quinta-feira, outubro 28, 2010

A Descoberta do Oeste

A região do Oeste é de tal forma especial, que até atrai os "bandoleiros" mais improváveis.

Depois de se terem encontrado elementos da ETA em Óbidos, agora foi a vez de se descobrir membros da "máfia siciliana", no Carvalhal, próximo do Bombarral.

Só espero que os adoradores do "bin laden" não resolvam aparecer por aí, um dia destes, também encantados com o Oeste...

Este aparecimento levanta ainda outra questão: será que estão a confundir este Oeste, com o dos "westerns" americanos, das terras onde imperava a lei da bala?
O óleo é de Lee Harvey Roswell.

domingo, outubro 24, 2010

O Banco Azul...

Gostava tanto daquele banco azul, de madeira, onde se costumavam sentar as visitas da avó, quando lhe vinham contar alguma novidade ou simplesmente receber a sua companhia, como era o caso da prima Beatriz.

A vizinha de frente da avó, assim que pressentia que havia alguém em casa, aparecia quase de rompante, desejosa de meter a conversa em dia. A criatura chamava-se Manelina e acho que foi graças a ela que aprendi a detestar as pessoas que passavam o tempo a falar mal da vida dos outros.

A Beatriz era a única pessoa que me lembro de ir lá a casa e nunca dizer mal de ninguém, nem mesmo da besta do marido. Mulher sofrida, sem filhos e com um homem que não a respeitava, levantava-se sempre que a Manelina trazia para a mesa as tricas da vizinhança, e ia embora, sem se esquecer de lhe deixar um recado: «a minha vida já me dá tantos trabalhos, que dispenso as misérias alheias.»

A Manelina engolia em seco e remetia-se ao silêncio. Só quando já a via longe e que voltava à carga, tentando pintar-lhe a manta. A avó interrompia-a e dizia que não conhecia ninguém como a prima Beatriz, que embora não passasse o tempo todo enfiada na igreja, era uma santa comparada com as beatas da aldeia.

A Manelina acusava o toque e ia-se embora, desabafando que já não se podia abrir a boca...
Era nestas alturas que o banco azul voltava a ser todo meu, onde podia brincar com os meus carrinhos e inventar estradas e casas com pedaços de madeira, onde costumava desenhar portas e janelas...
O óleo é de Collin Frazer.

segunda-feira, outubro 18, 2010

E Vi o Pôr do Sol na Foz


Sim, acabámos a tarde de sábado na Foz do Arelho, tão sujinha...

Foram as marés vivas, mas o " doutor costa" podia ter mandado até à praia a "brigada de limpeza". Ficava-lhe bem...

Mas estava um dia delicioso, até se avistava com nitidez as Berlengas (coisa rara...). E vimos o Sol a mergulhar no Oceano...

Também Fui ao Museu...


Desta vez, para variar, fui ao Museu da Cerâmica...

Esta peça é do Rafael Bordalo Pinheiro, que gostava da arte em grande...

Ainda Lá Está...


Este fim de semana passei pelas Caldas e numa das minhas "viagens" descobri que a velha casa onde moravam os avós do Zeca e do Jaime, ainda existe...

terça-feira, outubro 12, 2010

Uma Imagem Tão Viva


Este belo quadro de Aldo Luongo, levou-me de viagem à infância, pela pose descontraída, quase em jeito de desafio da malta retratada.
Este quarteto podia ser tanta gente... os meus amigos da escola, os meus amigos do bairro, os meus amigos da bola, os meus amigos da rua... até pelas idades diferentes.

Pela minha experiência de vida, eu teria de ser um dos mais pequenos, pois passei uma boa parte da infância atrás do meu irmão e dos seus amigos, que também acabavam por ser meus, o que me obrigava a crescer um palmo, ao mesmo tempo que era o "menino" do grupo, com as vantagens e desvantagens que daí advêm.

Obrigado Aldo Luongo!

quarta-feira, outubro 06, 2010

A Bela Sopa...

