quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Um Mar Mais Igual que os Outros


Passei pela Foz do Arelho e quase que encontrei tudo no mesmo sitio.

Gostei especialmente da bravura e do cheiro daquele Mar, tão meu.

Claro que não andei a medir os avanços e os recuos do mar, embora soubesse que dantes a viagem até à beira-mar não era tão rápida, havia muito mais areia, muito mais praia...


E que modernos aqueles caminhos de madeira, ainda cheios de sentidos proibidos...

sábado, fevereiro 15, 2014

Viver Mais e Pensar Menos


Um dos aspectos mais pitorescos das nossas memórias são as mudanças físicas dos lugares.

Uma conversa ou uma fotografia antiga são o suficiente para nos recordarem que onde hoje existe um aglomerado de prédios, antes existiu uma quinta e também um baldio, que transformávamos com grande alegria em campo de futebol.

Foi ao lembrar-me de uma dessas quintas que separavam os bairros, que me lembrei de um antigo companheiro de escola, que era muito mau aluno, ficando para trás logo na segunda classe, quando havia "chumbos" na primária. Como morava nos arrabaldes do meu bairro, continuámos a vermos-nos. Ele era tão magro, que nós chamávamos-lhe o "esqueleto humano".

Estivemos uns anos sem nos encontramos, até que ele foi morar para o que restava de uma quinta, que ficava a caminho da casa dos meus país (entretanto nós também tínhamos mudado de bairro...). 

Descubro um homem feito com vinte e um anos, a cumprir o serviço militar, já com dois filhos e a mulher à espera do terceiro. Às vezes falava com ele e descobria que ele era muito mais "desembaraçado" que eu. Ou seja muito mais vivido e preparado para enfrentar a vida, com toda a conjugação de problemas que nos vão surgindo pela frente. A própria vida obrigou-o a correr atrás do "pão". Enquanto nós continuávamos a passear os livros, ele trabalhava, certamente...

Pouco tempo depois a quinta foi transformada em lotes e ele teve de partir para outro lugar e nunca mais nos encontrámos.

Comecei a falar da memória e dos lugares, mas o que eu queria dizer é que as pessoas com menos instrução, pensam menos e vivem mais. Habituam-se desde cedo a viver o seu dia a dia sem pensar muito, ou seja vivem a vida como ela é...

De certeza que não era nada confortável para a sua mulher, provavelmente com uns dezoito anos, já ter dois filhos para criar e ter um terceiro a caminho. Mas como diria a minha avó, tudo se cria...

Nãos sei se nós pensamos de mais. Sei sim, que só quem não gosta de pensar muito, é capaz de ter uma "ninhada" de filhos nestes tempos a lembrar alguma da literatura de Charles Dickens...

O óleo é de Damian Elwes.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

A Chuva Cai e...


A chuva cai e as desculpas inundam a Cidade, em obras, num Inverno que quer ser farto.

A "Gazeta" fala das derrapagens habituais. E eles desculpam-se com o mau tempo, como se estivessem à espera que de Novembro a Março, o Sol brilhasse todos os dias...

Talvez no Verão se desculpem com as temperaturas elevadas e com a sede...

Ou seja, música para os caldenses. Foi por isso que escolhi este óleo de Lima Junior.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

A Praça Será Outra Coisa


Um amigo que passou pelas Caldas falou-me das obras na Praça da Fruta e da sua nova localização.

Quis saber se eu sabia o tempo de duração das obras. Sorri e disse que ninguém deve saber, pois à boa maneira portuguesa, há dois tipos de "derrapagens", os valores da obra que chegam a duplicar, e o tempo, que também pode dobrar ou triplicar...

Acabámos por falar da beleza do mercado de rua, praticamente único no nosso país. Ele é pintor e já pintou várias Praças da Fruta das Caldas. Ambos sabemos que nunca mais será igual, pois a modernidade deverá retirar a originalidade plástica de cada vendedor, que escolhia o chapéu de sol, a banca e até a maneira de colocar a fruta e os legumes na praça...

