quarta-feira, junho 05, 2013

Linha do Oeste


Desde bastante cedo que senti que a Linha do Oeste cortava a minha Cidade ao meio.

Antes de andar na escola, andei numa espécie de "pré-primária" e tinha de atravessar a linha, juntamente com o meu irmão, todos os dias, sob o olhar atento da senhora que abria e fechava as cancelas e erguia uma bandeira, quando as carruagens passavam, que recebia recomendações da mãe.

O comboio de mercadorias era um desespero para os condutores e uma alegria para nós, que tínhamos ali um bocado do "comboio eterno" do Pina. 

Um dos nossos entretimentos era contar o número "quase infinito" de carruagens...

terça-feira, maio 28, 2013

Os Meninos de Bronze


Mais uma fotografia da minha exposição, "Jardim com Artes", os "Meninos de Bronze", que quase guardam o Museu José Malhoa, uma das grandes casas de Cultura das Caldas.

domingo, maio 26, 2013

Prometido é Devido


Como prometido é devido, aqui está uma das fotografias que fazem parte da mostra, "Jardim com Artes, " que intitulei, "Barca Vermelha".

sexta-feira, maio 24, 2013

Jardim com Artes


Amanhã será inaugurada uma exposição de retratos da minha autoria, sobre o Parque das Caldas, no "Espaço Doces da Mimi", rua da Liberdade, nº 20 A, Almada.

Chamei-lhe, "Jardim com Artes", porque o Parque D. Carlos é isso e muito mais...

A exposição será composta por doze fotografias que fui tirando durante as minhas visitas a este lugar luminoso.

Algumas delas serão expostas aqui durante a próxima semana.

sábado, maio 18, 2013

Os Excelentes Museus das Caldas


Se há algo em que as Caldas da Rainha são pródigas, é na oferta cultural através de espaços museológicos.

Ao "consagrado" e belo Museu José Malhoa, junta-se o Museu da Cerâmica, outra excelente imagem da marca da Cidade e depois os museus-ateliers  Barata-Feyo, António Duarte, João Fragoso e ainda os museus do Ciclismo e do Hospital.

Para o fim fica o Museu Bernardo, que é o exemplo de uma forma diferente de fazer  e mostrar arte.

O mais curioso, é saber que uma boa parte dos caldenses não conhece a maioria destes espaços artísticos.

Hoje é um bom dia para os visitar, e porque não, voltar...

quarta-feira, maio 15, 2013

O Dia da Minha Cidade


Este 15 de Maio devia ser sobretudo um dia de esperança, um dia em que todos os caldenses sentissem que está na hora de mudar. Mas mudar a sério, não mudar para ficar tudo igual, apenas com o uso de "tinta" para disfarçar...

Não vivo nas Caldas, desde os dezoito anos, mas se vivesse, não tenho dúvidas que seria um "desalinhado", alguém farto da demagogia do senhor Costa, que com duas conversas, um aperto de mão e uma palmadinha nas costas, acredita que resolve os problemas (pelo menos os eleitorais...).

Imagino que a Rainha Dona Leonor, apesar do bronze e da sua quietude,  deve corar de vergonha por dentro, com todas as patifarias que esta gente que usa e abusa do poder tem feito, ao ponto de arruinar o seu melhor cartão de visita: a bonita Cidade Termal das peças de cerâmica  - com e sem Bordalo - e das cavacas doces.

domingo, maio 12, 2013

Ver a Rainha por uma Manilha


As Caldas da Rainha estão em obras, aliás, a rotunda da Rainha está em obras.

Não sei qual será a mudança visual, sei apenas que há coisas muito mais urgentes a fazer e a resolver na Cidade, mas talvez esta seja mais visível, agora que a "batalha" dos votos se avizinha e é preciso coisas para inaugurar e "cortar fitas"...

terça-feira, maio 07, 2013

Passagem pelo Bombarral...


