domingo, abril 14, 2013

O Sol Apareceu...


Esta semana, quando me preparava para entrar na A8, não resisti e fui ver o "meu Mar" à Foz do Arelho.

Ele estava em forma, aliás está sempre, de Janeiro a Dezembro.

Alguns pescadores, algumas "turistas" e o cheiro a abandono, mais visível num dos quiosques coloridos, que já tiveram melhores dias numa das muitas praias do nosso país, que raramente foi acarinhada como merecia e devia...

E nem vou falar da Costa de Caparica...

Felizmente o Sol apareceu este fim de semana, marcando encontro com as pessoas, que estão de regresso aos areais quase brancos, para dar um «olá mar», mais alegre que de costume.

quarta-feira, abril 10, 2013

«Bom dia Cidade!»


Foi quase isto que fui fazer às Caldas, na terça-feira.

À cidade, praticamente só lhe fui desejar bom dia, embora já se caminhasse para a tarde. Mas não foi um bom dia qualquer, levava um sorriso aberto.

Ainda passei pelo Parque. Embora não esteja tão primaveril como noutros tempos, pensei que o iria encontrar pior, por ser mais uma "vitima", completamente inocente, das guerras de "poder" que se multiplicam por este país, quase sempre sem sentido.

O resto do tempo foi para colocar a conversa em dia com a  minha mãe.

sábado, abril 06, 2013

Voltar (ou não) aos Lugares onde Fomos Felizes


Os livros e os filmes falam sobre as nossas vidas, mesmo quando são escritos ou filmados por um japonês ou canadiano. As nossas generalidades dão quase sempre cabo das singularidades...

São eles que nos dizem, e é quase verdade (quase...), que não devemos voltar uma segunda vez aos lugares onde fomos muito felizes.

Acenam-nos de que a desilusão é certa...

Só se esquecem de um pormenor, da nossa capacidade de "ver coisas", mesmo onde elas já não existem...

(Onde me consigo abstrair com mais facilidade é nas praias que conheci na infância, algumas quase desertas e hoje têm avenidas que quase querem entrar no mar. Consigo quase sempre, ao fechar os olhos, ver os caminhos de areia que percorríamos até ao mar do nosso encantamento...)

O óleo é de Damian Elwes.

terça-feira, abril 02, 2013

Bom Dia Abril


Apetece-me dizer, «Bom dia Abril»!

Mas digo-o hoje, dia dois, para que não seja mentira.

Porque Abril é sempre sinal de esperança e muitas vezes de mudança.

Que seja, mas para melhor.

Esta janela que escolhi é tão "Oeste"... lembra-me outras janelas do meu contentamento, lá para os lados de Salir de Matos e arredores, onde fui feliz...

O óleo é de Damian Elwes.

quinta-feira, março 21, 2013

O Nosso Rafael no Google


Tal como a Isabel Castanheira, protectora da obra do grande Rafael Bordalo Pinheiro, também fiquei surpreendido pela "memória" do google, que lembrou para o país (e será que também para o mundo?), que hoje se comemorava o 167º aniversário do pai do Zé Povinho e de tantas outras figuras inesquecíveis.

E as Caldas a dormir na forma, como salientou a Isabel nos seus "Cavacos"...

quarta-feira, março 20, 2013

A Primavera


Durante anos a Primavera começava no dia 21 de Março, no mesmo dia que se comemorava o Dia da Árvore e o Dia Mundial da Poesia.

Recentemente houve alguém que decidiu que afinal a Primavera começa a 20 de Março, ou seja hoje.

Provavelmente existe alguma explicação científica para o facto (existe sempre...), mas continuo a pensar que a Primavera só começa amanhã...

E também espero que o nosso Parque continue com flores, como estas...

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

A Ilha dos Amores


O Parque das Caldas é um manancial de poesia, até tem a sua "ilha dos amores", que bem poderia estar aberta às pessoas...

Quando era mais pequenote, lembro-me que não possuía o gradeamento de hoje e de chegar a passear por lá.

Deve ter sido nos anos setenta, mas após a Revolução de Abril, um tempo sem os guardas de boné e apito em riste, sempre que colocávamos o pé na relva...