O óleo é de Claudio Caxeta.

sábado, janeiro 25, 2014

Não Queria Voltar, Mas...


Não queria voltar, mas tinha mesmo de regressar. Não era uma vontade, era um imperativo de consciência, fosse isso o que fosse.

O único transporte que lhe dava espaço para ler, escrever e sonhar, era o comboio.

Sabia que agora tinha uma outra vantagem, podia partir de Santa Apolónia e dar quase a volta a Lisboa até descobrir a Linha do Oeste. E depois continuava a parar nas estações e nos apeadeiros.

Com sorte, talvez a viagem entre a Capital e a Cidade das Termas, demorasse mais de três horas...

quarta-feira, janeiro 15, 2014

«Só as pessoas da cidade é que encontram poesia nos campos»


Sei que ela lê o que escrevo por aqui, provavelmente por ser espaçado. Quase que basta passar por aqui uma ou duas vezes por mês para ler as minhas "viagens pelo Oeste" (cada vez mais curtas)...

Mesmo assim estranhei a sua observação: «só as pessoas da cidade é que encontram poesia nos campos.»

Limitei-me a sorrir, até por saber que havia alguma verdade nas suas palavras.

Mas apenas alguma. Acredito cada vez mais que a "poesia" não é de ninguém, mas sim de toda a gente.

Lembrei-me do meu avô materno, homem praticamente sem instrução e que foi maior parte da sua vida agricultor a tempo inteiro. Apesar dos tempos difíceis que viveu (como boa parte dos portugueses nos anos trinta e quarenta do século passado, bem piores que os de hoje...), senti que não só encontrava "poesia" nos campos, como gostava de de todo aquele ciclo de vidas, ditado pela natureza.

Foi pena não ter estado mais atento aos seus ensinamentos, à maneira simples como nos tentava fazer gostar dos campos...

sábado, janeiro 04, 2014

Abriu-se a Aberta...


Felizmente a Aberta da Lagoa de Óbidos voltou a existir, com o restabelecimento da ligação natural do Mar com a Lagoa.

Apesar desde Governo deixar muito a desejar, as gentes do Oeste tiveram a felicidade de ter um Secretário de Estado do Ambiente das Caldas, o meu companheiro de Escola Secundária, Paulo Lemos.

Se não fosse alguém que conhecesse e sentisse o problema tão perto, penso que ainda hoje se estava à espera que a natureza resolvesse o assunto...

terça-feira, dezembro 31, 2013

A Lagoa de Óbidos sem Mar


Há pouco falei com o meu irmão ao telefone e ele contou-me de uma forma quase fotográfica o panorama actual da Lagoa de Óbidos, com a ligação para o Oceano fechada, naturalmente, depois de anos e anos de erros humanos...

Com o aumento das chuvas e dos caudais dos rios, as águas da Lagoa estão acima do nível do mar.

A coisa pode tornar-se preocupante, se os tipos que fingem que "mandam chover" continuarem de mãos nos bolsos, à espera que a natureza resolva o problema...

Esta fotografia já tem uns anitos mas é das que mais gosto, da minha autoria, da Foz do Arelho.

Desejo a todos aqueles que viajam pelo Oeste e pelo Mundo, um ano em que sintamos que as coisas estão a mudar, para melhor, embora seja difícil com gente tão incompetente ao leme da "barca"...

terça-feira, dezembro 24, 2013

Falavam-me de Amor


Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.


                                   Natália Correia

O óleo é de Patricia Rorie.

segunda-feira, dezembro 09, 2013

Voltar à Infância


Quando comecei estas "Viagens pelo Oeste", andei muito pela infância, pelas minhas boas memórias, vividas sobretudo entre as Caldas, Salir de Matos e Foz do Arelho.