No domingo fui almoçar às Caldas com a minha mãe e o meu irmão. 

Quando estava a chegar ao Bombarral deu-me vontade de sair da auto-estrada e visitar esta localidade, com o pensamento preso na velha estação de comboios.

Parei em vários lugares, até chegar à estação.

Tirei várias fotografias a casas com boa traça mas abandonadas (tal como acontece de Norte a Sul...).

Curiosamente a velha estação estava com muito bom aspecto. Limpa e florida...

domingo, maio 05, 2013

Tenho Saudades do Calor ó Mãe


Tenho Saudades do Calor ó MãeTenho saudades do calor ó mãe que me penteias 
Ó mãe que me cortas o cabelo — o meu cabelo 
Adorna-te muito mais do que os anéis 

Dá-me um pouco do teu corpo como herança 
Uma porção do teu corpo glorioso — não o que já tenho — 
O que em ti já contempla o que os santos vêem nos céus 
Dá-me o pão do céu porque morro 
Faminto, morro à míngua do alto 

Tenho saudades dos caminhos quando me deixas 
Em casa. Padeço tanto 
Penso tanto 
Canto tão alto quando calculo os corpos celestes 

Ó infinita ó infinita mãe 

Daniel Faria, in "Dos Líquidos"
O óleo é de Kuzma Petrov.

terça-feira, abril 30, 2013

A Dança, a Música e as Palavras


Ontem foi Dia da Dança.

Hoje é Dia do Jazz, essa música quase escura, que gosta tanto do improviso.

Embora ambas gostem de comunicar sem palavras, apenas com a magia dos corpos e dos sons que se soltam dos instrumentos, com quase muita liberdade, não resisto a escrever palavras.

Palavras sem vento, mas mexidas como se dançassem, num improviso avesso a regras, quase com pavor a gramáticas, porque sabe tão bem a liberdade...

Ao contrário do que muita gente diz, ainda é possível cheirar cravos, neste Abril que quer ser rendido por um Maio, mais maduro.

O óleo é de Massimo Maramo.

segunda-feira, abril 29, 2013

Os Campos Floridos


Neste fim de semana prolongado não estive no Oeste, andei pela Beira mais Baixa. E como gostei de ver os campos floridos, com tantas variedades de plantas e cores.

Bendita Primavera...

Como gostei de sentir a Liberdade...

terça-feira, abril 23, 2013

Livros e Leitores sem Idade


Apesar das mudanças na sociedade, o livro continua a ser o livro.

Continua a ser um companheiro de muitas horas e de gente de todas as idades.

Digo isto porque a minha filha com apenas oito anos, já é uma "devoradora" de livros de papel.

E não se contenta apenas com os cá de casa, gosta de requisitar livros da biblioteca da escola.

Claro que sei que esta paixão continua a ser coisa de minorias, uma boa parte das pessoas que compram livros, fazem-no com o intuito de decorar as estantes. É a vida...

A propósito tenho uma pequena surpresa no blogue "A Minha Carroça de Livros". Se vos apetecer, apareçam...

O óleo é de Robert Duncan.

domingo, abril 14, 2013

O Sol Apareceu...


Esta semana, quando me preparava para entrar na A8, não resisti e fui ver o "meu Mar" à Foz do Arelho.

Ele estava em forma, aliás está sempre, de Janeiro a Dezembro.

Alguns pescadores, algumas "turistas" e o cheiro a abandono, mais visível num dos quiosques coloridos, que já tiveram melhores dias numa das muitas praias do nosso país, que raramente foi acarinhada como merecia e devia...

E nem vou falar da Costa de Caparica...

Felizmente o Sol apareceu este fim de semana, marcando encontro com as pessoas, que estão de regresso aos areais quase brancos, para dar um «olá mar», mais alegre que de costume.

quarta-feira, abril 10, 2013

«Bom dia Cidade!»


Foi quase isto que fui fazer às Caldas, na terça-feira.