Sei que nem toda a gente sabe viver em liberdade, mas não tenho dúvidas que a vida era  muito mais agradável sem grades.

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Os 75 Anos dos Pimpões


Os "Pimpões" festejaram ontem a bonita idade de 75 anos.

É o grande clube do Bairro da Ponte, que tal como todos os outros bairros da cidade perdeu fronteiras e hoje é quase só Cidade.

Na infância e adolescência sentia alguma inveja por o meu bairro (bairro dos Arneiros, que hoje está praticamente colado...) não ter nenhum clube recreativo como os "Pimpões".

Alguns dos meus amigos da escola primária tinham ligações familiares a esta colectividade, que sempre primou pela diferença, privilegiando a cultura, através da música e do teatro.

Até a escolha do seu nome tem uma bonita história, já que se inspirou num dos vários jornais humorísticos  de Rafael Bordalo Pinheiro, o "Pimpão".

Parabéns a todos aqueles que dão vida a esta Colectividade, que fica numa rua que me é cada vez mais familiar. 

terça-feira, fevereiro 12, 2013

O Carnaval das Caldas


O Carnaval nas Caldas, ao contrário do de Almada, sempre foi uma quadra de alegria, desde o corso aos bailes.

Esta era mesmo a única altura que a maior parte do meu grupo de amigos frequentava bailes, principalmente os do Hotel Lisbonense e da Columbófilia, em que a festa durava até de manhã.

O corso também era sempre uma animação.

Não sei como é hoje. Falo do que me divertia há já mais de trinta anos...

O óleo é de Goyo Dominguez.

domingo, fevereiro 03, 2013

Quase uma Selecção do Oeste


O meu irmão enviou-me duas fotografias, uma delas era esta, a de uma estafeta de 4x400 metros, da qual ambos fizemos parte e em que batemos o recorde regional de Leiria (3.33,1), durante os campeonatos nacionais de estafetas disputados no Estádio Nacional, no final de Abril de 1985 (há quase trinta anos...), com as "cores" da Associação Penichense. Recorde que já era nosso, mas com as cores do Arneirense...

As aspas nas cores no parágrafo anterior não aparecem ali por acaso, pois ao longo de toda a época nunca recebemos qualquer equipamento do clube de Peniche. E como se pode ver pela fotografia, cada um de nós correu com o equipamento próprio que lhe apeteceu, como se fossemos de quatro equipas diferentes...

Ainda há outro aspecto curioso, esta equipa era quase uma selecção do Oeste, eu e o meu irmão em representação das Caldas, o João de Alcobaça e o Zabumba da Nazaré.

Foi uma época muito peculiar, em que só nos inscrevemos pela Associação Penichense pela amizade que nos ligava a António Vasconcelos, que deixara o Arneirense e fora treinar este clube de Peniche.

terça-feira, janeiro 29, 2013

Nazaré na Onda Mundial


Graças ao americano Garret McNamara as ondas gigantes da Nazaré estão mesmo no mapa dos surfistas de ondas largas e longas.

Agradeço ao Garret esta promoção do Oeste e espero que o "mundo" apareça e goste desta Terra bonita e acolhedora, conhecida anteriormente fora das nossas fronteiras  pelos seus corajosos pescadores e pelas mulheres de negro, memorizadas em fotografias que correram mundo. Agora é outro tempo, o dos surfistas mais destemidos, capazes de enfrentar ondas de muitos metros, como a da imagem tirada na segunda feira por Sérgio Mendes, de São Martinho do Porto.

Adenda: em alguns jornais a autoria da foto é atribuída ao Tó Mané. Se for o caso, as minhas desculpas ao autor pelo lapso.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Um Mal Nunca Vem Só...


Depois do jogo do empurra em relação à limpeza do Parque das Caldas, em foram alguns voluntários e amigos deste lugar tão belo e majestoso, que se organizaram para o deixar maia apresentável, o mau tempo resolveu ferir ainda mais o Parque...

Ver algumas imagens do que aconteceu com o temporal, como a da capa da "Gazeta das Caldas", fazem doer...

