sábado, novembro 27, 2010

O Museu, a República e as Pessoas

«Sempre apareci Maria.»


Entrei e não descobri nenhum rosto conhecido. Estranhei que o acontecimento despertasse interesse apenas a pessoas já com alguma idade, que devem aproveitar estes momentos (menos comuns que em Almada, por exemplo) para aparecerem e ver os amigos e conhecidos.

Folheei alguns catálogos, inclusive o da exposição, enquanto esperava a chegada de uma amiga que disse que aparecia.

Encostei-me a um dos cantos da sala e olhei o "filme" que se desenrolava por ali, com algum conforto, por ser um mero espectador, não fazer parte da fita. Entraram duas jovens, reparei que conhecia uma delas, pouco depois percebi que era a Natascha, por estar com um gravador e um bloco nas mãos.

Os minutos passavam e ela nada. Entretanto o hall do museu enchia e comecei a perder o conforto inicial e a sentir que não tinha nada a ver com aquele "filme", que nunca mais começava.

Sai para a rua e fiz um telefonema. Ela estava tão atrasada, disse que só se despachava uns vinte minutos depois. Desmarcámos a exposição e combinámos um encontro num café no centro da cidade, enquanto me fazia ao caminho escuro do parque.

No meio da escuridão ainda me cruzei com um rosto feminimo que não me era desconhecido, percebi depois que era a vereadora da cultura do Município e também deputada do parlamento. Pensei, «destemida a senhora, sozinha, por aqui, no meio da escuridão...»

Já no coração da cidade, cruzei-me com o Xico Zé, que me falou das más experiências culturais dos "Pimpões", a colectividade rainha do bairro que agora também é da minha mãe.

Depois de alguns minutos de seca, ela lá apareceu no café. Conversámos de livros, de pessoas, com sorrisos à mistura.

Mais à noite ainda dei mais uma volta pela cidade, agora mais fria, na companhia do Fernando, a melhor "memória" da nossa "rua do meio". Mais palavras, mais pessoas e algum desencanto pelo rumo deste país...

A fotografia é da manhã de hoje, do nosso parque, Maria...

quinta-feira, novembro 25, 2010

sábado, novembro 20, 2010

A Beleza dos Campos

Talvez a beleza volte aos campos com toda esta crise, talvez as pessoas voltem a cultivar as terras em pousio.
A sabedoria popular diz-nos que a necessidade aguça o engenho.
E agora que a "fonte" europeia ameaça secar, até nos gabinetes governamentais, já se fala do regresso à agricultura e às pescas.
Se isso acontecer os campos vão ficar mais radiosos, como este óleo de David Inshaw.

segunda-feira, novembro 15, 2010

O Adamastor


Não sei se tive medo do Adamastor na infância, mas acho que não, nunca o levei demasiado a sério. Apenas me lembro de uma imagem imprecisa de um livro escolar, em que ele se confundia com as ondas bravas do mar.

Agora anda por aí outro Adamastor a cirandar (fmi), tenho quase a certeza que esta gente que nos governa (e a que se prepara para nos governar...), não tem medo dele e ainda menos vergonha na cara.

Com esta gente não há Adamastor que nos valha...

Percebe-se pela urgência em despedir os mais de 300 funcionários da "Groundforce", ao mesmo tempo que (segundo a imprensa) foram contratados mais 274 funcionários para as voltinhas da governação
.

domingo, novembro 07, 2010

A Biblioteca do Senhor Arménio

Quando passei com os meus filhos próximo das velhas portas altaneiras dos Pavilhões do Parque, expliquei-lhes que era ali que se situava a Biblioteca Calouste Gulbenkian, o "paraíso" dos livros sem imagens das Caldas.

O meu filho estranhou que um edifício gigantesco acolhesse uma biblioteca. Expliquei-lhe então que os históricos Pavilhões acolheram muito mais coisas, e que a biblioteca ficava-se por um espaço relativamente modesto, no primeiro piso que aparece na fotografia.

A parte de "leão" do edifício, que até já fora quartel militar, era o liceu, onde andei no ensino secundário.

Ainda bem que o senhor Calouste, em fuga da Guerra que destruiu grande parte da Europa, ficou por cá e por gostar tanto do nosso país, acabou por fazer parte da sua história, através da Fundação com o seu nome, que deu um impulso às artes e letras portuguesas, como jamais alguém tinha dado, sendo, sem sombra de dúvida, o maior mecenas que este país já teve.

quinta-feira, outubro 28, 2010

A Descoberta do Oeste

A região do Oeste é de tal forma especial, que até atrai os "bandoleiros" mais improváveis.

Depois de se terem encontrado elementos da ETA em Óbidos, agora foi a vez de se descobrir membros da "máfia siciliana", no Carvalhal, próximo do Bombarral.

Só espero que os adoradores do "bin laden" não resolvam aparecer por aí, um dia destes, também encantados com o Oeste...

Este aparecimento levanta ainda outra questão: será que estão a confundir este Oeste, com o dos "westerns" americanos, das terras onde imperava a lei da bala?
O óleo é de Lee Harvey Roswell.

domingo, outubro 24, 2010

O Banco Azul...

Gostava tanto daquele banco azul, de madeira, onde se costumavam sentar as visitas da avó, quando lhe vinham contar alguma novidade ou simplesmente receber a sua companhia, como era o caso da prima Beatriz.