Não foi por acaso que este "triângulo amoroso" foi mais explorado, pelo menos pelas viagens dentro das minhas memórias. Posso dizer com toda a segurança, que fui feliz nestes lugares. Lugares onde gosto sempre de voltar.

Neste momento as "Viagens" são o meu "blogue" mais longínquo, o que dispenso menos palavras.

Embora não pense fechá-lo, tenho consciência que será difícil ser mais regular. 

Provavelmente precisava de "esvaziar" um pouco a cabeça, de dar mais espaço ao outro tempo, por onde andam as memórias...

O óleo é de Óscar Bluemner.

sábado, novembro 30, 2013

A 107 e o Dia do Livreiro


Hoje comemora-se o "Dia da Livraria e do Livreiro" em todo o país.

Não posso deixar escapar esta oportunidade, sem falar da "Livraria  107", das Caldas da Rainha.

Embora não fosse um frequente assíduo, até por não morar na Cidade (era lá que costumava adquirir os livros sobre as Caldas...), continuo a pensar que o seu fecho foi uma perda terrível para a Cultura local.

Uma das coisas que quase desapareceu foram os "Cafés Literários", organizados pela Isabel, que trouxeram tantos escritores importantes ao burgo caldense.

É costume dizer-se que o paradigma comercial mudou. Pois mudou. Mudou de tal forma que quase tem morto as Terras portuguesas, de Norte a Sul.

sábado, novembro 23, 2013

O Futuro da Praça da Fruta


A "Gazeta" chega-me a casa ás sextas e trás notícias da Cidade, quase escondida.

Noto que andam vários projectos no ar, sobre o futuro da Praça da Fruta, quase semana sim semana não.

O futuro, aquela coisa que não existe...

Entretanto o presente vai sendo abafado. E quando o futuro chegar, talvez já não existam vendedores para a famosa praça, desenhada e projectada por arquitectos cheios de ideias.

O óleo é de  Álvaro Reja.

domingo, novembro 10, 2013

Álvaro Cunhal e a Fuga de Peniche


Álvaro Cunhal é uma figura que ficará ligado ao Oeste para sempre, graças à fuga espectacular da Fortaleza de Peniche, que protagonizou com mais alguns camaradas, no princípio de Janeiro de 1960.

Fortaleza que albergou maioritariamente presos políticos durante a ditadura e onde o meu avô paterno esteve alguns meses na segunda metade dos anos cinquenta e teve a oportunidade de conhecer o homem e o "mito" (o facto de não ter contacto com outros presos, só serviu para aumentar o "mito", ainda por cima, por estar naquela situação sem ter assassinado ninguém ou cometido qualquer furto milionário. O seu único crime conhecido era o de lutar pela liberdade, contra a ditadura salazarista...).

Álvaro Cunhal faz hoje cem anos, e é, sem qualquer dúvida, uma das principais figuras da história da resistência do nosso país no século XX.

Mas Álvaro foi muito mais que um político. Grande apaixonado pela Cultura, abraçou as artes plásticas e a literatura, com reconhecidos méritos (a pintura e a escrita foram a sua grande companhia e escape no cárcere, em Lisboa e Peniche...), especialmente nos anos de prisão, em que esteve quase sempre incontactável e confinado à sua pequena cela.

terça-feira, outubro 29, 2013

A Mata da Rainha


Na última vez que fui ás Caldas passei pela Mata, para sentir o Outono, para ver as folhas caídas.

Mas não vi apenas as folhas caídas, vi muitas árvores no chão (penso que ainda do temporal do último Inverno...) e um grande "desnorte", para não lhe chamar outra coisa...

O que mais me incomoda é perceber que os habitantes das Caldas estão-se borrifando para um dos pulmões da cidade, tal como passam ao lado do Parque...

Como eu gostaria de ver a Cidade a caminhar em frente, de saber que a Mata e o Parque tinham alguém com capacidade e conhecimento (e claro apoio...), para as abrir aos caldenses...

quinta-feira, outubro 24, 2013

As Mulheres da Família


«Você é filho da Maria, neto da Henriqueta e sobrinho da Ilda, não é?»