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Os Nossos Espelhos


Algumas das reacções do meu filho fazem-me lembrar a minha rebeldia enquanto adolescente, em que mesmo sem saber quase nada da vida, já pensava saber tanto.

Mas grave é vermos alguns adultos a confundirem as palavras como se fossem adolescentes.

Às vezes apetece-me dizer-lhes que convicção não é a mesma coisa que teimosia, tal como coerência não é sinónimo de burrice.

Mas para quê?

O desenho é do genial Rafael Bordalo Pinheiro.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

A Cidade Clandestina


Com toda esta publicidade ao "bairro vermelho" de Viseu, lembrei-me que nunca conheci nenhum bordel nas Caldas da Rainha. Pode ter sido por distracção, mas penso que não. 

Isso aconteceu sobretudo por ter crescido já em liberdade, a alguma distância da geração (aliás, gerações...) de homens que cultivavam a visita a bordeis, como símbolo de virilidade (e até iniciação sexual...) e das mulheres que preservavam a "virtude" quase até ao casamento.

Já tinha vinte e alguns anos quando alguém me apontou um prédio antigo na Praça da Fruta e me disse que durante bastante tempo existiu ali uma "casa de tolerãncia". 

Nunca soube da existência de outra, ou outras, que com toda a certeza funcionaram na "Cidade Clandestina"...

O óleo é de Dimitry Lisichenko.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Recordações da Minha Escola Primária


Estava ali por mero acaso, a ouvir coisas que não devia nem queria... de um pirralho que com os seus nove, dez anos, contava orgulhosamente as suas aventuras na escola primária,   para quem o queria ou não ouvir. Desvendava pormenorizadamente a forma como fazia "gato sapato" da professora, que devia ser um anjo sem asas...

O que me fez mais impressão foi o riso de satisfação dos pais, provavelmente por terem um filho tão espertalhaço. 

Paguei o café e continuei a marcha.

Para me esquecer do que ouvira, recordei com carinho a minha professora da escola primária. Passados tantos anos, ainda a consegui ver a ensinar-nos, numa das salas do rés de chão da escola do Bairro da Ponte...

O óleo é de Jim Daly.

quinta-feira, dezembro 27, 2012

O Final de Ano


A proximidade do fim do ano é sempre um período complicado, em que se fecham e abrem ciclos, com a naturalidade possível.

Apesar das perspectivas do país não serem as melhores, tenho vários projectos na "manga" para 2013, que se dividem por actividades que nem têm sido muito exploradas por mim.

Claro que a maior parte destes projectos serão produzidos sem quaisquer contrapartidas financeiras...

Dizem que quem corre por gosto não cansa, mas nem sempre é assim. Há dois projectos para serem desenvolvidos nas Caldas. Espero que o vento sopre favoravelmente.

Espero pelo menos sentir-me bem com o trabalho desenvolvido.

O óleo é de Andrzej Gudanski.

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Natal Feliz, Feliz Natal



Natal

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

Manuel Alegre

quarta-feira, dezembro 19, 2012

A Música e a Arte do Assobio


Estávamos a ouvir música, quando a minha filha me pediu para  lhe ensinar a assobiar. Fingi que não existia uma fórmula ou uma técnica especial na arte do assobio.

Disse-lhe que era tudo espontâneo e girava em volta do fôlego e do jeito de usar os lábios e a língua no sopro...

Ainda por cima tinha um contra, nunca fui muito bom no assobio, especialmente naquele estridente em que usamos os dedos como ajuda, que torna os estádios de futebol, num lugar ainda mais absurdo e ensurdecedor...

O óleo é de Jim Daly.

sábado, dezembro 15, 2012

Os Namoros Tardios dos Rapazes


A última vez que estive com o Gui foi extremamente rica, graças aos acasos que se foram intrometendo no meio da nossa conversa. Já escrevi sobre isso no "Largo", mas ainda sobrou alguma coisa para estas minhas "Viagens" no tempo...

Ele disse que nós somos mais inseguros que as mulheres, principalmente na adolescência. Não concordei. O argumento do Gui foram os nossos namoros tardios (pensa que ainda hoje é um bocado assim...). Andamos quase sempre em grupos de rapazes, o que faz com que os namoros aconteçam mais tarde.