A vizinha de frente da avó, assim que pressentia que havia alguém em casa, aparecia quase de rompante, desejosa de meter a conversa em dia. A criatura chamava-se Manelina e acho que foi graças a ela que aprendi a detestar as pessoas que passavam o tempo a falar mal da vida dos outros.

A Beatriz era a única pessoa que me lembro de ir lá a casa e nunca dizer mal de ninguém, nem mesmo da besta do marido. Mulher sofrida, sem filhos e com um homem que não a respeitava, levantava-se sempre que a Manelina trazia para a mesa as tricas da vizinhança, e ia embora, sem se esquecer de lhe deixar um recado: «a minha vida já me dá tantos trabalhos, que dispenso as misérias alheias.»

A Manelina engolia em seco e remetia-se ao silêncio. Só quando já a via longe e que voltava à carga, tentando pintar-lhe a manta. A avó interrompia-a e dizia que não conhecia ninguém como a prima Beatriz, que embora não passasse o tempo todo enfiada na igreja, era uma santa comparada com as beatas da aldeia.

A Manelina acusava o toque e ia-se embora, desabafando que já não se podia abrir a boca...
Era nestas alturas que o banco azul voltava a ser todo meu, onde podia brincar com os meus carrinhos e inventar estradas e casas com pedaços de madeira, onde costumava desenhar portas e janelas...
O óleo é de Collin Frazer.

segunda-feira, outubro 18, 2010

E Vi o Pôr do Sol na Foz


Sim, acabámos a tarde de sábado na Foz do Arelho, tão sujinha...

Foram as marés vivas, mas o " doutor costa" podia ter mandado até à praia a "brigada de limpeza". Ficava-lhe bem...

Mas estava um dia delicioso, até se avistava com nitidez as Berlengas (coisa rara...). E vimos o Sol a mergulhar no Oceano...

Também Fui ao Museu...


Desta vez, para variar, fui ao Museu da Cerâmica...

Esta peça é do Rafael Bordalo Pinheiro, que gostava da arte em grande...

Ainda Lá Está...


Este fim de semana passei pelas Caldas e numa das minhas "viagens" descobri que a velha casa onde moravam os avós do Zeca e do Jaime, ainda existe...

terça-feira, outubro 12, 2010

Uma Imagem Tão Viva


Este belo quadro de Aldo Luongo, levou-me de viagem à infância, pela pose descontraída, quase em jeito de desafio da malta retratada.
Este quarteto podia ser tanta gente... os meus amigos da escola, os meus amigos do bairro, os meus amigos da bola, os meus amigos da rua... até pelas idades diferentes.

Pela minha experiência de vida, eu teria de ser um dos mais pequenos, pois passei uma boa parte da infância atrás do meu irmão e dos seus amigos, que também acabavam por ser meus, o que me obrigava a crescer um palmo, ao mesmo tempo que era o "menino" do grupo, com as vantagens e desvantagens que daí advêm.

Obrigado Aldo Luongo!

quarta-feira, outubro 06, 2010

A Bela Sopa...

Ao olhar este óleo da russa, Zinaida Serebriakova, lembrei-me logo das fitas que o meu filho faz em relação ao sopa (e como estas coisas se pegam, a irmã também já finge que não gosta de sopa...).
Mas fui mais longe, lembrei-me que embora sempre gostasse de sopa, também não morria de amores pela sopa que a avó fazia - que o meu irmão adorava - só caldo e "entulho". Sempre gostei de sopa passada, com o respectivo "entulho"...
Quando estávamos em Salir de Matos de férias, eu era sempre um "problema" com a comida, porque estava mal habituado com a "comidinha da mamã" e estranhava aquela comida tradicionalmente portuguesa, cozinhada com a simplicidade da avó...
O que nunca estranhei foram os ovos estrelados e as batatas fritas em azeite, nem o chouriço assado na brasas do lume (a avó tinha um fogão que raramente usava, que estava na cozinha de fora) quase uma lareira que funcionava a lenha.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Um Nome, Uma História...


Estava a escrever mais um capítulo de um "possível" romance, e ao dar um nome a uma personagem (Zeca), lembrei-me de dois irmãos que foram meus amigos de infância e do meu irmão.

Chamavam-se Zeca e Jaime e tinham mais ao menos a nossa idade. Não lhes consigo dar um rosto, nem existe qualquer fotografia para os identificar, sei que eram "reguilas" como nós e davam cabo da paciência dos avós. Moravam num das transversais da rua da Estação (a última, a mais próxima da passagem de nível). Lembro-me que moravam com os avós e um dia qualquer mudaram-se e nunca mais os vimos.

Provavelmente foram morar com os pais. Nesses anos sessenta e setenta era comum os filhos ficarem entregues aos avós, devido à emigração. Nem sempre os pais tinham a possibilidade de ter os filhos com eles, especialmente aqueles que pensavam exageradamente no dinheiro que ganhavam, fazendo logo o "câmbio" de cabeça, no tempo do escudo, do marco e do franco...

O óleo "vivo" é de Mikael Bridges...

quinta-feira, setembro 23, 2010

Até Parece...


Sim, até parece que tenho menos histórias, que o filão do "Oeste" se esgotou...

Não, não é nada disso.
Tenho andado mais ocupado, sem vontade de abordar alguns temas, por razões que nem a própria razão conhece.

Também não tenho visitado tanto outros blogues por onde gosto de passar e me "cultivar".