Disse que sim, com um sorriso, ao homem que depois de me interrogar, estendeu o braço e a mão para me cumprimentar.

Retribui o cumprimento e ele perguntou quase se seguida: «você é o professor de ginástica ou o escritor?»

Acrescentei que era o jornalista, sem perder o sorriso.

Entretanto sou salvo por uma mulher bonita, que me levou até um pequeno grupo, onde me apresentou e me recordou de um projecto colectivo (que eu já tinha esquecido...) que provavelmente não terá viabilidade.

Quando caminhada pela rua, fiquei a pensar nas palavras do homem, que só se lembrou das mulheres da família, nem sequer referiu o nome do avô Manuel...

O óleo é de Kathy Jones.

sexta-feira, outubro 11, 2013

Uma Praça da Fruta Reduzida


Uma das coisas que estranhei na quarta-feira, foi ver a Praça da Fruta com muitos espaços sem vendedores, praticamente reduzida a metade (ou até a menos...).

Curioso, perguntei à senhora que me vendeu cavacas, se tinha acontecido alguma coisa ou se era normal aquele menor movimento. A senhora respondeu-me que só a partir de quinta, até domingo, é que aumentava o número de vendedores.

Também percebi que o movimento de pessoas não era grande coisa...

Falei com a minha mãe sobre o assunto e ela falou-me na concorrência dos supermercados, onde há um pouco de tudo...

Também sei que a Praça da Fruta encanta sobretudo turistas e já não é tempo deles...

quarta-feira, outubro 09, 2013

Lago com Cisne


Fui às Caldas, e para variar, passei pelo Parque...

Como gostei de ver um dos cisnes a passear no Lago, registei o momento.

segunda-feira, setembro 30, 2013

Ainda Não Foi Desta...


Ainda não foi desta que fiquei agradavelmente surpreendido com os resultados eleitorais na minha "Cidade Natal"...

O caciquismo e o populismo têm um peso do caraças.

O óleo é de Douglas Martenson.

sexta-feira, setembro 27, 2013

"As Minhas Derrotas Eleitorais"...


Embora tenha deixado as Caldas aos dezoito anos, a tal idade maior para tanta coisa, inclusive para votar, a morada dos meus pais continuou a ser a minha primeira morada durante alguns anos. Só em 1987, quando decidi viver em Almada, é que deixei de ser "derrotado" nas eleições.

Nesses tempos já longinquos votava com convicção, e alguma ingenuidade, na CDU. Há um facto curioso que me une à presidente da Câmara de Almada, Maria Emília de Sousa: a sua primeira vitória eleitoral, coincidiu com a minha, enquanto eleitor.

E como me sentia bem nesta terra de operários, onde ainda não havia o hábito de se olhar os outros com sobranceria, o que acontecia nas Caldas (e em todas as Vilas e Cidades pequeno-burguesas...).

Tanta coisa que mudou nestes vinte seis anos...

O "cavaquismo" e os dinheiros da CEE foram a nossa perdição, embora muita a gente continue a gostar de dar "porrada" no Sócrates...

O óleo é de François-Emile Barraud.

segunda-feira, setembro 23, 2013

A Chegada do Outono na Minha Infância


Quando era mais pequenote a chegada do Outono nunca me mereceu grandes cuidados, nem nunca a olhei como uma "estação maldita".

Provavelmente por ainda desconhecer o significado da palavra melancolia...

Uma das coisas que o Outono anunciava era o fim das férias e o começo das aulas. Recordo que isso nunca foi uma tragédia para mim, pelo menos na escola primária. Ficava mesmo com algumas saudades da professora e dos meus amigos.

Também gostava do "festival das folhas caídas", que quase ofereciam uma "alcatifa" ruidosa ao parque...

Nesses tempos, não só gostava de Setembro, como ainda não tinha nada contra Outubro...