Ao olhar este óleo da russa, Zinaida Serebriakova, lembrei-me logo das fitas que o meu filho faz em relação ao sopa (e como estas coisas se pegam, a irmã também já finge que não gosta de sopa...).
Mas fui mais longe, lembrei-me que embora sempre gostasse de sopa, também não morria de amores pela sopa que a avó fazia - que o meu irmão adorava - só caldo e "entulho". Sempre gostei de sopa passada, com o respectivo "entulho"...
Quando estávamos em Salir de Matos de férias, eu era sempre um "problema" com a comida, porque estava mal habituado com a "comidinha da mamã" e estranhava aquela comida tradicionalmente portuguesa, cozinhada com a simplicidade da avó...
O que nunca estranhei foram os ovos estrelados e as batatas fritas em azeite, nem o chouriço assado na brasas do lume (a avó tinha um fogão que raramente usava, que estava na cozinha de fora) quase uma lareira que funcionava a lenha.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Um Nome, Uma História...


Estava a escrever mais um capítulo de um "possível" romance, e ao dar um nome a uma personagem (Zeca), lembrei-me de dois irmãos que foram meus amigos de infância e do meu irmão.

Chamavam-se Zeca e Jaime e tinham mais ao menos a nossa idade. Não lhes consigo dar um rosto, nem existe qualquer fotografia para os identificar, sei que eram "reguilas" como nós e davam cabo da paciência dos avós. Moravam num das transversais da rua da Estação (a última, a mais próxima da passagem de nível). Lembro-me que moravam com os avós e um dia qualquer mudaram-se e nunca mais os vimos.

Provavelmente foram morar com os pais. Nesses anos sessenta e setenta era comum os filhos ficarem entregues aos avós, devido à emigração. Nem sempre os pais tinham a possibilidade de ter os filhos com eles, especialmente aqueles que pensavam exageradamente no dinheiro que ganhavam, fazendo logo o "câmbio" de cabeça, no tempo do escudo, do marco e do franco...

O óleo "vivo" é de Mikael Bridges...

quinta-feira, setembro 23, 2010

Até Parece...


Sim, até parece que tenho menos histórias, que o filão do "Oeste" se esgotou...

Não, não é nada disso.
Tenho andado mais ocupado, sem vontade de abordar alguns temas, por razões que nem a própria razão conhece.

Também não tenho visitado tanto outros blogues por onde gosto de passar e me "cultivar".

Mesmo assim, fui surpreendido por algumas fotografias da autoria de Dário Manso (uma das quais publico com a devida vénia), publicadas no blogue do Externato Ramalho Ortigão, onde apareço algures, de bata branca, convocado pela minha querida professora da escola primária, para participar na inauguração da Estátua do Marechal Carmona (que nunca percebi porque razão não voltou ao lugar...), em Junho de 1971. Estou na primeira fila nas escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no largo do Borlão.
Fiquei sempre com a ideia que tinha estado presente o almirante Américo Tomás com a sua celebre tesoura, em mais uma inauguração.

Se por acaso alguém se lembrar do facto, diga se sua excelência, o almirante "corta-fitas", esteve nas Caldas ou não...

terça-feira, setembro 14, 2010

Preservar a Imagem

Nunca foi tão importante como hoje, preservar a imagem.

Talvez por isso me apeteça mostrar, com alguma ironia, a única coisa realmente pública da visita que fiz ao "Bowling" das Caldas, com alguns amigos que continuam a surgir nas brumas do tempo com vários rostos, preenchidos por mil e uma memórias, que se repartem pelos anos sessenta, setenta e oitenta.

A partir dos anos noventa, quase que "desaparecemos" das vidas uns dos outros, presos à "vidinha" que alguém nos destinara, sem sequer se lembrar de perguntar.

Andámos entre os quinze e os vinte anos, quase desaparecidos, vivendo as grandes mudanças das nossas vidas, praticamente sem testemunhas conhecidas por perto. Casámos, fomos pais, ganhámos peso, perdemos cabelo, que entretanto ganhou tonalidades de cinzento. Não sei quantos plantaram árvores, sei que fui o único que escrevi livros...