Eu respondi-lhe que a insegurança devia ser igual, embora a condição de mulher fosse mais complicada que a nossa, até por razões biológicas (as particularidade do crescimento do seu próprio corpo, assim como a maternidade...). Acrescentei que havia uma coisa que devia ser decisiva para os nossos namoros tardios, era o facto de normalmente termos de ser nós a tomar a iniciativa. Isso fazia com que muitos "amores" ficassem adiados, pela timidez, tão presente da adolescência, com medo de recebermos um não...

O Gui depois de ficar em silêncio por alguns momentos, acabou por dizer que talvez tivesse razão.

O óleo é de Graig Nelson.

terça-feira, dezembro 11, 2012

O Gostar é Outra Coisa


Quem tem mais que um filho, raramente consegue ter o mesmo tipo de relacionamento com ambos. 

Isso não tem nada a ver com o gostar, tem mais a ver com as proximidades, com a conjugação de feitios, com os pontos comuns que nos unem. E claro, com a diferença dos sexos, que também é um ponto de atracção, no melhor dos sentidos...

O "barro" com que somos feitos e moldados nunca é igual, mesmo que venha da mesma "fábrica"...

O óleo é de Marina Marcolin.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Um Caldense a Chefiar a Protecção Civil


Tenho acompanhado pela comunicação social o percurso de José Manuel Moura, como bombeiro e como técnico reconhecido da protecção civil, com alguma satisfação.

Digo isto porque o  José Manuel foi meu companheiro de escola da primeira classe até ao final do ciclo preparatório. Era um bom amigo, calmo e pacato, já nessa altura ligado aos Bombeiros Voluntários das Caldas, por intermédio do pai.

 Não nos encontramos há mais de trinta anos, porque a vida é feita de muitos caminhos, que não têm necessariamente que se cruzar.

Desejo que tenha mais sorte e capacidade que o seu antecessor, pois o cargo de comandante operacional nacional da protecção civil, está longe de ser uma "pêra doce".

quinta-feira, novembro 29, 2012

Mais uma Visita de Médico às Caldas...


Ontem lá fiz mais uma "visita de médico" às Caldas.

Mesmo curta, ainda deu tempo para dizer um olá ao Zé Ventura e outro ao Henrique. Tanto um como outro, deixam a Cidade Termal e o Oeste muito bem representados na blogosfera.

E este cartaz é dos que estavam guardados da loja do Zé (há vários meses...), oferecidos pela Isabel, mãe e pai da inesquecível 107 e de tantos encontros literários que animaram a cidade...

quarta-feira, novembro 28, 2012

O Clube Grande das Caldas


O Caldas Sport Clube é o clube grande da minha cidade natal, por quase mil razões.

A principal acaba por ser o facto de ter participado durante quatro épocas consecutivas  no Campeonato Nacional da I Divisão, nos longínquos anos cinquenta do século passado. Durante largos anos foi a única equipa do distrito de Leiria a ter conquistado este feito.

Estas palavras devem-se ao facto de conhecer um antigo futebolista almadense (o Castro...), que jogou na equipa do Cova da Piedade que se sagrou campeã nacional da III divisão em 1971 e que quando soube que eu era das Caldas da Rainha, me contou que uma das coisas que se arrependeu durante a sua carreira futebolística  foi não ter aceitado alguns convites para mudar de ares, e um deles foi do Caldas.

Ainda hoje sinto uma grande honra em ter feito parte da sua primeira equipa de iniciados, na década de setenta do século passado.

Na foto uma das equipas que defendeu as cores do Caldas na divisão maior do futebol.


terça-feira, novembro 20, 2012

O Fascínio pela Banda Desenhada


As aventuras de banda desenhada fizeram parte integrante da minha infância e começo de adolescência.

Quando olho para trás, considero que foram bastante importantes como base de leitura. De certeza que me influenciaram, inclusive no gosto que tenho em contar histórias.

Claro que estou a contrariar um dos meus tios, que achava que os meus pais não nos deviam deixar ler tanto "lixo"...

