimento mais profundo das gentes de Salir de Matos. 

Mas não, embora tenha uma boa memória visual, nem sempre consigo oferecer um nome e um lugar às pessoas que por vezes passam por mim.

O lugar onde permaneço há mais tempo, é em Cacilhas. Já são mais de vinte seis anos. Muitas vezes penso que hoje sou mais almadense que caldense. 

Mas talvez seja as duas coisas, sem qualquer tipo de conflito.

O óleo é de Colin Berry.

terça-feira, abril 01, 2014

Os Montes e Vales Estremenhos


Sei que os arquivos da minha memória estão bem organizados.

Hoje até pensei que estavam separados pelas estações do ano, mas acho que não.

O mais curioso é associar as memórias de Salir de Matos ao Verão, embora o verde seja a cor predominante e não aquele castanho amarelecido das searas dos cereais...

Isso deve acontecer porque um dos meus fascículos de infância eram as partes verdes das fazendas (a Várzea e a baixa da Ambrósia), regadas diariamente pelo avô, ora com o motor de rega, ora com o cabaço.

Adorava ver a água a correr pelos carreiros e a inundar as plantas, o feijão verde que trepava pelas canas quase armações das tendas índias, os melões e as melancias, os tomates e os pimentos, e outras mais coisas que adoram água...

Mesmo quando olhava os montes e vales que me cercavam, sem linha do horizonte (isso é era coisa mais do mar e dos desertos...).

O óleo de Jo March.

sábado, março 29, 2014

As Caldas - Numa Única Palavra


Há "jogos" complicados, mesmo os das palavras...

Pediram-me que em apenas uma palavra, definisse as Caldas, como espaço turístico.

E claro, disseram-me também que não podia pensar, tinha uns "míseros" cinco segundos.

Podia ter dito: "Cerâmica", "Termas", "Cavacas", "Comércio", etc.

Mas disse: "Parque"... Vá-se lá saber porquê.

É uma palavra que significa beleza turística, mas não é a melhor como cartão de visita, é demasiado vaga, para quem não conheça a Cidade...

Mas foi o que saiu em cinco segundos. E como eu gosto do Parque...

quinta-feira, março 27, 2014

O Quarto Escuro


Antes de entrar para a primária a minha mãe começou a trabalhar e eu e o meu irmão tivemos de ir para uma espécie de "jardim escola", que ficou conhecido nas cidade das Caldas como a casa da "Velha da Estação", pela proximidade com a estação (era só atravessar a rua...) e por ser gerido por uma senhora austera já com alguma idade.

Era um "infantário" misto e como nem sempre nos portávamos bem, havia vários castigos. Um dos mais "normais" era passarmos algum tempo no "Quarto Escuro".

Os mais velhos gostavam de assustar os mais novos, mas eu, como sempre, era "protegido", pelo meu irmão, mais velho dois anos e por outros amigos. Por outro lado, estava longe de ser dos um eternos castigados. Ou seja, visitei poucas vezes o "quarto escuro". 

Mas este quarto tinha numa das suas paredes uma pele de leopardo pendurada, que era motivo de várias congeminações, até diziam que ela "ganhava vida". Isso assustava, mas também fazia com que os não frequentadores desse espaço silencioso e escuro, sentissem alguma curiosidade e até pensassem em fazer alguma "patifaria", para experimentarem as tais sensações exploradas pelos "putos" mais imaginativos...

O óleo é de Katherine Frazer.

domingo, março 16, 2014

Os 40 Anos do 16 de Março


Foi há 40 anos que os militares do RI5 saíram do quartel das Caldas, rumo à Capital.

Foi um rebate falso. Houve prisões mas mesmo assim houve Abril, felizmente, um mês e nove dias depois.

Embora só se tenham passado quarenta anos, já é possível uma aproximação maior à realidade.

Ou seja, hoje ganha cada vez mais força a versão de que o 16 de Março foi um "contragolpe" protagonizado por alguns elementos próximos de Spinola. Uns com ligações do Movimento dos Capitães, outros nem por isso...

terça-feira, março 11, 2014

Uma das Praças da Fruta do Mártio


Já publiquei aqui pelo menos um quadro sobre a nossa Praça da Fruta, da autoria de Mártio, um amigo e artista plástico da Margem Sul.

Quando referi aqui a conversa que tive com um amigo, sobre as obras da Praça das Caldas, falava do Mártio, que tinha passado por lá.

Por saber que as coisas não voltariam a ser iguais, ele resolveu-me oferecer um pequeno quadro deste lugar especial das Caldas da Rainha, que retrata um vendedor a entregar legumes a uma "turista" (parece e são eles quem mais aprecia aquela bonita Praça...).

É uma bela recordação de um lugar que não será o mesmo, com toda a certeza. Os amigos são assim...

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Um Mar Mais Igual que os Outros


Passei pela Foz do Arelho e quase que encontrei tudo no mesmo sitio.

Gostei especialmente da bravura e do cheiro daquele Mar, tão meu.

Claro que não andei a medir os avanços e os recuos do mar, embora soubesse que dantes a viagem até à beira-mar não era tão rápida, havia muito mais areia, muito mais praia...


E que modernos aqueles caminhos de madeira, ainda cheios de sentidos proibidos...

sábado, fevereiro 15, 2014

Viver Mais e Pensar Menos


Um dos aspectos mais pitorescos das nossas memórias são as mudanças físicas dos lugares.

Uma conversa ou uma fotografia antiga são o suficiente para nos recordarem que onde hoje existe um aglomerado de prédios, antes existiu uma quinta e também um baldio, que transformávamos com grande alegria em campo de futebol.