Mesmo assim, fui surpreendido por algumas fotografias da autoria de Dário Manso (uma das quais publico com a devida vénia), publicadas no blogue do Externato Ramalho Ortigão, onde apareço algures, de bata branca, convocado pela minha querida professora da escola primária, para participar na inauguração da Estátua do Marechal Carmona (que nunca percebi porque razão não voltou ao lugar...), em Junho de 1971. Estou na primeira fila nas escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no largo do Borlão.
Fiquei sempre com a ideia que tinha estado presente o almirante Américo Tomás com a sua celebre tesoura, em mais uma inauguração.

Se por acaso alguém se lembrar do facto, diga se sua excelência, o almirante "corta-fitas", esteve nas Caldas ou não...

terça-feira, setembro 14, 2010

Preservar a Imagem

Nunca foi tão importante como hoje, preservar a imagem.

Talvez por isso me apeteça mostrar, com alguma ironia, a única coisa realmente pública da visita que fiz ao "Bowling" das Caldas, com alguns amigos que continuam a surgir nas brumas do tempo com vários rostos, preenchidos por mil e uma memórias, que se repartem pelos anos sessenta, setenta e oitenta.

A partir dos anos noventa, quase que "desaparecemos" das vidas uns dos outros, presos à "vidinha" que alguém nos destinara, sem sequer se lembrar de perguntar.

Andámos entre os quinze e os vinte anos, quase desaparecidos, vivendo as grandes mudanças das nossas vidas, praticamente sem testemunhas conhecidas por perto. Casámos, fomos pais, ganhámos peso, perdemos cabelo, que entretanto ganhou tonalidades de cinzento. Não sei quantos plantaram árvores, sei que fui o único que escrevi livros...

E agora a fotografia simbólica, porque os números também contam histórias, nem que seja dos pés de "cinderela", de cada um de nós...

segunda-feira, setembro 06, 2010

A Paisagem Beirã


Embora esta fotografia mostre água, também mostra as pedras, os rochedos que fazem parte integrante da paisagem Beirã.

Pena que muitas das casas que se reconstroem esqueçam a pedra. Claro que se trata de um esquecimento compreensível, devido aos custos e à dificuldade de encontrar quem utilize a pedra como instrumento de trabalho na construção.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Não Vou de Barco...


Não vou de barco, mas vou partir para mais um curto período de férias, uma semanita na Beira Baixa, para juntar à praia também um pedaço de campo, como fazia na minha meninice.
Depois da praia, ia sempre para Salir de Matos, para a casa dos avós maternos...
A foto é do nosso Parque, tirada a meio deste mês.

terça-feira, agosto 24, 2010

Interiores


Não olhei para o interior porque a pequena janela estava alta demais, limitei-me a disparar para lá da janela.

O resultado foi esta imagem.

Só depois vi que a porta das traseiras estava presa por um fio azul de electricidade, que desenrolei para entrar, pela última vez, para o que restava da casa da avó. O que sobrara do telhado ameaçava cair a qualquer momento, mesmo assim passei, porque queria ver novamente o jardim interior, onde brinquei em todas as estações...

sexta-feira, agosto 20, 2010

A Porta Não dá Tréguas...

Em mais uma visita a Salir de Matos, achei curioso a porta da casa da avó (enquanto existir, será sempre a casa da avò...), continuar direita, sem dar tréguas ao tempo, que foi encarregue de a deitar abaixo, pedra a pedra, lentamente...

Embora não se trate de uma "tortura", não deixa de ser triste que à boa maneira portuguesa, se deixem as casas cairem de "podres", até restar apenas um monte de entulho...

terça-feira, agosto 17, 2010

Passos dos Nossos Avós

Os projectos colectivos têm vários aspectos positivos, o maior é a possibilidade de conhecermos e convivermos com pessoas, completamente desconhecidas até ai, ficando sempre algumas portas entreabertas.

Foi o que aconteceu com o livro, "25 Olhares de Abril", coordenado por Carlos Garrido e publicado em 2008. Através deste projecto conheci a professora Aida Baptista, que estava a iniciar uma outra iniciativa, sobre os nossos avós. Ela acabou por me desafiar a escrever algo e eu enviei-lhe uma crónica sobre a minha vivência e do meu irmão, com os meus avós, durante as férias grandes.
A crónica chama-se "Passeio pelo Campo", e é isso mesmo, uma viagem pelas fazendas e vinhas do avô, de Salir de Matos. Aliás, alguns episódios já foram relatados por aqui, nas minhas "Viagens pelo Oeste".

Entre os dias 26 e 28 de Julho realizou-se em Lisboa o "II Congresso Internacional A Voz dos Avós: Migrações e Património Cultural", tendo sido lançado o livro, "Passos de Nossos Avós", coordenado pelas professoras Aida Baptista e Manuela Marujo, com a tal crónica e mais trinta e duas.
Não assisti ao lançamento (por estar de férias no Sul) mas já tenho o livro, que está muito bonito, pois além das histórias sobre os nossos avós, está ilustrado com a arte das crianças da Escola B.I. de Água de Pau, Açores.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Ouvir, Quase sem Espaço para Falar...

Ouvia-a, sem saber muito bem o que dizer.

Sei que não é das coisas mais bonitas revelarmos pena dos outros, mas naquele momento eu estava mesmo com pena dela, a escutar toda aquela dor que lhe saia da boca e se reflectia nos olhos.
Consegui recordar com saudade os almoços e jantares familiares que enchiam a casa dos avós, com filhos e netos. Éramos mais de vinte, nem sei como cabíamos todos à mesa... sei sim, havia sempre uma mesa "extra" para os mais pequenos...
Não eram aquela coisa feia, triste e chata que ela contava, com mais desconversas que conversas.
Mesmo assim fez-me pensar que de vez enquanto também apareciam conflitos à mesa, mas eram sempre bem geridos pelos avós, pelo respeito que impunham nos filhos e netos.