À cidade, praticamente só lhe fui desejar bom dia, embora já se caminhasse para a tarde. Mas não foi um bom dia qualquer, levava um sorriso aberto.

Ainda passei pelo Parque. Embora não esteja tão primaveril como noutros tempos, pensei que o iria encontrar pior, por ser mais uma "vitima", completamente inocente, das guerras de "poder" que se multiplicam por este país, quase sempre sem sentido.

O resto do tempo foi para colocar a conversa em dia com a  minha mãe.

sábado, abril 06, 2013

Voltar (ou não) aos Lugares onde Fomos Felizes


Os livros e os filmes falam sobre as nossas vidas, mesmo quando são escritos ou filmados por um japonês ou canadiano. As nossas generalidades dão quase sempre cabo das singularidades...

São eles que nos dizem, e é quase verdade (quase...), que não devemos voltar uma segunda vez aos lugares onde fomos muito felizes.

Acenam-nos de que a desilusão é certa...

Só se esquecem de um pormenor, da nossa capacidade de "ver coisas", mesmo onde elas já não existem...

(Onde me consigo abstrair com mais facilidade é nas praias que conheci na infância, algumas quase desertas e hoje têm avenidas que quase querem entrar no mar. Consigo quase sempre, ao fechar os olhos, ver os caminhos de areia que percorríamos até ao mar do nosso encantamento...)

O óleo é de Damian Elwes.

terça-feira, abril 02, 2013

Bom Dia Abril


Apetece-me dizer, «Bom dia Abril»!

Mas digo-o hoje, dia dois, para que não seja mentira.

Porque Abril é sempre sinal de esperança e muitas vezes de mudança.

Que seja, mas para melhor.

Esta janela que escolhi é tão "Oeste"... lembra-me outras janelas do meu contentamento, lá para os lados de Salir de Matos e arredores, onde fui feliz...

O óleo é de Damian Elwes.

quinta-feira, março 21, 2013

O Nosso Rafael no Google


Tal como a Isabel Castanheira, protectora da obra do grande Rafael Bordalo Pinheiro, também fiquei surpreendido pela "memória" do google, que lembrou para o país (e será que também para o mundo?), que hoje se comemorava o 167º aniversário do pai do Zé Povinho e de tantas outras figuras inesquecíveis.

E as Caldas a dormir na forma, como salientou a Isabel nos seus "Cavacos"...

quarta-feira, março 20, 2013

A Primavera


Durante anos a Primavera começava no dia 21 de Março, no mesmo dia que se comemorava o Dia da Árvore e o Dia Mundial da Poesia.

Recentemente houve alguém que decidiu que afinal a Primavera começa a 20 de Março, ou seja hoje.

Provavelmente existe alguma explicação científica para o facto (existe sempre...), mas continuo a pensar que a Primavera só começa amanhã...

E também espero que o nosso Parque continue com flores, como estas...

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

A Ilha dos Amores


O Parque das Caldas é um manancial de poesia, até tem a sua "ilha dos amores", que bem poderia estar aberta às pessoas...

Quando era mais pequenote, lembro-me que não possuía o gradeamento de hoje e de chegar a passear por lá.

Deve ter sido nos anos setenta, mas após a Revolução de Abril, um tempo sem os guardas de boné e apito em riste, sempre que colocávamos o pé na relva...

Sei que nem toda a gente sabe viver em liberdade, mas não tenho dúvidas que a vida era  muito mais agradável sem grades.

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Os 75 Anos dos Pimpões


Os "Pimpões" festejaram ontem a bonita idade de 75 anos.

É o grande clube do Bairro da Ponte, que tal como todos os outros bairros da cidade perdeu fronteiras e hoje é quase só Cidade.

Na infância e adolescência sentia alguma inveja por o meu bairro (bairro dos Arneiros, que hoje está praticamente colado...) não ter nenhum clube recreativo como os "Pimpões".