Felizmente os meus pais nunca lhe deram ouvidos e nunca se preocuparam com essas leituras, por várias razões, num tempo em que os livros só com palavras eram objectos de luxo.

Tempo esse que está a voltar, lentamente...

O óleo é de Jim Daly.

sexta-feira, novembro 16, 2012

As Pequenas Memórias


Às vezes escrevo sobre o mesmo assunto nos meus três blogues. Hoje também aconteceu isso, pela feliz coincidência de José Saramago comemorar o seu 90º aniversário.

Ele surge aqui essencialmente porque "As Pequenas Memórias", acabam por ter alguma ligação às minhas "Viagens por Salir de Matos". Além de espelharem as memórias de Saramago na Azinhaga, a aldeia do Ribatejo onde nasceu e passou as férias na infância e adolescência, também reflectem alguns episódios das férias passadas nos campos, por muitos de nós.

Saramago fala entre outras coisas, da "aventura" que eram as pescarias no rio. Também eu, o meu irmão e outros amigos, andámos com pequenas canas artesanais à pesca nos pequenos ribeiros que passavam em redor de Salir de Matos, fascinados sobretudo pela beleza da água...

O óleo é de Jim Daly.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Os Pratos Metálicos...


Estava à procura de uma imagem para um trabalho, quando encontrei este quadro de Mário Fani, que estava guardado para publicar por aqui, um dia destes, com o pensamento no meu pai e no meu sogro, que já não estão entre nós.

Ambos nascidos e criados na Beira Baixa, tinham um fascínio pelos pratos metálicos, com que deveriam ter a maior parte das refeições durante os anos que viveram nas suas aldeias, que ainda continuam quase perdidas no interior.

Digo fascínio, porque pude testemunhar nos dois casos que, quando por uma ou outra razão, almoçavam sozinhos e tinham de tirar os pratos do armário, escolhiam sempre os de metal, quase escondidos e com muito pouco uso (a mãe usava-os apenas para os fritos...).

Só hoje é que pensei na razão pela qual o faziam. 

Provavelmente aquele gesto simbolizava o seu regresso à infância, à mesa da casa dos pais. Apesar de terem sido tempos de fome (ambos cresceram durante a Segunda Guerra Mundial...), estava tudo ali, reflectido naqueles pratos...

sábado, novembro 03, 2012

Comadres Desavindas


Segundo li nos jornais (primeiro no "Público", depois na "Gazeta"), a saída do "Costa" do "poleiro" está a provocar uma série de jogos obscuros, protagonizados pelos seus pares, na luta pela sucessão.

As notícias indiciam que o vereador da juventude é a vitima e o alvo a abater. Como não conheço bem os actores (lembro-me do Tinta na escola, deve ter menos um ano ou dois que eu...), há sempre a possibilidade deste jovem estar a utilizar a "vitimização" para colher votos...

Não deixa de ser curioso ver PSD das Caldas a alimentar cenas telenovelescas, na sempre interessante luta pelo poder.

Ainda não percebi se o "Costa" está a assistir a tudo isto no camarote presidencial ou se vai mesmo puxar algum tapete...

O desenho é do Rui Pimentel.

terça-feira, outubro 30, 2012

A Roupa por Medida


Às vezes entramos dentro da história dos outros sem querer.

Eram duas mulheres que sorriam ao recordarem que na infância a mãe adorava vesti-las de igual.

Também foi assim comigo e com o meu irmão. Aliás, com uma boa parte dos irmãos da minha geração e anteriores.

A nossa roupa era feita por uma modista (a prima Ermelinda...), que nos viu crescer ao centímetro  Lembro-me que a mãe também era uma boa cliente de uma senhora do Bairro da Ponte, que nos fazia as camisolas de malha...

As mesmas camisolinhas e casaquinhos que as duas mulheres recordavam, sem deixar de sorrir...

Felizmente não olharam para mim, não me apanharam a sorrir com a cumplicidade possível.

O óleo é de Jenifer Li.

sábado, outubro 27, 2012

Todos Somos Parciais...