E agora a fotografia simbólica, porque os números também contam histórias, nem que seja dos pés de "cinderela", de cada um de nós...

segunda-feira, setembro 06, 2010

A Paisagem Beirã


Embora esta fotografia mostre água, também mostra as pedras, os rochedos que fazem parte integrante da paisagem Beirã.

Pena que muitas das casas que se reconstroem esqueçam a pedra. Claro que se trata de um esquecimento compreensível, devido aos custos e à dificuldade de encontrar quem utilize a pedra como instrumento de trabalho na construção.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Não Vou de Barco...


Não vou de barco, mas vou partir para mais um curto período de férias, uma semanita na Beira Baixa, para juntar à praia também um pedaço de campo, como fazia na minha meninice.
Depois da praia, ia sempre para Salir de Matos, para a casa dos avós maternos...
A foto é do nosso Parque, tirada a meio deste mês.

terça-feira, agosto 24, 2010

Interiores


Não olhei para o interior porque a pequena janela estava alta demais, limitei-me a disparar para lá da janela.

O resultado foi esta imagem.

Só depois vi que a porta das traseiras estava presa por um fio azul de electricidade, que desenrolei para entrar, pela última vez, para o que restava da casa da avó. O que sobrara do telhado ameaçava cair a qualquer momento, mesmo assim passei, porque queria ver novamente o jardim interior, onde brinquei em todas as estações...

sexta-feira, agosto 20, 2010

A Porta Não dá Tréguas...

Em mais uma visita a Salir de Matos, achei curioso a porta da casa da avó (enquanto existir, será sempre a casa da avò...), continuar direita, sem dar tréguas ao tempo, que foi encarregue de a deitar abaixo, pedra a pedra, lentamente...

Embora não se trate de uma "tortura", não deixa de ser triste que à boa maneira portuguesa, se deixem as casas cairem de "podres", até restar apenas um monte de entulho...

terça-feira, agosto 17, 2010

Passos dos Nossos Avós

Os projectos colectivos têm vários aspectos positivos, o maior é a possibilidade de conhecermos e convivermos com pessoas, completamente desconhecidas até ai, ficando sempre algumas portas entreabertas.

Foi o que aconteceu com o livro, "25 Olhares de Abril", coordenado por Carlos Garrido e publicado em 2008. Através deste projecto conheci a professora Aida Baptista, que estava a iniciar uma outra iniciativa, sobre os nossos avós. Ela acabou por me desafiar a escrever algo e eu enviei-lhe uma crónica sobre a minha vivência e do meu irmão, com os meus avós, durante as férias grandes.
A crónica chama-se "Passeio pelo Campo", e é isso mesmo, uma viagem pelas fazendas e vinhas do avô, de Salir de Matos. Aliás, alguns episódios já foram relatados por aqui, nas minhas "Viagens pelo Oeste".

Entre os dias 26 e 28 de Julho realizou-se em Lisboa o "II Congresso Internacional A Voz dos Avós: Migrações e Património Cultural", tendo sido lançado o livro, "Passos de Nossos Avós", coordenado pelas professoras Aida Baptista e Manuela Marujo, com a tal crónica e mais trinta e duas.
Não assisti ao lançamento (por estar de férias no Sul) mas já tenho o livro, que está muito bonito, pois além das histórias sobre os nossos avós, está ilustrado com a arte das crianças da Escola B.I. de Água de Pau, Açores.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Ouvir, Quase sem Espaço para Falar...

Ouvia-a, sem saber muito bem o que dizer.