Alguns dos meus amigos da escola primária tinham ligações familiares a esta colectividade, que sempre primou pela diferença, privilegiando a cultura, através da música e do teatro.

Até a escolha do seu nome tem uma bonita história, já que se inspirou num dos vários jornais humorísticos  de Rafael Bordalo Pinheiro, o "Pimpão".

Parabéns a todos aqueles que dão vida a esta Colectividade, que fica numa rua que me é cada vez mais familiar. 

terça-feira, fevereiro 12, 2013

O Carnaval das Caldas


O Carnaval nas Caldas, ao contrário do de Almada, sempre foi uma quadra de alegria, desde o corso aos bailes.

Esta era mesmo a única altura que a maior parte do meu grupo de amigos frequentava bailes, principalmente os do Hotel Lisbonense e da Columbófilia, em que a festa durava até de manhã.

O corso também era sempre uma animação.

Não sei como é hoje. Falo do que me divertia há já mais de trinta anos...

O óleo é de Goyo Dominguez.

domingo, fevereiro 03, 2013

Quase uma Selecção do Oeste


O meu irmão enviou-me duas fotografias, uma delas era esta, a de uma estafeta de 4x400 metros, da qual ambos fizemos parte e em que batemos o recorde regional de Leiria (3.33,1), durante os campeonatos nacionais de estafetas disputados no Estádio Nacional, no final de Abril de 1985 (há quase trinta anos...), com as "cores" da Associação Penichense. Recorde que já era nosso, mas com as cores do Arneirense...

As aspas nas cores no parágrafo anterior não aparecem ali por acaso, pois ao longo de toda a época nunca recebemos qualquer equipamento do clube de Peniche. E como se pode ver pela fotografia, cada um de nós correu com o equipamento próprio que lhe apeteceu, como se fossemos de quatro equipas diferentes...

Ainda há outro aspecto curioso, esta equipa era quase uma selecção do Oeste, eu e o meu irmão em representação das Caldas, o João de Alcobaça e o Zabumba da Nazaré.

Foi uma época muito peculiar, em que só nos inscrevemos pela Associação Penichense pela amizade que nos ligava a António Vasconcelos, que deixara o Arneirense e fora treinar este clube de Peniche.

terça-feira, janeiro 29, 2013

Nazaré na Onda Mundial


Graças ao americano Garret McNamara as ondas gigantes da Nazaré estão mesmo no mapa dos surfistas de ondas largas e longas.

Agradeço ao Garret esta promoção do Oeste e espero que o "mundo" apareça e goste desta Terra bonita e acolhedora, conhecida anteriormente fora das nossas fronteiras  pelos seus corajosos pescadores e pelas mulheres de negro, memorizadas em fotografias que correram mundo. Agora é outro tempo, o dos surfistas mais destemidos, capazes de enfrentar ondas de muitos metros, como a da imagem tirada na segunda feira por Sérgio Mendes, de São Martinho do Porto.

Adenda: em alguns jornais a autoria da foto é atribuída ao Tó Mané. Se for o caso, as minhas desculpas ao autor pelo lapso.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Um Mal Nunca Vem Só...


Depois do jogo do empurra em relação à limpeza do Parque das Caldas, em foram alguns voluntários e amigos deste lugar tão belo e majestoso, que se organizaram para o deixar maia apresentável, o mau tempo resolveu ferir ainda mais o Parque...

Ver algumas imagens do que aconteceu com o temporal, como a da capa da "Gazeta das Caldas", fazem doer...

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Os Nossos Espelhos


Algumas das reacções do meu filho fazem-me lembrar a minha rebeldia enquanto adolescente, em que mesmo sem saber quase nada da vida, já pensava saber tanto.

Mas grave é vermos alguns adultos a confundirem as palavras como se fossem adolescentes.

Às vezes apetece-me dizer-lhes que convicção não é a mesma coisa que teimosia, tal como coerência não é sinónimo de burrice.

Mas para quê?