Todos somos parciais, mesmo quando pensamos que não. Isso acontece sobretudo quando estão em causa pessoas que gostamos.

Acontece com os filhos (lembro-me sempre da anedota em que o filho de alguém é o único que vai com o passo certo, no desfile militar...) e com os amigos.

Lembro-me de no começo da adolescência achar que os meus amigos Xico Mendes e Paulo Gaspar eram futebolistas fora de série, o primeiro à baliza e o segundo no meio campo. E tive muita pena de não ter contado com a sua companhia na primeira equipa de iniciados do Caldas...

Mas também somos parciais no sentido contrário. Ou seja, quando não gostamos de alguém, temos dificuldade em dar-lhe o valor devido.

Isso aconteceu hoje nos palcos, não consegui achar graça a um canastrão, por saber que ele é uma merda de homem. Fui o único do grupo que não bateu palmas, que não foi capaz de soltar qualquer elogio. Percebi que desta vez era eu o tal do "passo trocado". Ninguém é perfeito...

O óleo é de Claude Verlinde.

terça-feira, outubro 23, 2012

Memórias das Caldas


Como acontece com a maior parte dos livros que falam das Caldas e das suas histórias, fiquei curioso com estas memórias, de Augusto da Silva Carvalho, apresentadas no passado sábado.

Espero que esta nova edição não esgote e a possa adquirir na minha próxima visita à Cidade.

sábado, outubro 13, 2012

O Cardeal, Fátima e as Manifestações


Hoje, dia 13 de Outubro, é dia de grandes manifestações.

Não estou propriamente  a pensar em Fátima, embora assim que ligasse a televisão, na  RTP1, para ver o "Jornal da Tarde", percebesse que hoje era dia de festa católica.

Além de ter mudado de canal, lembrei-me de imediato das palavras do Cardeal Patriarca, que por acaso pertence ao concelho das Caldas da Rainha, quando tentou desvalorizar as manifestações de rua, dizendo que estas não resolvem nada, nem as revoluções.

Ele lá terá as suas razões para dizer isto. Cerejeira de certeza que pensava a mesma coisa. Pelo menos aos governos de direita como o de Portugal, as manifestações religiosas e os milagres de qualquer nossa senhora, dão sempre mais jeito que as pessoas na rua a protestarem, cada vez com mais razão, pois o que estes governantes estão a fazer aos portugueses está próximo do roubo.

Esqueci-me que essas acções de massas religiosas não são manifestações, mas sim peregrinações...

terça-feira, outubro 02, 2012

Uma Boa Ideia


Não sei de quem partiu a ideia da crónica semanal, "ontem e hoje", que tem sido publicada na "Gazeta das Caldas". Sei apenas que é muito positiva e reforça o papel deste jornal regional no panorama jornalístico, que não se limita à linha do horizonte do Oeste.

As palavras são sempre "alimentadas" por duas imagens, o tal "ontem" em contraponto com o "hoje", que nos mostram o que mudou...

A Rainha das Caldas agradece, assim como os caldenses de dentro e de fora.

quinta-feira, setembro 27, 2012

Cada um de Nós tem o "Dinossauro" que Merece


Embora quem esteja no poder crie mecanismos que ajudam a sua perpetuação no lugar que ocupa, nós, cidadãos, somos os principais responsáveis pela manutenção do mesmo partido à frente de uma autarquia, duas e três décadas.

Claro que é triste que quem ocupa o poder não queira perceber que o seu tempo já passou. E esta dialéctica tanto serve para Fernando Costa nas Caldas, como para Maria Emília de Sousa em Almada. Apesar de defenderem cores políticas ideologicamente antagónicas, na prática esses aspectos quase que não se notam. 

O mais curioso é verificar que a maior parte dos "dinossauros" do nosso país, se pudessem mudavam a lei, para permanecerem mais um mandato no "bem bom"...

quinta-feira, setembro 20, 2012

Escrever de Memória


Uma boa parte das coisas que tenho escrito por aqui, têm tido como único auxiliar a memória.

Sei que há quem não se fie muito nela, ninguém é perfeito...

É por escrever sobretudo de memória, que chego aqui e ao querer escrever algo, não sei por onde ir...