Continuava sem saber bem o que dizer, foi por isso que deixei fugir qualquer coisa do género: «a família banalizou-se, quase que não se têm filhos, quando há cinquenta, sessenta anos, meia-dúzia era um número normal.»

Ela respondeu-me, «ainda bem», fingindo-se aliviada.

Recordei que enquanto os avós foram activos, a família era um Farol sempre aceso e eles os faroleiros-mor, sempre de serviço, para que nenhuma "barca" fosse levada pelo Oceano...

Tão longe deste tempo, de casas vazias, de gente que se finge feliz, sozinha...
O óleo é de Jean Marie Barre.


quarta-feira, agosto 04, 2010

50 Fotografias dos Anos Cinquenta

Ofereci um dos meus livros a um amigo, que não fazia ideia que eu era de Caldas da Rainha.

Graças a esta descoberta, na última vez que nos encontrámos ele resolveu oferecer-me o livro-álbum, "50 Fotografias dos Anos Cinquenta, José Neto Pereira, Caldas da Rainha", organizado por Maria Isabel Xavier Baptista.
É um bonito livro, cheio de imagens e efemérides.
Obrigado, João.

quinta-feira, julho 15, 2010

O Mar da Foz

Vou para o Sul, com saudades do Mar da Foz do Arelho.

Lá não existem ondas que se façam respeitar e escutar, mesmo pelos nadadores mais atrevidos, nem bandeiras vermelhas desfraldadas, quase diariamente. E nem falo do nevoeiro, que até dá para esperarmos pela chegada do D. Sebastião, em qualquer barca...


Este mar sonoro e mexido prolonga-se quase até à Figueira da Foz. Esta foto por exemplo, foi tirada na Praia Vieira.


domingo, julho 11, 2010

Tão Longe do Areal Pintado de Toalhas

Os domingos de Verão são os únicos dias de folga para muita gente.

Talvez seja por isso, por serem de folga, de descanso, que não percebo as filas de pessoas que encontrei na estação de comboios do Cais de Sodré, em busca de bilhete para as "praias da linha".
Da mesma forma que não percebo as filas da ponte e das estradas de areia, rente às praias da Costa de Caparica, em direcção aos parques de estacionamento, onde não há espaço nem para um "carrinho de linhas"...
E nem vale a pena falar do areal "pintado de toalhas", quase sem espaço para mais uma, nem do mar cheio de gente...
Não é que queira uma praia só para mim, mas gosto muito de estar na areia e conseguir ouvir as conversas do mar.
É por isso que aos domingos, prefiro a calma de um parque ou jardim, que poderia muito bem ser o D. Carlos, que também tem barcos...

domingo, julho 04, 2010

Regresso às Origens



O sábado foi sobretudo diferente, o reencontro com uma parte da família em Salir de Matos.
Histórias que passam por nós de uma forma quase vertiginosa, os tios que eram rapazes solteiros e nos deliciavam com mil brincadeiras, são hoje avós, alguns andaram por outras terras (um deles continua longe, no Canadá...).
Não conseguem perceber este país (quem consegue?), nem a ligeireza com que se continua a tentar sugar a "teta" cada vez mais seca do estado, desde empresários (dos banqueiros milionários aos patrões instantâneos) a pobres por conveniência...

É sempre bom conversar sobre gente e lugares que amamos. Foi tão bom que nem sequer fui dar uma olhadela aos jogos dos quartos de final do Mundial...

As fotografias são fresquinhas, das Caldas e de Salir de Matos, símbolos da arte e da vida...

domingo, junho 27, 2010

Alfabeto Adiado


Fiquei curioso com o novo livro deste autor caldense, que antes publicara obras de poesia.

Curioso por ser a estreia de José Ricardo Nunes na prosa, por ser alguém da minha geração e pelas palavras de Henrique.
Provavelmente conhecemo-nos, nem que seja de vista, dos nossos tempos de liceu.
Como deverá estar à venda na 107, da Isabel, fica para a próxima visita às Caldas.

sexta-feira, junho 25, 2010

Claro que Não

Fui confrontado com uma questão estranha e pertinente por um "amigo da onça" (estou a brincar, Pedro...).

Primeiro fiquei a digerir, a verificar se realmente existiria algum contra senso meu, de fazer algumas criticas à distância de cem quilómetros sobre o "Mayor" das Caldas, depois cheguei à conclusão que não, estou no meu direito, enquanto natural do burgo e também como visitante assíduo.
Não, não acho nada que o presidente de qualquer Município só tenha de dar satisfações e explicações aos seus eleitores. As cidades são espaços abertos, como tal qualquer visitante ou turista, tem o direito de se insurgir contra aquilo que acha errado, e se tiver possibilidade, de confrontar os responsáveis pelas muitas "aberrações" que encontramos de Norte a Sul, deve fazê-lo.
Só faltava esta, as cidades serem espaços fechados, propriedade dos seus autarcas e munícipes.

Provavelmente o doutor Costa preferia, assim como a dona Maria Emília, da minha outra cidade.
Eu também preferia muita coisa...

segunda-feira, junho 21, 2010

As Termas...

Ainda há médicos que "receitam" banhos nas termas.