O desenho é do genial Rafael Bordalo Pinheiro.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

A Cidade Clandestina


Com toda esta publicidade ao "bairro vermelho" de Viseu, lembrei-me que nunca conheci nenhum bordel nas Caldas da Rainha. Pode ter sido por distracção, mas penso que não. 

Isso aconteceu sobretudo por ter crescido já em liberdade, a alguma distância da geração (aliás, gerações...) de homens que cultivavam a visita a bordeis, como símbolo de virilidade (e até iniciação sexual...) e das mulheres que preservavam a "virtude" quase até ao casamento.

Já tinha vinte e alguns anos quando alguém me apontou um prédio antigo na Praça da Fruta e me disse que durante bastante tempo existiu ali uma "casa de tolerãncia". 

Nunca soube da existência de outra, ou outras, que com toda a certeza funcionaram na "Cidade Clandestina"...

O óleo é de Dimitry Lisichenko.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Recordações da Minha Escola Primária


Estava ali por mero acaso, a ouvir coisas que não devia nem queria... de um pirralho que com os seus nove, dez anos, contava orgulhosamente as suas aventuras na escola primária,   para quem o queria ou não ouvir. Desvendava pormenorizadamente a forma como fazia "gato sapato" da professora, que devia ser um anjo sem asas...

O que me fez mais impressão foi o riso de satisfação dos pais, provavelmente por terem um filho tão espertalhaço. 

Paguei o café e continuei a marcha.

Para me esquecer do que ouvira, recordei com carinho a minha professora da escola primária. Passados tantos anos, ainda a consegui ver a ensinar-nos, numa das salas do rés de chão da escola do Bairro da Ponte...

O óleo é de Jim Daly.

quinta-feira, dezembro 27, 2012

O Final de Ano


A proximidade do fim do ano é sempre um período complicado, em que se fecham e abrem ciclos, com a naturalidade possível.

Apesar das perspectivas do país não serem as melhores, tenho vários projectos na "manga" para 2013, que se dividem por actividades que nem têm sido muito exploradas por mim.

Claro que a maior parte destes projectos serão produzidos sem quaisquer contrapartidas financeiras...

Dizem que quem corre por gosto não cansa, mas nem sempre é assim. Há dois projectos para serem desenvolvidos nas Caldas. Espero que o vento sopre favoravelmente.

Espero pelo menos sentir-me bem com o trabalho desenvolvido.

O óleo é de Andrzej Gudanski.

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Natal Feliz, Feliz Natal



Natal

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

Manuel Alegre

quarta-feira, dezembro 19, 2012

A Música e a Arte do Assobio


Estávamos a ouvir música, quando a minha filha me pediu para  lhe ensinar a assobiar. Fingi que não existia uma fórmula ou uma técnica especial na arte do assobio.

Disse-lhe que era tudo espontâneo e girava em volta do fôlego e do jeito de usar os lábios e a língua no sopro...

Ainda por cima tinha um contra, nunca fui muito bom no assobio, especialmente naquele estridente em que usamos os dedos como ajuda, que torna os estádios de futebol, num lugar ainda mais absurdo e ensurdecedor...

O óleo é de Jim Daly.

sábado, dezembro 15, 2012

Os Namoros Tardios dos Rapazes


A última vez que estive com o Gui foi extremamente rica, graças aos acasos que se foram intrometendo no meio da nossa conversa. Já escrevi sobre isso no "Largo", mas ainda sobrou alguma coisa para estas minhas "Viagens" no tempo...

Ele disse que nós somos mais inseguros que as mulheres, principalmente na adolescência. Não concordei. O argumento do Gui foram os nossos namoros tardios (pensa que ainda hoje é um bocado assim...). Andamos quase sempre em grupos de rapazes, o que faz com que os namoros aconteçam mais tarde.