Nunca quero fugir muito das Caldas, que para mim é o "coração" do Oeste (sim eu sei, tem corrido variadíssimos  riscos de AVC, graças ao senhor Costa...). É por lá que se encontra o meu "bairro", a minha "aldeia", a minha "praia", entre outras coisas "minhas"...

Abro a janela, fecho os olhos e espreito alguns lugares, algumas pessoas, quase que aceno, mesmo correndo o risco de não passar de um desconhecido...

O óleo é de Joaquin Mateo.

sábado, setembro 15, 2012

Manifestação


Não estarei na nossa Praça da Fruta, mas sim na praça José Fontana.

terça-feira, setembro 11, 2012

O Nosso Rex...


A minha tia recordou-me pedaços da infância, que já estavam esquecidos, um dia destes,ao jantar. Já nem sequer me lembrava que ela tinha morado no meu bairro, antes de emigrar para a Alemanha.

Falou-me do Rex, o pastor alemão deles que rebentava vezes demais com a corrente com que ficava preso, porque a criançada da vizinhança gostava de o confundir com um "touro" e fazer-lhe todo o tipo de patifarias, ao ponto de ele se soltar e colocar todo o quintal em pânico e depois desaparecer para o pinhal mais próximo.

Muitas vezes, depois da notícia chegar lá casa, era eu que saía em sua busca, com apenas seis, sete anos, e trazia-o de volta ao quintal dos tios. 

Mas era uma aventura e pêras, chegava a ser "arrastado" pela sua força, como se estivesse a fazer patinagem. Bastava ele sentir o cheiro dos malandretes que adoravam provocá-lo e lá ia eu.

As coisas que fazemos quando somos pequenos... e não tinha medo nenhum dele, até gritava com ele quando ele ficava mais violento. 

Nunca me fez mal. Pelos vistos também gostava de mim...

domingo, setembro 02, 2012

A Arte nas Estações de Comboios


Tenho saudades do tempo em que as estações de comboios eram um lugar aprazível, com belos azulejos a mostrar a quem chegava o que de melhor existia na Localidade e nos arredores.

Foi por isso que no mês passado, passei com os meus filhos pela estação deserta, para olharmos os lugares bonitos das Caldas, retratados na forma de azulejo...

domingo, agosto 26, 2012

A Facilidade com que se Inventam Palavras nas Aldeias


A minha avó materna sempre teve alguma facilidade em inventar palavras, pelo menos eu pensava assim, quando era mais jovem.

Tenho quase a certeza que nunca a corrigia, limitava-me a sorrir. 

E também não pensava muito nas coisas, muito menos na razão desta facilidade.

Agora já quase crescido, com os cabelos a branquearem, deu-me para decifrar este "enigma", que nem teve nada de complicado, apenas me exigiu alguma razoabilidade.

A sua capacidade de invenção estava ligada sobretudo à liberdade com que se comunicava (e ainda comunica...) oralmente  nas aldeias. 

A falta de escola, de regras gramaticais, do conhecimento formal dos verbos, substantivos e adjectivos, entre outras coisas ainda mais estranhas, tornava a sua linguagem original e autêntica. 

Não conseguiam ler livros mas a oralidade oferecia-lhes um mundo de palavras, que podiam utilizar a seu bel prazer.

O óleo é de Samane Turnbull.

sexta-feira, agosto 24, 2012

As Minhas Visitas "de Médico" às Caldas


Neste último ano a maior parte das minhas visitas às Caldas resumiram-se a um simples almoço de família.

A desculpa que ofereço a mim próprio é a agenda de fim de semana, quase sempre com actividades. Mas sei que não é apenas isso.

Há períodos das nossas vidas em que sentimos mais necessidade de regressar às origens, que outros.

Sei também que quando andamos a correr de um lado para o outro, temos menos tempo para parar e para pensar.

É verdade, quase que me esquecia que uma viagem de ida e volta para as Caldas de carro, já custa uma pipa de massa. O preço da portagem somado ao combustível, faz com que a viagem de apenas uma pessoa seja quase um "luxo". O comboio (que já foi o melhor transporte do mundo...) há muito que não é alternativa. Resta o "expresso", mas...