Foi por isso que um amigo me perguntou pelas Termas das Caldas. E eu sem saber o que lhe dizer.
Não sabia se estavam a funcionar, fui-lhe dizendo que pelas notícias que ia lendo pela "Gazeta" local, abria e pouco tempo depois fechava, devido a um qualquer contratempo, porque o hospital termal era velhinho...
Esta questão recordou-me que da última vez que estive com o meu irmão, entre as vários temas da nossa conversa, acabaram por surgir as termas, que foram durante tantos anos a "marca" de qualidade turística das Caldas e que hoje são quase nada...
Ele recordou-me alguns projectos, como o de instalar no coração da Mata da Rainha (no velho campo do Caldas) um complexo termal de grande qualidade, com hotel e todas as condições para quem faz férias termais.
Foi também por isto que tivemos de falar do presidente do Município, um populista igual a tantos outros do nosso país, incapazes de aproveitar o melhor das suas terras. Acham quase sempre que os caixotes de cimento e as rotundas são suficientes para o crescimento das suas urbes.
Os anos que temos perdido, de Norte a Sul, nestas "guerrinhas de mangerona", em que só se "acorda" no último ano de mandato, usando e abusando da memória curta dos eleitores.
Em relação às Caldas, tenho pena que não se aproveite a proximidade da Capital, assim como a beleza do Oeste, onde a cidade termal se encontra num lugar privilegiado, para se apostar a sério num turismo de qualidade, promovendo toda esta região especial.

domingo, junho 06, 2010

O Microclima do Oeste


Quando sai de Almada, a meio da manhã, o sol brilhava.

Quando ultrapassámos aquela linha que nos faz ter um clima único, mais fresco e agradável no Verão, algures para lá da Serra de Montejunto o céu foi engolido pelas nuvens.
A meio da viagem o telemóvel tocou, era a mãe a perguntar se trazíamos casacos, porque nas Caldas e arredores estava frio (a preocupação das mães...). Sorrimos, porque nunca sabemos muito bem o que nos espera no Oeste.
Mesmo assim mantivemos o programa e lá fomos molhar os pés à Foz do Arelho.
Parece que voltámos a ter praia (a aberta estava no sitio e a areia quase), embora o dia estivesse estranho, sem nevoeiro e quase sem sol...

Nas Caldas, onde nos esperavam para almoçar, o sol brilhava...
A foto é mesmo de hoje, cinzenta como este domingo, pelo menos até à hora de almoço, na Foz do Arelho.

quinta-feira, junho 03, 2010

"A Alma Marroquina" dos Mercados

Este postal é bem mais antigo que as minhas visitas na meninice à Praça da Fruta, "preso" à mão da mãe, no meio daquela confusão de gente, para trás e para a frente, num tempo em que não existiam supermercados, apenas mercearias e "lugares"...
Nesses tempos não havia preço tabelado, era tudo muito "marroquino", tudo muito discutido, o vendedor ia descendo, depois de começar "alto", o comprador ia subindo, depois de começar "baixo".
Para mim comércio era isto, discutir, virar costas ao vendedor e esperar (ou ter esperança) que ele nos chamasse, mesmo que viesse com a ladainha que estava a perder dinheiro, mas...
Na Praça do Peixe era a mesma coisa, embora aqui a coisa piasse mais fino, pois havia sempre quem não se preocupasse em vender peixe impróprio para consumo, pelo que a mãe tinha sempre duas ou três peixeiras de "confiança", daquelas que sabia que não lhe vendiam algo que não prestasse...
Infelizmente (ou não) tudo isto se foi perdendo com a modernidade...

sexta-feira, maio 28, 2010

Caldas a Caminho do Centenário

Soube pelo Zé Ventura que se realiza hoje o jantar do 94º aniversário do clube mais emblemático da minha cidade natal, o Caldas Sport Clube.

Apesar da distância física, continua a ser um clube especial para mim e acredito que ressurgirá a um nível mais próximo do seu historial, dentro de poucos anos. Para isso será essencial manter os "oportunistas" noutras "freguesias".
Desde a segunda metade dos anos sessenta do século passado que me habituei a ver os jogos do Caldas, no velho Campo da Mata.
Tantos jogadores que ainda recordo, desde o Fortunato, o guarda-redes das barbas, ao Custódio, patrão de tantas defesas, passando pelo Sena, um dos melhores centro-campistas da história do clube, os brasileiros Paulo Veloso e Lima, o Delfim, o Orlando, o Forneri, o Gaspar, o Vitor, o Sá Quintas, o Lúcio, e claro, os campeões da primeira divisão, com que me cruzava por vezes na rua: António Pedro, Anacleto, o Leandro, o Janita, o Fragateiro, e outros que também conheci, embora não os visse com tanta regularidade, casos do Rita, do Lenine e do Amaro, entre tantos outros, que sempre foram - e são - motivo de orgulho de todos os caldenses.
Que o futuro dê a mão ao Caldas e muita força aos actuais dirigentes, que têm resistido e lutado com grande determinação e coragem, perante as muitas contrariedades que foram surgindo pela frente.

terça-feira, maio 18, 2010

O Meu Museu...


No Dia Internacional dos Museus, seria imperdoável não falar do "meu museu"...

O Museu José Malhoa, que ainda por cima está instalado num sitio belíssimo, o Parque D. Carlos, da minha cidade...