Eu respondi-lhe que a insegurança devia ser igual, embora a condição de mulher fosse mais complicada que a nossa, até por razões biológicas (as particularidade do crescimento do seu próprio corpo, assim como a maternidade...). Acrescentei que havia uma coisa que devia ser decisiva para os nossos namoros tardios, era o facto de normalmente termos de ser nós a tomar a iniciativa. Isso fazia com que muitos "amores" ficassem adiados, pela timidez, tão presente da adolescência, com medo de recebermos um não...

O Gui depois de ficar em silêncio por alguns momentos, acabou por dizer que talvez tivesse razão.

O óleo é de Graig Nelson.

terça-feira, dezembro 11, 2012

O Gostar é Outra Coisa


Quem tem mais que um filho, raramente consegue ter o mesmo tipo de relacionamento com ambos. 

Isso não tem nada a ver com o gostar, tem mais a ver com as proximidades, com a conjugação de feitios, com os pontos comuns que nos unem. E claro, com a diferença dos sexos, que também é um ponto de atracção, no melhor dos sentidos...

O "barro" com que somos feitos e moldados nunca é igual, mesmo que venha da mesma "fábrica"...

O óleo é de Marina Marcolin.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Um Caldense a Chefiar a Protecção Civil


Tenho acompanhado pela comunicação social o percurso de José Manuel Moura, como bombeiro e como técnico reconhecido da protecção civil, com alguma satisfação.

Digo isto porque o  José Manuel foi meu companheiro de escola da primeira classe até ao final do ciclo preparatório. Era um bom amigo, calmo e pacato, já nessa altura ligado aos Bombeiros Voluntários das Caldas, por intermédio do pai.

 Não nos encontramos há mais de trinta anos, porque a vida é feita de muitos caminhos, que não têm necessariamente que se cruzar.

Desejo que tenha mais sorte e capacidade que o seu antecessor, pois o cargo de comandante operacional nacional da protecção civil, está longe de ser uma "pêra doce".

quinta-feira, novembro 29, 2012

Mais uma Visita de Médico às Caldas...


Ontem lá fiz mais uma "visita de médico" às Caldas.

Mesmo curta, ainda deu tempo para dizer um olá ao Zé Ventura e outro ao Henrique. Tanto um como outro, deixam a Cidade Termal e o Oeste muito bem representados na blogosfera.

E este cartaz é dos que estavam guardados da loja do Zé (há vários meses...), oferecidos pela Isabel, mãe e pai da inesquecível 107 e de tantos encontros literários que animaram a cidade...

quarta-feira, novembro 28, 2012

O Clube Grande das Caldas


O Caldas Sport Clube é o clube grande da minha cidade natal, por quase mil razões.

A principal acaba por ser o facto de ter participado durante quatro épocas consecutivas  no Campeonato Nacional da I Divisão, nos longínquos anos cinquenta do século passado. Durante largos anos foi a única equipa do distrito de Leiria a ter conquistado este feito.

Estas palavras devem-se ao facto de conhecer um antigo futebolista almadense (o Castro...), que jogou na equipa do Cova da Piedade que se sagrou campeã nacional da III divisão em 1971 e que quando soube que eu era das Caldas da Rainha, me contou que uma das coisas que se arrependeu durante a sua carreira futebolística  foi não ter aceitado alguns convites para mudar de ares, e um deles foi do Caldas.

Ainda hoje sinto uma grande honra em ter feito parte da sua primeira equipa de iniciados, na década de setenta do século passado.

Na foto uma das equipas que defendeu as cores do Caldas na divisão maior do futebol.


terça-feira, novembro 20, 2012

O Fascínio pela Banda Desenhada


As aventuras de banda desenhada fizeram parte integrante da minha infância e começo de adolescência.

Quando olho para trás, considero que foram bastante importantes como base de leitura. De certeza que me influenciaram, inclusive no gosto que tenho em contar histórias.

Claro que estou a contrariar um dos meus tios, que achava que os meus pais não nos deviam deixar ler tanto "lixo"...

