Desde pequenote que me habituei a percorrer as vinhas do avô. Primeiro a brincar às escondidas com o meu irmão e amigos, depois já com um balde e uma tesoura na mão, a cortar os primeiros cachos de uvas, e claro, desejoso de entrar, lá mais para a tardinha, no lagar, para transformar todos aqueles bagos em vinho, com os pés, numa quase dança milenar...
Não tenho dúvidas de que as vindimas são uma das actividades menos entediantes do campo, até por estarem ligadas ao convívio entre familiares e amigos, quase sempre alegre e brejeiro.
A habitual lavagem de roupa suja, protagonizada pelas mulheres, é quase sempre reforçada por deixas masculinas, próximas da anedota, que deixam toda a gente a sorrir, amenizando o ambiente.
Também é espaço de novidades, quase transformado num jornal de aldeia "cor de rosa", com uma lista enorme de casamentos, ajuntamentos e separações, claro. Também aparece sempre a filha de alguém, que é ou vai ser mãe solteira. O espanto das mulheres é suplantado mais uma vez pela bonomia dos homens, que deitam fora os falsos moralismos de ocasião: «para quê tanta admiração, se até os bichinhos gostam?» E lá voltam as gargalhadas, as anedotas e as histórias de outros tempos.
É por esta razão que um dos meus tios de Salir de Matos, não recusa qualquer convite para participar nesta "festa do vinho"...

