Se pudesse, hoje ia ai, nem que fosse apenas para uma passagem rápida, em redor de tanta coisa bonita...


terça-feira, maio 11, 2010

A Hora de São Martinho

A confusão e as dúvidas que se mantêm em relação à recuperação da Foz do Arelho praia, deverão transformar São Martinho na praia do Verão. para uma boa parte dos caldenses que não rumam para outras paragens.
Só espero que o Vento não apareça muitas vezes, a fazer lembrar o deserto do "Sahara"...

sábado, maio 01, 2010

Maio

Maio é esperança, sempre foi...

É um mês bonito, florido, luminoso.

No fim de semana passado passei pela Foz do Arelho e já tinham conseguido fechar a aberta, contrariando as notícias da véspera da "Gazeta".
O Verão por aqueles lados continua a ser uma incógnita.
Não percebo porque razão estiveram quase à espera de Maio para fazer aquilo que parecia lógico, fechar a aberta e tentar fintar a natureza, abrindo-a mais para Sul, para os lados do Bom Sucesso...

Mas o que não falta neste país, são coisas que escapam à compreensão do cidadão comum...

domingo, abril 25, 2010

Abril


Abril não foi um sonho,
foi mesmo uma Revolução.

Foi um dia demasiado belo
e é muito mais que uma canção.

No entanto são os poetas e os trovadores da revolução quem melhor sintetiza o que se passou antes e depois...

Quando Zeca Afonso cantou (Vampiros), disse-nos quase tudo:

[...]
Se alguém se engana
com seu ar sisudo
e lhes franqueia
as portas à chegada
eles comem tudo
e não deixam nada
[...]

E nós enganámo-nos mesmo, franqueámos as portas à mesma gente, que no Estado Novo, enriquecia e deixava o povo à míngua e o Estado pobre, as célebres famílias que dominam hoje a banca, a pouca indústria e comércio que temos. Foram eles com a complacência e a "corrupção" ética e moral de uma parte significativa dos ministros e secretários de estado, que nos governaram desde a década de oitenta até aos nossos dias (dou o benefício da dúvida aos que governaram na década de setenta, por todas as convulsões e dúvidas que ainda existiam...).
Com outros empresários e outros políticos, Portugal seria um país muito diferente, para melhor, não tenho qualquer dúvida...
E é uma pena constatarmos que Abril não se cumpriu integralmente. Sobra a LIberdade, que também já não é o que era...

domingo, abril 18, 2010

A Conversa era Outra...

Não sabia o que colocar nas "Viagens" e fui à pasta das minhas fotos e escolhi aquela. Depois acrescentei-lhe palavras...

Falava mais da paisagem que do comboio, que anda à vinte anos (pelo menos...) a ser maltratado, a ser quase obrigado a não servir e transportar ninguém, a não ser que seja um qualquer habitante de um apeadeiro longinquo, sem carro, onde ainda passa o comboio uma ou duas vezes por dia...
Falava que a entrada e saída pela Linha do Oeste era feia, triste, abandonada, tal como os composições e as máquinas com aquele som característico que aprendemos na primária: «pouca terra, pouca terra, pouca terra...»

Em relação ao resto, têm toda a razão...
Em nome das portagens, do negócio da gasolina e dos automóveis, destruiu-se no nosso país, em poucos anos, o melhor transporte do mundo...

sábado, abril 17, 2010

Chegar ou Partir pela Linha do Oeste

Embora não se note, esta é uma das entradas, ou saídas, das Caldas da Rainha. Depende apenas do nosso destino, se vamos para Norte ou se vamos para Sul...
Além das viagens incontáveis que fiz de comboio, também percorri bastantes vezes esta linha a pé, num dos muitos exemplos das aventuras inconscientes, próprias da juventude, que todos praticamos.
Sei que não é das melhores entradas da cidade, porque a paisagem que encontramos em ambas as bermas, está longe de ser bonita. É uma parte que não cresceu nem foi aproveitada para se fazer um "lava olhos".
Como podem ver pela imagem, está um pouco abandonada, como destaque para os antigos celeiros da Ceres, que são olhados, quase como os arranha-céus (para não lhe chamar outro nome...) das Caldas.

sábado, abril 10, 2010

A Necessidade Aguça o Engenho

O dito "A Necessidade Aguça o Engenho" faz parte da sabedoria popular e também da natureza humana, felizmente.

Sei que há várias maneiras de se reagir à adversidade. Talvez que a mais comum seja mesmo baixar os braços. Talvez.
É por isso que é bom valorizar e aplaudir as pessoas que passam a vida a "remar contra a maré", mesmo quando as forças começam a faltar.
Tudo isto para dizer que gosto da forma como os comerciantes caldenses têm procurado contornado a crise, vindo para a rua, chamar os clientes.
Gostava que em Almada também fosse assim, mas parece que ainda falta alguma cultura do comércio aos lojistas da Margem Sul...

A imagem foi retirada das Águas Mornas do Zé Ventura.

sexta-feira, abril 02, 2010

É Verdade...

É verdade.

Estou em falta com o Oeste, estou a viajar muito pouco pelas minhas bandas, é que isto de "alimentar" três blogues tem que se lhe diga...
É a única desculpa que me ocorre, embora também esteja em falta com a minha cidade natal, pois nunca estive tanto tempo sem aparecer por lá...

São fases pelas quais passamos.
Talvez precise de remodelar a "casa", talvez precise de entrar por outros lugares, mas parar, não, não está nos meus horizontes. As "Viagens" ainda estão longe de estarem a prazo...