Foi ao lembrar-me de uma dessas quintas que separavam os bairros, que me lembrei de um antigo companheiro de escola, que era muito mau aluno, ficando para trás logo na segunda classe, quando havia "chumbos" na primária. Como morava nos arrabaldes do meu bairro, continuámos a vermos-nos. Ele era tão magro, que nós chamávamos-lhe o "esqueleto humano".

Estivemos uns anos sem nos encontramos, até que ele foi morar para o que restava de uma quinta, que ficava a caminho da casa dos meus país (entretanto nós também tínhamos mudado de bairro...). 

Descubro um homem feito com vinte e um anos, a cumprir o serviço militar, já com dois filhos e a mulher à espera do terceiro. Às vezes falava com ele e descobria que ele era muito mais "desembaraçado" que eu. Ou seja muito mais vivido e preparado para enfrentar a vida, com toda a conjugação de problemas que nos vão surgindo pela frente. A própria vida obrigou-o a correr atrás do "pão". Enquanto nós continuávamos a passear os livros, ele trabalhava, certamente...

Pouco tempo depois a quinta foi transformada em lotes e ele teve de partir para outro lugar e nunca mais nos encontrámos.

Comecei a falar da memória e dos lugares, mas o que eu queria dizer é que as pessoas com menos instrução, pensam menos e vivem mais. Habituam-se desde cedo a viver o seu dia a dia sem pensar muito, ou seja vivem a vida como ela é...

De certeza que não era nada confortável para a sua mulher, provavelmente com uns dezoito anos, já ter dois filhos para criar e ter um terceiro a caminho. Mas como diria a minha avó, tudo se cria...

Nãos sei se nós pensamos de mais. Sei sim, que só quem não gosta de pensar muito, é capaz de ter uma "ninhada" de filhos nestes tempos a lembrar alguma da literatura de Charles Dickens...

O óleo é de Damian Elwes.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

A Chuva Cai e...


A chuva cai e as desculpas inundam a Cidade, em obras, num Inverno que quer ser farto.

A "Gazeta" fala das derrapagens habituais. E eles desculpam-se com o mau tempo, como se estivessem à espera que de Novembro a Março, o Sol brilhasse todos os dias...

Talvez no Verão se desculpem com as temperaturas elevadas e com a sede...

Ou seja, música para os caldenses. Foi por isso que escolhi este óleo de Lima Junior.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

A Praça Será Outra Coisa


Um amigo que passou pelas Caldas falou-me das obras na Praça da Fruta e da sua nova localização.

Quis saber se eu sabia o tempo de duração das obras. Sorri e disse que ninguém deve saber, pois à boa maneira portuguesa, há dois tipos de "derrapagens", os valores da obra que chegam a duplicar, e o tempo, que também pode dobrar ou triplicar...

Acabámos por falar da beleza do mercado de rua, praticamente único no nosso país. Ele é pintor e já pintou várias Praças da Fruta das Caldas. Ambos sabemos que nunca mais será igual, pois a modernidade deverá retirar a originalidade plástica de cada vendedor, que escolhia o chapéu de sol, a banca e até a maneira de colocar a fruta e os legumes na praça...

O óleo é de Claudio Caxeta.

sábado, janeiro 25, 2014

Não Queria Voltar, Mas...


Não queria voltar, mas tinha mesmo de regressar. Não era uma vontade, era um imperativo de consciência, fosse isso o que fosse.

O único transporte que lhe dava espaço para ler, escrever e sonhar, era o comboio.

Sabia que agora tinha uma outra vantagem, podia partir de Santa Apolónia e dar quase a volta a Lisboa até descobrir a Linha do Oeste. E depois continuava a parar nas estações e nos apeadeiros.

Com sorte, talvez a viagem entre a Capital e a Cidade das Termas, demorasse mais de três horas...

quarta-feira, janeiro 15, 2014

«Só as pessoas da cidade é que encontram poesia nos campos»


Sei que ela lê o que escrevo por aqui, provavelmente por ser espaçado. Quase que basta passar por aqui uma ou duas vezes por mês para ler as minhas "viagens pelo Oeste" (cada vez mais curtas)...

Mesmo assim estranhei a sua observação: «só as pessoas da cidade é que encontram poesia nos campos.»

Limitei-me a sorrir, até por saber que havia alguma verdade nas suas palavras.

Mas apenas alguma. Acredito cada vez mais que a "poesia" não é de ninguém, mas sim de toda a gente.

Lembrei-me do meu avô materno, homem praticamente sem instrução e que foi maior parte da sua vida agricultor a tempo inteiro. Apesar dos tempos difíceis que viveu (como boa parte dos portugueses nos anos trinta e quarenta do século passado, bem piores que os de hoje...), senti que não só encontrava "poesia" nos campos, como gostava de de todo aquele ciclo de vidas, ditado pela natureza.

Foi pena não ter estado mais atento aos seus ensinamentos, à maneira simples como nos tentava fazer gostar dos campos...

sábado, janeiro 04, 2014

Abriu-se a Aberta...


Felizmente a Aberta da Lagoa de Óbidos voltou a existir, com o restabelecimento da ligação natural do Mar com a Lagoa.

Apesar desde Governo deixar muito a desejar, as gentes do Oeste tiveram a felicidade de ter um Secretário de Estado do Ambiente das Caldas, o meu companheiro de Escola Secundária, Paulo Lemos.

Se não fosse alguém que conhecesse e sentisse o problema tão perto, penso que ainda hoje se estava à espera que a natureza resolvesse o assunto...