Felizmente os meus pais nunca lhe deram ouvidos e nunca se preocuparam com essas leituras, por várias razões, num tempo em que os livros só com palavras eram objectos de luxo.

Tempo esse que está a voltar, lentamente...

O óleo é de Jim Daly.

sexta-feira, novembro 16, 2012

As Pequenas Memórias


Às vezes escrevo sobre o mesmo assunto nos meus três blogues. Hoje também aconteceu isso, pela feliz coincidência de José Saramago comemorar o seu 90º aniversário.

Ele surge aqui essencialmente porque "As Pequenas Memórias", acabam por ter alguma ligação às minhas "Viagens por Salir de Matos". Além de espelharem as memórias de Saramago na Azinhaga, a aldeia do Ribatejo onde nasceu e passou as férias na infância e adolescência, também reflectem alguns episódios das férias passadas nos campos, por muitos de nós.

Saramago fala entre outras coisas, da "aventura" que eram as pescarias no rio. Também eu, o meu irmão e outros amigos, andámos com pequenas canas artesanais à pesca nos pequenos ribeiros que passavam em redor de Salir de Matos, fascinados sobretudo pela beleza da água...

O óleo é de Jim Daly.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Os Pratos Metálicos...


Estava à procura de uma imagem para um trabalho, quando encontrei este quadro de Mário Fani, que estava guardado para publicar por aqui, um dia destes, com o pensamento no meu pai e no meu sogro, que já não estão entre nós.

Ambos nascidos e criados na Beira Baixa, tinham um fascínio pelos pratos metálicos, com que deveriam ter a maior parte das refeições durante os anos que viveram nas suas aldeias, que ainda continuam quase perdidas no interior.

Digo fascínio, porque pude testemunhar nos dois casos que, quando por uma ou outra razão, almoçavam sozinhos e tinham de tirar os pratos do armário, escolhiam sempre os de metal, quase escondidos e com muito pouco uso (a mãe usava-os apenas para os fritos...).

Só hoje é que pensei na razão pela qual o faziam. 

Provavelmente aquele gesto simbolizava o seu regresso à infância, à mesa da casa dos pais. Apesar de terem sido tempos de fome (ambos cresceram durante a Segunda Guerra Mundial...), estava tudo ali, reflectido naqueles pratos...

sábado, novembro 03, 2012

Comadres Desavindas


Segundo li nos jornais (primeiro no "Público", depois na "Gazeta"), a saída do "Costa" do "poleiro" está a provocar uma série de jogos obscuros, protagonizados pelos seus pares, na luta pela sucessão.

As notícias indiciam que o vereador da juventude é a vitima e o alvo a abater. Como não conheço bem os actores (lembro-me do Tinta na escola, deve ter menos um ano ou dois que eu...), há sempre a possibilidade deste jovem estar a utilizar a "vitimização" para colher votos...

Não deixa de ser curioso ver PSD das Caldas a alimentar cenas telenovelescas, na sempre interessante luta pelo poder.

Ainda não percebi se o "Costa" está a assistir a tudo isto no camarote presidencial ou se vai mesmo puxar algum tapete...

O desenho é do Rui Pimentel.

terça-feira, outubro 30, 2012

A Roupa por Medida


Às vezes entramos dentro da história dos outros sem querer.

Eram duas mulheres que sorriam ao recordarem que na infância a mãe adorava vesti-las de igual.

Também foi assim comigo e com o meu irmão. Aliás, com uma boa parte dos irmãos da minha geração e anteriores.

A nossa roupa era feita por uma modista (a prima Ermelinda...), que nos viu crescer ao centímetro  Lembro-me que a mãe também era uma boa cliente de uma senhora do Bairro da Ponte, que nos fazia as camisolas de malha...

As mesmas camisolinhas e casaquinhos que as duas mulheres recordavam, sem deixar de sorrir...

Felizmente não olharam para mim, não me apanharam a sorrir com a cumplicidade possível.