(resposta a uma pergunta de um leitor atento, devidamente identificado, via telemóvel...)

quinta-feira, março 25, 2010

O Parque Cheira a Primavera

Apesar da distância física, sei que o nosso Parque neste começo de Primavera, deve estar um espectáculo.
Aliás, o nosso Parque, é um espectáculo o ano inteiro. Nem mesmo o Inverno o dobra e o transforma num lugar feio e sem alma...

domingo, março 21, 2010

A Praça Nocturna


a praça nocturna
descansa, deserta e abandonada,

aguarda pela madrugada
abraçada aos candeeiros
sempre silenciosos e frios
que tentam iluminar a velha calçada

anseia pela claridade
que lhe devolve o sorriso e a vida
que saltam de dentro da gente simples
que a invade e devolve ao mundo

sonha com os pregões diários do mercado
para esquecer o vazio e à lentidão da noite fria…

As palavras são minhas, a fotografia é de certeza de um excelente fotógrafo, que desconheço e aplaudo...

quarta-feira, março 10, 2010

A Praça Pintada por Mártio

Coloco aqui mais um quadro da Praça da Fruta, pintado por Mártio, artista plástico almadense.
Um lugar que continua a manter o encanto e a cor, apesar de se perceber que é preciso fazer alguma coisa, para acabar com o marasmo que vai tomando conta daquele autêntico "monumento vivo" das Caldas.

sábado, março 06, 2010

Os Livros e a Sensação de "Barata Tonta"

Ontem quando me deslocava de cacilheiro para Lisboa, para o lançamento do livro, "Palavras em Jogo" (trinta entrevistas e um memória, um olhar invulgar sobre o desporto), de José do Carmo Francisco, poeta e jornalista, com raízes no Oeste, pois nasceu em Santa Catarina, Caldas da Rainha, lembrei-me do que me acontece em lançamentos de livros e inaugurações de exposições, na qual sou um dos principais intervenientes.

O nervoso que me acompanha (mesmo depois de começar a ser habitual...), e as muitas solicitações de amigos, familiares e até desconhecidos, faz com que ande de um lado para o outro, quase como uma "barata tonta". E muitas vezes, só depois é que me lembro que não falei com alguém que me é especial, limitámos-nos apenas a um cumprimento de fugida.
Regressando ao lançamento, a chuva diluviana que caiu por Lisboa a meio da tarde, não me afastou do "Teatro Trindade", pela amizade que tenho ao autor, e claro, porque o livro apresentado tem todo o interesse, pois estão lá entrevistas de pessoas de grande valor cultural, algumas das quais também tive o grato prazer de entrevistar para jornais.
Ou seja, esta obra de José do Carmo Francisco, vale a pena ser lida, não por abordar a temática desportiva, mas sim pela sua singularidade e pelo peso das palavras dos entrevistados.
Curiosamente, por contratempos de última hora, o livro acabou por ser apresentado pelo jornalista, António Simões, do jornal "A Bola", que viveu parte da infância e adolescência nas Caldas da Rainha, onde foi meu companheiro na equipa de atletismo do Arneirense.

domingo, fevereiro 28, 2010

O Banco do Parque

Gosto de fotografar janelas, portas, bancos.
De preferência vazios e limpos de gente.
Não sei explicar muito bem o porquê. Acho que tem muito a ver com a diversidade e com a própria arquitetura de cada um destes objectos.
Esta imagem do nosso Parque, tem muito a ver com este tempo, cinzento, com chuva, vento, frio, muitas folhas e troncos caídos no chão.
Hoje de manhã estive no café, a conversar, a olhar e a escrever.
Um dos meus companheiros chamou-nos a atenção que as últimas grandes catástrofes no nosso país, tem acontecido em Fevereiro. Dissemos quase em coro: «o que vale é que amanhã é Março». Não confirmei os dados, mas ele disse que as grandes cheias de Sacavém, Vila Franca de Xira e arredores, que fizeram centenas de mortos e milhares de desalojados (números branqueados pela censura, que nos fizeram recordar o papel de AJJ em relação à Madeira...), o terramoto de 1969, e agora a tragédia da Madeira, são de Fevereiro...

terça-feira, fevereiro 23, 2010

A Areia da Foz do Arelho

Estive a fazer um exercício de memória, em busca das primeiras recordações que tinha da Foz do Arelho.

Lembrei-me de uma manhã de nevoeiro, onde descobri a beleza dos seixos, aquelas pequenas pedras entre o esférico e o oval, de várias cores, quase sempre polidas pelo mar. Era pequenote e trouxe o balde quase cheio para casa...
Não me lembrei do frio, da maresia que nos refrescava a cara e o corpo, nos dias em que o sol teimava esconder-se, até pelo menos à hora do almoço.

As praias de Salir e S. Martinho do Porto, mais frequentadas pela família, não tinham nada daquilo, apenas a areia fina manhosa, que adorava colar-se ao nosso corpo e que sempre detestei...
Nesses tempos a família era mesmo uma instituição, lembro-me de fins de semana na praia, com os meus avós, tios e primos. Era uma animação...
Os almoços tornavam-se em autênticos piqueniques, em pinhais próximos da praia, com direito a sesta e tudo. Da ementa havia sempre arroz de tomate e panados, que comíamos em pratos de plástico, num ambiente de alegria e partilha, que hoje está tão em desuso...

A Foz do Arelho desse tempo tinha fama e algum proveito de ser uma praia perigosa, porque facilmente se perdia o pé nas margens da Lagoa. E a aberta também costumava fazer das suas, especialmente a nadadores incautos, que se assustavam ao mínimo sinal de remoinhos e por lá ficavam...
Mesmo com estes perigos, no começo da adolescência, começámos a saborear a praia sem a companhia dos pais. De bicicleta, lá íamos nós do Bairro dos Arneiros até à Foz do Arelho. Eu era o mais pequeno e o mais "reguila", daquele grupo de amigos que já não há...