Sei que não é das coisas mais bonitas revelarmos pena dos outros, mas naquele momento eu estava mesmo com pena dela, a escutar toda aquela dor que lhe saia da boca e se reflectia nos olhos.
Consegui recordar com saudade os almoços e jantares familiares que enchiam a casa dos avós, com filhos e netos. Éramos mais de vinte, nem sei como cabíamos todos à mesa... sei sim, havia sempre uma mesa "extra" para os mais pequenos...
Não eram aquela coisa feia, triste e chata que ela contava, com mais desconversas que conversas.
Mesmo assim fez-me pensar que de vez enquanto também apareciam conflitos à mesa, mas eram sempre bem geridos pelos avós, pelo respeito que impunham nos filhos e netos.

Continuava sem saber bem o que dizer, foi por isso que deixei fugir qualquer coisa do género: «a família banalizou-se, quase que não se têm filhos, quando há cinquenta, sessenta anos, meia-dúzia era um número normal.»

Ela respondeu-me, «ainda bem», fingindo-se aliviada.

Recordei que enquanto os avós foram activos, a família era um Farol sempre aceso e eles os faroleiros-mor, sempre de serviço, para que nenhuma "barca" fosse levada pelo Oceano...

Tão longe deste tempo, de casas vazias, de gente que se finge feliz, sozinha...
O óleo é de Jean Marie Barre.


quarta-feira, agosto 04, 2010

50 Fotografias dos Anos Cinquenta

Ofereci um dos meus livros a um amigo, que não fazia ideia que eu era de Caldas da Rainha.

Graças a esta descoberta, na última vez que nos encontrámos ele resolveu oferecer-me o livro-álbum, "50 Fotografias dos Anos Cinquenta, José Neto Pereira, Caldas da Rainha", organizado por Maria Isabel Xavier Baptista.
É um bonito livro, cheio de imagens e efemérides.
Obrigado, João.

quinta-feira, julho 15, 2010

O Mar da Foz

Vou para o Sul, com saudades do Mar da Foz do Arelho.

Lá não existem ondas que se façam respeitar e escutar, mesmo pelos nadadores mais atrevidos, nem bandeiras vermelhas desfraldadas, quase diariamente. E nem falo do nevoeiro, que até dá para esperarmos pela chegada do D. Sebastião, em qualquer barca...


Este mar sonoro e mexido prolonga-se quase até à Figueira da Foz. Esta foto por exemplo, foi tirada na Praia Vieira.


domingo, julho 11, 2010

Tão Longe do Areal Pintado de Toalhas

Os domingos de Verão são os únicos dias de folga para muita gente.

Talvez seja por isso, por serem de folga, de descanso, que não percebo as filas de pessoas que encontrei na estação de comboios do Cais de Sodré, em busca de bilhete para as "praias da linha".
Da mesma forma que não percebo as filas da ponte e das estradas de areia, rente às praias da Costa de Caparica, em direcção aos parques de estacionamento, onde não há espaço nem para um "carrinho de linhas"...
E nem vale a pena falar do areal "pintado de toalhas", quase sem espaço para mais uma, nem do mar cheio de gente...
Não é que queira uma praia só para mim, mas gosto muito de estar na areia e conseguir ouvir as conversas do mar.
É por isso que aos domingos, prefiro a calma de um parque ou jardim, que poderia muito bem ser o D. Carlos, que também tem barcos...

domingo, julho 04, 2010

Regresso às Origens



O sábado foi sobretudo diferente, o reencontro com uma parte da família em Salir de Matos.
Histórias que passam por nós de uma forma quase vertiginosa, os tios que eram rapazes solteiros e nos deliciavam com mil brincadeiras, são hoje avós, alguns andaram por outras terras (um deles continua longe, no Canadá...).
Não conseguem perceber este país (quem consegue?), nem a ligeireza com que se continua a tentar sugar a "teta" cada vez mais seca do estado, desde empresários (dos banqueiros milionários aos patrões instantâneos) a pobres por conveniência...

É sempre bom conversar sobre gente e lugares que amamos. Foi tão bom que nem sequer fui dar uma olhadela aos jogos dos quartos de final do Mundial...

As fotografias são fresquinhas, das Caldas e de Salir de Matos, símbolos da arte e da vida...