O óleo é de Jenifer Li.

sábado, outubro 27, 2012

Todos Somos Parciais...


Todos somos parciais, mesmo quando pensamos que não. Isso acontece sobretudo quando estão em causa pessoas que gostamos.

Acontece com os filhos (lembro-me sempre da anedota em que o filho de alguém é o único que vai com o passo certo, no desfile militar...) e com os amigos.

Lembro-me de no começo da adolescência achar que os meus amigos Xico Mendes e Paulo Gaspar eram futebolistas fora de série, o primeiro à baliza e o segundo no meio campo. E tive muita pena de não ter contado com a sua companhia na primeira equipa de iniciados do Caldas...

Mas também somos parciais no sentido contrário. Ou seja, quando não gostamos de alguém, temos dificuldade em dar-lhe o valor devido.

Isso aconteceu hoje nos palcos, não consegui achar graça a um canastrão, por saber que ele é uma merda de homem. Fui o único do grupo que não bateu palmas, que não foi capaz de soltar qualquer elogio. Percebi que desta vez era eu o tal do "passo trocado". Ninguém é perfeito...

O óleo é de Claude Verlinde.

terça-feira, outubro 23, 2012

Memórias das Caldas


Como acontece com a maior parte dos livros que falam das Caldas e das suas histórias, fiquei curioso com estas memórias, de Augusto da Silva Carvalho, apresentadas no passado sábado.

Espero que esta nova edição não esgote e a possa adquirir na minha próxima visita à Cidade.

sábado, outubro 13, 2012

O Cardeal, Fátima e as Manifestações


Hoje, dia 13 de Outubro, é dia de grandes manifestações.

Não estou propriamente  a pensar em Fátima, embora assim que ligasse a televisão, na  RTP1, para ver o "Jornal da Tarde", percebesse que hoje era dia de festa católica.

Além de ter mudado de canal, lembrei-me de imediato das palavras do Cardeal Patriarca, que por acaso pertence ao concelho das Caldas da Rainha, quando tentou desvalorizar as manifestações de rua, dizendo que estas não resolvem nada, nem as revoluções.

Ele lá terá as suas razões para dizer isto. Cerejeira de certeza que pensava a mesma coisa. Pelo menos aos governos de direita como o de Portugal, as manifestações religiosas e os milagres de qualquer nossa senhora, dão sempre mais jeito que as pessoas na rua a protestarem, cada vez com mais razão, pois o que estes governantes estão a fazer aos portugueses está próximo do roubo.

Esqueci-me que essas acções de massas religiosas não são manifestações, mas sim peregrinações...

terça-feira, outubro 02, 2012

Uma Boa Ideia


Não sei de quem partiu a ideia da crónica semanal, "ontem e hoje", que tem sido publicada na "Gazeta das Caldas". Sei apenas que é muito positiva e reforça o papel deste jornal regional no panorama jornalístico, que não se limita à linha do horizonte do Oeste.

As palavras são sempre "alimentadas" por duas imagens, o tal "ontem" em contraponto com o "hoje", que nos mostram o que mudou...

A Rainha das Caldas agradece, assim como os caldenses de dentro e de fora.

quinta-feira, setembro 27, 2012

Cada um de Nós tem o "Dinossauro" que Merece


Embora quem esteja no poder crie mecanismos que ajudam a sua perpetuação no lugar que ocupa, nós, cidadãos, somos os principais responsáveis pela manutenção do mesmo partido à frente de uma autarquia, duas e três décadas.

Claro que é triste que quem ocupa o poder não queira perceber que o seu tempo já passou. E esta dialéctica tanto serve para Fernando Costa nas Caldas, como para Maria Emília de Sousa em Almada. Apesar de defenderem cores políticas ideologicamente antagónicas, na prática esses aspectos quase que não se notam. 

O mais curioso é verificar que a maior parte dos "dinossauros" do nosso país, se pudessem mudavam a lei, para permanecerem mais um mandato no "bem bom"...