Interrompi esta "prosa" para ir levar a minha filha à escola.

O vento fez-nos companhia, na caminhada. Houve mesmo um momento em que fechei os olhos e recordei outras caminhadas, já adulto, à beira-mar, fora de época, em que também fechava os olhos e sentia aquela frescura atlântica, tão agradável, perfumada com o sal do Mar mais comunicativo que conheço...
Sim, o mar da Foz , fala, ruge, irrita-se. É por isso que está a tomar conta do areal. É provável que ande um pouco indeciso, porque também gosta de ter companhia. Só espero é que não se lembre dos "auto-falantes" de Verão, para não se enfurecer ainda mais...

domingo, fevereiro 21, 2010

Um País Trágico

Com os Invernos mais rigorosos começa a vir ao de cima o pior que temos feito nos últimos trinta anos, ao nível do planeamento e ordenamento do território, assim como da própria defesa do meio ambiente onde estamos inseridos.

A Lagoa de Óbidos e a praia da Foz do Arelho só estão a passar por todos os problemas que conhecemos, porque nunca se fez nada para resolver os pequenos problemas que foram surgindo ano após ano, e que hoje são um caso dramático, ao ponto de já se colocar em causa a continuidade da Foz do Arelho como praia, pelo menos de mar...

O mesmo posso dizer da Ilha da Fuzeta, onde foi a própria natureza a "correr" com as dezenas casas abarracadas que existiam na Ilha...

E agora foi a vez da Ilha da Madeira, um paraíso que se transformou num pesadelo para os seus habitantes, em apenas dois dias, devido aos caprichos do tempo e dos homens, especialistas em cobrir ribeiras secas com betão...
Será que ainda não é desta que aprendemos com os erros que cometemos, de Norte a Sul, com passagem pelas nossas belas Ilhas?

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Outros Carnavais...


Quando somos pequenos achamos graça a tudo, felizmente...

Era por isso que o Carnaval era uma festa.
Na minha infância ainda não estavam em voga os balões de água, mas todos nós tínhamos uma bisnaga, meia dúzia de "estalitos" no bolso, e os mais atrevidos até tinham essas coisas perigosas que hoje são proibidas, a que chamávamos "bombinhas de carnaval". Fazíamos as habituais guerras de "índios e caubóis", desta vez com munições, embora liquidas. A única tragédia eram as chegadas a casa, mais molhados que secos...
Havia outro atractivo, que ainda hoje se usa, os ovos. Mas nós no meu bairro usávamos mesmo ovos dos bons, podres, daqueles pestilentos. Isso acontecia porque conhecíamos uma "lixeira" de um aviário, onde nos abastecíamos. E era com eles é que fazíamos verdadeiras guerras de carnaval nas ruas do bairro...
Depois cresci um palmo e também comecei a frequentar os bailes de carnaval, outro espaço privilegiado para a "malandragem", que aparecia sempre completamente mascarada. Ainda hoje estou a espera de ver cumpridas algumas promessas feitas por algumas musas, que acabavam sempre por deixar pistas, que as acabavam por identificar...

Não sei se crescemos, se envelhecemos. Sei apenas que as máscaras e os bailes são mesmo passado. Coisas de outros carnavais...
O óleo é de Philipe Guston.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

A Boa da Electricidade

Estava a conversar com amigo, sobre este triste país antes de Abril.
Embora sejamos da mesma geração, crescemos em sítios diferentes. Eu no Litoral, ele no Interior.
Ambos sabemos que a diferença entre a proximidade do mar e o distanciamento sempre existiu, não é coisa dos nossos tempos...
Mas o que nos uniu na conversa foi o facto de a maior parte das aldeias do interior não terem electricidade. Recordei a aldeia dos meus avós paternos, onde a única televisão que existia era a do também único café, movida por um gerador ensurdecedor. Ele recordou outras onde nem gerador existia...
Nós quando somos pequenos adaptamos-nos a tudo e não achamos as coisas estranhas. Eu por exemplo, vivia na cidade, numa casa normal, sem luxos mas com tudo o que deveríamos ter direito. E nunca estranhava ir para a casa dos meus avós maternos, onde passávamos parte das férias, dormir por exemplo num colchão cheio de folhas secas de milho. Até gostava de saltar em cima dele e ver como ficava deformado... Embora já tivéssemos electricidade (nunca me lembro da casa dos meus avós sem luz eléctrica... fomos mesmo dos primeiros de Salir de Matos a ter a instalação eléctrica, graças ao meu tio electricista), visitava algumas casas que apenas eram iluminadas a candeeiro de petróleo, daqueles de vidro, e a candeias de azeite.
Consigo ver todos à volta da mesa, na casa dos Antunes, a jantarem, com os rostos cheios de sombras do reflexo do candeeiro. Na altura achava aquilo exótico...
E sem luz não existiam frigoríficos, haviam sim as arcas de salmoura, onde se conservava a carne com sal grosso. Até o peixe era salgado (detestava os carapaus salgados, que só via pendurados na cozinha da avó)...
Foi Abril que trouxe a electricidade a quase todas as aldeias do país, assim como estradas, mais ou menos decentes.
Pensar que há por aí, quem queira o regresso de "Salazar".
A ignorância sempre foi e será, muito atrevida...