Sei também que quem fica a perder sou eu. As pessoas que não vejo, as conversas que não tenho...

Senti isso no fim da tarde do dia 15 de Agosto, em que me encontrei no Café Central com uma pessoa especial, com quem é sempre agradável falar, das coisas da cultura, dos livros, e claro, da nossa própria cidade. Estive à conversa com a Teresa uma hora e poucos minutos e além da sensação de prazer que tive, senti que ficou tanto por dizer...

quarta-feira, agosto 22, 2012

A Praça da Fruta das Caldas


Não é apenas o encanto da Praça ser ao ar livre, em pleno coração da cidade, que cativa turistas e forasteiros. É sobretudo o equilíbrio que existe entre a qualidade e o preço dos seus produtos.

Quem como eu vive nos arrabaldes da Capital, sabe que não encontra fruta e legumes com estas cores e cheiros, a estes preços, nos mercados locais, e muito menos nos hipermercados.

É por estas pequenas coisas que nos apetece por vezes (cada vez mais...) regressar ao Oeste...

domingo, agosto 19, 2012

Os Paços do Concelho


O meu filho chamou-me a atenção para a arquitectura do edifício, que hoje é a sede da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, e foi durante muitos anos, os Paços do Concelho das Caldas da Rainha, bem no coração da cidade, na Praça da Fruta. Quase que parece um templo religioso.

Recordei-lhe que em Almada se passa a mesma coisa, com a particularidade de a presidente continuar a manter o seu gabinete da presidência nesse edifício.

quinta-feira, agosto 16, 2012

O 15 de Agosto



O 15 de Agosto continua a ser um dia especial nas Caldas da Rainha.

Foi durante todo o século vinte (e parte do dezanove...)  o dia que  mais gente de fora atraía à Cidade Termal.

Os restaurantes, por exemplo, não tinham mãos a medir...

Hoje as coisas são diferentes, não apenas pela crise, mas também pelas mudanças que se têm verificado na Cidade.

Provavelmente o presidente da Câmara acha que tem feito um excelente trabalho (e tempo não lhe tem faltado...), mesmo que possa ser traído pela realidade, mais forte que a sua vaidade...

Por exemplo, se o dinheiro gasto no CCC e nas Piscinas Municipais tivesse sido investido num projecto termal moderno (também com uma sala de espectáculos e piscinas, que ainda por cima poderia ter apostado na recuperação do Casino do Parque...), as Caldas da Rainha seriam, sem qualquer dúvida, uma cidade diferente, mais à imagem da Rainha D. Leonor...

domingo, agosto 05, 2012

Gosto Dela Desde que me Lembro


Acho que gosto da Marylin desde que a vi (em fotografias, claro).

Não sei se é por ter desaparecido no ano que nasci ou por outra razão.

Tenho quase a certeza que me influenciou na minha preferência pelas louras...

domingo, julho 29, 2012

Frederico Silva Vice-Campeão Europeu de Ténis


O caldense Frederico Silva, a grande esperança do ténis português, sagrou-se vice-campeão europeu de ténis, sub-18, na Suiça.

Grande momento para o Frederico, para o desporto da nossa Cidade e para esta família de desportistas e gente amiga, especialmente para o Isidro, que tem apoiado da melhor maneira a carreira do filho.

segunda-feira, julho 23, 2012

A Casa dos Patudos


De regresso a casa, fizemos uma pausa em Alpiarça e fomos visitar a Casa dos Patudos.

Foi uma bela surpresa, especialmente para nós que gostamos de objectos de arte, coisa que não falta no Palacete que foi propriedade de José Relvas, um dos pais da República portuguesa.

Além dos magníficos azulejos, do mobiliário, das jóias, das louças, das esculturas, há dois aspectos que merecem um relevo especial: as peças artísticas de Rafael Bordalo Pinheiro e os quadros de José Malhoa (pintor da família...).
O quadro de José Malhoa que ilustra este texto, retrata Carlos Relvas, o pai de José Relvas, famoso fotógrafo e também cavaleiro tauromáquico.